Livro dos Mortos

Volume 1 - Capítulo 25

Livro dos Mortos

— Diga-me que não está falando sério, Dove.

— Acha que eu brincaria com isso? Pelos doces melões de Selene eu queria que não fosse verdade, mas, infelizmente, os marechais locais “requisitaram” minha assistência por mais uma semana. Uma semana! Esses babacas de filhos da puta!

— Então, o que nós faremos? Ficar sentados na Fortaleza por ainda mais tempo? Isso é besteira, Rogil!

O líder do time estava sentado em uma cadeira que rangia sob seu corpo largo, esfregando lentamente as mãos em círculos nas têmporas enquanto o grupo discutia na sala de estar da suíte. Muito tempo parado não era bom para o grupo – eles perderiam o ritmo se permanecessem ociosos por muito tempo. Os membros já estavam se irritando uns com os outros: eles precisavam desabafar.

— Nós sairemos. — Ele finalmente disse depois que os outros ficaram quietos. — Não para uma viagem completa. — Levantou a mão para conter o protesto que estava prestes a explodir de Dove. — Mas faremos uma patrulha de quatro dias, aliviaremos o estresse, ganharemos algumas moedas e voltaremos. Quando voltarmos, descansaremos por alguns dias, Dove deve ter terminado com essa besteira e poderemos nos preparar para atravessar a fenda. Parece bom?

— Não. — Aryll zombou. — Mas é melhor do que ficar parada aqui.

Monica não parecia convencida. Ela massageou a testa enquanto ponderava as opções deles.

— Não sei sobre isso, Rogil… se sairmos apenas em três, seremos piores do que novatos. Nem teremos as invocações para nos ajudar.

— Estou ciente disso. Nós pegaremos um rato ou dois durante a saída, e eu disse especificamente patrulha, não disse? Se as coisas ficarem tensas, podemos recuar e voltar para a cidade. Não quero correr riscos desnecessários.

— Tudo bem. — A Maga suspirou. — Só estou preocupada.

Dove ficou de mau humor, com os joelhos na frente do peito enquanto afundava na cadeira.

— Isso é uma merda. — Ele reclamou. — Sou arrastado por toda a cidade para cutucar cada pedaço de bosta com traço de magika e vocês saem para caçar criaturas das fendas. Se eu descobrir quem realizou aquele ritual, vou arrancar suas entranhas e comer seu coração como se fosse uma maçã.

— para mim, isso parece algo que um Invocador Sombrio faria… — Aryll murmurou.

— Ah, vai se foder!

— Sentimos muito, Dove. — Monica tentou apaziguar o Invocador irritado. — Nós todos preferiríamos que você saísse conosco. Quem poderia prever que os marechais seriam tão estúpidos?

O homem magro afundou ainda mais na cadeira, se é que isso era possível, enquanto a tensão se esvaía dele ao se entregar à sua miséria.

— Está ficando cada vez pior já que eles não conseguem encontrar nenhuma pista. Não há nenhum traço de quem quer que seja que tenha conjurado essa coisa estúpida. Não encontramos ninguém com uma Classe que poderia aprender o feitiço, ou ensiná-lo, nem qualquer motivação para o ritual em primeiro lugar! É como se o responsável tivesse feito isso apenas para irritar os marechais e depois desaparecer.

— Isso não significa que você será liberado em breve? — Rogil perguntou com esperança. — Se não estiverem avançando na investigação…

— Para aquele idiota do Langdon, não encontrar nada apenas me solidifica como um suspeito, mesmo que ele literalmente tenha visto meu Status três vezes, porra!

— Se ele viu… — Disse Aryll.

— Ele acha que eu o falsifiquei, o que é algo que obviamente alguém com acesso àquela magika maligna provavelmente seria capaz de fazer… — Dove comentou, soando muito cansado.

Rogil levantou a sobrancelha.

— Eu nunca soube que era possível fazer um ritual de Status falso.

