
Volume 1 - Capítulo 26
Livro dos Mortos
Rogil berrou, seu grito de guerra era um pouco mais que um rugido gutural que sacudiu as folhas acima enquanto descia com sua espada poderosa. O monstro guinchou diante dele, sua raiva e desespero palpáveis no ar, mas ele não hesitou. Havia muitos que hesitaram – eles normalmente não tinham uma segunda chance.
*CRUNCH.* A espada, com mais de cem quilos de aço encantado, estilhaçou as defesas do monstro e cortou profundamente a carne abaixo. Com um guincho estridente, a criatura das fendas deu seu último suspiro e colapsou. Implacável, ele puxou a espada e a afundou, perfurando mais fundo no corpo da criatura. Quando ela não reagiu, ele retirou a espada, satisfeito de que ela estava de fato morta.
Tyron tentou não estalar sua língua. Ele entendia que não queria permitir que a criatura se fingisse de morta e o atacasse pelas costas – obviamente era melhor ser precavido – mas era muito difícil para ele extrair algo valioso do cadáver se estivessem tão mutilados. Preparou outro raio e o manteve pronto para caso precisasse, mas, ao olhar ao redor, parecia que não havia mais nada vivo para lutar.
— Fale. — Rogil rosnou, sua tensão ainda alta.
— Limpo. — Monica respondeu.
— Limpo. — Aryll falou por entre as árvores.
— Algum ferimento? — Monica questionou.
— Sofri um arranhão. — Aryll respondeu, ainda escondida.
— Venha e verifique, sabe que não devemos correr riscos com essas criaturas. Eu irei patrulhar. — Rogil assentiu e se virou para seguir até a floresta. — Daqui dez minutos, partiremos de novo. Comece a trabalhar, garoto.
Tyron já estava ajoelhado na frente do monstro que Rogil abateu, com a faca pontiaguda de dissecar em mão. Olhando para o cadáver, não achava que havia muito que poderia extrair, além do núcleo. A quitina estava destruída graças ao estilo de luta bastante brutal de Rogil e ele não conseguiria separar nenhuma das placas em dez minutos de qualquer forma.
Com um suspiro, olhou para as maiores aberturas entre os segmentos próximos ao centro da massa e começou a cortar. Em dois minutos, conseguiu encontrar uma gema circular do tamanho de uma uva, de um branco puro, que brilhava com magika em seus sentidos. Sendo cuidadoso para não encostar nela, extraiu a gema com a pinça de ferro que comprou para isso e a colocou na bolsa que havia amarrado em sua cintura.
Tinha tempo suficiente para cuidar de mais algumas criaturas das fendas, então examinou a cena de batalha e escolheu o maior monstro. Tamanho não significava poder, mas acontecia de ser o caso com frequência desde que ele descobriu ser uma aposta segura caçar o maior primeiro quando estava com pressa.
Enquanto trabalhava, Monica se sentou com Aryll, inspecionando o corte feio no braço dela. O “arranhão”, ele presumiu. Ele observou com o canto dos seus olhos enquanto a Maga vasculhava por sua mochila e retirava uma agulha, linha e pomada.
— Levará alguns dias para isso se curar. — Ela avisou à batedora enquanto começava o trabalho de limpar e desinfetar o ferimento. — Você precisa ter cuidado para não reabrir o ferimento.
Aryll fez uma careta.
— Não vai deixar uma cicatriz, vai? — Ela questionou.
— Não. Eu sou habilidosa o suficiente para tratar isso!
— Que pena. Cicatrizes são sexys.
Ela viu o olhar de Tyron e piscou lascivamente. Ele tentou não corar e se concentrar em dissecar enquanto Monica continuava a remendar a batedora tagarela. Ela não era capaz de realizar um milagre de cura como um Sacerdote ou Sacerdotisa conseguia, curando instantemente o ferimento ao extrair o poder do seu patrono divino, mas era surpreendente efetivo ao considerar que estava utilizando apenas uma Subclasse. Basicamente todo time precisava de alguém assim, um membro com alguma capacidade de curar ferimentos.
