A Virtude do Demônio

Volume 3 - Capítulo 124

A Virtude do Demônio

Assim que Felix escutou o que Eiro disse, ele virou a cabeça na direção dele, confuso.

— Co-Como você…

— Como eu sabia? Eu sou um contratante de espírito. Claro que sei, Espíritos sentem a magia de forma diferente de outros seres. — Eiro comentou, olhando para Sammy. — Me desculpe por não mencionar isso de antemão. Ele estava usando uma habilidade de carisma, provavelmente. Pensei que isso seria uma boa oportunidade para você aprender. — O Demônio explicou, mas o que recebeu em retorno foi um olhar confuso e irritado.

— O quê…? Você real deixou que ele tentasse me encantar…? — Sammy perguntou, confusa, e Eiro olhou para ela com um aceno.

— Sim, você sabe tão bem quanto eu que precisamos usar cada oportunidade que temos para que você aprenda algo sobre isso. Habilidades de carisma não funcionam tão bem uma vez que você saiba que elas estão sendo usadas em você, então-

— O que diabos isso importa?! — A jovem gritou, enquanto encarava Eiro com olhos lacrimejantes, se virando e saindo correndo. Eiro não sabia o que havia feito de errado, então quis ir atrás dela na hora, embora tenha sido impedido por uma mão.

— Eu vou atrás dela. cuide das coisas aqui… — Rudy disse ao Demônio, se virando para seguir Sammy antes que a perdesse de vista. Eiro ficou lá encarando as costas de ambos.

— Certo… — Ele murmurou, olhando para Felix com um olhar profundo que fez o jovem estremecer em resposta.

— Certo, enquanto Sammy e Rudy estão fora, acho que precisa conversar com você. — Eiro disse, sem aliviar a intensidade no seu olhar nem por um segundo, e o pai de Felix parecia concordar com o Diabrete.

— Eu também. Felix, estou realmente desapontado. Por que você usaria a sua habilidade dessa forma? Eu disse que ela serve para apaziguar as coisas com as damas, não para conhecê-las de verdade. — Ele ressaltou, como se isso fosse o motivo para Eiro estar irritado. O Demônio pegou a adaga que acabou de receber de Armodeus e a segurou contra o pescoço do homem.

— Acho que estou pronto para testar isso agora. — Eiro disse com um rosnado profundo, apesar de que, nesse momento, Solomon tenha se aproximado e colocado a mão no ombro de Eiro.

— Acho que essa pode não ser a melhor ideia, afinal, ele é o guerreiro-chefe dessa cidade, não é? — Solomon apontou com um leve sorriso e, com um sorriso amplo, o pai de Felix acenou a cabeça.

— Esse sou eu! Estou honrado por ser reconhecido por um homem tão grandioso como você, Rei Skyhart! — Ele exclamou, e Eiro afastou sua adaga. Se ele não quisesse continuar tendo um bom relacionamento com Solomon, Eiro talvez tivesse cortado a garganta do homem nesse momento. Ele não o suportava.

— Por ora, Eiro, não quer continuar procurando pelos pedaços do Gnomo? Recebi algumas informações do comerciante. Só que… — Solomon disse, com uma expressão leve complicada. — Parece que o dono pode ser bastante incômodo de se lidar. E ele também está com mais pedaços, talvez com cerca de dois terços do restante do corpo do Gnomo. — O Rei explicou, e Eiro olhou para o chão, preparando-se para se mover.

— Certo, e quem é ele? — Eiro perguntou, mas antes que Solomon pudesse responder, Armodeus fez isso por ele.

— É Irensen, não é? — O Anão Ancião perguntou, Eiro olhasse para ele.

— Quem é Irensen? — O Demônio perguntou, confuso, e Armodeus suspirou em resposta.

— Se eu não estivesse nessa cidade, ele seria o melhor. E costumava ser, até eu tomar o lugar dele, mas ele ainda tem muito poder nessa cidade. Escutei alguns rumores de que alguns dos itens dele têm uma compatibilidade mágica incrível… Acho que agora sei o motivo para isso.

Eiro segurou sua nova adaga e abriu a ‘tampa’ que havia em seu cabo, pegando uma garrafa pequena que estava em sua bolsa, derramando o líquido dentro do espaço oco dentro da lâmina e fechar sua adaga novamente.

— Hm? Por que você está enchendo de água? — Armodeus perguntou, confuso, e Eiro olhou de volta para ele segurar sua adaga para baixo, enquanto seu gume era coberto lenta por gelo.

— Eu te disse antes, não disse? Minha especialidade é Magia de Gelo. — Eiro explicou, apesar de ainda existir mais um problema.

— Eu… entendi isso, mas por que está sacando a adaga em primeiro lugar? — O Anão perguntou, nervoso, e Eiro inclinou a cabeça para o lado.

— Terei que pegar tudo à força, certo?

— Jura não disse que você é um rato de biblioteca? Por que está agindo como um cabeça-dura? — Ele murmurou, confuso, mas Eiro o encarou de volta com a mesma confusão, embora sobre algo completa diferente.

Solomon interrompeu.

