
Volume 2 - Capítulo 80
A Virtude do Demônio
— O que…? — Eiro murmurou, enquanto a cabeça da estátua subitamente atingia o chão, virando-se lentamente par ao homem responsável por isso.
E a pessoa não parou ao cortar a cabeça. Não, ele simplesmente continuou cortando a madeira repetidamente, enquanto lascas e pedaços de madeira voavam por todo o lugar, quase bloqueando a visão do Demônio. Eiro teria conseguido arrumar o problema com a cabeça, mas não conseguia consertar todo esse dano.
Mas… Ele apenas queria mostrar isso para Jura…
— O que caralhos você acha que está fazendo?! — Eiro gritou, com pura fúria em sua voz. Apoiado pela Magia de vento, sua voz ecoou através de toda a floresta enquanto bandos de pássaros começaram a virar para longe em resposta, e o homem à sua frente lentamente se virou, com a máscara fria e demoníaca o encarando de volta, ofegando sob ela. Por alguma razão, parecia que o homem estava incrivelmente e puramente irritado ao vê-lo.
— Estamos cuidando de uma família de Demônios que se estabeleceu aqui, é isso. — Uma voz profunda e bruta apontou, e enquanto Eiro desviava seus olhos para o lado, conseguiu ver Krog, o guerreiro, e Jess a maga, aproximando-se lentamente.
— Eu não estava falando com você. — Eiro rosnou, e rapidamente segurou sua mão esquerda param frente com dois dedos esticados, e então como se estivesse retirando algo de uma prateleira, antes que uma carta dourada aparecesse em sua mão, presa entre os dois dedos e o polegar dele.
Mas, essa carta desapareceu logo enquanto três anéis apareciam ao redor dos três dedos centrais de Eiro. Era um pouco difícil lidar com tantos por um tempo muito longo, mas ele ficaria bem. Ele não queria arrastar isso por muito tempo.
— Que diabos?! — Krog gritou. — Um Demônio com uma carta? Hah, que tipo…
— Eu disse que não estava falando com você. — Eiro rosnou baixinho enquanto encarava o homem grande parado no meio da colina, sua voz literalmente carregada pelo vento frio e congelante, enviando arrepios a Krog e Jess.
— Agora, antes de tudo, quero que me diga por que fez isso. — Eiro disse enquanto encarava o homem à sua frente, que apenas virou a cabeça e olhou levemente para trás, para a estátua de madeira cortada, enquanto a porta da casa se abria.
— Cuidado! Mais Demônios estão saindo! — Jess gritou enquanto segurava seu cajado para frente, aparamente preparada para atacar, embora ela não tenha sido a única a ficar confusa quando, em vez de um monstro, uma jovem bonita com longos cabelos vermelhos saiu pela porta, segurando um garoto adormecido sem seus braços.
— O q- o que está acontecendo aqui? — Sammy perguntou, confusa, enquanto olhava para os rostos desconhecidos, e Eiro com sua carta atiçada, enquanto os outros apareciam atrás dela.
— Você… — Krog começou a falar baixinho, antes que desembainhasse a espaga longa que carregava em suas costas, segurando-a para frente. — São essas crianças que você estava falando? — Krog gritou, aparentemente irritado. — Você está as mantendo como reféns? Ou as sequestrou? Oi, filho da puta, me responda!
Com fúria estampado em seu rosto, o guerreiro começou a subir a colina, preparando-se para tacar Eiro, mas uma das crianças de dentro correu o mais rápido que conseguia.
— Rudy, pare! — Sammy gritou, e Eiro virou surpreso, apenas olhando para a figura do garoto correndo entre ele e Krog, esticando a mão em direção à lâmina.
— Criança, o que diabos… — Krog gritou, tentando desviar o ataque, mas com a velocidade que estava indo era impossível. Ele fechou os olhos e tentou o seu melhor, mas logo sentiu resistência. Krog tinha certeza de que o a mão do garoto foi decepada, mas então… A lâmina apenas parou de se mover, e quando abriu os olhos viu uma notificação dizendo o dano que causou… Ele não sabia mais o que estava acontecendo.
