
Volume 1 - Capítulo 5
A Virtude do Demônio
Som após som, a coisa vermelha fez o Diabrete repetir depois dela.
Mais e mais caixas pareciam aparecer enquanto faziam isso, e cada vez mais, o Diabrete começava a entender exatamente o que estava fazendo. Estava se tornando cada vez mais fácil aprender os novos sons e, de certa forma, sabia o que estava acontecendo. Até o momento ele apenas repetia os sons sem saber exatamente o que significavam, mas agora entendia o seu significado.
O som ‘Fogo’ referia-se às chamas que a coisa vermelha apagou antes. ‘Avalin’ era como a coisa vermelha queria ser chamada e, por alguma razão, a ‘coisa vermelha’ em sua mente mudou para ‘Avalin’ após descobrir isso. Ele não queria que isso acontecesse, mas não podia evitar!
No geral, todo o processo de aprender esses sons foi muito interessante para o Diabrete, mas por alguma razão, muitas outras caixas apareceram de repente, e eram todas iguais. O Diabrete estava bastante assustado, mas no final, conseguiu se acostumar com a presença delas de alguma forma, mesmo que por pouco.
E antes que o Diabrete percebesse, o sol nasceu novamente e Avalin se virou surpresa em direção ao nascer do sol.
— Eh? Mas já…? — Ela murmurou baixinho antes de se levantar com um suspiro e se aproximar da coisa onde as outras duas coisas estavam dormindo, que o Diabrete descobriu que se chamava ‘Barraca’.
Apenas com alguns chutes na lateral daquela barraca, as coisas azul e preta saíram dela, cansadas e olharam em volta, principalmente para Avalin.
— Você já acordou…? — A coisa preta perguntou com um sorriso irônico, e Avalin acenou com a cabeça presunçosamente e apontou para o Diabrete.
— Mhm! O Diabrete e eu estávamos trabalhando juntos em algo ontem à noite! Vá em frente, carinha, mostre a eles o que você pode fazer! — Avalin exclamou e olhou para ele cheio de esperança, mas o Diabrete apenas olhou para uma coisa. O pedaço de carne seca que a coisa azul segurava no momento.
— Eh? Você o ensinou a ser ainda mais idiota? Para ser sincero, se existe alguém possa fazer isso, esta seria você… — A coisa preta murmurou enquanto segurava a mão no queixo, mas ficou surpresa quando notou o Diabrete abrir a boca.
— Comida…! — Ele exclamou e tentou apontar para a carne seca, tentando dar um passo à frente, mas não conseguiu devido à corda em volta do pescoço, pela qual foi forçado a permanecer no lugar.
Confusa, a coisa preta agora olhou para Avalin, que cruzava os braços presunçosamente.
— Quem é a idiota agora? — Ela perguntou com um sorriso, e a coisa azul arrancou um pedaço da carne seca com a boca e depois jogou o resto para o Diabrete, que tentou pegá-lo, mas não conseguiu, em vez disso tropeçou nos próprios pés, o que acabou fazendo com que caísse e quase morresse sufocado.
— Sim, eu diria que ainda é essa coisa. — A coisa Azul apontou, mas Avalin apenas respondeu com uma expressão de raiva e correu em direção ao Diabrete para remover a corda.
E imediatamente quando fez isso, o Diabrete correu em direção à carne seca que a coisa azul jogou para ele antes por dois motivos. O primeiro era que a fome que sentia era muito mais intensa desde que lhe deram esta coleira, e ele não comia nada desde que devorou seus irmãos.
A segunda razão foi que começou a sentir o cheiro de Avalin quando se aproximou dele agora há pouco. O Diabrete conseguiu se acostumar a vê-la, mas qualquer outro sentimento o deixava com muita raiva e ódio novamente.
Enquanto o Diabrete começou a devorar o pequeno pedaço de carne seca, os outros lentamente se prepararam para sair novamente após tomarem um pouco de café da manhã, e a coisa preta subiu na árvore para soltar a outra ponta da corda ainda presa no galho.
