A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 140

A Virtude do Demônio

O Demônio não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Felix estava parado ali, com seus canais auriculares sendo completa obliterados. Ele estava se contorcendo e dor, torcendo os braços sobre a cabeça para tentar segurar o rosto do seu pai, enquanto não conseguia nem mesmo gritar. A dor impossibilitou que ele respirasse.

Apenas alguns momentos depois, Felix caiu no chão depois de ser solto por Enka, caindo de joelhos enquanto segurava a cabeça. Logo depois ele desabou enquanto Eiro e Arc olharam para o jovem em choque. Claro, Arc tentou ver se ele poderia ser curado, mas… os canais auditivos das orelhas de Felix estavam tão queimados que foram completamente fundidos.

Eiro não conseguiria curar algo assim.

Seus batimentos aceleraram de novo e sua raiva o dominou.

‘Que tipo de pai faria isso com seu próprio filho?’

O Demônio levantou a cabeça e se levantou do chão com sua perna quebrada e corpo obliterado, ignorando a dor paralisante no seu corpo. Não era possível que a marca da ira assumisse o controle sobre ele de novo. Pelo menos não sem ele querer isso, e não havia motivos para ele negar o poder que a marca da ira forneceria agora.

— Oh? Ira agora? Me desculpe por isso, mas esse é o tipo de punição que aplicamos à traição da nossa própria carne e sangue. Não que você entenda sobre isso, suas crianças sofreram lavagem cerebral para ficarem com você. — Enka disse com um leve sorriso, pesando que já havia vencido.

Arc queria refutar o que ele disse, mas Eiro levantou um pouco a mão para impedi-lo, enquanto olhava para o lado onde viu Nelli retornando do lado. E com ela veio uma quantidade massiva de água alta refinada flutuando pelo ar, como se a gravidade não existisse.

Então o Diabrete olhou para Lugo. Parecia que ele não foi para a carruagem apenas porque estava assustado.

Na verdade, foi até lá para pegar umas coisas. Alguns cajados e varinhas que Eiro tinha na carruagem estavam na boca do Cervo, enquanto parecia haver ainda mais pedras mágicas armazenadas em um bolsa com muitas pedras refinadas grosseiras feitas pelo Gnomo.

Enquanto um pequeno sorriso aparecia no rosto de Eiro, Lugo parou atrás dele, com seus chifres se erguendo acima dele enquanto o Cervo derrubava todas as coisas que trouxe no chão na frente do Demônio, enquanto Nelli conseguia trazer a água também, mas Enka parecia se divertir.

— Heh, certo. Me desculpe, mas parecem muitas preparações inúteis sem sentido. Você estará morto antes que perceba. — Enka apontou e começou a levantar a mão em direção ao seu brinco, embora tenha sido interrompido por Eiro que começou a falar.

— Sabia… — Ele começou. — Que cajados têm um limite? — Eiro perguntou com um leve sorriso, e Enka parou sua mão. Ele parecia confiante o suficiente para escutar as loucuras de Eiro. — Um cajado algumas vezes pode ser sobrecarregado. É difícil de fazer com mana pura, mas se for o elemento mágico que você coloca neles, então é outra história. Quando um cajado é sobrecarregado, ele cria algo parecido com uma explosão de magia. Existem magos que se aproveitam desse fato em situações problemáticas, porque essa explosão é muito mais forte do que a magia que o cajado normal consegue lidar, embora seja bastante perigoso. — Eiro explicou com uma leve risada. Ele apenas leu sobre isso, nunca testemunhou.

Com um sorriso, Eiro conseguiu respirar fundo algumas vezes.

— E então, também há essa ‘essência da vida’ da qual você falou. É verdade que existe algo assim, mas na verdade ela é chamada de ‘Força Vital’. Enquanto a mana mantém o seu corpo espiritual junto, a Força Vital faz o mesmo com o seu corpo físico. Mana pode ser usada para controlar magia, e Força Vital para controlar o plano físico. — Eiro explicou olhando para Enka com um sorriso suave apesar do homem não compreender onde Eiro queria chegar.

— Então? Por que você está me dizendo isso? Escutei a coisa sobre cajados, mas não tenho certeza se tudo o que você disse sobre a ‘Força Vital’ é verdade. — Enka comentou. Bem, deixa para lá. Vou dar uma olhada, obrigada pela informação. Agora, adeus. — Ele riu e tateou o seu brinco.

Ou… ele tentou, mas, seu brinco não estava mais ali.

Com uma risada, Eiro levantou sua mão para revelar o brinco pequeno e redondo que continha uma joia redonda.

— Você não deveria ter ensinado o seu filho a furtar, não é? — Ele questionou, e então retirou uma adaga da sua Tesouraria antes de cortar o seu pulso, fazendo o sangue vermelho-profundo, muito infundido com Força Vital, derramar sobre os vários cajados e varinhas que estava no chão.

Feliz, Eiro ainda tinha Força Vital suficiente, mesmo que fosse apenas um em uma centena depois disso tudo.

— Bem, esse não foi o seu único erro. Seu maior erro foi me mostrar que mesmo que a identidade deles seja mantida em segredo, eu preciso ter certeza de que minhas crianças estão seguras, mas mesmo assim eu não sou o vilão aqui, então quero fazer um favor a você. — Eiro disse, enquanto acelerava seus batimentos e fluxo sanguíneo à força, sem deixar nenhum sangue escorrer pelo corte em seu pulso.

