
Volume 3 - Capítulo 115
A Virtude do Demônio
— Hm? — Sammy se virou com uma expressão confusa, olhando para o homem que estava ali segurando a bolsa. ela olhou para o seu lado e viu que ela estava sem a bolsa.
— O-Oh, obrigada. — Ela disse envergonhada e pegou a bolsa nova. Ou pelo menos tentou, mas o jovem lenta afastou sua mão.
— Primeiro, não acha que devemos concordar com uma pequena recompensa? — Ele perguntou com um leve sorriso e, nesse ponto, Eiro já estava com vontade de segurar seu colarinho e jogá-lo pela borda da ponte, mas… aparente isso não era educado, então ele se conteve.
Em vez disso, ele interveio com palavras.
— Que tipo de recompensa você espera? — O Demônio perguntou, e o homem desviou os olhos para ele com um olhar.
— Me desculpe, cara, não estava falando com você. Estava falando com essa linda senhorita aqui. — Ele respondeu, e sorriu para Sammy.
— Parece que são viajantes, então estava pensando que talvez eu pudesse mostrar a cidade para vocês? — O jovem sugeriu, e Sammy olhou para ele com uma leve carranca.
— Você quer que sua recompensa seja nos dar um tour pela cidade?
Com uma risada, o homem balançou a cabeça.
— Não… Minha recompensa seria ser capaz de passar mais tempo com você. — Ele sorriu, e Eiro sentiu vontade de vomitar.
Ele havia lido alguns romances antes, e sempre que ouvia alguém dizer tais frases… O demônio sentia vergonha e desgosto até o âmago.
Sammy, entretanto, parecia ter uma opinião diferente. Seus batimentos aceleraram, o seu rosto corou em um vermelho brilhante, enquanto pegava a bolsa dele.
— Es-Está bem… certo? — Ela perguntou e se virou para Eiro, tentando esconder o seu rosto do homem, e o Diabrete o encarou por baixo de sua máscara.
— Claro que sim, minha filha querida. Se é o que deseja, está tudo bem. — Eiro disse, enfatizando proposital a palavra ‘filha’ para que o homem compreendesse.
E pareceu funcionar, pois no momento seguinte, ele arregalou os olhos em surpresa.
— V-Você é o pai dela? — Ele questionou, e o Diabrete continuou o encarando.
— Eu sou, mas ter alguém como você nos mostrando a cidade parece muito bom. Afinal, alguém com as mãos rápidas como as suas parece se encaixar muito bem em uma cidade cheia de artesãos. — Eiro adicionou, tentando dizer ao homem que sabia que ele havia roubado a bolsa.
Mas, embora seu rosto tenha ficado pálido por um instante, ele começou a rir depois disso.
— Claro! Eu cresci aqui, todo mundo me conhece! Sou quase famoso! — Ele exclamou. — Meu nome é Felix. E qual seria o nome dessa beleza aqui? — Felix perguntou, virando-se ligeira em direção a Sammy.
— Meu… nome é Samantha, é um prazer conhecê-lo, Felix… — Ela explicou nervosa, e Arc imediata começou a rir, embora fosse algo que estivesse tentando segurar há um tempo.
— Samantha? O que você está dizendo?! — Ele exclamou com uma risada alta. E apesar de Sammy tentar fazer com que ele ficasse quieto ao dar uma cotovelada na sua barriga, coisas como essas não ajudavam muito quando se tratava de um garoto que não sentia dor. — a chame de Sammy, como todos nós. — Ele comentou enquanto olhava para Felix, limpando a lágrima que apareceu no canto do seu olho.
— Sammy, hein…? — Felix perguntou com um leve sorriso. — Esse é um nome muito fofo… mas um nome assim não faz jus à sua beleza. É muito infantil, não é? Samantha, por outro lado, soa muito melhor.
Assim que Sammy escutou o que Felix acabou de falar, seu rosto ficou ainda mais vermelho do que antes, e até ficou incerta do que deveria responder. Com uma leve carranca, Eiro olhou para o espírito flutuando ao seu lado, visível apenas para ele.
