
Volume 1 - Capítulo 6
A Virtude do Demônio
Por horas e horas a fio, o Diabrete continuou seguindo as três coisas que o capturaram, e considerando que o Diabrete conseguia manter sua raiva sob controle ultimamente, pôde dar uma olhada adequada no que estavam fazendo e como eram.
Afinal, eram seus inimigos, então era melhor saber algo sobre eles, pelo menos essa foi a conclusão que o Diabrete chegou.
As principais coisas que notou foram os papéis das diferentes coisas. Primeiro, a coisa preta, James, geralmente ia na frente se algo parecesse errado, e geralmente era aquele que tentava distrair alguns dos monstros enquanto Avalin e Thomas cuidavam do resto.
A própria Avalin, na maior parte do tempo, ficava para trás e atirava flechas nos monstros, embora às vezes também optasse por entrar em combate corpo-a-corpo quando necessário, usando uma pequena adaga na sua cintura. Ela também usava muita magia e às vezes atirava flechas de fogo em monstros!
E finalmente, Thomas. Ele era aquele que o Diabrete considerava mais perigoso, menos agressivo. Embora James e Avalin acabassem falando muito alto com frequência, Thomas ficava no canto na maior parte do tempo e tentava fazer os outros continuarem andando em vez de gritarem um com o outro, mas quando monstros entravam em sua visão, mudava instantaneamente.
Dentro de alguns segundos, os monstros à sua frente eram despedaçados pela sua espada. O Diabrete nem entendia por que tinha aquele escudo que só servia para bater, chamando a atenção dos monstros às vezes, porque nenhum deles conseguiu acertá-lo.
Principalmente na luta que o Diabrete estava assistindo no momento, Thomas estava mais uma vez cuidando da maioria dos monstros, mas o próprio Diabrete percebeu algo que nenhum dos outros notou, nem mesmo James, o vigia.
Em uma das árvores atrás do grupo, um monstro estava à espreita, olhando para Avalin o tempo todo. Parecia ignorar o Diabrete porque não tinha interesse nele, o que o deixou bastante feliz. Se aquele monstro conseguisse ferir, talvez até matar, qualquer um deles, seria possível que escapasse muito mais cedo do que esperava!
Pelo menos isso ficou na mente do Diabrete por um tempo, até que o que ele esperava realmente aconteceu. O monstro pulou da árvore e agarrou as costas de Avalin, e o Diabrete acabou sorrindo amplamente em resposta ao ver a coisa ruiva se debatendo tanto tentando tirá-la de cima dela.
Thomas e James estavam bem longe, e como o monstro estava segurando a boca de Avalin fechada com dois de seus quatro braços enquanto os outros começaram a agarrar seu pescoço, nenhum deles percebeu que alguma coisa estava acontecendo.
Então, algo que imediatamente mudou a opinião do Diabrete aconteceu. Uma caixa vermelha apareceu na frente dele.
[Sua dona está sofrendo danos. Se sua dona morrer, você morrerá junto]
O Diabrete era inteligente, talvez não tão inteligente quanto pensava, mas inteligente o suficiente para descobrir que as caixas vermelhas eram as mais assustadoras. As azuis pareciam realmente ajudá-lo, então talvez não fossem todas ruins, mas as vermelhas só apareciam quando algo muito, muito ruim estava acontecendo.
E no momento em que o Diabrete viu a cor da caixa, seu corpo se encheu de medo, um medo que nunca havia sentido antes. Um medo que não queria sentir, mas foi obrigado a sentir por ser capturado por Avalin.
O Diabrete estava realmente assustado por algo mais. Era por algo que o Diabrete odiava do fundo de seu corpo, mas mesmo assim o assustava. Provavelmente, estava sentindo isso por conta da influência, mas por alguma razão, parecia diferente. Por apenas um momento, parecia que o Diabrete não odiava tanto Avalin, porque sabia o que ela estava sentindo agora. E então algumas novas caixas apareceram, e o Diabrete acabou correndo para frente.
[Você sentiu Empatia pela primeira vez!]
[Inteligência +1] [Sabedoria +1] [Força de Vontade +1] [Percepção +1]
O mais rápido que pôde, com toda a velocidade que havia ganhado ao fugir das caixas antes, o Diabrete agora optou por atacar algo em vez de fugir, apesar de suas pernas estarem tremendo. Por alguma razão, só queria continuar em frente.
