A Virtude do Demônio

Volume 2 - Capítulo 79

A Virtude do Demônio

— O que houve com você? Você tem estado de tão bom humor ultimamente… Nós nunca te vimos rir esse tanto. — Arc apontou, com seu queixo apoiado na mesa, e Eiro simplesmente olhou para eles e deu de ombros.

— Ah, entendo, então você não quer que esse Demônio aqui fique feliz? — Ele disse com uma expressão triste e rapidamente afastou o olhar, fingindo estar magoado, enquanto Avalin olhava para ele com uma expressão puramente preocupada antes de se levantar no colo dele e abraçar a cabeça dele com força, enquanto olhava para Arc.

— Idiota! Não seja mal com o Papai! — Ela exclamou, enquanto o jovem olhou de volta para ela com um sorriso irônico.

— Quem diabos te ensinou isso, Eiro? — Arc questionou, um pouco confuso, enquanto o Diabrete apenas olhava de volta e esfregava sua bochecha.

— É assim que Tom da guilda provoca suas crianças…. parecia divertido, então…

— Esse senso de humor sádico faz parte de ser um Demônio, ou de ser um Pai? — Sammy perguntou enquanto se sentava na cadeira ao lado de Eiro, enquanto o Diabrete apenas dava de ombros.

— Me lembro da minha primeira ação depois de um acréscimo no status de inteligência… Quando estava andando com um grupo de Diabretes e queria cuspir em um atrás de mim com a ajuda do vento por diversão… então não posso responder isso. — Eiro explicou, e os outros olharam para ele, confusos, até Arc se virar e olhar para Rudy com preocupação.

— Sabe, é tarde demais par voltar com essa coisa de ‘Pai’ agora? — O garoto perguntou, e Rudy apenas olhou para ele com uma risada nervosa, enquanto colocava comida na mesa. sem responder, e Eiro se virou para Arc.

— Na verdade… Por que todos vocês me veem como um pai…? Eu não fiz coisas horríveis para vocês no passado? Basicamente os sequestrei, não é?

— E nos salvou de nos tornarmos ferramentas de guerra para o Reino enquanto fazia isso, e então uma dúzia de dias depois de nos encontrar, quase morreu enquanto nos salvava de seres horríveis. Acho que isso compensa… — Sammy apontou, e Eiro levantou as sobrancelhas com um leve sorriso, enquanto assentia.

— Ent… entendo… — Ele murmurou, antes de se voltar lentamente para a comida à sua frente e olhar para baixo par Avalin.

— Vá em frente, sente-se e coma, certo?

— Certo! — Ela respondeu enquanto Eiro a colocava no chão. Ela correu imediatamente para sua cadeira, enquanto Leon já tinha sido um bom menino e se sentado… Embora ele apenas estivesse muito cansado para realmente fazer algo mais… Talvez Eiro devesse examiná-lo algum dia.

De qualquer modo, em vez de apenas se sentar em sua cadeira, ela correu para a cama de Jura.

— Vovô Jura, acorde, acorde! Hora de jantar! — Ela exclamou enquanto retirava o cobertor de cima dele, para acordá-lo de alguma forma, e Eiro lentamente soltava o garfo e se levantara, indo rapidamente até ela e a pegando, embora tivesse feito com isso com uma expressão um tanto amarga.

— Venha, Jura está cansado… ele comerá mais tarde, certo? — Ele disse, e embora Avalin tivesse olhado para Eiro surpresa, logo assentiu.

— Okay… — Ela respondeu, olhando de volta para Jura, enquanto ele apenas continuava deitado, antes que o Diabrete a colocasse na cadeira dela e a empurrasse para mais perto da mesa.

— Coma antes que esfrie. — Ele disse e lentamente se afastou, enquanto acariciava o cabelo de Avalin por um instante, e então sentou em sua própria cadeira novamente e começou a comer em silêncio, embora, não sentisse realmente vontade de comer: sentia mais vontade de vomitar tudo o que comeu durante os últimos cinco anos. Apenas para fazer tudo o que aconteceu nesse tempo desaparecer, para que talvez tivesse mais tempo para estudar sob a tutela de Jura.

Eiro sabia que não podia agir assim novamente. Assim como havia dito para Jess, ele não abandonaria as crianças, o que significava que não poderia deixar que elas lidassem com isso sozinhas. Eiro tinha que enfrentar isso, o que começava com não deixar a situação que não conseguiu controlar, controlá-lo.

Depois do jantar, ele limpou a mesa e tudo mais, enquanto as crianças iam para cama um pouco mais cedo do que o normal. Parecia que elas estavam bastante exaustas, mas Eiro não se juntou a elas. Em vez disso ele apenas pegou uma das cadeiras da mesa e se sentou ao lado da cama de Jura, antes de retirar um dos livros que estava lendo para continuar a leitura.