— Ele está fazendo algo com sua voz… acho que pode ter uma classe centrada em Carisma. — Nelli explicou e Eiro levantou as sobrancelhas, sorrindo.
‘Entendo… Então, podemos conseguir um ótimo professor para Sammy, é isso?’
Ele pensou. Claro, não deixaria que nada acontecesse com Sammy, então ficaria de olho em ambos o tempo todo, mas, mesmo assim, como parecia que Felix tinha uma habilidade similar com a habilidade única de Sammy, embora fosse obvia mais fraca, seria bom para ela conhecer como era estar do outro lado do controle.
Por outro lado… Pensando sobre ela sendo controlada dessa forma, fez Eiro querer rasgar a garganta de Felix para que ele nunca fosse capaz de falar novamente.
— Felix. — Eiro disse, tentando fazer com que ele parasse de olhar para o corpo de Sammy, e o jovem, que parecia ser alguns anos mais velho que ela, olhou para ele com um sorriso, tentando não incomodar o Demônio.
— Sim?
— Precisamos encontrar um artesão. Seu nome é Armodeus. Você sabe onde ele trabalha? — Eiro perguntou e, sem hesitação, Felix assentiu.
— Claro que sei! Não há ninguém nessa cidade que não saiba sobre Armodeus! Ele é um Anão Ancião que até é chamado de ‘Rei dos Artesãos’! — Felix exclamou. — Mostrarei onde a loja dele é, não se preocupe!
— Obrigado. Agora vamos, acho que a fila está avançando. — Eiro apontou, e todos seguiram o Demônio de volta para a carruagem, onde Arc não perdeu tempo e contextualizou Rudy do que acabou de ocorrer. Claro, sem discrição, já que ele não hesitou em gritar em sua voz alta de sempre.
Com um suspiro, Eiro se sentou na frente da carruagem para fazer os cavalos avançarem sempre que necessário. Cerca de uma hora depois, era a vez deles, o que Eiro aceitou com mais do que alívio, afinal, nesse período, Felix havia paquerado Sammy constantemente, e ele não gostava nada disso.
— Boa tarde, Sr. — O guarda parado na frente da carruagem disse. — Qual a sua razão para vir até Argberg? Está de passagem, férias ou a trabalho?
— De passagem. — Eiro respondeu, então o guarda assentiu e olhou para Lugo.
— Esse cervo é seu? — Ele perguntou, e Eiro confirmou, passando sua mão de madeira pela testa de Lugo, fazendo com que uma pequena marca brilhante aparecesse ali.
— Sim, ele é meu familiar. — O Demônio explicou, embora, nesse instante, o guarda aparentasse estar mais interessado na mão dele.
— Certo. Quantas pessoas estão com você?
— Quatro adultos e duas crianças. — Ele respondeu, e o guarda levantou as sobrancelhas enquanto olhava para o grupo de pessoas ao lado da carruagem. — Há cinco adultos, certo?
— Oh, esse cara não está com a gente, ele é da cidade. Acabamos de conhecê-lo. — Eiro explicou e apontou para Felix. O guarda suspirou e olhou para ele.
— Ei, rapaz, fila errada. Espere-os lá dentro.
Com uma expressão desapontada, Felix acenou e sorriu para Sammy, enquanto se dirigia para outra entrada, por onde passou tranquilamente.
E assim que isso terminou, o guarda acenou.
— Então, terminamos aqui. precisam pagar a taxa de entrada. Cinco cobres pequenos para adultos e um cobre pequeno para crianças. Então, o valor total será de dois cobres médios e sete pequenos. — O guarda explicou, mas, antes que terminasse, Eiro já havia entregado as moedas para ele, o que o guarda apreciou bastante.
