A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 132

A Virtude do Demônio

Todas as coisas que estavam em sua carruagem antiga foram transferidas para a nova. Como havia mais formas de armazenar algumas das coisas mais pesadas do lado de fora da nova carruagem, havia mais espaço no interior para todos. Desde que Felix iria junto deles, esse espaço era muito necessário.

Eiro fez com que o manequim entrasse na carruagem, enquanto nem o batedor nem o cocheiro estavam olhando, então retirou Lugo dos estábulos.

— Espere aqui, estou indo pegar as crianças. — O Demônio disse enquanto passava a mão sobre o focinho do seu familiar e, só por segurança, também olhou para o batedor. — Por favor, cuide para que ele não saia correndo ou algo do tipo. — Ele pediu, e o batedor assentiu.

— Claro, Mestre Eiro. Este é o seu familiar, eu presumo?

— Sim, e ele é um idiota, então, sério, não deixe que ele saia correndo. — O Diabrete repetiu e voltou para o prédio, entrando no sistema de passagens secretas assim que conseguiu, indo até o quarto deles.

Parecia que Arc e Clementine já estavam acordados, enquanto Rudy, Sammy, Felix, Avalin e Leon ainda dormiam. Enquanto Eiro abria a porta escondida, ele viu Arc se vestindo para o dia.

— Bom, você está de pé. Acordem esses dois, eu acordarei os outros. Quero que todos estejam prontos para partir em cinco minutos. — Eiro anunciou e, enquanto Arc estava bem com isso, Clementine escutou o que seu pai dizia enquanto abria a porta do quarto dela e dos outros e começou a reclamar.

— O quê? Cinco minutos? Mas nós ainda nem tomamos o café da manhã! — Clementine reclamou. Eiro resmungou e se aproximou das camas de Leon e Avalin.

— Temos algumas coisas para comer na carruagem. Apenas se apresse, por favor, não acho que devemos ficar nessa cidade por muito mais tempo. — Ele explicou, enquanto acordava os dois mais novos e ajudava a se trocar para que não tivessem que esperar por eles, ao mesmo tempo que Sammy acordava e se vestia, cansada.

Assim que todos ficaram prontos, eles se reuniram na porta do quarto e foram até o pátio traseiro com pressa. Durante o caminho, Eiro explicou que agora tinham uma carruagem nova e melhor, e que conseguiriam chegar ao destino deles mais rápido. Isso fez com que Sammy se sentisse animada e ela levantou Leon do chão, enquanto o garoto cansado esfregava os seus olhos para tentar acordar.

Felix caminhava no fim do grupo, apesar disso, Eiro tentou o seu melhor para ter certeza de que Felix não parasse de segui-los de repente. Ele parou uma vez, mas isso aconteceu porque ele começou a estremecer. Então, Eiro parou atrás dele e o empurrou para frente, enquanto tentava tranquilizá-lo de que tudo ficaria bem.

Assim que todos chegaram no pátio, Eiro notou uma comoção acontecendo à distância. Aparente, havia alguns guardas se reunindo não muito longe da pousada em que estavam, e isso fez Eiro se sentir mal.

— Entrem na carruagem agora, todos vocês. — O Diabrete disse para eles, e todos fizeram como pedido enquanto Eiro empurrava o Gnomo para dentro da carruagem e até mesmo Arc, que deveria dirigi-la, entrou nela. Eiro olhou para o cocheiro. — Eu poderia pedir para você dirigir a carruagem para nós até que estejamos fora da cidade? Não que ferir alguém neste lugar tão movimentado. — O Demônio explicou e, com um leve sorriso no rosto, o cocheiro se curvou.

— Claro que sim, Mestre Eiro. Permita-me. — Ele disse enquanto subia no assento na frente da carruagem e assumia as rédeas, esperando que Eiro ficasse pronto.

O Demônio montou nas costas de Lugo e assentiu para o cocheiro começar a dirigir, olhando para o batedor.

— Obrigado por cuidar de nós. Se houver mais um favor que eu poderia pedir… — Eiro explicou, e o batedor acenou a cabeça.

— Qualquer coisa dentro do meu poder, Mestre Eiro. — Ele respondeu, então Eiro sorriu leve e explicou.

— Se um grupo de guardas aparecer nesta pousada procurando por mim, por favor, diga que estou indo até a loja de Armodeus na terceira camada. — O Demônio disse, e o batedor assentiu de novo, bastante confuso.

— Claro que sim. Agora, por favor, tenha uma viagem segura, Mestre Eiro. — O batedor disse e Eiro assentiu com a cabeça, como um substituto para um sorriso, já que estava vestindo sua máscara e o batedor não seria capaz de vê-lo. Então, o Diabrete seguiu a carruagem em direção à saída mais próxima deles.

Apenas alguns minutos depois, o que Eiro pensou que poderia acontecer ocorreu. Os guardas procuravam por Eiro. Eles não contaram o porquê, mas parecia que os guardas em toda a cidade tentavam encontrá-lo, mas como Eiro ainda tinha sua máscara e capas antigas, ele se trocou para ter certeza de que não fosse reconhecido.