Eiro cerrou os dentes e pensou sobre tudo o que o irritava. Quão fraco ele era se comparado a pessoas como Enka, como não conseguiu salvá-los naquela época, como perdeu duas pessoas que amava e como perdeu ainda mais agora. E quanto ele desprezava Enka. Uma notificação vermelha com o texto azul apareceu na sua frente.

[Manual colocado no estado de sede de sangue!]

[Você ainda está sob o controle, mas os efeitos e custo da sede de sangue permanecem os mesmos]

Com um sorriso amplo enquanto sua fúria se tornava em êxtase, Eiro apertou o brinco e inseriu sua mana enquanto Enka começava a surtar, mas antes que mais alguma coisa acontecesse, o mundo parou.

Bem, não completamente.

Ele ainda estava se movendo, apenas muito, muito devagar, e Eiro conseguia se mover normalmente enquanto uma notificação aparecia na sua frente, sendo formada por uma névoa que Eiro nunca havia percebido até então.

[O tempo foi desacelerado. A durabilidade desse item mágico se esgotará depois que o efeito for usado por um total de 5 minutos e 43 segundos da sua perspectiva]

— Hmm… Está bem, eu acho. — Eiro murmurou e depois colocou o brinco na sua boca para que pudesse deixá-lo exposto, apenas no caso de isso ser necessário para funcionar, e então retirou uma Carta da sua Tesouraria. Na verdade, isso funcionou na mesma velocidade que o normal, o que foi muito bom. Ele a ativou e apareceram cinco anéis nos seus dedos. Parecia que esse era o limite que ele conseguia alcançar agora, com sua força de vontade muito aumentada.

E o que Eiro fez foi muito simples. Ele fez as lâminas se fundirem com os cajados e varinhas, esse tipo de coisa também era possível com ela. Elas conseguiam se fundir com qualquer tipo de arma ou ferramenta, até mesmo com escudos ou as ferramentas de esculpir de Eiro.

De qualquer forma, em seguida Eiro ergueu sua mão de madeira em direção à água que Nelli trouxe e começou a usá-la como base para desenhar diferentes círculos mágicos usando esses vários cajados. Todos deveriam ser ataques mágicos para causar o máximo de dano possível em Enka.

Assim que toda a água foi utilizada para fazer esses círculos mágicos complexos, Eiro pegou a pedras mágicas que Lugo trouxe para ele e começou a usá-las para extrair o máximo possível de magia bruta dessas coisas.

Em algum momento, os cajados e varinhas não conseguiriam mais absorver magia, como se alguém tivesse enfiado terra em uma bolsa. Se colocasse mais terra dentro, a bolsa se rasgaria em algum ponto. Era isso que Eiro esperava.

Depois que isso acontecia com algum desses cajados ou varinhas, o Diabrete seguia para o próximo até que isso se aplicou a todas elas. Claro, todas estavam posicionadas e flutuavam no ar, porque isso era algo que sempre acontecia quando Eiro soltava algo ali.

Eiro se virou para o lado e viu que ainda tinha três minutos sobrando, então decidiu continuar. O sangue já cobria todos os cajados e havia se infiltrado neles com a Força Vital de Eiro. Ele tentou fazer com que houvesse um pequeno foco na ponta de cada cajado, no ponto em que as magias se formavam, e então caminhou até o corpo de Enka. Eiro soltou as pedras mágicas que Lugo trouxe e começou a cortá-las com as lâminas do Três de Espadas.

Afinal, quando uma pedra mágica era cortada isso também resultaria em uma grande explosão. Eiro queria causar todo tipo de dano que conseguisse. E, como penúltimo passo, começou a empurrar todos que estavam no alcance o mais longe possível, para que não fossem machucados, ficando assim por mais um minuto.

Usando as pedras refinadas na bolsa que Lugo trouxe, ele cobriu seu punho com uma camada grossa e foi até Enka. Como ‘praticou’ com o pilar de gelo no pátio da pousada, Eiro começou a golpeá-lo com o máximo de força que conseguia reunir.

Golpe após golpe, o corpo de Enka foi empurrado ligeira. Suas bochechas afundaram, seus braços começaram a se torcer, suas costas arquearam e cada vez mais e Eiro começou a ficar satisfeito.

Eiro voltou a caminhar em direção aos outros e cuspiu o brinco, enquanto observava o cronômetro chegar em zero.

— Tchau, tchau, Enka Markos. — O Demônio disse com um leve sorriso e, no momento seguinte, o mundo acelerou novamente e a joia conectada ao brinco se estilhaçou em pó, enquanto tudo o que podia ser ouvido era uma explosão massiva seguida por escombros acertando o chão, até mesmo um pouco atrás de Eiro.

Uma onda de choque muito forte atingiu o corpo de todos, mas o foco de Eiro estava em uma coisa diferente.

Nas inúmeras notificações de dano na sua frente que continuavam aparecendo uma após a outra, como se fossem gotas de chuva numa tempestade. E ao fim delas, foram seguidas por uma notificação que Eiro queria muito ver agora.

[Dano letal causado a Enka Juviad Markos]

[Você subiu de nível!]

[Você subiu de nível!]

[Você subiu de nível!]

[Você tem 265 pontos de status disponíveis]

Um sorriso brilhante cresceu no rosto do Diabrete, enquanto cortava todas essas notificações com sua adaga. Sua mente se acalmou e ele saiu do estado de sede de sangue, enquanto espiava pela esquina e observava a o fundo da cratera no meio da rua, que tinha apenas uma poça de sangue e restos de carne em seu fundo.

Com uma risada, Eiro olhou para Nelli, Lugo e Arc.

— Estamos bem agora. Podemos continuar…. — Ele murmurou, antes de colapsar no chão ao lado do inconsciente Felix.

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