— O que você está tentando fazer? — Rudy perguntou, encarando Krog com raiva, antes que o guerreiro olhasse para ele confuso.
— Eu que eu quero saber! Se… se eu não tivesse parado o meu ataque, você teria perdido a mão! — Krog gritou, sem compreender o que acabou de acontecer.
— Rudy, volte para dentro. — Eiro disse, virando-se lentamente agora o homem à sua frente, que por alguma razão não aproveitou o momento em que o Demônio estava distraído.
— Não, eu não vou. — O garoto respondeu. — Não sou rápido, então não posso ser usado para distrair as pessoas… — Ele disse, lentamente empurrando a lâmina do homem para o lado. — Não sou esperto, então não sou bom em criar táticas… — Agora, Rudy bateu as palmas opara baixo em movimentos verticais, par se livrar da farinha que ainda estavam nelas por estar cozinhando pão. — E não sou um capaz de causar danos, então sou inútil como um lutador adequado…
E enquanto Eiro olhava para o lado, logo viu Rudy assumir uma postura defensiva, embora não soubesse exatamente onde ele aprendeu isso, pois o garoto apenas encarou o guerreiro à sua frente. — Então pelo menos me deixe fazer a única coisa que posso por você… me deixa ser o seu escudo por agora. — Rudy disse com determinação nos olhos, e Eiro apenas olhou ligeiramente para as costas dele.
Ele sabia que Rudy não conseguia sofrer danos, ou ser ferido, mas ainda estava assustado que, de alguma forma, a habilidade parasse de funcionar repentinamente. Mas…
— Rudy… — Eiro começou. — Se você perder um único ponto de Vida, substituirá Lugo como uma mula de carga na próxima vez que eu for para a cidade. — O Diabrete disse, e com uma leve risada, o garoto assentiu.
— Parece justo.
— Hah… Hahahah! Você… você realmente quer defender um Demônio de merda? Você é retardada, criança? — Krog perguntou, completamente afetado pela situação, e Rudy apenas riu de volta para ele.
— Isso é meio malvado, não é? Apenas estou tentando ser um bom filho aqui. — O garoto disse, e Krog apenas estalou a língua.
— Entendo, então você está muito mal, huh? Me desculpe por isso, garoto, nós conseguiremos um bom curandeiro… — Krog disse, e imediatamente balançou o lado plano de sua espada contra o lado do corpo de Rudy, e esperou pela notificação de dano aparecer.
— Huh? — Krog murmurou, e repetiu o mesmo tipo de ataque, até mesmo acertando o mesmo local, mas, mais uma vez, a mesma mensagem apareceu, — O que diabos está ocorrendo? — Krog perguntou, e agora genuinamente tentou atacar Rudy, mas não importa o que tentasse, todas as notificações diziam que o dano era ‘0’, sem exceção.
— O que diabos você é?! — Ele finalmente gritou, e Jess, que estava completamente dominada pela situação, falou enquanto apertava seu cajado.
— O q- O que você quer dizer? O que está errado? — Ela questionou, e Krog lentamente se virou para ela.
— Ele… ele não está sofrendo um único ponto de dano…
— O que, como isso é possível?!
— Eu não sei, porra! Apenas me ajude, talvez magia faça algo!
— M… mas… ele é apenas uma criança! — Jess protestou, mas logo deu um passo para trás, quando viu o olhar furiosos de Krog.
Enquanto osso, Eiro finalmente se irou para o homem à sua frente, cujo nome ou propósito ainda eram desconhecidos.
— Agora, finalmente me responderá? Me responder por que fez isso? —Eiro perguntou, enquanto as lâminas da carta flutuavam ao redor, e o homem apenas balançou a cabeça e segurou sua adaga em direção a Eiro, enquanto o Demônio apenas suspirava. — Certo, então apenas morra… — O Diabrete murmurou, e então lentamente segurou sua mão para frente, fazendo uma pequena adaga aparecer, enquanto o homem parava subitamente e ficava tenso ao vê-la.