— Tudo bem, vamos indo. Ainda faltam alguns dias até chegarmos à cidade… novamente… Erm, Avalin, você pegou o tomo ontem à noite? — A coisa azul perguntou confusa, e antes que percebesse, Avalin já havia desviado o assunto para tentar ignorar a pergunta, mas tanto a coisa preta quanto a azul rapidamente se entreolharam e depois para o Diabrete, que ainda saboreava o sabor da carne seca, antes de correr atrás de Avalin.
— Calma, não me diga que você… — Imediatamente, a coisa azul começou a folhear o quadrado, que o Diabrete descobriu que se chamava “Livro”, até parar e virar a cabeça para o lado onde Avalin estava andando.
— Se você usou a porra do nosso Impulso de Habilidade em um Diabrete, eu vou arrancar sua cabeça…
— Calma lá, ela fez o quê?! — Com confusão e raiva no rosto, a coisa preta pulou na frente de Avalin e abriu os braços para fazê-la parar de andar.
— Por que você desperdiçaria um Impulso de Habilidade em um Diabrete?!! — Ele gritou e Avalin enrolou seus longos cabelos ruivos no dedo.
— Claro, eu sei… Mas paguei um terço disso, então posso usar um terço dos feitiços como quero… E eu queria usar um Impulso de Habilidade no Entendimento de Linguagem Comum do Diabrete para o vendermos por um preço maior quando chegarmos à cidade… — Avalin explicou, e por algum motivo estava contorcendo o corpo de maneiras estranhas em direção à coisa preta, que lentamente desviou o olhar em resposta.
— Tsk… Tudo bem, mas se isso não tiver valido a pena, juro que vou compartilhar aquela história sobre a única vez que você — A coisa preta começou a dizer, e Avalin agarrou imediatamente a pequena lâmina ao seu lado e segurou-a na garganta da coisa preta mais rápido do que o Diabrete poderia acompanhar.
— Se você sequer considerar fazer isso, James, juro pelos deuses que contarei a Jennifer todas as coisas que você disse sobre ela. — Avalin respondeu imediatamente e, de repente, o Diabrete sentiu uma pontada desconfortável no centro do corpo, considerando que parecia ter aprendido o nome de outra das três coisas.
Ele, sob nenhuma circunstância, queria que isso acontecesse, mas parecia que o Diabrete não poderia arrancar suas orelhas. Ou… podia?
— Ei, não venha com essa! — James gritou com raiva, e Avalin cruzou os braços bufando e virou o rosto.
— Foi você que começou! — Ela respondeu, mas James a empurrou para o lado enquanto se aproximava do Diabrete, que estava tentando literalmente arrancar suas orelhas para parar de ouvir mais sobre as coisas que o escravizaram.
— Não você, cérebro de galinha, o Diabrete. Se você acabou usando um Impulso de Habilidade nele, então eu não quero que ele seja danificado de forma alguma, precisamos que esteja em ótimas condições! — O jovem de preto gritou enquanto forçava o Diabrete a manter os braços longe da cabeça, e então James se virou e olhou para longe com um suspiro.
— Por Gordon… Agora há monstros aqui, ótimo… Thomas? — James murmurou com um suspiro, e agora o Diabrete mais uma vez sentiu a mesma dor ao aprender o nome da coisa azul.
— Entendi… — Thomas respondeu e desembainhou a espada da lateral e segurou o escudo na sua frente, antes de bater o primeiro contra o último algumas vezes para atrair a atenção dos monstros.
O Diabrete os reconheceu. Não estes em particular, mas viu alguns que se pareciam com antigos conhecidos. Eles eram monstros muito desagradáveis que cheiravam a titica de galinha, até mesmo para um Diabrete, mas agora, por algum motivo, cheiravam… muito bem. Embora isso provavelmente tenha sido apenas pela grande fome do Diabrete.
