18LOH

Capítulo 56

18LOH

Tradutor/Revisor: JustBeIntelligent


Chen Ran acordou no chão.

Franzindo a testa, olhou ao redor. Segurou a cabeça, sentindo uma dor alucinante, e começou a rolar pelo chão. Só depois de um bom tempo aquela pontada agonizante desapareceu. Quando tirou as mãos da cabeça, percebeu sangue espalhado pelas palmas.

‘Minha cabeça está sangrando?’

‘Espera.’

‘Quem sou eu?’

‘Que lugar é esse?’

Instintivamente, ele levou a mão ao bolso da calça e tirou um maço de cigarros e um isqueiro.

Pegou um cigarro e o acendeu.

“Cof, cof!”

Chen Ran se engasgou violentamente com a fumaça e imediatamente jogou o cigarro fora.

‘Eu… não sei fumar?’

‘Se eu não fumo, então por que tenho cigarros no bolso? E agora há pouco, quando tentei pensar, minha mão foi instintivamente até o bolso. Se eu não estava procurando o cigarro… então o que eu queria pegar?’

Com dificuldade, Chen Ran se levantou. À frente havia uma poltrona reclinável. Sem pensar muito, ele praticamente se jogou nela e se deitou.

Depois de algum tempo, finalmente recuperou um pouco as forças e começou a observar o ambiente ao redor.

Era uma sala fechada.

Diante da poltrona havia uma mesinha, e sobre ela estava um exemplar de Jornada ao Oeste, virado de cabeça para baixo.

‘Eu sei ler?’

‘Que estranho… Nas minhas memórias, eu nunca aprendi a ler, mas sei que isso é chinês, e consigo entender tudo.’

‘Tem alguma coisa na minha cintura… dura demais, está me incomodando.’

Chen Ran levou a mão até a cintura. Era uma pistola completamente branca, de um branco puro da ponta ao cabo.

‘Isso é uma arma.’

‘Estranho… por que não consigo apertar o gatilho? Era para eu conseguir.’

Ele jogou a arma sobre a mesinha.

Então continuou examinando o lugar.

Bem à frente da poltrona havia um espelho de corpo inteiro, mas a superfície refletora estava virada para o outro lado. À esquerda do espelho, havia uma cadeira.

Além disso, não tinha mais nada.

Chen Ran pegou o Jornada ao Oeste e começou a folheá-lo atentamente.

‘Capítulo doze… uma parte foi arrancada.’

‘Pelo contexto anterior e posterior, a parte arrancada deveria ser…’

‘Guanyin dizendo a Tang Sanzang que os ensinamentos do Pequeno Veículo não podem libertar almas, enquanto os do Grande Veículo podem.’

N/T Explicativa: Guanyin é uma bodhisattva extremamente venerada no budismo oriental, associada à compaixão e à salvação dos aflitos. Em Jornada ao Oeste, ela é responsável por guiar Tang Sanzang em sua jornada para obter as escrituras sagradas budistas. Seu nome pode ser entendido como “Aquela que Ouve os Lamentos do Mundo”.

‘Mas…’

‘No capítulo treze, logo após deixar o território da Grande Tang, Tang Sanzang encontra perigo e é salvo pelo caçador Liu Boqin, que o leva para casa.’

‘Na casa do caçador, Tang Sanzang usa justamente os ensinamentos do Pequeno Veículo para libertar a alma do pai de Liu Boqin.’

‘Guanyin disse que o Pequeno Veículo não podia libertar almas… mas aqui Tang Sanzang conseguiu.’

‘Guanyin mentiu.’

‘Mas por que alguém arrancaria justamente a parte em que Guanyin mentiu?’

‘A mentira foi arrancada.’

‘A mentira foi apagada do livro.’

‘… Mentir é proibido?’

‘Essa deve ser a mensagem que a pessoa que arrancou as páginas queria me passar.’

Sentindo o corpo recuperar parte das forças, Chen Ran se levantou da poltrona.

Antes ele não tinha percebido, mas agora…

Sentia constantemente que algo lhe faltava.

‘Eu provavelmente perdi a memória. Nem sequer sei quem sou.’

‘Mas uma coisa é certa: meu senso comum ainda existe.’

‘Eu reconheço caracteres chineses. Sei o que é um cigarro e sei o que é um isqueiro.’

‘Ao mesmo tempo, meus hábitos provavelmente também permaneceram.’

‘Assim como agora há pouco: quando tentei pensar, minha mão foi automaticamente até o bolso.’

Chen Ran começou a procurar pistas.

Primeiro, despejou todo o conteúdo da mochila sobre a mesa de centro e começou a verificar item por item.

Eram apenas alimentos e medicamentos.

Depois vasculhou os próprios bolsos e tirou uma esfera de vidro com um número colado nela.

O número era… 1

‘Os alimentos e remédios não têm nada de especial.’

‘O importante são essa esfera de vidro e a pistola.’

‘A arma representa julgamento. Isso é fácil de entender.’

‘Mas o que essa esfera representa?’

‘Calma.’

‘Acabei de deduzir pelo livro que mentir é proibido. Então… o que acontece se alguém mentir?’

‘Será punido.’

‘A pistola simboliza julgamento, então mentir deve estar relacionado à arma.’

‘Mentir leva a ser executado a tiros.’

