A Virtude do Demônio

Volume 1 - Capítulo 4

A Virtude do Demônio

Com o sangue seco, escuro, quase preto, cobrindo sua boca e mãos, o Diabrete continuou andando atrás das três coisas à sua frente. Eles continuaram olhando para ele de forma estranha, mas o Diabrete não se Importou nem um pouco, o ódio que sentia em seu corpo era mais que suficiente para ignorar essas coisas.

O sol já havia se posto quase completamente e parecia que as coisas procuravam algo. Era semelhante ao que os Monstros Comuns sempre faziam quando o sol se punha, então parariam provavelmente de se mover em breve para esperar o sol voltar a nascer. O Diabrete realmente não entendia por que faziam isso, mas mais uma vez, não ligava. Ele apenas os observava por trás, com um olhar frio que esperava que os fizesse cair mortos instantaneamente, mas sempre que pensava em realmente atacá-los para tentar matá-los, o Diabrete sentia um medo enorme por todo o seu corpo que quase caía no chão, deixando-o até ignorar as caixas que apareceriam ao seu redor naquele momento.

E geralmente, quando isso acontecia, o Diabrete era incapaz de continuar se movendo e, em vez disso, apenas parava, e a coisa preta, em resposta, agarrava o Diabrete pela coleira abafada em volta do pescoço e o arrastava atrás dela.

Após um tempo de caminhada, as coisas pararam de se mover próximo a um rio e colocaram as coisas em suas costas, antes que a coisa preta prendesse uma corda na coleira do Diabrete e subisse em uma árvore antes de amarrar a outra ponta da corda em um galho.

— Isso não é meio desnecessário? — A coisa vermelha perguntou ao ver tal coisa acontecer, e a coisa preta encolheu os ombros em resposta. 

— Quero dizer, quem sabe o que essa coisa pode fazer à noite? Provavelmente não pode escalar e definitivamente não será capaz de destruir uma corda encantada, mas pode ser capaz de afrouxar o nó se não tomarmos cuidado.

— E daí? Não é como se pudesse nos atacar ou fugir de qualquer maneira. — A coisa Azul exclamou antes de jogar algo na coisa preta.

— Venha e ajude a montar a barraca. — Foi dito antes que as três coisas se amontoassem em torno de algum tipo de objeto marrom, enquanto o Diabrete apenas ficava parado embaixo do galho.

Surgiu vários problemas disso, embora um tenha se destacado. Provavelmente foi de propósito, mas aparentemente, quando a coisa preta amarrou a corda no galho, a deixou um pouco curta demais. Isso significava que o Diabrete não conseguia sentar e sempre tinha que manter o corpo esticado o máximo possível para não se enforcar.

Depois de tudo o que aconteceu hoje, o Diabrete estava extremamente exausto, ele já sentia suas pernas cedendo e precisou de muito esforço para não deixar isso acontecer. O Diabrete apenas olhou para frente, tentando se concentrar em alguma coisa, em qualquer coisa, para não cair no sono.

E para sua sorte, havia algo em que focar agora, as chamas que as três coisas acenderam na frente deles. O fogo era algo hipnotizante para o Diabrete, de todas as coisas diferentes que viu em sua curta vida até agora, essa era a que mais o empolgava. A maneira como o fogo ondulava caoticamente e engolia qualquer coisa em seu caminho era algo lindo.

Todos os monstros admiravam a força e, para o Diabrete, o fogo era o verdadeiro significado da força. Então, claro, a escolha era óbvia. O Diabrete continuaria olhando para o fogo para ter certeza de que não adormeceria.

Em algum momento, o Diabrete parou de notar qualquer outra coisa que estava acontecendo. A luz desapareceu de qualquer lugar ao seu redor e as chamas lentamente começaram a diminuir e sumir. O corpo do Diabrete ficou mais pesado a cada segundo, mas no meio da noite, justamente quando as chamas estavam prestes a sumir de vez, e a única coisa que permitia ao Diabrete ficar acordado desapareceria, do nada ficaram mais forte. Claro, isso assustou o Diabrete, o suficiente para deixá-lo desviar o olhar por um tempo.

