
Capítulo 110
18LOH
Tradutor/Revisor: JustBeIntelligent
‘Se o assassino tivesse voltado pela escada, teria esbarrado em mim. Então ele não usou a escada.’
‘Em vez disso, saiu do hotel primeiro e depois entrou novamente no próprio quarto pela janela.’
‘Isso significa que…’
‘Entre todos os presentes, o jovem gordinho, que foi o último a abrir a porta do quarto, é o principal suspeito.’
Chegando a essa conclusão, o policial de meia-idade olhou para o gordinho e percebeu que o topo de sua cabeça estava seco, enquanto o restante do cabelo estava molhado.
‘Esse padrão indica que ele usou um chapéu ou enrolou uma toalha na cabeça para se proteger da chuva. Por isso, o topo permaneceu seco, mas as laterais ficaram molhadas.‘
‘Além disso, ele não estava usando pijama.‘
‘Há duas possibilidades.‘
‘Primeira: ele simplesmente não costuma dormir de pijama.‘
‘Segunda: se ele realmente for o assassino, ficou completamente encharcado do lado de fora. Mas, se tivesse vestido o pijama por cima da roupa antes de sair…‘
Os olhos do policial de meia-idade brilharam.
Mas ele não correu imediatamente para revistar o quarto do gordinho.
Em vez disso, organizou cuidadosamente toda a sua linha de raciocínio e a explicou para todos.
Por fim, apontou para o gordinho, que já demonstrava um nervosismo evidente.
“Você foi o último a sair para verificar o que aconteceu.”
“É o mais suspeito de todos.”
O gordinho estremeceu e começou a se defender desesperadamente.
“Não fui eu!”
“Eu não sou o assassino!”
“Eu não o matei!”
‘Era exatamente isso que eu queria ouvir!‘
O policial foi imediatamente até o quarto do gordinho.
Assim que abriu a porta, encontrou um conjunto de pijamas jogado no chão.
Estava completamente encharcado.
Ao ver aquilo, o gordinho caiu sentado no chão, fechando os olhos em desespero.
O policial jogou um par de algemas diante dele.
“Você acabou de dizer que não é o assassino.”
“Sabe muito bem quais são as consequências de resistir.”
O gordinho levantou a cabeça.
Viu que todos os presentes, instintivamente, levaram a mão até a cintura.
Sem alternativa, pegou as algemas e as colocou nos próprios pulsos.
A atitude do policial era estranha.
Não deveria ter confiscado a arma primeiro, antes de algemá-lo?
Mas ninguém deu muita importância a isso.
Afinal…
O gordinho acabara de mentir.
O policial o algemou ao corrimão da escada do primeiro andar, exatamente como havia feito com Lin Jiabei.
Todos voltaram para seus quartos.
Mas ninguém conseguiu dormir.
Cada um estava mergulhado em seus próprios pensamentos.
…
Deitado na cama, o velho refletia sobre tudo o que havia acontecido.
‘Há algo errado na maneira como o policial conduziu esse caso.‘
‘Ele não perguntou sobre o motivo do crime.‘
‘Também não perguntou sobre a sequência dos acontecimentos.‘
‘Na verdade, o gordinho nem sequer foi o último hóspede a sair do quarto.‘
‘Houve uma pessoa que nunca saiu do quarto.‘
‘A policial ferida!‘
‘Se ela apenas estivesse fingindo estar inconsciente, teria tido inúmeras oportunidades.‘
‘Depois de matar alguém, poderia ter saído do hotel e esperado todos descerem para investigar.‘
‘Em seguida, poderia ter entrado pela janela no quarto do gordinho, deixado ali o pijama encharcado e levado o pijama seco dele.‘
‘Assim, ele não teria como se defender.‘
‘Existe uma segunda possibilidade.‘
‘O assassino simplesmente voltou para o quarto pela escada.‘
‘Mas, se tivesse usado a escada, teria encontrado o policial, que foi o primeiro a sair do quarto.‘
‘Será que…‘
‘O policial de meia-idade é o verdadeiro assassino?‘
‘Se o policial for o assassino, então sabe perfeitamente que o gordinho não mentiu.‘
‘Mesmo assim, ainda o algemou ao corrimão e, deliberadamente, deixou a arma com ele.‘
‘Ele está pescando!‘
‘Se alguém morder a isca e descer no meio da noite para julgar o gordinho…‘
Pensando nisso, o velho vestiu a roupa e levantou-se.
Saiu do quarto.
No primeiro andar, viu o gordinho profundamente adormecido, ainda algemado ao corrimão.
…
Naquela noite, quase ninguém conseguiu dormir no hotel.
Exceto o gordinho.
Passos ecoaram pelo corredor do segundo andar.
Uma porta foi aberta silenciosamente.
“ Você mentiu.
“ Você mentiu.
Bang!
Outro disparo.
Logo em seguida, ouviram-se passos rápidos.
Todos que ainda estavam acordados abriram imediatamente as portas dos quartos.
O policial de meia-idade e a garotinha abriram suas portas quase ao mesmo tempo.
Os dois viram o velho correndo escada acima, vindo do patamar.
E também viram…
O corpo do jovem musculoso caído numa poça de sangue diante do quarto 207.
O ferimento era estranho.
O quarto 207 ficava à esquerda do corredor.
Mas o musculoso havia sido baleado de frente para a escada.
Mais estranho ainda…
Na cama do quarto 207 estava deitada…
A policial ferida.
Ainda inconsciente.
A garotinha lançou um olhar interrogativo ao velho.
