
Capítulo 111
18LOH
Tradutor/Revisor: JustBeIntelligent
O velho, com uma das mãos algemada, enfiou a mão esquerda no bolso direito da calça, tirou o maço de cigarros, abriu-o e pegou um cigarro com a boca.
Acendeu-o, deu uma longa tragada e, após um longo silêncio, disse:
“Há uma falha grave no seu raciocínio de agora.”
“Qual?” — A garotinha lançou um olhar profundo para o velho fumante.
“Pela sua lógica, quando a mulher desceu do carro antes do trecho de lama, ela viu dois carros vermelhos-claros. Mas o policial de meia-idade disse, na história dele, que havia um carro branco. Isso significa que a mulher sabia que o policial estava mentindo, e o policial sabia que ela sabia.
“Na prática, o policial colocou a própria vida nas mãos dela. Isso faz sentido para você?
O jovem gordinho, algemado ali perto, já estava completamente tonto com aquela troca de argumentos. Tudo aquilo lhe parecia um monte de palavras sem sentido. Ainda assim, teve a vaga sensação de que o raciocínio da garotinha possuía uma brecha.
Diante da contestação, ela não se abalou. Cruzou as pernas e respondeu:
“Antes de tudo, quando o policial contou aquela história, a mulher estava encharcada pela chuva, já tinha tomado banho, estava de pijama e ainda por cima não tinha a arma.”
“Portanto, mesmo que ele estivesse mentindo, a ameaça que ela representava para ele era praticamente nula.”
“Então, o que ele precisava fazer era primeiro controlá-la e jogar sobre ela a culpa pelo atropelamento. Assim, ninguém acreditaria em qualquer coisa que ela dissesse.”
“Em segundo lugar, quando ela escapou, ele entrou em pânico. Foi por isso que trocou de quarto com sua parceira, a policial.”
“Agora, se a mulher tentasse voltar escondida ao hotel durante a madrugada para julgá-lo, faria isso no escuro, mirando em quem estivesse deitado na cama. Só que quem estaria deitado ali seria a policial. Ela cairia diretamente na armadilha dele, e seu julgamento falharia.”
“Então o policial, escondido nas sombras, poderia julgá-la!”
À medida que a garotinha expunha seu raciocínio de forma ordenada, toda a sequência dos acontecimentos tornou-se muito mais clara.
Foi assim que tudo aconteceu:
O policial de meia-idade chegou ao hotel. Ao ver Chen Ran e Lin Jiabei recém-saídos do banho, deduziu que ambos haviam chegado durante a tempestade, pouco tempo antes. Também percebeu que nenhum dos dois estava armado.
Então…
O policial começou a mentir.
Ele descreveu os dois carros vermelhos-claros que vira na estrada como sendo um carro branco e um vermelho.
Por que fez isso?
Muito simples.
Pelos fatos, quem mentia era o policial, enquanto Lin Jiabei dizia a verdade.
Mas, na dedução de Chen Ran, era o policial quem dizia a verdade, e Lin Jiabei quem mentia.
Exatamente!
O policial explorou essa diferença de informação para algemar Lin Jiabei ao corrimão do primeiro andar…
Estava pescando.
E, como esperado, alguém mordeu a isca.
Na verdade, duas pessoas.
Uma delas era o arrogante Chen Ran.
A outra ainda era desconhecida.
Essa pessoa desconhecida chegou primeiro e descobriu que Lin Jiabei já havia se libertado e fugido.
Então, disfarçou-se de Lin Jiabei, fingindo ainda estar algemada ao corrimão.
Pouco depois, a segunda pessoa desceu: Chen Ran.
No escuro, ao ver a figura junto ao corrimão, pronunciou a frase-chave:
“Você mentiu.”
Obviamente, o julgamento do arrogante Chen Ran falharia.
Sua arma travou.
Ao ver isso, a pessoa disfarçada de Lin Jiabei percebeu que Chen Ran havia caído na armadilha.
Ela também pronunciou:
“Você mentiu.”
Chen Ran foi julgado e morreu.
Logo em seguida, a pessoa disfarçada fugiu rapidamente do primeiro andar para criar um álibi.
Ao ouvir o disparo, o policial abriu a porta do quarto para verificar o resultado.
Então descobriu, horrorizado, que Lin Jiabei havia escapado.
Isso o deixou em pânico, porque Lin Jiabei sabia perfeitamente que ele havia mentido.
Então…
O policial preparou sua segunda armadilha.
Transferiu a policial do quarto 208 para seu próprio quarto, o 207.