— Obrigado. Tenha uma boa estadia em Argberg. Há uma grande variedade de pousadas ao longo da estrada principal. A maioria delas tem estábulos. — O guarda adicionou com um sorriso amigável, e Eiro acenou em retribuição, enquanto se virava para as crianças, dizendo para entrarem na carruagem.
Assim que atravessaram o curto túnel e chegaram ao outro lado da muralha, Felix apareceu de novo, sorrindo brilhante
— Bem-vindos à Argberg! O lugar que você precisa ir para realizar os seus sonhos! — Ele exclamou, se virando com um sorriso largo. — Aqui, deixe-me levá-los até uma pousada boa e acessível! — Felix disse para Eiro, que suspirou em resposta. Ele não queria, mas provavelmente era uma boa ideia ficar para a noite e ter um descanso apropriado de vez em quando, afinal, estavam adiantados no cronograma de viagem.
— Claro. — Eiro concordou.
Felix sorriu e, mais uma vez, subiu na carruagem e se sentou ao lado do Demônio, explicando onde a pousada estava. E, embora concordasse com a sugestão de Felix, ele estava checando todas as pousadas ao redor da estrada principal para ver qual era a qualidade padrão delas.
Assim que viu a pousada para onde Felix os trouxera, Eiro ficou bastante desapontado. Era suja, havia um cheiro horrível vindo de dentro e, claro, havia algumas passagens ocultas dentro. Essa não era uma pousada comum, mas um lugar para roubar pessoas facilmente.
— Nem, não iremos ficar nesse lugar. — Eiro disse com um olhar profundo, mas Felix olhou confuso para ele. Pelo exterior, ela parecia muito boa, afinal.
— O quê? Por que não? Eu trabalho aqui, então consigo um desconto. — O jovem disse com uma piscadela, mas Eiro simples balançou a cabeça mais uma vez. Embora pudesse negar, Sammy desceu da carruagem e foi até o seu lado.
— Vamos lá, por favor…? Talvez nós possamos ficar aqui? Por hoje…? — Ela perguntou para Eiro, que não sabia exatamente como reagir.
— … Está bem. — Ele concordou. — Ficaremos aqui. Então consiga um lugar com estábulo para nós, por favor. — O Demônio disse para Felix descer da carruagem, então esperou que todos descessem. Ele entrou novamente, olhando para o fantoche no canto, enquanto retirava duas fichas de sua Tesouraria.
As de ‘Furtividade’ e ‘Combate Corpo a Corpo’.
— Se alguém tentar entrar aqui, defenda imediatamente. Entendeu? — Eiro sussurrou, colocou ambas as fichas no peito do manequim, observando-o pratica desaparecer bem na sua frente.
Assim que Eiro saiu, ele observou enquanto Felix levava a carruagem para os estábulos. O Diabrete entrou na pousada para conseguir um quarto para todos passarem à noite. Assim, pagou, recebeu as chaves e todos voltaram para fora.
Ali, encontraram de volta Felix, que os guiou pela cidade, conversando sobre coisas aleatórias com as quais Eiro não se importava, enquanto continuava paquerando Sammy.
Com um resmungo profundo, Eiro simples balançou a cabeça de irritação e entrou, olhando para as lojas ao redor. Qualquer loja se oferecia para fazer itens à mão, até mesmo as livrarias. Isso era algo que ele estava interessado, mas, por ora, escolheu encontrar o lugar de Armodeus.
E, para sua surpresa, isso foi bastante fácil. Logo, chegaram a uma construção alta com a escrita: <Armodeus’> na frente. Simples assim. Assim que chegaram, Felix parou na entrada e esticou os braços.
— Aqui estamos! Armodeus! A loja do maior artesão do mundo!
Mas, assim que Eiro olhou para Nelli, o Espírito balançou a cabeça.
— Este é o lugar errado. Ele fica na loja de mais alto nível na maior parte do tempo.
Com uma carranca profunda, o Diabrete balançou a cabeça.
— Felix, não te disse para nos levar até Armodeus? Eu quis dizer a pessoa, não a loja.