— Oh, é possível. — Dove disse a ele. — Mas é mais do que um pouco ilegal e você precisa se aprofundar em algumas Classes bem terríveis para conseguir realizar isso. Quando eles encontram alguém que consegue fazer isso, geralmente são passados para os magistrados para que façam dele um exemplo. Não é nada bonito.

— Como eu nunca ouvi falar disso? — Aryll se perguntou.

Dove riu um pouco amargamente.

— Normalmente isso é assunto dos Magos, Aryll, sem ofensas. Isso é algo que aprendemos bem cedo.

O silêncio pairou no ar por um longo período enquanto cada um deles se afundava em seus próprios pensamentos, até que Rogil quebrou o feitiço ao bater as palmas.

— Chega. — Ele falou asperamente. — Arrumem suas coisas. Quero sair em uma hora, sem desculpas. Qualquer um que não cumprir isso está de latrina por toda a viagem. Dove, você também pode ir para o quartel e se reportar para o dever. A única coisa que você pode fazer para limpar seu nome é provar que eles estão errados. Se eles tentarem fazer algo contra você sem evidências, eu derrubarei toda a Fortaleza na cabeça deles.

— Eu primeiro. — Dove sorriu amplamente.

Em pouco tempo, o grupo estava pronto para partir, exceto Dove, que havia saído de mau humor sob escolta “para sua segurança”. De mau humor, mas satisfeito por sair da Fortaleza, Rogil e os outros membros preencheram a papelada e partiram – as terras devastadas os aguardavam.

— Time? — O guarda no portão da Fortaleza perguntou ao se aproximarem.

Rogil levou a palma ao rosto, irritado.

— Travis, eu passei por aqui com o meu time uma centena de vezes, você realmente precisa que eu diga isso?

O velho com o rosto contraído apenas o encarou.

— Regulamentos são regulamentos, como bem sabe. Vocês precisam se identificar para que eu possa autorizar a saída. Time?

— Golpe de Martelo.

— Não foi tão difícil, foi? Vá com calma, Rogil, está tendo mais atividade que o normal.

— Droga. — Com um aceno de cabeça, Rogil direcionou Monica e Aryll para frente.

— Se estava tão preocupado com isso, nunca deveria ter deixado Dove nomear o grupo. — Monica o advertiu.

— Eu ainda acho que “Esmagadores de Melões” era a melhor escolha. — Aryll disse lentamente. — Teríamos conseguido se você não tivesse queimado seu veto.

— Se eu fosse fazer parte de um grupo chamado de Esmagadores de Melões, teria simplesmente saído, formado um novo grupo e então recrutaria todos vocês, deixando Dove para trás. — Rogil rugiu. — Agora, escolham algum rato e vamos sair dessa cidade. Preciso matar alguma coisa.

Assim que os três Exterminadores pisaram fora da Fortaleza, foram cercados de ambos os lados por moleques e bandidos, cada um com um fedor de desespero pairando sobre eles. Os lábios de Monica se curvaram ao contemplar a multidão imunda. Ela podia estar acostumada a voltar para casa fendendo a bosta, mas não estava disposta a sair fedendo.

— Saiam da frente. — Rogil rugiu quando muitos esperançosos se aproximaram e, felizmente, eles obedeceram.

Tecnicamente, eles não tinham permissão para matar pessoas nas ruas, como também era ilegal obstruir um Exterminador a caminho do seu dever, o que o time Golpe de Martelo, tendo preenchido sua papelada, estava fazendo oficialmente. Rogil manteve os olhos em frente, sem olhar para os lados enquanto marchava resolutamente em direção ao portão e Aryll estava com a cabeça nas nuvens, o que significava que a responsabilidade de encontrar um ajudante recaiu sobre os ombros de Monica, como sempre.

Ela franziu a testa e conteve a raiva enquanto tentava encontrar alguém na multidão com quem pudesse conviver, mas, ao analisar as dúzias de faces, não encontrou ninguém que lhe agradasse. Não era uma boa ideia ser exigente ao contratar um rato, mas se conseguisse encontrar alguém que pelo menos não fosse sujo, já seria uma vitória.

