
Capítulo 109
18LOH
Tradutor/Revisor: JustBeIntelligent
A porta se abriu novamente.
Dois policiais entraram.
Um homem e uma mulher.
O homem era de meia-idade; a policial era jovem. Ela estava ferida, sangrando, e sua condição era visivelmente debilitada.
Ao perceber que ela não carregava uma arma na cintura, o velho rapidamente foi ajudá-la. Junto com o policial, levou a mulher ferida para o quarto 208, no segundo andar.
Depois de descerem novamente, o policial de meia-idade observou todos ao redor, sentou-se no sofá e começou a explicar a situação.
“No caminho para cá, nossa viatura colidiu com um carro branco. Batemos numa árvore, e o outro veículo fugiu.”
“Vocês viram minha parceira agora há pouco. Ela está gravemente ferida.”
“Estamos no meio do nada, e essa tempestade derrubou o sinal. Eu queria levá-la de volta para a cidade para receber tratamento, mas houve um deslizamento de terra na estrada.”
“Não tivemos escolha a não ser seguir em frente.”
“No caminho até este hotel, encontramos o carro branco. O motorista já o havia abandonado e fugido.”
O policial de meia-idade percorreu o ambiente com um olhar frio, observando atentamente a expressão de cada pessoa.
“Só existe este prédio nas redondezas.”
“Então… quem foi?”
Todos trocaram olhares.
No fim, seus olhos recaíram sobre Chen Ran e Lin Jiabei.
Chen Ran revirou os olhos para o policial, sem sequer se dar ao trabalho de se defender.
Já Lin Jiabei encolheu os ombros, nervosa.
“E-eu também vim dirigindo até aqui. Mas passei por um trecho cheio de lama e meu carro ficou preso. Então desci e vim andando.”
“Meu carro não é branco… é… é… vermelho-claro.”
O policial de meia-idade assentiu.
“Isso mesmo.”
“Havia também um carro vermelho estacionado perto do carro branco.”
Com Lin Jiabei livre de suspeitas, todos voltaram a olhar para Chen Ran.
Chen Ran soltou uma risada de desprezo.
“Então você está dizendo que fui eu quem atropelou vocês e fugiu?”
Ele avaliou o policial de cima a baixo.
“Nem passou pela sua cabeça verificar a linha do tempo?”
“Sinceramente, olhando para você, parece um daqueles policiais veteranos que só enrolam até a aposentadoria.”
“Deixa eu lhe ensinar como se faz uma dedução.”
“Primeira pergunta.”
“Há quantos minutos vocês sofreram o acidente?”
O policial pensou por um instante.
“Cerca de trinta minutos.”
“Segunda pergunta.”
Chen Ran voltou-se para o velho.
“Quando eu fiz o check-in, quanto tempo o senhor disse que o aquecedor levaria para esquentar a água?”
“Trinta minutos.”
“Exatamente.”
Chen Ran abriu os braços.
“Eu cheguei aqui há trinta minutos para pegar um quarto.”
“Vocês sofreram o acidente há trinta minutos.”
“Se realmente tivesse sido eu, essa linha do tempo faria sentido?”
“Terceira pergunta.”
Ele olhou para as quatro pessoas que já estavam sentadas no sofá antes de sua chegada.
“Há quanto tempo vocês estão neste hotel?”
“Cerca de duas horas e meia.”
“Acho que umas três horas.”
“Quatro horas.”
Com exceção do velho, os outros três responderam após refletirem um pouco.
Chen Ran fez a quarta pergunta.
“Algum de vocês saiu do hotel durante esse tempo?”
Os três balançaram a cabeça.
O rosto de Chen Ran encheu-se de confiança.
Ele abriu as mãos em direção ao policial.
“A resposta é óbvia.”
“Entre os seis suspeitos, cinco podem ser descartados.”
“Então… quem você acha que foi o motorista que fugiu?”
“N-não! Não!”
Lin Jiabei começou a balançar as mãos desesperadamente.
Parecia completamente atrapalhada.
“Não fui eu quem atropelou vocês!”
Seu nervosismo não lembrava o de alguém tentando esconder uma mentira.
Parecia mais o constrangimento de alguém acostumado apenas a tramar internamente, sem experiência alguma em lidar com acusações diretas.
O policial mergulhou em pensamentos.
‘O rapaz pode ser descartado.’
‘Os outros três chegaram horas antes e não saíram do hotel. Também podem ser descartados.’
‘O velho é o dono do hotel. Também não é suspeito.’
‘Cinco dos seis estão limpos.’
‘Então o motorista fugitivo é…’
Ele apontou para Chen Ran e perguntou a Lin Jiabei:
“Você chegou antes dele ou depois dele?”
“Depois…”
Ao ouvir essa resposta e notar que ela já estava usando um pijama de presidiária, o policial tirou um par de algemas.
“Coloque as algemas.”
