
Capítulo 62
18LOH
Tradutor/Revisor: JustBeIntelligent
A atmosfera dentro da sala estava extremamente tensa.
Mas aquela tensão durou pouco. Todos sabiam que, se não conseguissem escapar dali, qualquer conflito interno seria inútil.
Há pouco, estavam ocupados demais brigando entre si. Agora, finalmente começaram a examinar a sala com atenção.
Uma poltrona. Nada suspeito.
Uma mesinha. Nada suspeito.
Dez livros. Nada suspeito.
Um espelho. Também nada suspeito.
Mas as dez cadeiras… tinham algo errado.
Durante os ciclos anteriores, cada sala possuía apenas uma cadeira.
Agora, havia dez.
Pela lógica, o ciclo já havia terminado. O método de “recuperar memórias através de eletrochoque” também deveria ter perdido a utilidade. As cadeiras não deveriam mais ter importância.
Só que, em vez de desaparecerem, surgiram mais nove.
Aquilo era ilógico.
Clang! Clang!
Os quatro, imersos em pensamentos, foram despertados pelo som de duas esferas de vidro caindo no chão.
Viraram-se imediatamente na direção do barulho.
No piso, diante da poltrona macia, duas esferas de vidro rolaram alguns centímetros antes de parar.
Os números nelas eram…
1 e 2.
‘São as de Chen Ran e Qiu Yinong!’
Os quatro perceberam algo ao mesmo tempo e começaram a procurar desesperadamente pelos dois.
Tarde demais.
Chen Ran e Qiu Yinong haviam desaparecido sem deixar rastros, como se nunca tivessem estado ali.
‘Desgraçados!’
‘Eles devem ter descoberto como sair da sala e fugido enquanto ninguém estava prestando atenção…’
‘As esferas provavelmente caíram da poltrona.’
Ao pensar nisso, os quatro correram até a poltrona.
O Homem de Meia-Idade foi o primeiro a se sentar nela.
Esperou bastante tempo.
Nada aconteceu.
Ele mergulhou em pensamentos.
‘Será que o problema são as esferas de vidro?’
Pegou sua própria esfera e a colocou sobre a poltrona, aguardando em silêncio.
Mesmo assim, nada aconteceu.
Então guardou cuidadosamente a esfera de volta no bolso.
‘Ou existe outra possibilidade…’
‘Aqueles dois canalhas talvez tenham jogado as esferas de longe de propósito, só para atrair nossa atenção e nos fazer desperdiçar tempo investigando o sofá.’
‘Como as esferas rolaram da poltrona, fica impossível saber de que direção foram lançadas… que gente sem vergonha.’
“Então? O que acham?”, perguntou alguém.
O Capitão de Óculos de Aro Dourado ajeitou os pensamentos antes de responder:
“O conflito interno acabou agora há pouco. Nós ainda estamos examinando a sala, enquanto eles já escaparam.”
“Isso significa que tudo o que precisava ser feito aqui já foi concluído.”
“Só falta a etapa final: encontrar a saída.”
“Os objetos nesta sala são poucos: a poltrona, a mesinha, as cadeiras, o espelho e os dez livros. Basta analisarmos um por um.”
“Primeiro: podemos descartar a poltrona, a mesinha e os livros.”
“Então sobram apenas duas possibilidades: as cadeiras… ou o espelho.”
“As cadeiras também podem ser descartadas. Depois que o ciclo terminou, elas perderam sua função.”
Ele fez uma pausa.
“A não ser que… elas ainda tenham outro significado.”
“Qual?”, perguntaram os outros três ao mesmo tempo.
Por algum motivo, todos tiveram a impressão de que, depois que Chen Ran e Qiu Yinong desapareceram, aquele quatro-olhos havia ficado muito mais competente.
O Capitão respirou fundo antes de continuar:
“Primeiro, precisamos reorganizar toda a sequência do abuso sofrido pelo velho.”
“O herdeiro tentou usar os livros para ajudar o idoso com amnésia a recuperar a memória.”
“Falhou.”
“Depois perdeu a paciência e começou a espancá-lo.”
“Ainda assim, o velho não recuperou as memórias.”
“Então o herdeiro enlouqueceu de vez. Levou o velho ao porão, amarrou-o à cadeira e aplicou choques elétricos em sua cabeça.”
“Na primeira sala, descobrimos que o velho morreu sufocado com folhas de papel molhadas cobrindo seu rosto…”
“O herdeiro matou o velho porque conseguiu a informação que queria: o conteúdo da segunda camada da mensagem codificada do testamento: ‘meus bens estão enterrados ao lado do túmulo da minha esposa’.”
Ele olhou lentamente para todos.
“Agora me digam… onde vocês acham que o velho morreu?”
Liu Xing encarou as cadeiras.
‘Cobrir o rosto com papel molhado…’
‘Era um método de tortura antigo. A vítima tinha os membros presos antes que folhas úmidas fossem colocadas uma após a outra sobre o rosto.’
‘Durante os ciclos, toda vez que nos sentávamos na cadeira, nossos membros também eram imobilizados…’
“Na cadeira?”, perguntou.
