
Capítulo 116
18LOH
Tradutor/Revisor: JustBeIntelligent
Os três deixaram o quarto 208.
Trocaram olhares no corredor, mas não disseram uma palavra. Cada um voltou para o próprio quarto.
Cerca de uma hora depois, os três, que estavam deitados em suas camas, abriram os olhos quase ao mesmo tempo.
O gordinho e a garotinha saíram pela janela.
Do lado de fora, sob a chuva torrencial, avistaram um ao outro.
Os dois congelaram por um instante, depois relaxaram.
Nenhum deles tinha pressa para partir.
A chuva foi diminuindo aos poucos.
A porta principal da pousada se abriu rangendo.
O velho colocou a cabeça para fora de maneira extremamente furtiva, olhou ao redor e saiu.
No instante em que deu o primeiro passo, viu os dois.
Assim, os três seguiram juntos.
Antes de partir, porém, todos tiveram exatamente a mesma ideia.
Olharam para seus relógios.
3h25 da manhã.
Pelo caminho, o velho fumava.
A garotinha acariciava seu ursinho de pelúcia.
Apenas o gordinho não havia pego nenhum lanche no primeiro andar.
Depois de pensar por um momento, estendeu a mão para o velho e pediu alguns cigarros.
Segundo o relato de Lin Jiabei, quando ela chegou ao trecho lamacento, a viatura policial ainda não havia aparecido.
E, quando terminou de tomar banho em seu quarto, os dois policiais já haviam chegado à pousada.
Isso significava que a distância entre o trecho lamacento e a pousada era superior a trinta minutos de caminhada.
Quando os três chegaram ao trecho lamacento, olharam novamente para seus relógios.
3h50 da manhã.
E realmente havia três veículos estacionados antes do trecho lamacento.
Dois carros vermelho-claros.
E uma viatura policial.
Esses três veículos…
Haviam se envolvido em uma colisão em cadeia.
Eles examinaram cuidadosamente as marcas do acidente.
A posição dos carros era bastante estranha.
O primeiro carro vermelho-claro estava atravessado no meio da estrada.
O segundo carro vermelho-claro havia batido nele.
E a viatura policial colidira contra a traseira do segundo carro.
Ao verem aquilo, os três mergulharam em pensamentos.
Nenhum deles tinha pressa para ir embora.
Abriram as portas dos três veículos e tocaram os bancos do motorista.
Os bancos estavam secos.
Isso significava que, quando saiu para recuperar sua arma, a policial não havia dirigido nenhum daqueles carros.
Enquanto isso, o segundo carro vermelho-claro — espremido entre os outros dois — estava com os airbags acionados.
Havia manchas de sangue tanto no airbag quanto no para-brisa.
Mesmo assim, por precaução, revistaram cada centímetro dos três carros.
Só depois de confirmar que não havia qualquer vestígio de água da chuva no interior — apenas então — sentiram-se tranquilos.
No caminho de volta, caminharam em silêncio.
Cada um estava imerso em seus próprios pensamentos.
A garotinha franziu a testa.
‘Primeiro, a versão de Lin Jiabei tem um problema.’
‘Ela disse que, quando chegou ao trecho lamacento, já havia um carro vermelho-claro estacionado ali.’
‘Na versão dela, a viatura policial não é mencionada. Mas isso não significa que ela não a tenha visto.’
‘Combinando essa informação com a colisão entre os três veículos e com o fato de a policial estar ferida…’
‘É possível deduzir que o primeiro carro vermelho-claro ficou atravessado na estrada, bloqueando o segundo.’
‘Em seguida, a viatura bateu na traseira do segundo carro, empurrando-o contra o primeiro.’
‘O segundo carro vermelho-claro ficou prensado pelos dois lados.’
‘Isso já não é mais um acidente de trânsito.’
‘É um homicídio.’
‘Portanto, entre Chen Ran, Lin Jiabei e os dois policiais, quem quer que tenha ficado ferido é o dono do segundo carro vermelho-claro.’
‘A dona é a policial.’
‘Se ela é a dona do carro, então o Enigma do Sofista segundo o qual ela foi colocada em um uniforme policial é verdadeiro.’
‘As provas são claras: entre os três veículos, apenas o segundo teve os airbags acionados, e apenas nele havia sangue.’
‘A policial saiu sob a chuva para recuperar sua arma.’
‘Se ela tivesse entrado em qualquer um daqueles carros nesse intervalo, haveria vestígios de água da chuva dentro deles.’
‘Logo, ela apenas recuperou sua arma.’
‘Ela não entrou em nenhum dos carros.’