— O que… — O homem disse, finalmente falando, uma ação que aparentemente surpreendeu Krog e Jess. — O que você está fazendo com essa adaga? Onde conseguiu isso? — O homem perguntou, com seu braço restando começando a tremer subitamente, não de medo como Eiro teria preferido, mas de raiva pura e absoluta.
— Ah, então é por isso que você tinha essa estátua… ele te deu essa adaga, não é? — Dando lentamente alguns passos em direção a Eiro, o homem continuou questionando de onde a lâmina veio, embora não importasse muito para Eiro, que apenas franziu o cenho e fez a adaga se conectar com o meio dos três fios e começar a aquecer, enquanto as outras duas emitiam uma névoa fria.
E logo, com um movimento rápido de fechar a mão em um punho, as lâminas começaram a se mover rapidamente e Eiro as direcionou em direção ao homem, enquanto ele desviava do ataque vindo e golpeava as lâminas com o lado do seu braço, cortando imediatamente a carne do homem.
Essas lâminas eram mais afiadas que quase tudo, afinal. O homem simplesmente continuou correndo em frente e tentou golpear Eiro, mas ele se afastou para o lado e continuou desviando, enquanto causava pequenos cortes no homem, embora ele não estivesse prestando realmente atenção às notificações. Se tivesse, isso poderia ter acabado um pouco mais rápido, já que Eiro teria conseguido compreender a situação adequadamente. Ele checou o dano real, mas não o nome que apareço com o dano.
Ele conseguiu desviar, mas apenas de raspão, então não podia se dar ao luxo de continuar assim. E então, o dano contínuo infligido ao homem continuou, enquanto o Diabrete não foi atacado mais do que algumas vezes, e conseguiu evitar a maioria dos danos grandes ao afastar a Força Vital dos lugares em que seria atacado no último momento.
A dor que seguia de qualquer forma era muito irritante, mas, pelo menos, não causava muito dano real à sua Vida.
— Me dê essa porra de adaga! — O homem gritou com fúria em sua voz, e Eiro olhou para ele enquanto estalava a língua.
— Me desculpe, não posso fazer isso, além disso, homens mortos não tem uso para… armas. — Eiro rosnou em resposta, enquanto desviava de mais alguns ataques, e então o homem subitamente parou de se mover, dando a Eiro a chance de se acalmar e pensar por um momento, e, com isso, finalmente viu o nome que estava escrito nas notificações.
— Se você não me der, então tudo bem… pegarei o que é importante para você! — O homem gritou, e em vez de ir até Eiro, correu em direção à porta que Sammy, felizmente, fechou em resposta ao que estava acontecendo par proteger as crianças, mas no breve momento de confusão de Eiro, o homem conseguiu ir até a porta e abriu.
— Ah… Fazer isso não trará Avalin de volta de qualquer forma. — Eiro disse baixinho enquanto encarava as costas do homem, que ficou tenso e se virou.
— O que você acabou de dizer? — O homem perguntou, lentamente se virando para Eiro. — Como você conhece esse nome?
— Como eu poderia não conhecer? Eu nomeei a minha filha em homenagem a ela. — Eiro disse, aproximando-se lentamente do homem que estava parado, como se estivesse em choque.
— Espere, não, você… você não é… — O homem disse, e Eiro apenas balançou a cabeça.
— Sim, não sou. Não sou o Diabrete inferior puramente idiota daquele momento, que correu para seus braços depois e ficar assustado com suas próprias notificações. — Com um leve rosnado, Eiro fez os fios da carta se enrolarem ao redor um do outro para se tornarem mais grossos, enquanto a adaga desconectava da do meio, e Eiro apenas a segurou em sua mão direita, e imediatamente balançou o fio em direção à garganta do homem confuso, fazendo a lâmina arrancar a máscara do rosto do homem, revelando o rosto assustado de um Elfo da Luz.
— Já faz um tempo, James.
…