
Volume 2 - Capítulo 109
A Virtude do Demônio
— Isso é ótimo… — Rumia disse repentinamente, e Eiro se virou para ele com uma carranca.
— O que? Você foi capaz de pensar, nesse tempo todo? — O Demônio perguntou com uma leve risada, e Rumia balançou a cabeça, com um sorriso amplo no seu rosto.
— Em um único dia, consegui o apoio de uma das quatro Deusas da Natureza, matar o monstro herege que fez da minha vida na terra um inferno durante o último não e até mesmo me tornar um Portador de Carta! — O homem exclamou, mas Eiro apenas suspirou profundamente e balançou a cabeça desapontadamente.
— Veremos. — Eiro disse, e conseguiu escutar o som de uma lâmina sendo balançada em sua direção, cortando através do ar, das suas costas. No momento seguinte, Eiro conseguiu ouvir a lâmina acertar o solo, enquanto um leve vapor subia ao mesmo tempo que sangue quente espirrava pelo chão frio.
[Bern Siegheim -1124 de Dano]
[Você esfaqueou Bern Siegheim na garganta. +25% de Dano e efeito de Sangramento Severo ativado]
[Você se defendeu contra um ataque furtivo. +5% de Dano]
[Dano Total: 1461]
No instante em que a lâmina presa à cauda de Eiro atravessou a abertura na armadura do soldado e perfurou sua garganta, o soldado caiu no chão em dor, segurando as mãos ao redor do ferimento, encarar o Demônio, enquanto os outros soldados paravam de se mover em resposta a essa rápida retaliação contra um dos seus homens mais fortes.
— Oh, que surpresa. Você está se segurando muito bem. Parece que possui constituição e resistência bastante altas… — O Diabrete murmurou, colocou as duas mãos atrás das costas, entrelaçando os dedos enquanto as duas lâminas que estavam presas às suas mãos batiam uma contra a outra. — Esse foi um ataque furtivo muito bom… Sabe… te ofereço uma chance, Bern. — explicou, rapidamente virou as costas para os outros soldados, mostrando apenas para o homem um sorriso demoníaco. — Se todos os outros homens, exceto Rumia, obviamente, morreram, eu te deixo viver. Até te curarei um pouco! Como isso é visto? Você terá que fazer apenas um pequeno favor para mim depois disso. — Ele sugeriu, e o homem o encarou com puro medo nos olhos.
Medo de Eiro, medo de morrer e medo do sangue que estava deixando o seu corpo nesse momento. Lentamente, ele assentiu com a cabeça com um movimento minúsculo, e o Demônio começou a sorrir amplamente.
— Certo, então vamos trabalhar, tudo bem? — Eiro disse baixinho, enquanto se virava para os soldados, que estavam incertos do que fazer, e Rumia apenas continuasse rindo.
— Hah! Você acha que não nos preparamos para acabar com você?! Nós preparamos um Piromante do Círculo Interno! Você não será capaz de usar aqueles truques de gelo novamente! — Rumia exclamou, mas Eiro sorriu de volta e inclinou ligeiramente a cabeça para o lado.
— Gelo? Oh, acho que você está entendendo algo errado, Rumia. — O Demônio apontou, enquanto se aproximava alguns passos do grupo de soldados mais próximos, estendendo os braços para o lado de forma vulnerável. — Faz um tempo desde que tirei a vida de uma pessoa. Você acha que eu desperdiçaria isso usando truques pequenos como esses? — Ele perguntou com um sorriso malicioso e um olhar que sobrecarregou Rumia.
Logo quando o Barão queria avisar os seus soldados, era tarde demais, pois eles já tinham aproveitado a oportunidade para atacar o Demônio. Enquanto a primeira lâmina se aproximava do seu braço esquerdo, Eiro torceu o seu corpo e passou pelos outros três que se aproximavam, enquanto perfurava com sua adaga no pescoço do primeiro soldado, fazendo seu corpo cair imediatamente.