[Você lutou contra o medo. Força de Vontade +1]
Avalin parecia ter tentado agarrar a adaga na sua cintura para lutar contra o monstro, mas o monstro jogou a pequena lâmina longe, fazendo com que a adaga ficasse no caminho do Diabrete. Ele não tinha certeza de como usá-la, mas já havia visto Avalin fazer isso algumas vezes e, mesmo assim, o instinto podia ser suficiente para permitir que o Diabrete atacasse.
Ele agarrou a adaga pela parte não afiada e, sem pensar, apenas a empurrou contra as costas do Monstro com toda a força que pôde, e só então percebeu que nunca havia ganhado força antes.
[Macaco-Inseto, −1 de Vida]
[Você causou danos pela primeira vez! O Atributo Força foi desbloqueado!]
[A Habilidade Maestria com Adaga Iniciante foi Aprendida]
Imediatamente após o Diabrete acertar a adaga nas costas do monstro, o monstro virou a cabeça e começou a gritar. É claro que isso chamou a atenção de James e Thomas, mas naquele momento, Avalin conseguiu usar a distração que o Diabrete causou para dominar o monstro e então jogou-o no chão, antes de puxar a mão do Diabrete, que ainda segurava a adaga, e o fez esfaquear a adaga no peito do monstro.
[Macaco-Inseto, −298 de Vida]
[Você causou danos Improváveis para sua força. Força +3]
[Maestria com Adaga Iniciante subiu de nível!]
[Maestria com Adaga Iniciante subiu de nível!]
[Maestria com Adaga Iniciante subiu de nível!]
Confuso e surpreso, o Diabrete deu um passo para trás e largou a adaga, deixando Avalin agarrá-la antes de continuar a esfaquear o monstro repetidamente antes que parasse completamente de se mover.
E então, de repente, mais caixas apareceram na frente do Diabrete.
[Você subiu de nível!]
[Você subiu de nível!]
…
…
…
[Você subiu de nível!]
Depois que as notificações pararam de aparecer, parecia haver cerca do mesmo número de notificações que o Diabrete tinha dedos, e mais uma última apareceu.
[Você tem 9 pontos de atributos não utilizados disponíveis]
Irritado, o Diabrete balançou as mãos para fazer as notificações desaparecerem, pois estava mais preocupado com outra coisa no momento. E a coisa que preocupava o Diabrete tinha nome e se chamava James, atualmente correndo em direção ao Diabrete antes de chutá-lo no estômago, empurrando-o a alguns metros de distância.
[-189 de Vida]
[Aviso, você está com pouca vida]
[Você sofreu um ataque com alto dano. Resistência +1]
— Avalin! Esse filho da puta tentou te machucar?! — James gritou enquanto olhava para Avalin, mas a jovem segurou a garganta e balançou a cabeça imediatamente, enquanto o Diabrete apenas colocou a mão na barriga.
— …N-Não… Me… ajudou…! — Ela respondeu com dor, e James começou a cerrar os dentes enquanto olhava para o Diabrete com uma espada curta apontada para ele.
— Ele estava segurando uma adaga em sua direção, é obvio estava tentando te machucar! — Ele exclamou, e a visão do Diabrete lentamente ficou mais escura quando percebeu que Avalin estava bebendo um líquido vermelho antes que o sangue de sua garganta parasse de fluir.
Por alguma razão, o Diabrete de alguma forma se sentiu aliviado após ver isso. Outra emoção que nunca havia sentido antes, que o encheu de total descontentamento, mas depois que Avalin torceu o rosto e colocou a mão contra a boca por alguns momentos, aparentemente tentando conter algo por desgosto, ela lentamente se levantou e caminhou em direção a James e ergueu a mão.
— Eu… disse que me ajudou…! — Avalin contou a James, e antes que este conseguisse falar, ela continuou: — Ele tentou esfaquear o Macaco-Inseto! Não estava tentando me machucar, eu juro! — Ela gritou com James, que estalou a língua e se virou enquanto colocava a espada de volta na bainha antes que a própria Avalin se ajoelhasse e desse uma olhada no Diabrete.
— Você está bem? Você precisa de uma poção também? — Ela perguntou, segurando uma garrafa com o líquido vermelho que engoliu antes, embora o Diabrete apenas inclinasse a cabeça para o lado enquanto tentava cheirar a garrafa com desconfiança.
— É uma poção. Po-ção. — Avalin explicou, primeiro tentando fazer com que o Diabrete conhecesse a palavra, para não ser um completo ‘Desconhecido’ para ele, e logo ele tentou repetir o que ela disse, afinal, já conseguia aprender sempre que ela queria que ele repetisse alguma coisa, e sua boca estava acostumada a fazer sons assim um pouco!