‘Mas eu não posso testar isso em mim mesmo. Preciso encontrar outra pessoa.’

Pensando nisso, ele voltou o olhar para a sala.

Infelizmente, além dele, não havia mais ninguém.

Depois de alongar o corpo, caminhou até a cadeira.

Aquela cadeira parecia uma usada para interrogar criminosos.

Então virou a cabeça para o espelho.

Seu reflexo apareceu diante dele: corpo magro, rosto delicado e vários ferimentos sangrentos na cabeça.

Ao mesmo tempo, ele percebeu que havia duas mensagens escritas em vermelho no espelho, aparentemente usando o sangue que havia escorrido de sua cabeça.

A primeira dizia:

[ A cadeira possui o efeito da Grande Técnica de Recuperação de Memórias. Sente-se nela e suas memórias retornarão imediatamente. ]

Chen Ran não acreditou.

‘Nesta sala só existe eu.’

‘Então como surgiram os ferimentos na minha cabeça?’

‘Noventa por cento de chance de isso estar relacionado a essa suposta Grande Técnica de Recuperação de Memórias.’

A segunda mensagem dizia:

[ Finalmente o ciclo recomeçou. Se não quiser morrer, sente-se na cadeira. E mais uma coisa: pela minha dedução, as esferas de vidro em nossos corpos podem armazenar uma âncora de memória. ]

‘Esferas de vidro?’

Chen Ran pegou novamente a esfera.

Só então percebeu que ainda segurava o Jornada ao Oeste.

Distraidamente, jogou o livro de lado.

Mas o som da queda pareceu estranho…

Percebendo algo errado, ele olhou na direção em que o livro caiu e suas pupilas se contraíram abruptamente.

Naquele canto havia cinco exemplares de Jornada ao Oeste.

E estavam posicionados de maneira extremamente precisa.

Se alguém observasse da frente da poltrona, o espelho em pé bloquearia perfeitamente a visão daqueles cinco livros.

Chen Ran pegou os livros e começou a folheá-los um por um.

Em todos eles, a parte do capítulo doze em que Guanyin mentia para Tang Sanzang havia sido arrancada.

‘Como isso é possível?’

‘Um ciclo?’

‘Então, cada vez que o ciclo reinicia, eu jogo um livro aqui?’

‘Cinco vezes inteiras.’

Chen Ran sentiu a cabeça entrar em confusão novamente.

Instintivamente, levou a mão ao bolso outra vez.

‘O que eu estou tentando pegar?’

‘E mais… agora há pouco eu joguei fora o cigarro que fumei.’

‘Se isso realmente é um ciclo, por que há apenas um cigarro no chão?’

‘Não deveriam existir cinco?’

‘Existem duas possibilidades.’

‘Primeira: as mensagens no espelho são falsas. Elas querem me enganar para que eu sente na cadeira.’

‘Segunda: cigarros e livros possuem propriedades diferentes. O cigarro não reinicia com o ciclo, mas o livro sim.’

Ele olhou para a cadeira e depois voltou para a poltrona reclinável, organizando lentamente as informações na cabeça.

‘Primeiro: eu perdi a memória.’

‘Além disso… este corpo parece extremamente incompatível comigo.’

‘Provavelmente nem é meu corpo original.’

‘Posso confirmar isso pelo fato de eu não fumar, mas carregar cigarros no bolso.’

‘E também pela sensação de que algo no meu corpo ou nos meus bolsos está faltando.’

‘Segundo: alguém já ocupou este corpo antes e deixou mensagens no espelho.’

‘E ocupou este corpo em mais de uma ocasião.’

‘As duas mensagens no espelho comprovam isso.’

‘Por fim, a pessoa que já ocupou este corpo duas vezes provavelmente ainda não encontrou a resposta.’

‘Afinal, ela escreveu “finalmente o ciclo recomeçou”.’

‘Pelas circunstâncias atuais, estou preso nesta sala.’

‘Minha prioridade é escapar daqui.’

‘Aquela pessoa já apareceu nesta sala antes, então ela também ficou presa aqui.’

‘Mas ela escreveu “o ciclo recomeçou”, e não “finalmente consegui escapar”.’

‘Isso significa que ela provavelmente também não descobriu como sair desta sala.’

‘Ou talvez já tenha descoberto… mas sozinha não consegue fazer nada e precise da nossa ajuda.’

‘Ajuda?’

‘As esferas de vidro!’

‘A mensagem dizia que elas são âncoras de memória.’

‘Isso quer dizer que…’

‘Aquela pessoa quer obter as esferas de vidro que estão conosco para recuperar as próprias memórias?’

‘Mas então surge outra pergunta.’

‘Se ela quer as esferas, por que nos avisaria que elas são âncoras de memória?’

‘A menos que…’

Pensando em algo, Chen Ran correu imediatamente até os cinco exemplares de Jornada ao Oeste e começou a folheá-los rapidamente.

Como esperado!

Ele finalmente chegou a uma resposta.

Sem hesitar, caminhou até a cadeira e se sentou nela.

No instante em que se sentou, quatro algemas surgiram da cadeira, prendendo firmemente seus braços e pernas.

Logo em seguida, ele sentiu algo cobrindo sua cabeça.

Então…

Foi eletrocutado até perder a consciência, enquanto sangue escorria continuamente de sua testa.

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