Como sua armadura mantinha seu corpo bastante rígido, demorou um tempo para ele realmente atingir o chão. Um tempo que foi usado por Eiro para pisar em suas cotas e usá-lo para alcançar o próximo soldado. Como dois dos quatro que o atacaram eram tudo, menos uma ameaça, ele foi até aquele que parecia realmente capaz de usar uma arma e avançou sobre ele, empurrando seus dedos nas fendas que permitiam que os soldados olhassem através dos seus elmos.
Claro, manipulando a lâmina para se mover como uma cobra, ele conseguiu empurrá-la através da fenda do elmo e acertar bem no olho do soldado e, quando o corpo de Eiro ficou de cabeça para baixo, ele retirou o elmo da cabeça dele e o arremessou em direção ao grupo de magos mais próximos, usando Magia de Vento para acelerá-lo o máximo que conseguia.
E dessa forma, Eiro logo escutou o som de osso quebrando, enquanto o elmo atingia o braço de um dos magos. Como era a mão que segurava o cajado, ele também caiu no chão. Pelo cheiro, Eiro conseguia dizer que ele era aparentemente um mago de água, então provavelmente o cajado também foi construído para isso. Enquanto cobria seus pés e braços com gelo, o Diabrete deslizou pelo chão e logo segurou o cajado, apontando sua ponta em direção ao mago caído, enquanto Nelli aparecia e flutuava sobre ele.
Eiro derramou sua mana no cajado bastante simples, que tinha basicamente o formato de um graveto reto, e fez Nelli ajudar a cobrir a lâmina com uma grande quantidade de água. Como o cajado apoiava todos os tipos de habilidades mágicas, obviamente poderia aprimorar a Magia Espiritual.
Assim que a água cobriu o cajado, ele lentamente a congelou ao ponto em que começou a emitir uma névoa branca, enquanto a moldava em uma forma particular.
— I-Isso é uma espada…? — Um dos soldados perguntou confusamente, e Eiro sorriu enquanto segurava a lâmina de gelo mágico em sua mão. Obviamente, era uma lâmina e de um tipo muito específico também. Aquela que ele ensinou para Arc. Já que, através disso, ficou bastante habilidoso com essas duas habilidades.
– [Maestria com Katana (Iniciante) Nv. 31]
– [Maestria com Wakizashi (Iniciante) Nv. 24]
seppuku, que consistia em tirar a própria vida rasgando o estômago.
Elas não estavam muito altas, e no Grau Iniciante, a habilidade ainda não parecia demonstrar muito apoio, mas, pelo menos, Eiro sabia grosseiramente como usar uma lâmina como essa. Ele não teve muita chance de tentar usar apropriadamente esse tipo de arma em combate, então imaginou que deveria fazer isso se tivesse que lutar contra Arc.
— Isso deve ser bom para pelo menos alguns golpes… — Eiro comentou, manipulou sua Força Vital para dentro de suas pernas e envolveu o seu corpo com Magia de Vento, pulando rapidamente para frente em direção aos outros magos. Com um único movimento, cortou através dos pescoços finos e fracos de dois desses, até que a lâmina de gelo ficou presa na garganta de um terceiro.
Quando Eiro percebeu, a lâmina já havia começado a derreter, embora devesse ter durado um pouco mais. A razão para isso era o mago vestido completamente de vermelho, que estava parado atrás de Rumia. Aparentemente, o piromante que havia sido mencionado. Com um pouco de desapontamento, Eiro olhou para o cajado em suas mãos e suspirou profundamente.
— Que incômodo… — Ele murmurou, e enquanto notava alguns soldados correndo em sua direção. Eiro decidiu se apressar e voltou para o mago que estava com a garganta meio cortada. — Para o inferno com isso. — O Demônio disse, e com um movimento rápido acertou o lado da cabeça do mago com o cajado sólido, quebrando-a imediatamente e fazendo o mago cair no solo.
Eiro voltou sua atenção para o soldado agora mais próximo dele e desviou do ataque, penetrando uma das lâminas conectadas às suas mãos na axila dele, enquanto usava a lâmina conectada à sua cauda para esfaquear o joelho dele, desarmando-o ao mesmo tempo em que ele caía de joelhos.