“Exatamente.”
O capitão apontou para as dez cadeiras.
“O fato de haver dez delas significa que sua função ainda não terminou.”
“Então qual seria o significado restante?”
“O velho foi torturado na cadeira.”
“Nós também recebemos choques nela.”
“Então me digam… isso não pode ser considerado uma punição?”
Seu semblante ficou pesado.
“Se não tomarmos cuidado, podemos acabar sofrendo ‘chuva regando a flor de ameixa’.”
“‘Chuva regando a flor de ameixa?” A Mulher de Meia-Idade ficou surpresa com a expressão.
“Esse era o nome elegante usado antigamente para esse método de tortura, que envolve usar cobrir o rosto com papel molhado.”
A interrupção bagunçou completamente o ritmo da linha de raciocínio do Capitão de Óculos de Aro Dourado.
Ele lançou um olhar irritado para ela antes de continuar:
“Como eu dizia… se as cadeiras representam essa punição, então não podemos cometer o menor erro daqui em diante.”
“As cadeiras simbolizam punição.”
“Logo, sobra apenas uma possibilidade para a saída.”
“O espelho.”
“Existe um trecho no Compêndio de Matéria Médica que diz: ‘o espelho é a essência do metal e da água; brilhante por dentro, obscuro por fora.’”
N/T Explicativa: Compêndio de Matéria Médica (Bencao Gangmu) é uma famosa enciclopédia chinesa de medicina tradicional escrita na Dinastia Ming. Além de falar sobre ervas e remédios, a obra também traz explicações culturais e simbólicas sobre diversos objetos, incluindo espelhos.
“Dentro do espelho existe clareza; fora dele, escuridão.”
“Nós estamos presos nesta sala, isso é a escuridão.”
“Escapar dela, isso é a clareza.”
Os outros três franziram a testa.
Precisavam admitir: a capacidade dedutiva daquele homem era realmente absurda.
Muito acima da deles.
Mas… aquilo ainda parecia um pouco forçado.
Liu Xing escolheu cuidadosamente as palavras:
“Eu concordo com sua dedução até aqui.”
“Mas essa parte do espelho… não me convence muito.”
“Existem inúmeros textos antigos falando sobre espelhos como ‘essência de metal e água’. Por que você tem tanta certeza de que o espelho desta sala corresponde especificamente ao trecho do Compêndio de Matéria Médica?”
O Capitão olhou para ele como se estivesse encarando um idiota.
“Você ao menos presta atenção no que diz?”
“Não percebeu que falta uma coisa essencial para a ‘chuva regando a flor de ameixa’?”
Liu Xing congelou.
‘Água…’
‘A tortura exigia água para molhar o papel.’
‘Mas realmente não existe água nesta sala.’
Então, de repente, seus olhos se arregalaram.
‘O espelho é a essência do metal e da água…’
‘Então isso significa…’
‘…que o espelho pode virar água?’
‘Mas isso desafia completamente a lógica!’
‘Não… espera.’
‘Desde o começo, este cenário nunca seguiu lógica científica.’
‘Os livros da primeira sala eram todos obras literárias.’
‘Ou seja… este cenário não precisa obedecer à ciência.’
‘Ele só precisa obedecer à lógica literária relacionada à sala.’
‘Meu Deus…’
‘Só de ouvir a dedução dos outros já sinto meu cérebro queimando.’
‘Como Chen Ran e Qiu Yinong conseguiam chegar a respostas assim instantaneamente?’
Liu Xing respirou fundo antes de perguntar:
“Então você acredita que este cenário possui dois finais possíveis?”
“Um em que sofremos a punição da ‘chuva regando a flor de ameixa’ e outro em que escapamos em segurança?”
“Exatamente.”
“Onde está a prova?”, perguntou o Homem de Meia-Idade.
O Capitão suspirou profundamente.
“Vocês nunca organizam as pistas que recebem?”
“No primeiro quarto secreto, o velho criou três camadas de criptografia no testamento: um antigo conjunto de caracteres simplificados, uma máquina que não consegue escrever o texto corretamente e uma ordem embaralhada.”
“Digam… de quem ele estava se protegendo?”
“E para quem ele realmente queria deixar o testamento?”
Ele ergueu dois dedos.
“Desde o começo deste cenário, sempre existiram dois herdeiros.”
“Isso significa que, naquele porão, na verdade havia três pessoas.”
“O herdeiro maligno.”
“O velho.”
“E um segundo herdeiro.”
“O velho sofreu a punição da ‘chuva regando a flor de ameixa’ e morreu sufocado.”
“Esse foi o destino dele.”
“Mas esta ainda é apenas a segunda sala.”
“A história ainda não terminou.”
“Logo, o destino do segundo herdeiro provavelmente é escapar em segurança.”
Ele encarou os demais e concluiu lentamente:
“Em outras palavras…”
“Temos dois finais possíveis.”
“Ou seguimos o destino do velho.”
“Ou seguimos o destino do segundo herdeiro.”