A Virtude do Demônio

Volume 2 - Capítulo 77

A Virtude do Demônio

— Morrendo? Sobre o que você está falando? Como Jura poderia estar morrendo? — Eiro disse com uma risada, como se o que Rudy tivesse dito fosse a coisa mais ridícula que já escutou. — O que poderia vencer dele em uma luta? Nem mesmo um exército deveria ser…

—Eito, apenas pare… — Rudy murmurou enquanto olhava para o chão. — Estou voltando para dentro, me diga se precisar da minha ajuda para algo… — Ele disse silenciosamente enquanto se afastava, deixando o Diabrete confuso.

— Que piada estranha… — Eiro murmurou enquanto olhava em direção ao bloco de madeira e colocava a caixa de ferramentas no chão em frente a ele para começar a trabalhar apropriadamente.

Por agora, Eiro deveria apenas se concentrar no que precisava ser feito.

Ele pegou um pedação de giz preto da caixa que usava para fazer uma silhueta bruta da figura, para que conseguisse remover pedaços tão grandes como possível desse bloco base, e então rapidamente começou a trabalhar, esculpindo na madeira com uma goiva reta para conseguir um bom contorno, criando um formato oval que estava completamente ao redor da silhueta que Eiro esculpiu, então pegou a serra que trouxe para fora junto da caixa, cortando os pedaços fora do formato oval.

E então, rapidamente foi para o outro lado do bloco de madeira, o qual ainda parecia quadrado daquela perspectiva, e fez exatamente a mesma coisa, esboçando a silhueta da figura quando visto de lado, e então cortando os pedaços em excesso.

Então, Eiro ficou com uma base que era muito mais fácil de trabalhar. E em cima disso, deveria ter pedaços suficientes de madeira para criar apropriadamente os membros da estátua.

— Vamos começar… — Eiro murmurou e começou a visualizar a figura da pessoa… não, o ser, que queria recriar. Eiro não estava completamente certo do que ele era, afinal.

De qualquer forma, com a imagem clara em sua mente, o Demônio começou a esculpi-lo.

Ele tinha uma figura magra e incrivelmente alta. Era tão alto que basicamente parecia sobrepujar o Diabrete só de pensar nele.

Era tão branco que provavelmente poderia desaparecer na neve assim como a madeira fez, e o mesmo caso com suas roupas, também eram brancas. Se Eiro não o tivesse visto sem essas roupas, ele teria pensado que era apenas uma parte do corpo dele, talvez algo como uma concha natural ou carapaça.

Logo, ele chegou ao momento em que o formato bruto estava feito, e você poderia lentamente reconhecer o que era, pelo menos se tivesse visto isso antes. Dos quatro braços se estendendo dos seus ombros, o terno branco elegante que usava e o leve sorriso em seu rosto, que Eiro tinha apenas insinuado por enquanto.

Era Zaragon.

A criatura mais aterrorizante que ele já viu em sua vida um tanto curta. Mesmo agora, Eiro apenas queria empurrar sua adaga profundamente no estômago dele, onde ele estava escondendo sua verdadeira e horripilante boca, e apenas cortá-la por dentro. Infligir uma dor imensurável pelo que ele fez à Avalin, e por fim fazê-lo sofrer incessantemente…

Mas, pelo menor por agora, isso não era algo que o Eiro atual conseguisse fazer. Ele nem mesmo conseguia enfrentar Zaragon apropriadamente com sua força atual, algo que Eiro tinha certeza. Ele nunca sonharia em matar Zaragon.

Por enquanto, a única coisa que poderia fazer era esculpir Zaragon dessa forma e aproveitar vê-lo apodrecer lentamente.

De qualquer modo, agora, era hora dos detalhes, então Eiro rapidamente colocou algumas de suas ferramentas em seus locais no canto. Ele segurou sua mão direita contra elas para usá-las, sem trocá-las da maneira como normalmente fazia, usando sua nova habilidade racial.