Mas, no fim, não conseguiu realmente se concentrar, e no meio da noite, quando tentou passar pela mesma linha pela quinta vez depois de falhar miseravelmente, apenas fechou o livro e o colocou de volta na prateleira invisível à sua frente.

— Status.

***

[Nome: Eiro] 

[Raça: Diabrete Colecionador Azul Gelo] 

[Nível: 9]

[Vida: 24.250] 

[Mana: 42.250] 

[Força: 50] 

[Constituição: 50] 

[Resistência: 20] 

[Agilidade: 64] 

[Evasão: 50]  

[Destreza: 53]  

[Inteligência: 90]  

[Sabedoria: 85]  

[Percepção: 90]  

[Força de vontade: 30]  

[Carisma: 30]  

[0 Pontos de Status Disponíveis] 

·        Habilidades

– [Compreensão da Linguagem Comum (Intermediária) Nv 4]

– [Furtividade (Aprendiz) Nv 71]

– [Açougueiro (Aprendiz) Nv 89]

– [Magia da Água (Aprendiz) Nv 99]

– [Magia do Ar (Aprendiz) Nv 67]

– [Resistência à Energia Sagrada (Aprendiz) Nv 24]

– [Concentração (Aprendiz) Nv 67]

– [Meditação (Aprendiz) Nv 78]

– [Armadilhas (Aprendiz) Nv 21]

– [Negociação (Aprendiz) Nv 31]

– [Botânica (Aprendiz) Nv 47]

– [Maestria com Adaga (Aprendiz) Nv 94]

– [Comilança (Iniciante) Nv 29]

– [Resistência à Exaustão (Aprendiz) Nv 6]

– [Resistência a Doenças (Iniciante) Nv 95]

– [Cozinheiro (Aprendiz) Nv 12] 

– [Esculpir (Aprendiz) Nv 99]

– [Magia de Gelo (Aprendiz) Nv 36]

– [Magia de Fogo (Aprendiz) Nv 97]

– [Zoologia (Aprendiz) Nv 78]

·        Benções

– [Bênção da Náiade Solitária do Inverno]

***

— Mais um nível para Esculpir, e realmente nãos erei mais um aprendiz, huh? — Eiro murmurou, e então se virou para Jura, que estava deitado pacificamente em sua cama.

— Parece que sim… — Uma voz veio como se do além, apesar de Eiro saber quem era assim que algumas gotas de água se formaram acima do peito de Jura. — Vamos esperar que ele ainda esteja aqui para ver isso, hein? — Nelli perguntou, enquanto se formava complemente, apenas flutuando acima de Jura tristemente.

— Então ele realmente está…? — Eiro perguntou baixinho, e Nelli apenas assentiu silenciosamente, antes que o Diabrete cerrasse os punhos. — E você não pode fazer algo sobre isso? Não há nenhuma maneira de… Curá-lo de volta à sua juventude? — Ele questionou, mas Nelli apenas riu e balançou a cabeça.

— Se houvesse, então esse mundo seria muito diferente, não é? Não. Envelhecer não é uma doença, nem um ferimento… É simplesmente uma parte da vida. — Ela explicou, então Eiro assentiu lentamente.

— Foi o que pensei… — Ele sussurrou, antes que olhasse de volta para o Espírito.

— Você… não envelhece, não é? — Eiro perguntou, e Nelli rapidamente balançou a cabeça.

— Não pelos últimos 300 anos, pelo menos. — Ela apontou, e o Diabrete olhou para ela com uma leve carranca, perguntado a ela uma questão com uma expressão muito séria, como se fosse a coisa mais importante que alguém já tivesse ouvido.

— Isso fica mais fácil? Ver as pessoas que ama apenas morrerem dessa forma? — Eiro questionou, e Nelli apenas olhou ele com uma expressão vazia.

— Fica mais fácil matar? — Ela perguntou, e Eiro balançou a cabeça.

— Nunca foi difícil para mim, então como ficaria mais fácil? — Ele apontou, e o Espírito apenas riu.

— Justo. Mas, no fim, a resposta ainda é a mesma… Não. Isso não fica mais fácil. — A Náiade explicou, e Eiro apenas olhou para Jura.

— Você sabe quanto tempo ele tem?

— Se ele não acordar novamente, talvez um dia ou dois, mas, se ele acordar… Ele nunca dormirá novamente depois disso. — Nelli disse. — Por favor, apenas fique aqui por ele, certo? Eu sei que ele nunca disse o que realmente sente por você, mas nos quase cinquenta anos em que fui contratada por ele, nunca o vi aceitar uma única pessoa, sem mencionar sete pessoas de uma vez, seis delas sendo crianças e uma um Demônio ignorante.