Só então Lin Jiabei percebeu que havia deixado sua arma no banheiro enquanto tomava banho.
Chen Ran também percebeu que deixara sua arma no próprio quarto.
Mas não ficou preocupado.
‘Esse bando de tapados… nenhum deles parece muito inteligente.’
‘Nem preciso de arma.’
‘Posso brincar com todos eles.’
O policial de meia-idade algemou Lin Jiabei ao corrimão da escada do primeiro andar, planejando levá-la à delegacia quando a chuva parasse na manhã seguinte.
Depois desse incidente, ninguém mais tinha disposição para conversar.
Cada um voltou para seu quarto.
O velho imaginou que, numa noite como aquela, não apareceriam mais hóspedes.
Arrumou rapidamente o saguão e foi dormir no quarto atrás do balcão.
…
No meio da noite…
Ainda sonolento, o velho ouviu vagamente vozes vindas do andar de baixo.
“Você mentiu.”
“Você mentiu.”
Bang!
Um tiro acordou todos instantaneamente.
O policial de meia-idade, sem sequer vestir a roupa direito, foi o primeiro a correr escada abaixo.
Logo depois veio o velho, que acendeu as luzes do primeiro andar.
Em seguida desceram o jovem musculoso e a garotinha.
Por último apareceu o jovem gordinho, esfregando os olhos de sono.
Mas, ao ver o cadáver no primeiro andar…
Suas pernas fraquejaram.
Ele caiu sentado no chão, apavorado.
Junto ao corrimão da escada…
O corpo de Chen Ran jazia numa enorme poça de sangue.
Sua testa…
Tinha sido atravessada por um tiro.
Lin Jiabei, que antes estava algemada ali…
Havia desaparecido.
‘Como esperado…’
‘A arrogância é o maior obstáculo para sobreviver.’
Os quatro tiveram exatamente o mesmo pensamento.
Antes de dormir, todos, em maior ou menor grau, já haviam sentido que Chen Ran provavelmente não viveria por muito tempo.
“Ninguém se mexa!”
O policial de meia-idade impediu todos de se aproximarem do cadáver.
Seu olhar percorreu um por um.
Depois perguntou ao velho:
“O senhor estava dormindo aqui embaixo.”
“Ouviu alguma coisa?”
O velho recordou:
“Eu estava cochilando quando ouvi duas pessoas conversando.”
“Ambas disseram: ‘Você mentiu.’”
“Depois ouvi o tiro.”
“O resto vocês já sabem.”
O policial imediatamente percebeu um ponto crucial.
“Conseguiu distinguir se eram vozes masculinas ou femininas?”
O velho balançou a cabeça.
“A chuva estava muito forte.”
“Além disso, parecia que falavam de propósito em voz baixa.”
“Não consegui distinguir.”
O policial franziu a testa.
‘A mulher estava algemada ao corrimão do primeiro andar.’
‘Antes de dormir, fui ao quarto dela. A arma realmente estava no banheiro.’
‘Então, se as duas pessoas que conversavam eram a vítima e a mulher, e ela não tinha a arma consigo… como matou Chen Ran?’
‘Existem duas possibilidades.’
‘Primeira: ela escapou das algemas primeiro, voltou ao quarto, recuperou a arma e retornou ao primeiro andar para esperar quem viesse matá-la.’
‘Segunda: ela escapou das algemas e fugiu do hotel. Depois, aproveitando a escuridão, outra pessoa desceu, fingiu ser a mulher algemada e esperou silenciosamente pela chegada da vítima.’
Pensando nisso, o policial correu para o quarto de Lin Jiabei e abriu a porta.
A janela estava completamente aberta.
Havia marcas de água da chuva espalhadas pelo chão, formando um rastro que seguia até o banheiro.
A arma havia desaparecido.
Ao ver isso, o policial chegou a uma conclusão.
‘A mulher escapou primeiro das algemas e depois entrou novamente pela janela, vindo de fora, para recuperar a arma escondida no banheiro.’
‘A primeira possibilidade está descartada.’
‘Se ela tivesse simplesmente escapado das algemas e voltado para pegar a arma, teria usado a escada. Não haveria motivo para entrar pela janela.’
‘Só resta uma explicação.’
‘Duas pessoas diferentes desceram durante a noite.’
‘Ao perceber a primeira pessoa descendo, a mulher imediatamente se libertou das algemas e se escondeu do lado de fora.’
‘A primeira pessoa então fingiu ser a mulher algemada ao corrimão.’
‘A segunda pessoa que desceu foi a vítima: Chen Ran.’
‘Quando o tiro foi disparado, a mulher, escondida do lado de fora, soube que todos acordariam e desceriam para investigar.’
‘Então entrou novamente pela janela para recuperar sua arma.’
‘As marcas de água da chuva no chão são a melhor prova disso.’
‘Ou seja…’
‘Quem foi a primeira pessoa a descer?’