‘Não foi você quem colocou a policial no quarto 208?’
Como ela foi parar no 207?
O velho também parecia confuso.
Olhou desconfiado para o policial, que já examinava a cena do crime.
Sem levantar a cabeça, o policial respondeu:
“Eu troquei os quartos.”
“A mulher que fugiu ainda não foi capturada.”
“Tive receio de que ela atacasse minha parceira.”
“Então coloquei minha parceira no meu quarto e fiquei com o dela.”
Depois caminhou até a escada e olhou para baixo.
O gordinho continuava algemado ao corrimão, olhando para cima com curiosidade.
O policial desviou o olhar e encarou o velho friamente.
“Onde o senhor estava quando o tiro foi disparado?”
O rosto do velho escureceu.
Percebendo que havia algo errado, respondeu:
“Antes do disparo, eu estava dormindo no meu quarto.”
“Heh.”
O policial soltou uma risada fria.
“Assim que ouvi o tiro, levantei e abri a porta.”
“E vi o senhor correndo escada acima, vindo do patamar.”
“Então me diga…”
“Como conseguiu fazer isso?”
O velho abriu a boca várias vezes.
Mas, no fim…
Não disse nada.
Limitou-se a fumar em silêncio.
Pouco depois…
Ele também foi algemado ao corrimão do primeiro andar.
Ficou a menos de meio metro do gordinho.
…
No primeiro andar, o policial de meia-idade preparava-se para subir novamente.
Foi então que viu a garotinha parada no patamar do segundo andar.
Ela o encarava com uma expressão assustadoramente fria.
No instante seguinte…
Ergueu o braço.
Apontou a arma para o policial.
Sorriu com desprezo.
“Você mentiu.”
Bang.
A bala atravessou o ar e perfurou exatamente a testa do policial.
Ele caiu escada abaixo.
A pistola presa à sua cintura caiu no chão.
Sua coloração, antes comum, começou a adquirir um leve tom avermelhado.
Logo em seguida…
A arma desapareceu.
Ao mesmo tempo, a pistola da garotinha também começou a adquirir um leve brilho vermelho.
O gordinho e o velho, ainda algemados ao corrimão, franziram a testa.
Durante toda a investigação, o policial usara expressões como “talvez”, “provavelmente” e perguntas retóricas.
Em nenhum momento parecia ter afirmado algo que pudesse ser considerado mentira.
Então…
Como a garotinha conseguiu concluir que ele havia mentido?
Toc. Toc. Toc.
Ela desceu lentamente a escada.
Sentou-se no sofá como se fosse uma adulta.
“Vocês devem estar se perguntando como descobri que o policial estava mentindo.”
“O raciocínio dele não continha nenhuma mentira.”
“Mas a história que contou logo no começo…”
“Era uma mentira.”
Ela apontou para o corpo de Chen Ran, que ainda permanecia caído no chão.
“No meio da noite, ele desceu escondido para matar a mulher que havia sido algemada anteriormente.”
“Isso significa que, na lógica dele, essa mulher havia mentido.”
(A mulher: Lin Jiabei.)
(O jovem: Chen Ran.)
“Em que ele se baseou?”
“Muito simples.”
“O policial afirmou que viu um carro branco.”
“Mas a mulher disse que dirigia um carro vermelho-claro.”
“Isso significa que, antes do trecho de lama, havia dois carros estacionados, sem contar a viatura.”
“ Um pertencia ao jovem.”
“O outro, à mulher.”
“O jovem sabia perfeitamente a cor do próprio carro.”
“ Então vamos raciocinar juntos.”
“De que cor era o carro do jovem?”
“Se fosse branco, então a mulher algemada não estaria mentindo.”
“Nesse caso, o jovem não teria motivo para descer escondido no meio da noite para julgá-la.”
“Se o carro dele não fosse branco nem vermelho-claro, mas de qualquer outra cor…”
“Então tanto a mulher quanto o policial estariam mentindo.”
“A mulher já estava algemada.”
“E ainda por cima sem arma.”
“Sua ameaça era praticamente nula.”
“Nesse caso, o jovem deveria ter julgado e matado primeiro o policial.”
“Só depois mataria a mulher.”
“Mas foi exatamente o contrário.”
“Ele escolheu julgar primeiro a mulher, cuja ameaça era quase inexistente.”
“Isso significa que, na lógica dele, o policial não havia mentido.”
“ Só existe uma possibilidade.
“ O carro do jovem era vermelho-claro.”
“ E, na lógica dele, o carro da mulher era branco”.
“Somente assim o policial estaria dizendo a verdade e a mulher estaria mentindo.”
“Foi por isso que o jovem desceu escondido durante a noite para julgá-la.”
“Mas aí surge um problema.”
“Do ponto de vista da mulher, ela chegou ao trecho de lama depois que o jovem já havia chegado.”
“Ela viu ali o carro vermelho-claro do jovem.”
“Quando o policial a interrogou, respondeu que dirigia um carro vermelho-claro.”
“Se isso fosse mentira, o jovem perceberia imediatamente.”
“O custo de mentir seria alto demais.”
“Seria praticamente entregar a própria vida nas mãos dele.”
“Portanto…”
“Ela jamais mentiria sobre isso.”
“”Isso significa que a mulher também dirigia um carro vermelho-claro.”
“Antes do trecho de lama, excluindo a viatura…”
“Os dois carros estacionados eram vermelhos-claros.”
“Portanto…”
“A única pessoa que poderia ter mentido era o policial.”
“ Nunca existiu carro branco algum!”