Normalmente isso recairia para alguém com uma Classe de cura, como Médico, Apotecário ou Doutor com subclasses de combate para mantê-los seguros, ou alguém como Monica, que tinha uma de combate como principal e havia escolhido uma sub utilitária para ajudar o seu time. Pessoas capazes de extrair poder dos cinco eram excepcionalmente raras nos círculos de Exterminadores, motivo pelo qual Rufus estava tão desesperado para fazer com que Elsbeth o seguisse para fora de Foxbridge.
Tyron hesitou por um instante ao lembrar da sua antiga paixão. Ela sempre foi tão gentil conforme cresciam, uma das poucas que estavam dispostas a se aproximar do filho “deles” que, apesar de seu comportamento recluso, ele não pôde deixar de se apaixonar por ela. Então, o Despertar aconteceu e todas as suas preocupações infantis caíram por terra. Ainda assim, esperava que o que havia dito a ela fosse suficiente para acabar com qualquer apego que pudesse ter por Rufus. Ela merecia algo melhor do que ser explorada por aquele bastardo. E não a ter para ajudá-lo tornaria a vida de Rufus muito mais difícil quando tentasse se tornar um Exterminador, o que também era um belo bônus.
O núcleo em que estava trabalhando se soltou com um estalo e o guardou na bolsa antes de mudar para o próximo monstro. Quando os dez minutos se passaram, havia conseguido coletar cinco núcleos e Monica havia terminado sua costura. Aryll passou sua mão levemente sobre o ferimento tratado, inspecionado o corpo.
— Não seja descuidada — Monica a avisou —, estamos com um membro a menos, precisamos ser cautelosos mesmo que estejamos apenas na periferia.
— Sei disso. — A batedora murmurou.
Parecia como se ela tivesse mais a dizer, mas foi neste momento que Rogil voltou para a clareira.
— Vamos nos mover. Há mais grupos na área e não quero confrontá-los. Precisamos recuar cerca de duzentos metros. Quantos núcleos?
A última parte foi direcionada para Tyron sem nem olhar para ele.
— Cinco.
— Nada mal. Aumente o ritmo na próxima vez. Vamos.
Havia se acostumado com a atitude de Rogil. Não importava quantos ele conseguisse, o Exterminador responderia da mesma forma. O grupo rapidamente se recompôs e começou a se mover. Atravessaram em um bom tempo a floresta que ficava às margens da devastação das verdadeiras terras devastadas, enquanto Rogil seguia à frente, liderando-os para evitar os monstros que achava que não conseguiriam enfrentar, ao mesmo tempo que marcava fendas que pareciam mais ativas do que outras.
Tyron havia aprendido que este time normalmente tinha um Invocador como seu quarto membro e sem as poderosas invocações e utilidades que esta Classe proporcionava eles estavam compreensivelmente relutantes em se envolver em batalhas mais perigosas. Para lutadores capazes e de nível intermediário como esses, era como espantar insetos, geralmente não valia a pena, mas ele definitivamente entendia a cautela.
Uma hora depois, finalmente pararam quando o líder voltou até eles.
— Algum problema? — Monica sussurrou quando Rogil chegou perto suficiente.
Ele balançou a cabeça e acenou para que ficassem longe das fendas. Os outros pareciam sentir a cautela dele e se afastaram algumas centenas de metros até que se sentissem mais confortáveis.
— O que foi isso? — A Maga o pressionou.
— Há uma fenda aqui que não parece tão estável. — Rogil fez uma careta e passou a mão por sua cabeça careca, encarando à distância, como se observasse a fenda através das árvores. — Há muitas criaturas da fenda ali para nos aproximarmos e darmos uma olhada melhor, mas devemos reportar quando voltarmos. As coisas andam meio complicadas aqui ultimamente. Não quero que haja a chance de uma ruptura ocorrer.
— Droga. — Aryll resmungou.
Tyron concordou. Uma ruptura não era do interesse de ninguém. Não apenas uma onda de criaturas da fenda surgiria, como as maiores que normalmente não conseguiam passar apareceriam, o que seria devastador. Era para esse tipo de coisa que seus pais seriam chamados para cuidar, algo que fariam com felicidade, mergulhando através da fenda e abatendo tudo o que encontrassem do outro lado, exceto que neste instante estavam ocupados o caçando.
