A Virtude do Demônio

Volume 2 - Capítulo 112

A Virtude do Demônio

Segurando Leon em seus braços, Eiro sentou-se na cadeira por um tempo, sentindo seu próprio coração bater com força suficiente para potencial explodir a qualquer momento. Lentamente, ele olhou para os outros, enquanto ambas, Nelli e Clementine, faziam o melhor que conseguiam para curar qualquer dano externo causado ao corpo de Leon, embora, felizmente, não fosse muito.

— O que aconteceu exatamente? — O Demônio perguntou, e Sammy falou, apesar de não estar em um estado adequado para siso, afinal, acabou de presenciar o que aconteceria com ela, se não conseguissem chegar a tempo na pessoa que iria livrá-los dos selos deles.

— Aco-Aconteceu tão de repente… ele ficou com febre logo depois que você saiu, e então depois de duas horas, ficou dessa forma… nós não sabíamos o que fazer, Clementine tentou o seu melhor para curá-lo, mas ele estava com muita dor… — Sammy explicou e, no instante seguinte, Eiro olhou para Clementine. Ela parecia um pouco mais pálida do que o normal.

— Rudy, venha aqui e segure Leon por um tempo. — Eiro disse, entregando o garoto em seus braços pata Rudy, interrompendo as tentativas de cura tanto de Nelli como de Clementine.

— O-O que você está fazendo? — Clementine perguntou nervosa, mas Eiro não a escutou e segurou a borda de sua camisa, levantando-a para expor a barriga de Clementine.

— Clementine, você comeu os ferimentos que os selos de Leon geraram? — O Diabrete perguntou e, com uma expressão nervosa, a garota apenas assentiu, antes que Eiro rangesse os dentes de raiva.

— M-Me desculpe, eu não deveria comer os ferimentos, m-mas as curas normais não estavam funcionando e-e ele-

— Pare. — O Demônio interrompeu. — Por que você está se desculpando? Sou eu quem deveria fazer isso, vendo que sou a razão pela qual você teve que se decidir a comê-los, em primeiro lugar. Por enquanto, apenas se concentre em se curar, certo? — Eiro perguntou com um leve sorrio, e então se levantou com os olhos fechados, batendo o pé no chão algumas vezes.

— O que você está fazendo a gora? — Arc perguntou, confuso, pois parecia que Eiro estava pensando em algo, mas o Demônio apenas gesticulou para ele ficar quieto por um empo.

— Estava apenas checando se faltava alguma coisa, mas não está. Subam na carruagem, estamos partindo. — Eiro disse para eles, e todos concordaram e pegaram suas bolsas, seguindo para fora, em direção à carruagem estacionada ao lado da casa.

Arc pegou os cavalos e os prendeu na frente da carruagem, e Eiro removeu os freios das rodas para que conseguissem partir. O próprio Eiro decidiu montar nas costas de Lugo, desde que isso o permitiria reagir mais rapidamente a qualquer tipo de monstros que poderiam atacá-los.

Em algum momento durante o caminho, Eiro chamou Arc e apontou para um caminho diferente, um pouco menos pavimentado, que poderiam utilizar.

— Pegue essa rota. Vamos usar um atalho. — Eiro disse para ele, mas Arc apenas o olhou, confuso.

— O rio não é nessa direção?

— É, mas cruzaremos o rio por aqui. Apenas confie em mim, isso irá nos dar um pouco de tempo, se não tivermos que ir até a ponte. — O Demônio explicou, e Arc assentiu em reposta, guiando a carruagem por esse caminho. Ele era um pouco acidentado comparado ao outro, mas não era tão difícil de lidar.

Cerca de uma hora depois, Arc parou a carruagem em frente ao rio. Ou melhor, em frente à uma grande árvore azul-claro que ali se erguia. Ela tinha cerca de quinze metros de altura e tinha raízes grossas que alcançavam ambos os leitos do rio. Tanto a que estavam, como a do lado oposto.

— Eiro, essa não é a árvore que você plantou? Como ficou tão grande? — Arc perguntou. Ele não teria pensado que era essa árvore se não tivesse reconhecido a madeira como sendo a mesma da mão de Eiro. O Demônio suspirou e desceu das costas de Lugo, enquanto se aproximava da água.

— Simples não é uma árvore normal, eu acho? — Ele comentou, olhado para a árvore.

Ele sabia a razão, na verdade, apenas não queria desperdiçar tempo explicando agora. Faria isso mais tarde, quando se acalmasse um pouco. O motivo para ela ter crescido tanto era muito simples: durante o último ano, cada chance que tinha, Eiro e Nelli vieram aqui para aumentar o nível da habilidade Magia Espiritual, ao refinar a água do rio e ‘alimentar’ a árvore com ela, para que não a desperdiçassem.