A primeira coisa que o Diabrete notou foram inúmeras notificações ao seu redor.

[A Habilidade Concentração Iniciante foi Aprendida]

[A Habilidade Concentração Iniciante Subiu de Nível!]

[A Habilidade Concentração Iniciante Subiu de Nível!]

[A Habilidade Resistência a Exaustão Iniciantes foi Aprendida]

[A Habilidade Resistência a Exaustão Iniciante Subiu de Nível!]

[A Habilidade Resistência a Exaustão Iniciante Subiu de Nível!]

[Você conseguiu lutar contra a exaustão com pura força de vontade. O Atributo Força de Vontade foi desbloqueado]

[Sua vontade não enfraqueceu. Força de Vontade +1]

[Sua vontade não enfraqueceu. Força de Vontade +1]

[Sua vontade não enfraqueceu. Força de Vontade +11]

[Você lutou contra a exaustão. Constituição +1]

[Você lutou contra a exaustão extrema. Constituição +1. Resistência +1]

O Diabrete ficou apavorado com o fato de tantas caixas terem aparecido sem aviso, mas pelo menos agora podia ver que não eram tão agressivas quanto imaginava. Elas davam medo nele até os ossos, mas o Diabrete tinha certeza de que poderia ver através delas se fosse necessário. Então tentou isso e viu através das caixas apenas com sua força de vontade, notando a coisa vermelha parada perto delas.

— Percebi que você gostou do fogo… — Ela disse antes de se aproximar lentamente do Diabrete, mas ele mesmo não tinha certeza do que queria fazer a respeito. Ele se enchia de ódio só de olhar para a coisa vermelha, mas, ao mesmo tempo, acompanhado o ódio, medo surgia em seu coração, o paralisando.

Isso o ajudava a ficar acordado, mas parecia, ao mesmo tempo, o deixar exausto. O Diabrete não gostava nem um pouco dessa sensação.

— Grrgh! — O Diabrete acabou rosnando para a coisa vermelha, mas ela se aproximou. 

— Shh… Não se preocupe… Você não precisa ter medo de mim… — A coisa vermelha disse baixinho enquanto se sentava no chão na frente do Diabrete, que estava olhando para ela com um sorriso.

— Ava! Ava! — O Diabrete gritou porque percebeu que essa palavra deixava a coisa vermelha com raiva, e ele queria de alguma forma ter certeza de que a coisa vermelha iria fugir dele. Parecia que a coisa vermelha ficou bastante irritada por um momento, mas depois soltou um suspiro profundo e olhou para o Diabrete novamente.

— É Avalin… Você consegue repetir? Avalin? — A coisa vermelha perguntou, e o Diabrete continuou olhando para ela com os dentes cerrados. 

— Fala sério… Você conseguiu com esse apelido estúpido, então com certeza consegue falar meu nome verdadeiro… Avalin, eu me chamo Avalin. A-Va-Lin — Mais uma vez, a coisa vermelha começou a falar enquanto apontava repetidamente para si mesma, e agora, o Diabrete olhava atentamente para seus lábios antes que outra caixa aparecesse na borda do seu campo de visão.

[A Habilidade Entendimento de Linguagem Comum Iniciante Subiu de Nível!]

— Ava… lin… — O Diabrete murmurou com os dentes cerrados, e o rosto da coisa vermelha de repente se iluminou, pelo menos era o que parecia.

— Sim! É assim mesmo! Me chamo Avalin! — Ela respondeu, antes que o Diabrete repetisse mais uma vez uma das palavras da coisa vermelha. 

— Sim… Sim… — Ele disse em seguida, e agora o rosto da coisa vermelha parecia estar em êxtase.

— Uau, isso é incrível! Hmm… E se… — Ela murmurou, se virando antes de pegar algum tipo de objeto quadrado da outra coisa, e então se sentou na frente do Diabrete.