A outra consequência de uma ruptura era que erodiria ainda mais a parede entre os mundos naquela área, o que significava que mais fendas e fendas mais poderosas apareceriam. Sem um método para estabilizar as terras devastadas, uma ruptura aproximava todos do dia em que as criaturas da fenda dominariam os Exterminadores e acabariam com a vida do mundo. Por ora, tal possibilidade era tão distante que nem era levada a sério, mas ainda assim era uma realidade.
— Continuamos patrulhando? — Monica perguntou.
Rogil assentiu.
— Sim, mas temos que evitar este lado. Recuaremos e trocaremos o caminho da nossa patrulha para o leste. Como está o ferimento, Aryll?
— Está tudo bem. Me dê algum tempo e estarei de volta com a mobilidade completa.
— Ela deveria evitar se mover ao máximo por dois dias. — Monica interrompeu e Aryll a encarou com um olhar irritado.
— Ela está fazendo seu trabalho. — Rogil confortou a batedora e colocou a mão no ombro dela. — Relaxe e tome seu medicamento. Se vai ficar irritada por se machucar, então não seja acertada em primeiro lugar. O erro foi seu.
— Sei disso. — Ela resmungou, um pouco mais calma.
Tyron sabia que sua intervenção não era necessária. Os adultos estavam conversando. Ele deveria ficar de boca fechada e manter a atenção, o que fez, até que moveu o pé e sentiu algo afiado sob sua bota. Olhou para baixo, até levantou a perna para ver e encarou por vários segundos enquanto o processava o que estava enxergando.
— Ah, caralho. — Ele disse enquanto pulava desajeitadamente para o outro lado, quase caindo de bunda.
— O que foi? — Rogil apareceu num piscar de olhos, olhando de um lado para o outro enquanto desembainhava sua lâmina.
— Oh, nada. Nada. Só não esperava ver, uh, aquilo, sob meu pé. — Ele gaguejou um pouco enquanto gesticulava para onde estava parado.
O líder do time olhou para o crânio sorridente aparecendo na terra e suspirou, ao embainhar sua arma.
— Você encontrará muitos desses por aqui, garoto. — Ele voltou para os outros. — Onde nós estávamos…
Enquanto continuavam a conversar, Tyron respirou fundo para acalmar seus nervos. Ele ficou chocado de ver o crânio o encarando, claro, mas também ficou surpreso por encontrar o que estava procurando literalmente de baixo do seu pé quando pararam. Sem chamar a atenção dos outros, que continuavam a conversar por perto, alcançou o bolso da sua mochila e retirou um mapa simples que havia comprado na cidade. Depois de alguns momentos calculando, marcou a posição atual deles com um lápis antes de enrolar o pergaminho e guardá-lo junto do lápis.
Ele poderia não ser capaz de voltar aqui tão cedo, mas este era um lugar onde poderia encontrar os restos mortais que precisava. Certamente havia mais centenas por aqui.
— Vamos nos mover. — Rogil disse, levantando-se ereto mais uma vez enquanto os outros terminavam sua discussão e começavam a voltar pelo mesmo caminho por onde tinham vindo.
Com cuidado para não ficar para trás, Tyron manteve o ritmo, observando às árvores ao redor com atenção, mas também, de vez em quando, olhava para o chão. Haveria mais.
—
Em Woodsedge Silêncio e quietude pairavam sobre o cemitério. Uma névoa tênue, com uma única presença se movendo entre os túmulos, acariciando as gravuras desgastadas e o musgo fino que decoravam aqueles rostos. Iluminado pela luz da lua minguante, era uma cena pacífica, ainda que assustadora.
— Minhas bolas estão coçando. — Dove reclamou.
O marechal Langdon abafou um suspiro e tentou manter a vigília. Seu “parceiro” parecia determinado a garantir que tal coisa fosse impossível.
— Acho que é a umidade no ar. — O Mago disse. — Está encharcando minhas calças, eu deveria conseguir roupas de melhor qualidade. Normalmente não me incomodo, já que costumo ficar na Fortaleza, neste caso não costumo vestir calças. Você não poderia me recomendar um alfaiate, poderia?