Quando viraram a esquina e o portão apareceu à vista, ela ainda não havia encontrado ninguém e conseguia dizer pela caminhada determinada de Rogil que ele não pararia. Monica mordeu os lábios enquanto olhava para a esquerda e para a direita e a multidão de corpos e faces alinhados que pareciam se misturar em uma única massa suada de carne indesejada.

Sem tempo e irritada, decidiu que poderia muito bem apontar seu dedo e escolher alguém aleatoriamente e que se danem as consequências se ele se provar inútil. Se os outros não iriam ajudá-la, não podiam culpá-la!

Então, avistou um rosto.

Esguio, limpo, com olhos cansados, mas inteligentes, de um jovem em pé com as mãos entrelaçadas na frente dele e com um pequeno sorriso na face. Quando ele percebeu seu olhar, o jovem assentiu lentamente e tentou se endireitar um pouco. Ele era tão diferente da multidão comum de garotos da fazenda e arruaceiros que instantaneamente chamou sua atenção, mesmo que se perguntasse o quão útil ele poderia ser. Com uma constituição tão magra, será que ele conseguia suportar seu próprio peso?

Ela caminhou na direção dele.

— Qual o seu nome? — Perguntou diretamente.

— Uh, Lukas. Lukas Almsfield.

— Você não parece muito como um rato, Lukas. Um filho de mercador fugitivo? Eu preferiria não contratar alguém se a família dele contratará idiotas para atacar meu time em um ato fútil de vingança, caso você morra nas mãos das criaturas das fendas.

Com a menção da família, ela pode ver que ele ficou tenso: havia alguma história ali.

— Minha família está envolvida no… hum… ramo. — Ele disse, olhando rapidamente para a Fortaleza. — E me encorajaram a seguir este caminho. Nada do que você descreveu ocorreria. Asseguro a você.

Ela acreditou parcialmente nele; ele parecia genuíno.

— Você possui alguma habilidade relevante? Ou o requisito de força? Só estamos saindo para patrulhar, mas este será um trabalho difícil e perigoso para você.

— Eu tenho uma constituição muito mais resistente do que parece. Aprendi a habilidade Açougue aqui na cidade e tenho meu próprio conjunto de facas para qualquer trabalho que você possa precisar. Ainda sou novo nisso, mas trabalhei algum tempo em uma loja local e aprendi alguns truques. Também estou acostumado a trabalhar com pouco sono e passei um bom tempo acampando na natureza. Não irei atrasá-los.

Ele falou com absoluta confiança e olhos claros. Ela estava gostando deste rapaz.

— Você consegue se proteger? — Ela questionou.

Ele levantou a sobrancelha e ela assentiu em permissão a pergunta silenciosa dele. Ele parou por um instante, sua face uma máscara de concentração antes que empurrasse a palma para frente na direção da estrada. Um raio de energia sem cor disparou de sua mão antes de acertar as pedras. Monica avaliou o feitiço criticamente. Ele o conjurou com rapidez e o projétil era quase invisível, como deveria ser. Ele tinha alguma habilidade.

— Termos? — Ela questionou.

O sorriso dele ficou cheio de alívio. A pergunta dela era uma admissão de que ele seria contratado.

— Sem experiência, apenas dinheiro. — Respondeu Ela levantou a sobrancelha.

— Está sem dinheiro? — Ela ficou surpresa. A maioria dos ratos diminuiria seus pagamentos ao máximo com o objetivo de demandar uma partilha maior dos abates para ajudar a subir o nível de suas Classes.

— Agora, preciso mais de dinheiro do que níveis. — Ele deu de ombros.

— Considere-se contratado. Vamos. — Ela disse e se virou para encontrar seus dois companheiros, que já estavam esperando o portão ser aberto.

Com um rugido suave, ela acelerou seu ritmo, confiando que o rato a seguiria.