— O problema aqui não é o fato de que ele tentará manter as coisas que fez usando o corpo do Gnomo para si. Na verdade, é o exato oposto. O problema aqui é já deve ter vendido.

Eiro levantou as sobrancelhas e olhou irritado para o chão.

— Que irritante. Armodeus, leve-me até esse home, agora. Nelli, tente trazer o Gnomo. — O Diabrete disse, e Armodeus assentiu enquanto Eiro se virava para Solomon.

— Obrigado pela ajuda. Se acontecer de não nos vermos mais, saiba que eu definitiva te visitarei daqui a um ano. — Eiro disse para o Rei, que sorriu em retribuição.

— Claro que sim. Ainda estou em débito com você, um favor tão pequeno não mudará isso, mas tenho outra ideia de como podemos te ajudar. Não agora, mas em sua viagem daqui para frente. Posso entregar na hospedagem em que você está hospedado? — Solomon perguntou, e Eiro assentiu.

— Se você quiser, eu não direi que não. Obrigado. Arc, Clementine, olhem as crianças e esperem por Rudy e Sammy. E, por favor, contem para Solomon onde nossa pousada fica. — Eiro pediu para elas, e, apesar de Arc estar irritado por não poder ir junto, Clementine acenou a cabeça, enquanto segurava a mão das duas crianças cansadas ao seu lado.

— Claro que sim, não se preocupe! — Ela disse tranquila, e Eiro sorriu de volta para ela. Ele saiu com Armodeus, e Avalin falou.

— Papai… Aonde você está indo? — Ela perguntou baixinho enquanto esfregava seus olhos cansados, e Eiro se agachou na frente dela com um leve sorriso.

— Só vou resolver algumas coisas. Estarei de volta quando você acordar amanhã de manhã, okay? — Ele explicou com um sorriso. Avalin olhou para ele.

— Você promete? — Avalin murmurou, e Eiro acariciou a cabeça dela e assentiu.

— Claro. Serei a primeira pessoa que você verá amanhã.

— Tá bem, então você pode ir. — Ela concordou com uma risada, e Eiro sorriu, se virando, com o humor imensamente melhor.

— Você escutou a senhorita, vamos lá. — Ele disse para Armodeus, que assentiu e começou a caminhar junto de Eiro, mesmo que o Demônio tenha percebido algo que não gostou.

Ele se virou para a esquerda, vendo o homem com as mangas queimadas e rosto coberto por fuligem por ter queimado as cortinas em que estava preso, e rosnou com a voz baixa.

— Por que você está vindo conosco? — Eiro questionou, e o homem sorriu.

— Heh, você acha que eu desperdiçaria a chance de ver alguém como você lutar?

— Espero que sim, na verdade. — O Diabrete respondeu sem um segundo de hesitação, e o rosto sorridente do homem se transformou em uma expressão de dor obvia falsa.

— Ouch, tão malvado… — Ele murmurou, voltando a sorrir em seguida.

— Bem, esperanças nem sempre se concretizam! Meu nome é Enka! — Ele explicou, com um leve resmungo. Eiro suspirou.

— Consegue abrir o seu status por um instante? — O Demônio perguntou e, com uma expressão confusa, ele assentiu.

— Claro?! Status? — Enka disse alto, e visão foi coberta pela sua janela de status, a qual Eiro gravou na hora.

— Entendi, obrigado. — O Diabrete disse, surpreso com quão fácil foi conseguir que ele revelasse esse tanto de informação. Apesar de que, de novo, Enka não sabia que Eiro conseguia ler as notificações através do reflexo nos olhos das pessoas.

— Para que foi isso? — O Guerreiro Chefe pergunto curioso, e Eiro continuou olhando para frente, enquanto o trio, mais dois Espíritos, continuaram avançando.

— Queria ver quão bom você é seguindo comando. — Eiro explicou.

Isso era uma mentira descarada. Ele talvez tivesse dito algo ainda mais duro, mas depois de ver o status de Enka, Eiro, na verdade, ficou bastante impressionado.

Aparente, ele se esforçou muito para chegar onde está. E onde ele estava era um lugar bastante simples: muito, muito acima de Eiro.

Ele tinha certeza de que não tinha a mínima chance de derrotá-lo em um confronto direto de verdade, isso era certeza. Eiro talvez conseguisse matá-lo de alguma forma, mas isso necessitaria de alguns truques.

Parecia que o título de ‘Guerreiro Chefe’ significava alguma coisa. Embora isso tenha deixado Eiro confuso sobre algo mais. Se ele era tão forte, então poderia ter matado Eiro ali mesmo, enquanto estavam no palco.

‘Por que ele fingiu cair miseravelmente daquela forma? Por que Enka fez isso? Ele é tão idiota como parece ser?’

Ou talvez houvesse algo que Enka estava escondendo, algo que Eiro não conseguia descobrir no momento. De qualquer forma, ele era alguém em quem Eiro definitiva tinha que ficar de olho.

Logo, o grupo parou na entrada de uma grande construção. Apesar do horário, ainda estava bastante movimentado, e de lá de dentro, Eiro conseguia sentir o cheiro dos pedaços do corpo do Gnomo.

— Aqui estamos… — Armodeus anunciou e, sem hesitar, o Demônio entrou.

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