Esses monstros eram camponeses com cabeça de porco e corpo de rato, nos quais alguns monstros plebeus fortes escolhiam montar às vezes, e tinham uma mordida bem assustadora, proveniente de seus incisivos gigantes e afiados.
Mas o Diabrete estava confuso com o que estava acontecendo agora, porque Thomas acabou cortando os três monstros instantaneamente como se não fossem nada, antes de dar um passo para trás enquanto apertava o nariz com os dedos.
— Porra, eles cheiram pior que merda… Vamos vazar logo, não podemos usá-los para nada… — Thomas murmurou e apontou com a cabeça para o caminho em que os quatro estavam, mas o Diabrete queria fazer outra coisa. Ele, por algum motivo, ficou apavorado com a ideia de fazer isso, mas sua fome conseguiu superar seu medo por apenas um momento, então o Diabrete sentou-se na frente dos monstros e enfiou os dentes dentro de seus corpos sujos e fedidos.
Enquanto fechavam o rosto em desgosto, as três coisas que capturaram o Diabrete se entreolharam e estremeceram levemente ao ver isso.
— Como ele consegue comer isso…? Urgh, fico enjoado só de imaginar o gosto… — James disse e se virou, tentando não olhar para o que estava acontecendo, e até mesmo Avalin balançou a cabeça lentamente.
— É verdade… Mas vamos deixá-lo comer, por enquanto, não podemos deixá-lo morrer de fome antes de chegarmos à cidade. E provavelmente deveríamos deixá-lo beber alguma coisa perto do rio aqui também, estamos indo para o interior agora, e não quero deixá-lo beber do meu cantil… — Avalin disse com um sorriso irônico, e Thomas encolheu os ombros e encostou-se em uma árvore.
— Tudo bem, mas vamos sair imediatamente depois. — Ele respondeu, então os outros assentiram e se juntaram a Thomas perto da árvore, enquanto o Diabrete continuava com seu banquete.
O gosto em sua língua era totalmente nojento, e o cheiro que vinha do sangue ao redor de sua boca o fez querer fugir e se esconder, mas o Diabrete sabia que teria que lidar com isso por enquanto. Ele não entendeu diretamente o que as três coisas estavam dizendo agora, mas sabia que esta era uma das poucas chances que lhe seria dada de comer. E isso significava que tinha que comer o máximo que pudesse.
Então, após comer metade, sentiu a carne quase voltando, não porque estivesse enojado, o que estava, mas porque estava saciado. Ele não conseguia comer mais nada, mas continuou e foi severamente punido com uma caixa.
[A Habilidade Comilança Iniciante foi Aprendida]
E parecia que o estômago do Diabrete se distraiu com a notificação porque esqueceu que já estava saciado! Então, o Diabrete continuou forçando a carne e o sangue do monstro garganta abaixo até que não restasse mais nada e então olhou para as três coisas, antes que a coisa azul apontasse para o rio a cerca de dez metros de distância delas.
— Vá se limpar e beba alguma coisa também — Thomas disse franzindo a testa, e só de malcriação, o Diabrete pensou que não deveria fazer o que ele mandou, mesmo que realmente não entendesse o que Thomas queria, mas antes que o Diabrete pudesse realmente começar esse pensamento, seu corpo foi tomado pelo medo de passar fome novamente.
Imediatamente, o Diabrete sentiu-se inclinado a correr em direção à água que corria ao lado deles, o que fez quase imediatamente, antes de pular dentro dela em um lugar raso onde pudesse ficar de pé.
A água ficou vermelha por alguns momentos depois que o Diabrete entrou nela, mas logo voltou ao normal, embora o mesmo tenha acontecido algumas vezes quando colocou as mãos ou o rosto na água.
E um pouco mais tarde, quando o Diabrete encheu seu corpo com o máximo de água que pôde, as três coisas continuaram a se mover, então o Diabrete saiu correndo da água e os seguiu. Apesar de os odiar até os ossos, ele não tinha escolha.
…