E então, com um ritmo rápido, Eiro passou sua mão esquerda pela superfície da madeira e trocou sua ferramenta sempre que necessário. Dessa forma… Eiro conseguiu pelo menos preparar adequadamente a base para o trabalho que viria nos próximos dias. Isso significava refinar ainda mais o formato, adicionar detalhes, fazer a madeira ao redor do seu torso e pernas realmente serem semelhantes ao tecido, e fazer a madeira ao redor dos braços superiores, que estavam cruzados atrás das costas de Zaragon, e face dele se assemelharem a pele dele.

Mas, essa era uma tarefa para manhã… por agora, tinha que guardar esse projeto em andamento adequado em seu escritório e espaço de armazenamento.

Considerando que a quantidade de madeira diminuiu consideravelmente, Eiro agora conseguiu carregar a estátua de madeira de Zaragon sozinho. Ele rapidamente a colocou no chão e agarrou um pedaço menor de Casca de Neve que parecia grande suficiente para criar o resto de um dos braços de Zaragon, pois dois dos braços dele estariam estendidos na frente da estátua. O bloco de madeira não era grande suficiente para criar um Zaragon dessa forma com um único pedaço.

Então, com esse pedaço de madeira, assim como sua faca de entalhe em mãos, Eiro foi até a cabana, em direção à porta da frente, a qual rapidamente abriu e entrou.

— Ah, aqui está ele. Eu falei, não falei? — Jura disse com um sorriso enquanto afastava o olhar de Rudy e se voltava para a porta da frente. — Agora, quão longe você foi com o seu projeto? — O velho perguntou, e Eiro apenas sorriu enquanto se sentava na mesa ao lado dele, colocando o pedaço de madeira em cima dela.

— Terminei a base do corpo principal. Ainda preciso fazer quatro membros extras, e então adicionar detalhes em tudo. Depois, poderei adicionar a Raiz de Fuligem ao redor disso. Só isso deve levar um dia inteiro, talvez um pouco do segundo também. — Eiro explicou enquanto se inclinava e começava a esculpir a madeira, fazendo os restos de madeira caírem em cima do pedaço de tecido que colocou em seu colo.

— É mesmo? — O velho perguntou baixinho com um leve sorriso no rosto, e Eiro apenas continuou a trabalhar enquanto Rudy voltava para a cozinha para continuar cozinhando.

No próximo dia, Eiro continuou trabalhando na estátua de madeira, assim como disse, embora isso tenha sido depois e sua visita regular à floresta em que checou as armadilhas e reuniu algumas ervas, e então voltou para casa.

Após quatro dias de trabalhando nela o máximo que conseguiu, a figura de Zaragon foi concluída. Ela já fazia Eiro tremer imensamente, mas isso era realmente insano, agora que ele deu uma olhada.

Ele analisaria melhor mais tarde, depois que a euforia de ter finalizado passasse, para ver se havia esquecido de algo, mas, por agora, ele tinha que trabalhar com a Raiz de Fuligem. A Raiz de fuligem foi simplesmente esculpida em numerosos cubos e empilhados em cima um do outro, mantidos juntos ao frisar os lados de forma rápida e empurrar diferentes cubos um no outro levemente, com cada superfície dos cubos coberta com cola para continuar os mantendo juntos.

E essa montanha de madeira preta foi construída diretamente ao redor do Zaragon de madeira. Afinal, ela era supostamente a névoa que ele usou para se transportar instantaneamente em direção ao Diabrete naquele momento. Ela estaria vazando de suas calças e roupas em diferentes partes, mas primeiro, ele tinha que realmente criar uma base apropriada para isso antes de fazer tais conexões.