Isso não ajudaria muito quando os guardas já suspeitassem que Eiro fosse quem eles procuravam, mas como eles procurariam um homem com uma máscara branca e uma capa preta que cobria todo o seu corpo, esta máscara castanho-claro e capa, que era apenas uma capa com capuz, deveria ajudar a disfarçá-lo pelo menos um pouco.

Além disso, eles estariam usando a entrada para pessoas especiais, então os guardas poderiam prestar menos atenção nele se pensassem que Eiro fosse o atendente de alguém dentro da carruagem.

Para a sorte de Eiro, eles conseguiram sair da cidade sem ser reconhecidos. Apesar disso, o Demônio conseguiu reunir informações suficientes para entender pelo que estava sendo acusado. Parecia que, na noite passada, Irensen foi esfaqueado com uma adaga, e o funcionário da loja disse ter visto Eiro matá-lo.

Claro que isso era um absurdo, mesmo que não fosse muito distante do que gostaria de fazer com Irensen, mas os batedores e guardas estavam ali para testemunhar que Eiro nunca deixou a pousada e até mesmo passou algumas horas ‘praticando’ no pátio traseiro.

Entretanto, parecia que os guardas da cidade não se importavam muito com isso, e ainda tentavam ao máximo encontrá-lo, embora logo tenham saído da cidade e encontrado um lugar seguro, onde Eiro duvidava que seriam encontrados contanto que continuassem se movendo.

Ele acenou a cabeça em direção ao cocheiro e agradeceu a ele, que voltou a pé para a cidade, enquanto Arc saía da carruagem e estalava seus dedos ao mesmo tempo que subia no banco de motorista.

— Certo! Elas são chamados de Aria, certo? Estou animado para ver o que conseguem fazer! — O garoto exclamou. Eiro suspirou em resposta.

— Apenas tente fazer com que elas se movam. Me disseram que conhecem os mesmos comandos que os cavalos, e como são mais espertas do que cavalos normais, isso deve ser bastante fácil. — Eiro explicou e Arc assentiu.

— Okay! Então… Andem. — Arc disse com um sorriso, e as duas Arias fizeram como ordenado e começaram a andar com facilidade. O ritmo de caminhada delas já era um pouco mais rápido do que o de um cavalo. Arc tentou fazer com que acelerassem, até que estivessem em uma velocidade boa para esses dois. Parecia que Lugo ficou surpreso que teve que correr tanto de repente, mas também era uma ideia que esse Cervo fizesse mais alguns exercícios.

— Elas só precisarão de uma pausa daqui a umas dez horas, então vamos ir o mais longe que conseguirmos e depois descansaremos um pouco. — Eiro sugeriu, e Arc acenou com a cabeça.

— Sim, sim, Capitão.

Com uma leve carranca, Eiro olhou para Arc com um pouco de confusão, e o garoto riu.

— Deixa para lá, desculpe.

Por ora, o grupo continuou se movendo em direção ao destino deles, conseguindo chegar muito mais longe do que planejaram. Assim que o primeiro ‘turno’ de dez horas acabou, eles haviam viajado quase duas vezes mais longe do que teriam conseguido normalmente, e isso foi em um terreno acidentado. O fato de que precisavam fazer menos pausas, combinado com a velocidade extra, era incrível para eles.

Com um sorriso amplo, Eiro não conseguiu se conter e sentiu-se aliviado quando soltou as Arias da carruagem para deixá-las beberem e comerem algo. Todos desceram de dentro da carruagem para caminhar um pouco e esticar as pernas depois de ficarem tanto tempo sentados e Rudy começou a cozinhar algo.

E então, pensando que essa era uma boa chance, Eiro se aproximou de Rudy com uma expressão curiosa.

— Então… — Ele começou, e o garoto, que agora era um pouco mais alto do que seu pai, olhou para o Demônio.

— Sim? — Rudy perguntou, então Eiro sorriu, mesmo que o jovem não conseguisse ver isso.

— As outras classes são bastante diretas, eles têm classes comuns com uma parte adicional, mas a sua é diferente. Qual é a habilidade que você recebeu com a classe? — Eiro perguntou e Rudy coçou a sua bochecha com um sorriso e começou a explicar.

— A habilidade também é chamada de ‘Castelo’… Eu mesmo não sei como ela funciona, não há nenhuma explicação. — Rudy comentou e levantou as sobrancelhas, enquanto prestava mais atenção no que ele estava fazendo. Ele estava tentando comparar os movimentos atuais dele com como eles eram antes.

— Hmm, pelo que eu vejo, ela pelo menos aumenta passivamente a sua destreza? — Eiro sugeriu. — Pelo menos, as suas mãos estão se movendo um pouco mais rápidas hoje. — Ele apontou, e Rudy olhou para suas mãos, surpreso.

— É, sério?

— Eu acho que sim… — Eiro comentou, e então sentiu um cheiro familiar dentro de Rudy. Era algo que ele sentia em si mesmo, na verdade. E isso era… — Ah… Rudy, eu acho que pode ser uma habilidade de armazenamento.

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