— Ele parece magro. — Rogil disse ao vê-la se aproximar, olhando sobre o ombro dela.

— Se quiser ter voz ativa na contratação, então precisa abrir sua boca e ajudar. — Ela disse brevemente. — Acho que ele tem potencial.

Quando o portão foi aberto, a ajuda contratada conseguiu alcançá-los, com sua mochila firmemente presa em suas costas. Monica assentiu para ele de forma encorajadora e o conduziu pela abertura, antes de segui-lo. Assim que todos chegaram do outro lado, o portão rangeu fortemente ao se fechar com um estrondo. Eles estavam fora.

***

Apesar de tudo, Tyron não conseguia negar a bolha de entusiasmo crescendo dentro dele à medida que se distanciavam da cidade. Escutou sobre as fendas por toda sua vida: seus pais haviam se tornado famosos por conta das muitas vitórias que tiveram em lugares como este. Seu tio Worthy havia feito o mesmo, ganhando dinheiro suficiente para que conseguisse comprar uma pousada e se acomodar com muito sobrando. Ainda mais do que isso, estes eram lugares em que as pessoas se tornavam mais fortes, onde eram capazes de polir suas habilidades e subir o nível de suas Classes contra o fluxo interminável de monstros que inundavam as fendas.

— Primeira vez nas fendas? — A mulher, Monica, questionou.

Tyron tentou não corar.

— É tão óbvio? — Ele disse.

— Um pouco. — Ela riu. — Mas não se preocupe. Consigo me lembrar da sensação na primeira vez em que saí. Não importa o quanto você saiba, nunca é o suficiente para te preparar.

Ela estendeu a mão e a colocou no ombro dele.

— Não se preocupe. Só iremos escoltar as bordas nesta viagem. É uma situação ideal para alguém como você – a oportunidade de lutar contra alguns monstros, ver as terras devastadas por conta própria sem ter que pular através de uma fenda.

Um bufo veio de trás deles.

— Não me diga que você está dando em cima do rato, Monica. Ele tem dezoito anos, pelo amor de deus. — A batedora, Aryll, comentou.

A Maga estreitou os olhos e lentamente retirou sua mão.

— Estou tentando tranquilizá-lo. Nem todos nós temos tanta sede a ponto de enxergar segundas intenções em todas as interações.

— Vocês duas, calem a boca. — O líder rugiu, com uma raiva clara em seu tom. — Olhos atentos, sem cometer erros, isso inclui você, garoto. Hora de trabalhar.

Devidamente repreendido, Tyron desviou seu olhar para os arredores enquanto continuavam a caminhar. Fazia uma hora desde que deixaram a cidade e a estrada já havia desaparecido, deixando apenas uma trilha ampla de terra que se estendia entre as árvores.

Ele se recordou da sua última jornada desesperada pela floresta antes de chegar à Woodsedge, quando lutou contra criaturas das fendas repetidas vezes até que seus lacaios caíram por sua vida. Contra monstros ainda mais fracos, seus dois esqueletos se provaram incapazes de competir. Contra os verdadeiros terrores das fendas, não tinha ilusões de como se sairia. A única razão para conseguir viajar nesta área com algum semblante de segurança era por causa da sua companhia.

Um silêncio tenso desceu sobre as quatro figuras enquanto continuavam a seguir a trilha, cada um deles de olho nas florestas com as armas em mãos, até que Rogil levantou a mão.

— Vamos sair da trilha aqui e circular para o oeste. Aryll, fique furtiva e avance em frente, não mais do que duzentos metros, entendido? Estamos com poucos homens, então mantenham a formação compacta.

— Entendido.

Quando Tyron se virou par olhar, a batedora já havia desaparecido, invisível aos seus olhos enquanto se esgueirava para longe, utilizando sua habilidade para passar entre as árvores, movendo-se de sombra em sombra para se esconder. Com as palmas um pouco suadas, ele ergueu uma das mãos e tentou se concentrar no feitiço Raio Magiko. Cauteloso, seus olhos percorriam entre as árvores e tentou encontrar qualquer sinal de monstros antes que eles os alcançassem.