Após construir a montanha de cubos, Eiro começou suavizar as bordas, fazendo o melhor que pôde para dar a forma áspera do que se recordava de como era. E então, depois que tudo foi feito, o Diabrete criou as conexões entre o corpo e a névoa negra, antes de se mover para a próxima etapa…

Arranhando a superfície para dar a ela uma textura que fosse mais reconhecível como uma névoa do que a superfície áspera, mas ainda relativamente suave e plana, que tinha agora. Era bastante tarde da noite agora, mas Eiro realmente quase terminou… E, ainda tinha dois dias sobrando, então os usaria para adicionar ainda mais detalhes, e talvez tratar um pouco a superfície da madeira, depois de suavizar tudo adequadamente.

Pelas próximas horas, Eiro fez o seu melhor para arranhar a madeira nos lugares certos, com a profundidade e caminho certo, até mesmo fazendo alguns “túneis” através da madeira, e logo, o Diabrete terminou isso também. Era muito grande para realmente movê-la agora, e não era como se passasse pela porta de qualquer forma, então Eiro apenas a deixou ali fora e a cobriu com um tecido para ter certeza de que puxaria muita água se chovesse, embora parecesse um pouco improvável.

E então, Eiro foi até a casa novamente, onde o Diabrete mais uma vez teria que enfrentar algo novo. Algo que esteve enfrentando durante os últimos dias, todos os dias.

O dia depois que Eiro começou a estátua de madeira, Jura parou de se levantar da cama completamente, embora ainda estivesse acordado na maior parte do tempo.

No dia seguinte, Jura ainda estava dormindo quando o Demônio voltou para casa da floresta… No seguinte, ele acordou bastante cedo, mas não disse uma única palavra… Então só acordou aproximadamente por uma hora, a qual ele passava observando as crianças silenciosamente. Embora, Eiro só tivesse escutado Arc falar sobre isso… afinal, ele não estava aqui durante esse momento.

— Ora, ora, não seja tão malvada com o seu irmão, Avalin. — O velho riu, meio coberto pela coberta, enquanto as duas crianças estavam paradas ao lado da cama dele, e Eiro olhou para Jura, surpreso. Ele sabia disso, Rudy não poderia estar certo, não havia como Jura estar morrendo! Era impossível para um homem forte como ele.

— Estou feliz que você esteja e bom humor novamente. — Eiro disse com um sorriso, enquanto se aproximava da cama e rapidamente segurava o cansado Leon. — Oi, papai… — O garoto disse baixinho, e Avalin os encarou com olhos verdes.

— Não é justo! Papai, eu quero subir também! — Ela exclamou, e Eiro apenas riu e se inclinou, rapidamente a pegando com seu outro braço. Era um pouco instável, mas deveria ficar bem.

— Tome cuidado com ela, okay? Ela foi muito má com Leon hoje. — Jura disse com uma leve risada, enquanto esticava a mão em direção à garota, apesar de ela só ter rido e balançado a cabeça.

— Não é verdade! Eu apenas queria acordar Leon! — Avalin exclamou, e Eiro virou a cabeça para Leon com um sorriso.

— Oh? Você dormiu de novo? — Ele perguntou, e o garoto lentamente assentiu com a cabeça, enquanto se deitava no ombro do Demônio. — Mhm…

— Muito bem, então, parece que você dormiu por Jura também, huh? Para que ele não durma o dia todo de novo. — O Diabrete disse com um sorriso enquanto olhava para Jura, que apenas assentiu.

— Verdade, tenho andado muito cansado ultimamente, mas estou me sentindo muito bem hoje. — Ele apontou, e antes que ele e Eiro pudessem continuar a conversa, o Demônio escutou um baque alto lá fora.

— Ah merda, acho que Lugo bateu sua galhada em algum lugar de novo… Voltarei logo. — Eiro disse, sorrindo alegremente enquanto colocava as duas crianças no chão e ia até a porta, embora não tenha acreditado no que ouviu quando o velho disse em seguida.

— Oh, apenas deixe Lugo para Eiro, tá? É o familiar dele!

Parecia que Jura não sabia com quem ele estava falando.

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