Eiro assentiu em resposta, lentamente se levando de sua cadeira e indo até a porta da frente, antes que Nelli voasse até ele em pânico.

— O q-O que você está fazendo? Não acabei de pedir para ficar com ele? — Ela perguntou, e Eiro acenou com um sorriso triste.

— Não se preocupe. Apenas no caso de ele acordar novamente, quero terminar o Projeto que ele me entregou. Estarei logo na frente da porta, então apenas me chame se precisar de mim.

— Oh… certo… — A Náiade respondeu, antes que o Diabrete calçasse seu sapato e saísse rapidamente pela porta da frente. Ainda não estava tão rio, mas sua respiração já formava uma leve névoa ao redor do seu rosto.

Por agora, entretanto, Eiro apenas ignorou tudo o que estava acontecendo ao seu redor e simplesmente foi até a estátua de madeira coberta, continuando o seu trabalho.

E, isso foi tudo o que Eiro fez pelo resto da noite. Ele permaneceu ali em frente à estátua de madeira e continuou a formar a névoa na representação tão realista como conseguia, e quando a manhã chegou, parecia que estava feito.

Mas, por alguma razão, não parecia ser o suficiente. Nem perto, então foi até o corpo de madeira de Zaragon mais um vez, melhorando ainda mais a sua pele, adicionando o que conseguisse para torná-lo mais realista.

Tinha que ser o mais limpo, tão perfeito quanto possível. Eiro constantemente explorou aqueles minutos das memórias que tinha de Zaragon em sua mente, e colocava tudo o que podia nessa representação. Ele a fez assustadora, a fez medonha e horripilante, tudo agrupado em um pacote limpo, aparentemente inofensivo.

O primeiro foi conjunto de dentes afiados escondidos atrás dos lábios apenas ligeiramente abertos de Zaragon, que Eiro só conseguiu esculpir usando um conjunto de ferramentas especiais que nunca havia usado antes. Obviamente havia detalhes que não seriam notados à primeira vista, como o contorno de uma boca sorridente e vertical escondida sobre a roupa, pressionado contra o tecido, esperando para ser liberta.

E então, Eiro finalmente chegou aos olhos.

Do mesmo material que usou para criar a névoa, Eiro criou ovais finos e curvados e os colocou nas órbitas vazias, tendo certeza de que não pudessem se mover. Mesmo assim, os olhos não estavam finalizados.

Ainda havia aquela único círculo branco no centro de cada olho. Eles não eram apenas de um tipo normal de branco, era como se fossem radiantes e brilhasse. Em uma sala escura sem nenhuma fonte de luz, aqueles dois círculos provavelmente ainda se destacariam, independente da impossibilidade da situação. E realmente havia pouco que pudesse fazer justiça a tal sentimento.

Havia uma coisa entre eles que ele conhecia, o caule grosso e parecido com madeira de uma flor relativamente rara que crescia por aqui. Por alguma razão, parecia uma planta bastante adequada, já que seu nome era chamado de ‘Flor da Morte’.

Eiro não tinha a menor pista do porquê era chamada assim, mas sabia que isso era simplesmente adequado pois ele, Zaragon, era a personificação da Morte.

A lista de tempo que ele viu, dizia que havia um a cinco minutos de caminhada daqui… Provavelmente ficaria bem se ele saísse por dez minutos, certo? Apenas para ter certeza, ele voltou para dentro e deixou os outros cientes de onde estava indo, e até mesmo escolheu montar nas costas de Lugo para fazer isso.

Não foi realmente difícil encontrar a flor, considerando que ela era preta como breu e crescia ao redor de Bétulas. E, depois de cortar um pouco do caule, Eiro rapidamente escolheu retornar para casa nas costas do seu familiar, feliz que conseguira terminar a Estátua de Madeira antes da morte de Jura.

E lá estava ele na frente dele de novo. Em seu caminho de volta, Eiro já havia terminado os dois anéis que colocaria nos olhos, e conseguiu dizer que seriam a adição perfeita a esse falso Zaragon.

Enquanto subia no bloco de madeira que estava usando para alcançar apropriadamente a cabeça da Estátua e colocou os dois anéis nos olhos, ele foi tomado por um pequeno arrepio com a aura que a estátua estava emitindo.

Era quase como se ele realmente estivesse em frente a Zaragon. Embora houvesse uma exceção a isso.

Ele não conseguia se lembrar da cabeça de Zaragon voando de seus ombros, após ser cortada pela adaga que um estranho mascarado segurava em sua mão.

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