Rogil liderou o grupo para longe do caminho e se aprofundaram entre as árvores, sem sinais de que a trilha desgastada existisse. Com sua espada larga em mãos, ele caminhou em um ritmo constante, com Monica e Tyron seguindo com cuidado logo atrás.

Como se tivessem cruzado uma linha invisível, Tyron sentiu uma onda passar por ele, como um arrepio, ofegou alto e olhou ao redor, confuso.

De repente, algo não parecia certo. Estendeu a mão para sua frente e sentiu como se estivesse a quilômetros de distância, em vez de bem na frente do seu rosto. Quando a puxou, os segundos se arrastaram até parecerem minutos antes que ela retornasse para o seu lado.

— O que está acontecendo? — Ele sussurrou.

— É a fenda. — Monica respondeu, com a voz baixa. — A fronteira entre os mundos é fina aqui. Ela pode fazer coisas estranhas com a nossa percepção. Concentre-se.

Eles continuaram a avançar e, gradualmente, ele se acostumou com a estranha sensação. O tempo e a distância não pareciam como deveria: eles estavam curvados, ou distorcidos de alguma forma estranha. Enquanto ele lutava para se adaptar, as árvores ao redor se tornaram mais finas e as coisas começaram a se abrir. Troncos apodrecidos, galhos esmagados e enormes sulcos na terra se tornaram mais comuns; Tyron viu uma rocha, esmagada em milhares de pedaços, cravada na terra enquanto a contornavam.

Não precisava ser o filho do Exterminador do Século para perceber que esses eram vestígios de batalhas entre Exterminadores e monstros. Seu coração começou a bater forte e ele respirou fundo para permanecer calmo. Agora conseguia compreender o que Cilla havia dito, que apenas metade dos ratos retornava. Apesar de saber tanto quanto ele, ainda era desorientador e intimidante quando realmente se colocava o pé aqui.

— Garoto. Suba aqui.

Ele foi retirado de seus pensamentos meditativos quando Rogil o chamou. O líder do grupo estava em cima de uma pequena elevação ao lado de um grande carvalho, olhando para frente enquanto acenava para Tyron, que se aproximou seguindo sua mão. Ele olhou para Monica, que encontrou seu olhar e lhe deu um aceno rápido com a cabeça. Encorajado, caminhou para frente, com os olhos percorrendo cada flanco, procurando por problemas.

— O que foi? — Ele perguntou baixinho.

Rogil apontou para frente.

— Dê uma olhada, garoto, isso é algo que você não pode ver em outro lugar. Absorva a vista do nosso mundo despedaçado.

Tyron franziu o cenho, virou-se para seguir o braço do Exterminador e ficou boquiaberto. Ele sabia sobre isso, como não poderia? Havia lido sobre esses lugares, escutou toda as histórias que seus pais tinham para contar com atenção. Apesar disso, ainda ficou chocado com o que viu.

Além da elevação, o mundo estava… ferido. As árvores ficavam cada vez mais finas até que não havia mais nenhuma e o que restava era uma paisagem torturada e rachada, pulsando com energias estranhas que apareciam e desapareciam em uma exibição alucinante. Acima, o céu se agitava e se contorcia, como uma tempestade infinita que envolvia o covil de cobras. Pior ainda eram os vislumbres fugazes de paisagens alienígenas que se sobrepunham com a terra na sua frente, que lhe ardiam os olhos e sentia uma dor de cabeça se formar quanto mais tempo olhava.

Então, havia os monstros. As criaturas das fendas rastejavam pela terra ou vagavam em seus mundos condenados, buscando uma maneira de atravessar.

— Tantas… — Tyron sussurrou.

Rogil sorriu.

— Isso significa que nunca ficamos sem trabalho. Bem-vindo às terras devastadas, garoto. Tente não morrer aqui.

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