No começo, a água pingava como água normal, mas, depois de alguns meses, assim que ela cresceu um metro, começou a absorver ativamente a água refinada.

Por ora, Eiro tinha que controlar tudo ao redor, para que conseguissem passar. Para isso, fez algo que os outros não esperavam: Eiro pegou sua faca de esculpir e esculpiu um pouco da casca da árvore para que conseguisse colocar na madeira em si atrás dela.

— Eiro, o que está fazendo? — Nelli perguntou, nervosa, e o Demônio apenas se virou para ela com um leve sorriso.

— Não é óbvio? Se esta madeira é o material perfeito para o meu cajado… e essa mão está fundida perfeitamente comigo, enquanto ainda é da mesma madeira… Então, eu não deveria usar essa árvore? — Eiro perguntou, mas Nelli ainda não entendeu. Não, na verdade, ela entendeu tudo o que ele estava falando. Ela apenas não conseguia acreditar.

— Eiro, você não pod- — O Espírito começou, tentando parar o Demônio, mas ele mesmo não se importava. Ele queria passar o rio, então tinha que fazer tudo o que pudesse para isso. A correnteza estava bastante alta e forte nesse instante, então não havia como ele conseguirem atravessar se Eiro apenas tentasse manipular a água regular. Isso era muito arriscado.

Com ambos os pés pressionados nas raízes expostas da árvore, Eiro começou. Com ambas as mãos, inseriu o máximo de mana que conseguia na árvore de uma só vez, e tentou fazê-la viajar através dela para alcançar seus pés. E então, mais uma vez percorreu o seu corpo e saiu por suas mãos.

Dessa forma, Eiro criou uma corrente rápida de mana, que fez sua própria geração interna de mana decolar, e sempre podia usar parte dessa mana recém gerada para empurrá-la para cada canto da árvore, até que Eiro notou algumas notificações aparecendo na sua frente.

[Aviso! Seu corpo está experienciando uma quantidade avassaladora de mana! Se não manter isso sob controle, terá repercussões severas]

[Sua mana está se misturado com mana desconhecida]

[Devido à uma quantidade avassaladora de mana desconhecida, seu corpo está mudando lentamente.]

Eiro ignorou todas essas notificações e continuou o que estava fazendo, não importava quando estresse seu corpo sofresse em reposta. Eles tinham que passar por ali. Ele não sabia por que, mas sabia que não podiam ir até a ponte, não importa o que acontecesse. A primeira coisa que tentou foi parar a água, e seu fluxo desacelerou, mas ainda não era suficiente.

Então, pensou em congelar o resto, e uma grande parede de gelo começou a se formar bem na frente da árvore. Era difícil e manter, mas, no fim, pareceu funcionar. Então, ao mesmo tempo, Eiro usou Magia de Terra para levantar um pouco o solo para a carruagem, enquanto usava Magia de Fogo para mantê-lo seco o suficiente para que a carruagem não ficasse atolada.

Ao mesmo tempo, usou Magia de Vento para ajudar a empurrar a carruagem pela ponte de terra. Arc atravessou o rio largo e profundo. Na verdade, ele parecia ter aumentado de largura e profundidade de alguma forma durante os últimos anos… Embora, Eiro não tivesse certeza se isso era por conta dele ou não.

Logo quando a carruagem chegou na metade, o fluxo aumentou, como se alguém tivesse removido algum tipo de barragem rio acima. Ele definitiva não seria capaz de segurar algo assim… Então, sem um único instante de hesitação, Eiro colocou metade dos seus pontos de status disponíveis em inteligência e outra metade em sabedoriaa, fazendo com que mais algumas notificações aparecessem.

[Sua Inteligência ultrapassou a marca de 100 pontos! Habilidade <Processamento de Pensamentos> adquirida!]

[Sua Sabedoria ultrapassou a marca de 100 pontos! Habilidade <Memória Perfeita> adquirida!]

[Como a habilidade <Memória Perfeita> é inferior à <Memória do Escolar>, você entrará em um caminho de habilidade alternativo]

[Habilidade <Memória Perfeita> substituída pela habilidade <Aprendizado Acelerado>]

[Processamento de Pensamentos: Uma habilidade que aumenta a velocidade com que que processa informações]

[Aprendizado Acelerado: Uma habilidade que aumenta a velocidade com que aprende habilidades mentais].

— Só… cale a boca! — Eiro gritou, tentando se livrar das notificações, e começou a aumentar sua área de controle sobre o rio.

Mas então… Algo mais aconteceu. Como se algo estivesse respirando no seu pescoço, ele sentiu um pouco de ar quente que lhe arrepiou quando tocou nele, e em seguida surgiu uma mão vermelho-sangue com garras compridas.