Enquanto isso, ele passou a dormir no 208.
Se Lin Jiabei ousasse ir ao quarto 207 durante a madrugada para julgá-lo, fracassaria.
E ele estaria esperando escondido perto da escada.
Assim que o julgamento dela falhasse, ele a julgaria.
Ao mesmo tempo, poderia jogar toda a culpa sobre o velho do primeiro andar.
Por que não sobre a garotinha do segundo andar?
Simples.
Ela era baixa demais.
Pelo ângulo do ferimento provocado pelo tiro, ficaria evidente que ela não poderia ser a assassina.
Era uma armadilha extremamente cruel.
Mas o policial subestimou a inteligência dos hóspedes do hotel.
O jovem musculoso, através de sua própria dedução, concluiu que o policial havia mentido em sua história inicial.
Assim, no meio da noite, aproximou-se furtivamente do quarto 207, viu uma figura deitada na cama na escuridão e pronunciou:
“Você mentiu.”
Ao ouvir isso, o policial escondido junto à escada acreditou que era Lin Jiabei quem havia caído na armadilha.
Saiu imediatamente de seu esconderijo e também disse:
“Você mentiu.”
Então matou o jovem musculoso com um tiro.
Depois, jogou a culpa sobre o velho.
Afinal, pelo ângulo do ferimento, a garotinha podia ser descartada como suspeita, mas o velho não.
Mais uma vez…
O policial subestimou a inteligência dos hóspedes.
A garotinha deduziu que ele havia mentido.
…
A única questão ainda sem resposta em todo o incidente era:
Quem matou Chen Ran?
Todas as evidências atuais apontavam para o jovem gordinho.
Mas ainda não era possível descartar que a policial, que estava “inconsciente”, tivesse armado tudo para incriminá-lo.
Por isso, ninguém ousava julgá-lo.
…
Na situação atual, a maior vencedora era a garotinha.
Excluindo-a, ainda havia outras sete pessoas no hotel.
Três estavam mortas.
Duas estavam algemadas.
Uma havia fugido para fora do hotel.
E uma permanecia “inconsciente”.
Mas quem vive tramando costuma ser o primeiro a agir…
E também o primeiro a morrer.
A garotinha não ousou baixar a guarda.
Sentou-se no sofá, refletiu por um momento e perguntou de repente:
“Vocês ainda se lembram de quem são? Dos seus próprios nomes?”
As pupilas do velho e do jovem gordinho encolheram ao mesmo tempo.
Os olhos de ambos tremularam inquietos.
Pareciam temer profundamente essa pergunta.
A garotinha não insistiu naquele assunto estranho.
Ela encontrou a chave das algemas no corpo do policial e a lançou para o velho.
Como o jovem musculoso havia sido morto pelo policial, o velho já não era mais suspeito.
O velho abriu as algemas, guardou a chave no bolso e ignorou completamente o olhar suplicante do jovem gordinho.
Quando os dois estavam prestes a voltar para seus quartos, o gordinho entrou em pânico.
“Ei… hum… vocês podem trazer uma coca cola e um pacote de tirinhas apimentadas? Se vocês dois forem embora, vou ficar aqui sozinho… dá um pouco de medo.”
A garotinha o ignorou e subiu as escadas.
O velho, por pena dele “e também por achar seu jeito de pensar curiosamente engraçado “pegou uma cola e um pacote de tirinhas apimentadas do balcão e do refrigerador e entregou a ele.
Quando ambos retornaram aos seus quartos, o primeiro andar ficou tomado apenas pelos sons da mastigação e pelo chiado do refrigerante.
O tempo passou silenciosamente.
Cerca de uma hora depois…
No quarto 207, a policial, que supostamente estava inconsciente, abriu os olhos de repente.
Foi até o banheiro, tirou a jaqueta e a calça do uniforme, enrolou o corpo em uma toalha e envolveu os cabelos com outra.
Ela não saiu pela porta.
Em vez disso, foi até a janela e a abriu.
Do lado de fora, a chuva ainda caía torrencialmente, acompanhada por trovões.
Ela ergueu os olhos para o céu.
No instante em que um relâmpago rasgou as nuvens, a policial saltou pela janela.
O estrondo do trovão abafou perfeitamente o som de sua aterrissagem.
Ela contornou discretamente a lateral do hotel até chegar à entrada principal.
Empurrou cuidadosamente a porta.
No primeiro andar, o jovem gordinho roncava profundamente.
A policial aproximou-se em silêncio, sacou a arma e apontou-a para a testa dele…