Eiro puxou o braço enfraquecido do soldado atrás de suas costas e o usou como um escudo contra o próximo ataque, o que fez um pouco de sangue espirrar. Parecia que o outro soldado conseguiu desacelerar o ataque e cortou apenas ligeiramente o estômago do outro. De qualquer forma, isso foi suficiente, então Eiro empurrou o soldado ferido em direção ao seu atacante e, assim que o atacante tropeçou para trás, Eiro bateu a palma na parte de baixo da mandíbula dele para incapacitá-lo por mais alguns momentos.
Com uma estatura enfraquecida, Eiro conseguiu simplesmente derrubar o soldado de costas, ao colocar seu pé atrás das pernas dele. E assim que a cabeça do soldado chegou próxima do solo, o rabo de Eiro já esperava por ela. Embora não por muito mais.
Assim que o soldado morreu, Eiro já havia se virado em direção aos três inimigos seguintes, um dos quais tentou atacá-lo com uma lança.
O Diabrete rapidamente desvirou a lança e a segurou no meio da estocada, empurrando-a entre a armadura do soldado meio morto atrás dele, o deixando em uma condição da qual não poderia mais ser salvo, a não ser que fosse curado por uma Magia de Cura forte, ao mesmo tempo que prendia a lança.
Assim que o soldado soltou a lança, Eiro agarrou a mão dele e o girou sobre o ombro para se livrar dele por um tempo, enquanto cuidava dos outros dois… algo que foi realizado ao bloquear e desviar rapidamente os dois ataques feitos com suas espadas usando as lâminas conectadas em suas maços.
Ele perfurou com a adaga em sua cauda na cabeça dos dois por meio da parte de baixo do elmo, puxou os outros para mais perto de si e os jogou no chão, enquanto socava a parte inferior de suas costas, mas, devido ao fato de a lâmina estar presa à sua mão, esse soco era, na verdade, uma facada.
Já cercado por uma pequena montanha de corpos, depois de matar metade do grupo do homem dentro de um minuto, Eiro olhou para os outros com um leve sorriso, enquanto limpava o sangue do seu rosto, embora se misturasse perfeitamente com a sua pele.
— Que refrescante! — O Demônio disse com um sorriso genuíno, imediatamente fazendo os outros soldados estremecerem de desgosto e raiva.
— Hey, você. O piromante. — Eiro disse com um sorriso. — Depois que eu me livrar desses caras, serão suas chamas contra o meu gelo, entendeu? — Imediatamente começou a avançar em direção ao soldado mais perto, livrando-se dele imediatamente ao arremessá-lo no chão e esfaqueando a sua nuca. O próximo, ao empurrá-lo contra a lâmina de outro soldado, enquanto quebrava o pescoço deste soldado, fazendo ambos caírem no solo ao mesmo tempo.
Outro teve seu rosto esmagado por um dos socos de Eiro, já que não vestia um elmo, e outro perdeu uma mão e uma perna antes de perceber. Dessa forma, quase todos os soldados morreram, as exceções sendo aquele com quem Eiro fez um pequeno ‘acordo’, assim como os três soldados que simplesmente desistiram depois de ver que não conseguiriam derrotá-lo. Obviamente, fizeram isso na esperança de que fossem poupados, mas Eiro não era gentil o suficiente para isso e simplesmente cortou suas gargantas em um movimento rápido para deixá-los sangrar até a morte.
Como iria até os magos e padres a seguir, ninguém conseguiria curá-los, afinal. Não havia nenhum curandeiro nessa cidade além de Eiro, mas os magos e os padres eram fáceis de lidar. Desde que magia era algo que requeria uma concentração profunda para ser usado apropriadamente, eles obviamente não conseguiram conjurar nenhum feitiço tão rapidamente enquanto viam seus camaradas sendo massacrados, e mesmo se conseguissem, tinham pouco poder e Eiro seria capaz de desviar com certa facilidade.
Desse modo, o resto dos magos também foi cuidado, e do grupo de Rumia, restaram apenas três homens.
O homem sortudo com quem fez o acordo, o piromante e o próprio Rumia.
E para todos nessa cidade, Eiro não era nada além de um monstro do massacre.
…