‘Isso significa que o sangue encontrado no segundo carro pertence ao seu proprietário.’
‘Entre as quatro pessoas envolvidas, apenas a policial estava ferida.’
‘Portanto, ela é a dona daquele carro.’
‘Essa dedução está absolutamente correta e é suficiente para destruir o Enigma do Sofista.’
‘A policial não é uma policial.’
‘A partir de agora, qualquer um que afirme categoricamente que a policial é uma policial poderá ser julgado imediatamente.’
‘Pelo raciocínio anterior, Chen Ran também não é um policial.’
‘Isso significa que agora existem três verdades absolutas.’
‘Chen Ran não é um policial.’
‘A policial não é uma policial.’
‘Lin Jiabei é uma policial.’
‘Essas três verdades são campos minados.’
‘Quem disser o contrário estará mentindo.’
Ao chegar a essa conclusão, um sorriso sombrio surgiu no rosto da garotinha.
O gordinho não resistiu.
Estendeu a mão para dar um leve toque na testa dela e dizer que não sorrisse daquele jeito no meio da madrugada.
Era assustador demais.
Mas, antes que sua mão alcançasse a cabeça da garotinha, foi violentamente repelido e lançado com força ao chão.
‘Idiota!’
Os outros dois simplesmente ignoraram a trapalhada do gordinho e aceleraram o passo de volta para a pousada.
4h30 da manhã.
Os três retornaram à pousada.
Ao chegarem ao segundo andar, perceberam que as portas dos quartos 207 e 208 continuavam entreabertas.
Trocaram olhares.
Depois, cada um voltou ao seu quarto.
Mas ninguém dormiu.
O velho fumava no cômodo atrás da recepção.
O gordinho comia salgadinhos enquanto fumava, bebendo refrigerante de vez em quando.
A garotinha permanecia sentada em seu quarto, limpando sua arma com uma toalha.
5h00 da manhã.
Lá fora, o céu começava a clarear.
Dentro da pousada, uma porta se abriu lentamente.
Uma figura escura saiu do quarto.
Ela caminhou pelo corredor, olhando para as portas entreabertas dos quartos 207 e 208.
Por fim, escolheu o quarto 208 e avançou silenciosamente até ele.
No quarto 207, a policial ouviu o som quase imperceptível de passos do lado de fora.
Um sorriso frio surgiu no canto de sua boca.
‘Quem será?’
‘O velho?’
‘O gordinho?’
‘Ou a garotinha?’
…
Quarto 208.
A porta entreaberta foi empurrada completamente.
O feixe de uma lanterna iluminou a pessoa parada junto à janela.
Lin Jiabei virou-se.
Ao ver a figura na porta levantar lentamente uma arma, um lampejo de pânico atravessou seu rosto.
No instante em que estava prestes a falar…
“Você mentiu.”
A figura não lhe deu qualquer oportunidade de se explicar.
Pronunciou diretamente a frase de julgamento.
Mas o único som que ecoou pela pousada silenciosa foi o clique seco de uma arma sem munição.
“Ah… eu já imaginava. Entre vocês três, você era quem tinha mais chances de cair na armadilha.”
Lin Jiabei soltou um leve suspiro.
Em seguida, ergueu sua arma e apontou para a figura, cujo rosto agora estava completamente tomado pelo terror.
Ela avançou passo a passo.
A figura recuou.
Ela continuou avançando.
Até que a figura alcançou a porta do quarto 207.
“Onde você está olhando?”
A voz da policial veio de dentro do quarto 207, fazendo a figura virar imediatamente a cabeça naquela direção.
“Você mentiu.”
Bang!
Não importava se quem pronunciou a frase foi a policial no quarto 207 ou Lin Jiabei no 208.
Uma das duas disparou, julgando a figura à morte.
Lin Jiabei voltou para seu quarto.
As duas mulheres permaneceram diante de suas respectivas janelas, aguardando silenciosamente a chegada triunfal da próxima vítima…
Ao ouvir o disparo, as pessoas dos andares de cima e de baixo correram para o corredor.
Quando viram o corpo caído diante da porta do quarto 207, a iluminação do corredor revelou o choque e a incredulidade estampados no rosto do velho e do gordinho.
A garotinha estava morta!!!
O velho e o gordinho já estavam completamente desnorteados pelas três versões da história.
Mas, ao verem a garotinha morta diante da porta do quarto 207, ambos exibiram expressões de puro sofrimento.
Eles gritavam em suas mentes:
‘Alguém pode me explicar… por que ela morreu na porta do quarto 207?!’
‘Ela não deveria ter morrido na porta do quarto 208?!’