— Poção… — O Diabrete exclamou presunçosamente, e Avalin acenou com a cabeça com um sorriso.
— Sim, exatamente! Uma poção. Se você se machucar e sangrar, você se sentirá melhor após tomar — Avalin explicou, apontando para o sangue ainda em sua garganta antes de sorrir abertamente.
— Melhorar! — Mais uma vez, o Diabrete repetiu uma palavra que ouviu enquanto apontava para a garrafa, e Avalin assentiu mais uma vez.
— Mhm, bom. Bem, você parece estar saudável o suficiente. — A coisa vermelha, disse com um suspiro antes de esfregar a mão na frente do pescoço mais algumas vezes e depois se virar para as outras coisas.
— Tem algum outro pequeno rio perto daqui, certo? Eu gostaria de lavar isso, se possível — Avalin explicou enquanto se virava para Thomas, que apenas respondeu encolhendo os ombros.
— Acho que sim. Vamos continuar por um tempo e, se não encontrarmos nada, tentaremos descobrir outra coisa — Ele respondeu antes que Thomas olhasse para James, que parecia estar brincando com os monstros contra os quais estavam lutando antes.
— Você encontrou algum? — Ele perguntou, mas James apenas balançou a cabeça antes de limpar o sangue das mãos com uma toalha.
— Demos azar de novo, na verdade, os monstros na área são, em sua maioria, muito fracos… O mais extraordinário que encontramos é esse que está enfiando o pé de um Macaco-Inseto na boca, e é apenas nível… — James começou quando olhou para o Diabrete, que estava tentando fazer uma boa refeição.
— Não havia pensado nisso… Qual é o seu nível? — James perguntou enquanto avançava em direção às outras coisas, e os três se entreolharam por um momento antes de James e Thomas se voltarem exclusivamente para Avalin.
— Você ainda não verificou? — Thomas perguntou, mas Avalin continuou tentando tirar um pouco mais de sangue de sua garganta enquanto balançava a cabeça.
— Não. Como eu disse, não é domação. O domar me deixaria verificar seu status, nível, habilidades e assim por diante, mas Propriedade basicamente apenas faz com que siga nossos comandos e não possa nos atacar. E minha Inspeção Iniciante não me deixa ver além de sua raça — Ela explicou, então Thomas começou a coçar a bochecha por um tempo, antes de arregalar os olhos ao perceber algo Importante.
— Calma, você começou a ensiná-lo a falar, certo? Você pode ensiná-lo a ler e escrever também? Se você puder fazê-lo anotar seu status para nós, não precisaremos inspecioná-lo — Thomas sugeriu, e Avalin balançou a cabeça com um suspiro.
— O Entendimento de Linguagem Comum Iniciante não suporta leitura e escrita, que vem no Aprendiz, e obviamente, ele só possui a Iniciante. Quer dizer, não é Impossível aprender sem o suporte da habilidade, e pode até ser mais fácil do que penso devido ao Impulso de Habilidade, mas… Levará um tempo. Vou dar meu melhor nesse tempo — Ela respondeu, mas James apenas suspirou levemente.
— Precisamos realmente ensinar tudo isso a um Diabrete? De qualquer maneira, vamos vendê-lo em alguns dias — A coisa preta reclamou, mas Thomas bateu levemente em seu ombro com um sorriso malicioso.
— É exatamente por isso. Quanto mais altos forem seus atributos e habilidades enquanto permanecer um Diabrete, mais valerá a pena. Provavelmente ganhou um pouco de experiência agora por atacar o Macaco-Inseto, mas não deve ser o suficiente para fazê-lo evoluir — Ele apontou antes de apontar para o próprio Diabrete.
— Basta pensar nisso… Conseguimos confirmar que é um ‘Diabrete Inferior’. Eles são classificados no máximo como Monstros Camponeses Superiores, cara. Quanto você acha que valeria um Monstro Camponês com a inteligência de um Plebeu Superior, ou até mesmo um Nobre Inferior? — Thomas explicou com um sorriso malicioso no rosto, e James só conseguiu acompanhar parcialmente.
— Hmmm, um montão? — A coisa preta perguntou, e a coisa azul acenou com a cabeça.
— Um montão — Ele respondeu, e mesmo que o Diabrete não tivesse certeza do que estava acontecendo, sabia que algo estava errado, considerando o sorriso feliz das duas coisas idiotas em comparação com a expressão triste da coisa legal.
…