— Que… interessante.

O que quer que fosse aquilo, murmurou baixinho.

Apenas a sua voz, por mais calma e suave que soasse, fez Eiro querer correr por sua vida. Seu corpo congelou, mas apernas por um momento. Pois no seguinte, notou que seu controle estava afrouxando, então empurrou o máximo que conseguiu em um único instante e logo notou que a carruagem chegou ao outro lado.

Sem hesitação, Eiro tirou as mãos da árvore para se afastar da criatura que estava atrás dele, mas, assim que fez isso, duas coisas aconteceram.

A primeira, uma notificação vermelha apareceu, seguida por uma que desapareceu rápido demais, antes mesmo que toda a escrita aparecesse nela. Obviamente, isso ainda trouxe muita dor a Eiro. O sistema disse que haveria repercussões severas, afinal.

[Você perdeu controle sobre a grande quantidade de mana desconhecida]

[Mana desconhecida bloquead-

Segundo, ele não conseguiu se mover. O leve aperto que a criatura tinha no seu ombro foi suficiente para prender o seu corpo, sem qualquer esperança de fuga. E mesmo quando tentou falar, não conseguiu. Nem mesmo um único som saiu de sua boca.

— Estive te procurando há um tempo, sabia? — A voz suave explicou. — Não gosto que mexam com meus brinquedos dessa forma. Você se recorda, não é? Meu pequeno e raro senhor da Ira. — A voz explicou e Eiro compreendeu que tipo de criatura estava atrás dele.

Ele abriu a boca e, com toda a vontade que conseguiu reunir, falou.

— Os Senhores dos… Pecados… — Eiro murmurou baixinho e, com um tom animado, a figura atrás dele continuou. — Você consegue até mesmo falar na minha presença? Como eu pensava, a força de vontade de vocês, capangas artificiais, é impressionante. Faz sentido, o Rei não iria querer que vocês corressem de medo, afinal. — A criatura riu, e então colocou a boca perto da orelha de Eiro, sussurrando. — Não se preocupe, não estou mais bravo por você ter matado os meus brinquedos. Apenas encontrei um brinquedo muito melhor, graças à sua pequena exibição de Ira naquela pequena vila entediante demais para eu sequer tocar. Então, eles ainda estão vivos, se quiser voltar e acabar com eles você mesmo em algum momento. — A voz riu, e a mão sumiu, deixando Eiro quieto.

Na frente dele estava uma figura alta, talvez com três metros de altura, com uma constituição esguia e esbelta. Era um Demônio, embora Eiro não tivesse certeza de que tipo.

Usava uma camisa e botas pretas como breu, com um colete vermelho-escuro e calças por cima. Tinha dois chifres pretos grandes em sua testa, cada um com talvez meio metro de comprimento, curvados em direção ao céu.

Externamente, esse Demônio parecia uma pessoa, se você ignorasse sua pele vermelha, chifres grandes a garras monstruosas. E ao lado desse Demônio estava uma… coisa, algo que Eiro não sabia nem mesmo como começar a descrever.

Era como uma mistura de algo com vida e um objeto inanimado. Como uma cadeira feita de carne que convulsionava e se movia constante. E em cima dessa cadeira se sentava a figura inconsciente e coberta por sangue do homem que Eiro pensava ter matado: o piromante.

Enquanto Eiro tentava avaliar a situação, escutou a voz de uma certa garotinha gritando por ele.

— Papai, onde você está? — Avalin perguntou, e o corpo do Diabrete ficou tenso. Ele havia lido sobre o exército do Rei dos Monstros, e se esse fosse o ser que Eiro pensava ser, então ela-

— Oho, essa é a aquela pequena Sacerdotisa Sagrada? Sol ficou muito furioso por não a encontrar naquele dia, sabia? Ele destruiu toda a capital por frustração. — A figura riu. — Então, ela estava com você, hein? — O Demônio perguntou, encarando Eiro, e sem hesitação, o jovem Diabrete preparou sua adaga, mesmo que soubesse que nunca poderia vencer uma luta contra esse ser, que apenas riu mais uma vez.

— Não se preocupe, não se preocupe. O Sol não pode existir sem o céu, então ele escuta a todos os comando de nosso Rei sem hesitar, mas, eu só quero me divertir. E acho que será muito mais divertido se eu a deixar com você. — O Demônio apontou, e Eiro apenas o encarou.

Sem fazer nada mais, o Demônio se virou e acenou com sua mão para o lado, fazendo um portão demoníaco aparecer na sua frente. O domínio do inferno além dele. E assim que a cadeira viva o atravessou, o Demônio apenas piscou para Eiro e entrou, desaparecendo.

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