O marechal respirou fundo e lentamente antes de responder.
— Estou ciente de que acha o nosso trabalho inferior ao seu, Sr. Levan, mas preferiria se você parasse de conversar. Estou tentando me concentrar na nossa vigilância.
— Eu estou tentando evitar conseguir algum tipo de infecção fúngica, o que acredito ser de uma importância muito maior do que o que estamos fazendo aqui. Como vocês puderam me meter nessa merda, afinal? O que isso tem a ver com a Invocação Abissal? Nada, é isso! Meu time está lá fora, nas terras devastadas, arriscando suas vidas, lutando e fazendo outras coisas legais, enquanto eu estou aqui me preocupando se meus testículos abençoados não apodrecerão! Não, marechal Langdon. Não vou parar de falar. Vou reclamar e gemer até que me soltem ou expliquem o que diabos estou fazendo aqui!
— Eu estou aqui fazendo meu trabalho, Sr. Levan, observando o cemitério buscando por sinais de que um Necromante esteve aqui, ou pegá-lo em ação. Você está aqui, eu suspeito, porque todos que conheceu desde a noite do incidente o consideraram um babaca insuportável e farão de tudo para fazê-lo sofrer, pois acreditam que você merece. Seus gemidos e lamentos constantes são como música para os ouvidos dele e eles nunca se cansarão. Eu não pedi para o senhor estar aqui, nem o quero aqui. Já que está, talvez possa ser útil e me ajudar a encontrar o rastro de um criminoso em vez de agir como uma criança mimada.
Os dois homens se sentaram em silêncio por um período estendido enquanto Dove contemplava as palavras do marechal. Havia algum mérito no que o homem disse – ele estava agindo como um babaca durante os últimos dias, irritando os oficiais, sendo pouco útil na inspeção de cenas, tirando cochilos com frequência, o que sem dúvidas levou muitos marechais a se deleitarem com seu sofrimento. Por outro lado…
— Se recorda quando vocês me prenderam sem justificativa, me trancaram e me fizeram correr pela cidade procurando por um culpado que acreditavam ser eu o tempo todo? Eu cooperei de boa vontade o máximo que pude, mas vocês estão me puxando pela última corrente. Você sabe, assim como eu sei, que esse garoto Necromante não fez a invocação. Não há possibilidade. Nenhuma possibilidade. Então por que estamos aqui? Um Necromante de nível 1 não é nada, então o que diabos estamos fazendo aqui, Langdon?
O oficial suspirou e se levantou, esticando suas costas ao fazer isso. Era claro que não havia sentido em tentar esconder isso, já que o invocador estava falando sem parar.
— Deixe-me ser honesto com você, Sr. Levan. Não acho que você seja o responsável pelo incidente de invocação, mas isso tem pouca importância, desde que meus superiores estão determinados a te irritarem o máximo que conseguirem. Ficamos sem pistas tentando encontrar o responsável, então fui informando para ficar de olho no caso de o Necromante, que muito provavelmente está no nível 2 desde que conseguiu realizar com sucesso Ressuscitar Mortos, fazer uma aparição.
— Ele conseguiu conjurar por conta própria? — Dove assobiou. — Impressionante.
O marechal o encarou fixamente por um longo tempo.
— Não. — Dove ofegou. — Você ainda não desistiu dessa teoria? Não pode estar falando sério. Ressuscitar os Mortos é complicado, eu admito, mas romper o véu? Espiar através do Abismo? Isso é um nível totalmente diferente e você sabe disso, porra!
— Você não sabe o nome dele.
— O que diabos isso importa? A menos que o pai dele cague bosta magika e as tetas de sua mãe derrubem cristais arcanos, então não acho que isso seja relevante.
— Magnin e Beory Steelarm.
— EITAAAAA CARALHO!
Dove o encarou.
— BOSTA. — Ele repetiu antes de se virar e correr pelo cemitério, com as mãos pressionadas nas têmporas. Depois de um instante, voltou, com choque ainda estampado em sua face.