— Aqui, vamos tentar isso… Ler definitivamente deve ajudar a você entender melhor… — A coisa vermelha murmurou antes de abrir o quadrado para mostrar alguns quadrados brancos dentro, e então de repente pegou um pedaço de madeira e criou algumas linhas onduladas na frente dele. Elas eram exatamente como a que tinha nas caixas!

E de repente, o Diabrete percebeu algo. Talvez se usasse a coisa vermelha, conseguiria entender as caixas. Obviamente, tinham algo a ver com ele se fortalecendo, mais rápido e mais inteligente, o Diabrete só não sabia o porquê ainda, mas esperava poder descobrir em breve.

– Essa aqui é a letra ‘A’. Tente pronunciá-la. ‘A’ – A coisa vermelha disse, e o Diabrete seguiu em frente, usando a boca para fazer aquele som. Em seguida seguiu-se outro som, depois outro, depois outro, até que a coisa vermelha quis fazer outra coisa.

Em vez disso, agora lentamente fazia outros sons mais longos. Por exemplo, fez um certo som enquanto apontava para a fogueira quase apagando. 

— Fogo. Isso é… foogoo — A coisa vermelha disse enquanto apontava para a boca antes que o Diabrete repetisse lentamente. 

— Fffooggoo!

— Bom trabalho! — Ela disse alto enquanto juntava as mãos, antes de olhar novamente para o lado, para a fogueira. 

— Você realmente gosta do fogo, certo? — A coisa vermelha perguntou, e o Diabrete apenas olhou para ela enquanto mostrava os dentes o tempo todo, antes que a coisa vermelha suspirasse alto.

— Bem, não quer trabalhar mais um pouco comigo? Preciso encontrar algo que você goste para praticar as coisas com mais facilidade… vamos chamar isso de Curso Básico de Treinamento de Animais! — A coisa vermelha falou bem alto, mas o Diabrete começou a rosnar baixinho, antes que a coisa vermelha balançasse a cabeça e olhasse para o fogo.

— Sem problemas, vamos descobrir isso amanhã, então… — Ela murmurou antes de mover os dedos no ar enquanto liberava um fluxo constante de uma substância branca pura e brilhante que iluminava a área ao redor da coisa vermelha enquanto flutuava no ar, formando um pequeno círculo com linhas onduladas dentro, mas diferentes daquelas que o Diabrete conhecia. E depois de um tempo, a coisa vermelha bateu no centro da substância brilhante e o fogo quase imediatamente se apagou.

— Heguh?! — O Diabrete exclamou, confuso, olhando para a luz sumindo aos poucos e que ainda flutuava no ar, e a coisa vermelha se virou para ele, confusa.

— Ah, você gosta de magia? Ou não gosta de magia… Não sei o que esses sons significam… — A coisa vermelha, murmurou, e o Diabrete ficou parado ali sem fazer nada, até que a coisa vermelha rapidamente se virasse para ele.

— Calma, é isso! Temos aquele feitiço especial, certo? — A coisa vermelha murmurou animadamente, antes de se virar e correr em direção à pequena coisa de onde havia ido antes, e voltou com outro daqueles quadrados com muitos e muitos quadrados brancos dentro, embora já parecesse haver algumas daquelas linhas onduladas lá.

— Ah, por favor, eu realmente espero que isso funcione e acabe valendo a pena… Porque feitiços como esse são muito caros… — A coisa vermelha murmurou e colocou as mãos em um dos quadrados brancos com linhas onduladas dentro antes de todo o quadrado branco começar a brilhar intensamente.

E antes que percebesse, o próprio Diabrete foi cercado por muita luz branca, e uma caixa apareceu na frente dele novamente.

[O Aumento de Proficiência foi ativado. A habilidade ‘Entendimento de Linguagem Comum Iniciante’ receberá o aumento pelos próximos 7 dias]

O Diabrete continuou olhando para as linhas onduladas dentro da caixa, e então a coisa vermelha sentou-se novamente na frente do Diabrete e tirou outro quadrado novamente.

— Agora, vamos tentar mais uma vez, carinha… —

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