
Capítulo 112
18LOH
Tradutor/Revisor: JustBeIntelligent
A policial abaixou o braço novamente, guardou a pistola na cintura e se aproximou do gordinho.
Inclinando-se, falou em voz baixa, num tom que apenas os dois podiam ouvir:
“Pare de fingir. Eu sei que você está só fingindo dormir.”
Ao ver que o gordinho não reagia, ela não insistiu no assunto e continuou:
“Estou curiosa… entre você, o gordinho, e o velho calmo que vive fumando… quem é, afinal…”
Nesse momento, a orelha da policial se moveu levemente.
Ela percebeu com precisão o som quase imperceptível de portas se abrindo tanto no andar de cima quanto no quarto dos fundos da recepção.
A garotinha saiu na ponta dos pés até o topo da escada.
O velho, agachado de maneira furtiva, aproximou-se silenciosamente da recepção.
Os dois pretendiam escutar o que a policial diria.
Foi então que…
“Você mentiu!”
A policial elevou repentinamente o volume da voz.
Ao mesmo tempo, ouviu-se um som semelhante ao de uma pistola falhando ao disparar.
A policial, a garotinha e o velho correram ao mesmo tempo.
A policial atravessou a porta da pousada e desapareceu sob a chuva torrencial.
Já os outros dois correram atrás dela, mas chegaram tarde demais.
As luzes do térreo foram acesas.
Os dois viram o gordinho tentando sacar sua arma às pressas. Na confusão, ele chegou até a derrubar a lata de refrigerante ao lado.
Os dois:
“……”
A tentativa da policial de julgá-lo havia fracassado.
Ela praticamente tinha entregado a própria cabeça de bandeja.
E, no entanto, esse gordinho inútil falhou justamente na tarefa mais simples: sacar a arma.
Que imprestável…
A garotinha massageou a testa, impotente.
“O que exatamente a policial disse para você agora há pouco?”
O gordinho também percebeu o quão vergonhosa havia sido sua atuação.
Com um sorriso constrangido, respondeu:
“Ela gritou de repente: “Você mentiu!”, e eu levei um susto tão grande que abri os olhos imediatamente. Acho que ela percebeu que vocês estavam escutando escondidos e fez isso de propósito para obrigá-los a aparecer.”
Depois de ouvir isso, os dois simplesmente ignoraram o gordinho e mergulharam em pensamentos.
De repente, a garotinha perguntou:
“Você não acha estranho? Quando a policial entrou na pousada, ela estava sem arma. Mas, pelo som que ouvimos agora há pouco, ela tinha uma pistola. De onde ela tirou essa arma?”
O velho acendeu um cigarro, deu uma longa tragada e respondeu, incerto:
“Provavelmente escondeu a arma em algum lugar antes de entrar na pousada. Discutir isso não tem utilidade.”
“A armadilha desta vez existia apenas para confirmar se o gordinho havia mentido.”
Para evitar dizer uma mentira, ele parou por aí.
Afinal, tudo havia acontecido na escuridão.
Eles nem sequer podiam ter certeza se aquilo que ouviram era real.
Só podiam raciocinar em silêncio.
‘A policial falhou no julgamento. Isso prova que o gordinho nunca mentiu desde o começo.‘
‘Antes ele disse: “Eu não sou o assassino.” Essa afirmação era verdadeira.‘
‘Se ele não é o assassino, então o pijama molhado encontrado em seu quarto foi colocado ali para incriminá-lo.‘
‘Quem tentou incriminá-lo?‘
‘Se tivesse sido a policial, ela saberia perfeitamente que o gordinho não estava mentindo. Nesse caso, jamais teria descido para julgá-lo.‘
‘Logo, podemos descartar a policial.‘
‘Só resta a mulher.‘
‘Ela dirigia um carro de cor clara. Não mentiu, mas escapou das algemas porque queria permanecer escondida, bagunçar completamente a situação da pousada e nos induzir a mentir.‘
‘Ela é a principal suspeita.‘
‘Mas… como explicar o cabelo molhado do gordinho?‘
Nesse instante, ambos olharam para ele.
O gordinho estava coberto de suor.
O suor escorria por seus cabelos.
‘Entendi…‘
‘Pessoas obesas costumam suar muito enquanto dormem. O que molhou seu cabelo não foi água da chuva, mas o próprio suor.‘
Naquele momento, toda a suspeita que recaía sobre o gordinho desapareceu completamente da mente dos dois.
O velho tirou a chave das algemas e a lançou casualmente para o gordinho.
Pouco depois, os três estavam sentados no sofá, franzindo a testa de tempos em tempos.
A garotinha foi a primeira a quebrar o silêncio.
Ela encarou o velho.