— Bolas de caralho! — Ele xingou.
— Entendo que esteja surpreso.
— Está brincando? Isso é uma piada, certo? O garoto dos Steelarms é um fugitivo? Um Necromante? Isso é… pelos melões sagrados isso é… CARALHO.
O marechal Langdon revirou os olhos enquanto o Invocador continuava a balbuciar e xingar. Após cerca de cinco minutos, ele finalmente parou.
— Bem, primeiro. Se o garoto é esperto o suficiente para ressuscitar mortos sem nenhuma ajuda, então ele certamente não será pego vasculhando ao redor de cemitérios. Ele é o filho de Beory, caralho.
— Não há motivos para não ser cuidadoso.
— Acho que sim. Vamos ver se ele se atrapalha…
— E você sabe muito bem que embora um Necromante de nível 1 não seja uma ameaça, um de nível quarenta é…
— Um pequeno problema.
Langdon levantou uma úncia sobrancelha.
— Um grande problema. — O Mago admitiu. — Entendi, mas essa é a criança dos dois maiores heróis que a província ocidental já viu desde…. sempre? Aqueles dois abateram mais criaturas das fendas do que qualquer um e contiveram a maré basicamente sozinhos por décadas. Décadas! Isso não significa nada?
— Está sugerindo que permitamos que alguém com uma Classe proibida fique livre?
— Sim! Por que diabos não? Nem que seja para manter aqueles dois do nosso lado! Eles merecem pelo menos isso!
— Aparentemente, os Magistrados não concordam.
— Esses ghouls fodidos! Como se não bastasse eles precisarem gravar sua marca sádica em nós, eles querem o garoto morto? Por quê? Quem ele machucou, hein?
— Ele ressuscitou os mortos do seu descanso! — O marechal respondeu bruscamente.
— Quem se importa? Eles estão mortos!
— Acho que a família do morto tem uma perspectiva diferente.
— Oh, tenho certeza de que eles estão irritados, mas isso significa que o garoto merece morrer?
A expressão de Langdon ficou rígida.
— Ele pagará a penalidade pelo crime de se recusar a abandonar sua Classe proibida, como você bem sabe. Aquelas Classes são proibidas por decreto e tenho certeza de que não precisa se recordar da razão.
Dove jogou as mãos no ar.
— É besteira e você sabe disso! Os Magistrados fazem vista grossa o tempo todo. É ilegal ter a Classe Ladrão. Então, por que diabos existem tantos ladrões? Por que bandidos ainda existem? Hein? Nem me fale das merdas que os nobres fazem com suas Classes.
O marechal parou. Não conseguia argumentar com muito do que o Invocador havia dito. Eliminar Classes ilegais não era de alta prioridade, isso era verdade, mas mesmo que fosse certeza que um Necromante tinha infinitamente mais potencial para causar mal do que um ladrão, isso não importava para o Mago furioso.
— De qualquer forma, isso não tem importância. — Ele suspirou. — O garoto não sobreviverá aos próximos meses.
— Você está tão confiante? — Dove questionou. — Imagino que seja só um garoto, você o rastreará eventualmente.
Langdon hesitou antes de dizer a próxima parte, mas era conhecimento comum – era apenas uma questão de tempo antes que Dove descobrisse de qualquer forma.
— Não muito. Os Magistrados ordenaram que alguns Exterminadores de alto nível rastreassem o garoto e o trouxessem. É apenas uma questão de tempo até ele ser encontrado.
Dove ficou em silencio por alguns instantes, antes que começasse a compreender.
— Quem é? — Ele finalmente respondeu, com a voz fria. — Quem eles enviaram?
O marechal o olhou nos olhos.
— Magnin e Beory Steelarm.
Dove o encarou, seu rosto havia se tornado uma máscara de raiva congelada enquanto cerrava as mãos.
— Esses doentes do caralho. — Sua voz soou estrangulada em sua garganta.
Abruptamente, o Invocador se virou e se afastou.
— Todos vocês podem ir tomar no cu. — Ele comentou sobre o ombro. — Seu escritório pode me prender ou me queimar na fogueira, não me importo. Vou voltar para o meu time.
…