“A policial fugiu pela porta principal da pousada. Você estava escondido perto da recepção. Ela necessariamente teria de passar por ali para escapar. Em teoria, você tinha oportunidade de matá-la.”
O velho acendeu outro cigarro e rebateu:
“Quando ela pronunciou “Você mentiu!”, por que aumentou o volume da voz justamente naquele momento?”
“Se ela falou todo o resto em voz baixa e só elevou a voz ao dizer “Você mentiu!”, eu poderia ter tentado julgá-la precipitadamente e caído na armadilha.”
“Tenho motivos para suspeitar de que ela nunca tentou julgá-lo de verdade.”
Ele apontou para o gordinho, que bebia refrigerante.
“Sua resposta também tem um problema. Você disse apenas: “Ela gritou de repente: ‘Você mentiu!’””
“Isso não prova que essa foi a única frase dita por ela.”
“Muito menos prova que “Você mentiu!” fosse a palavra-chave do julgamento.”
“Simplificando…”
“Imagine que ela tenha dito:”
— “Agora mesmo ouvi alguém lá embaixo dizendo: ‘Você mentiu.’”
“Ela apenas aumentou o volume das últimas quatro palavras para nos fazer acreditar que aquele era o comando do julgamento.”
Ao ouvir isso, o olhar da garotinha ficou gelado.
Ela encarou o gordinho, cuja expressão continuava parecendo completamente inocente.
Achou que precisava reavaliar aquele “inútil”.
Virando-se para o velho, perguntou:
“E quanto ao som parecido com uma pistola falhando?”
O velho sacou a própria arma e bateu com ela contra o joelho.
Produziu exatamente o mesmo som.
“Pela lógica…”
“A policial sabia se havia ou não incriminado o gordinho.”
“Se tivesse sido ela, o gordinho morreria.”
“Se não tivesse sido, ela jamais teria descido ao primeiro andar.”
“Se nossa dedução estiver correta, ela sabia desde o início que aquilo era uma armadilha.”
“Então resolveu entrar no jogo e tentar nos enganar.”
Depois ele olhou diretamente para o gordinho.
“Você sabia que ela tinha percebido a armadilha.”
“E também percebeu que ela decidiu usar a armadilha contra nós.”
“Por isso cooperou com a atuação dela e deliberadamente nos contou apenas verdades ambíguas.”
O velho respirou profundamente, soltando fumaça.
Seu olhar tornou-se afiado.
Era o olhar de alguém que finalmente encontrara um adversário digno.
“Quanto à pessoa que tentou incriminá-lo…”
“Pode ter sido a policial.”
“Pode ter sido a mulher que fugiu.”
“Mas existe uma terceira possibilidade…”
“Foi você quem armou tudo contra si mesmo.”
“Se realmente foi isso…”
“Sua capacidade de previsão e seu raciocínio lógico estão, sem dúvida, entre os melhores dos oito hóspedes deste hotel.”
Pense nisso.
Logo no início, ele teria previsto que Chen Ran seria morto a tiros.
Previu que a polícia deduziria quem era o assassino.
Molhou antecipadamente o próprio pijama.
Escondeu-o em seu quarto.
Criou a falsa impressão de ser o assassino.
E ainda garantiu que seria o último a sair do quarto.
Mais importante que tudo…
Sem dizer uma única mentira.
Que nível de controle sobre detalhes…
Que capacidade lógica…
E que precisão na leitura da personalidade de cada pessoa seriam necessários para realizar tudo isso?
O velho não pôde deixar de lembrar da cena anterior, quando o gordinho comia salgadinhos apimentados de maneira extremamente nojenta.
‘Provavelmente foi naquele momento que ele observou cuidadosamente a reação de todos e avaliou com precisão a personalidade de cada um.‘
‘Mas ele subestimou o quanto todos eram cautelosos. Embora tenha criado uma armadilha capaz de induzir alguém a mentir, ninguém acabou dizendo a mentira que ele esperava.‘
O sorriso simples e honesto do gordinho desapareceu aos poucos.
Ele deu um sorriso amargo.
“Como eu imaginava… eu não deveria ter cooperado com a encenação da policial.”
“Talvez…”
“As palavras que ela não chegou a terminar tenham mexido comigo.”
Os dois ficaram surpresos.
A garotinha perguntou imediatamente:
“O que ela ia dizer?”
O gordinho esfregou o queixo.
“Acho que ela ia perguntar…”
“Entre mim, o gordinho…”
“E o velho que vive fumando…”
“Quem é, afinal…”
“A personalidade principal de Chen Ran?!”
Nota do Tradutor: Eita, jogos de personalidades estão bem relacionados com essa instância, pelo visto.