Livro dos Mortos

Volume 1 - Capítulo 27

Livro dos Mortos

Tyron começou a acordar e encontrou o contorno indistinto de Aryll parada sobre ele.

— Vamos, ratinho, você está de guarda.

Ele piscou algumas vezes enquanto seus pensamentos lentamente compreendiam a situação. Certo, ele estava de vigia esta noite para que os outros pudessem descansar. Assentiu no escuro e a batedora deu um tapinha em seu ombro e se afastou, indo encontrar seu próprio saco de dormir. Ele balançou a cabeça enquanto se sentava, tentando clarear a confusão em sua cabeça e saindo de baixo do cobertor, jogando a capa sobre seus ombros e amarrando sua espada de volta em sua cintura. Ela não seria de muito uso em suas mãos contra um monstro, mas era melhor do que nada e lhe fornecia um pequeno senso de segurança.

Com o fogo ainda crepitando, aproximou-se da beira da luz e encontrou um toco onde poderia se acomodar confortavelmente enquanto Aryll se aninhava em seu saco de dormir atrás dele. Os três Exterminadores vinham se esforçando muito nos últimos três dias e, mesmo com suas resistências sobre-humanas, precisavam descansar. Se eles estivessem cansados, Tyron estava exausto. Sem sua constituição incomumente alta para uma pessoa do seu nível, era provável que ele tivesse desmaiado há muito tempo e forçado os outros a recuarem.

Esse nível de fadiga ainda era algo com que ele conseguia lidar, então se sentou e envolveu a capa ao seu redor, tentando observar por qualquer coisa que pudesse querer matá-los. Haviam se afastado bastante das fendas para acamparem – na verdade, não estavam mais dentro das terras devastadas, o que lhe fornecia algum senso de segurança. Mesmo assim, ele conseguiu encontrar criaturas das fendas a quilômetros daqui, do outro lado de Woodsedge, então era provável que houvesse muitas se arrastando pela área. Só esperava que não as encontrasse antes que conseguisse alertar aos outros.

A luz da lua atravessava a folhagem acima, criando um padrão cintilante de prata claro no chão que revelava os galhos, folhas e a vegetação apodrecida do solo da floresta em vislumbres fugazes. Embora tivesse o talento Coruja Noturna, que o ajudava a permanecer alerta durante a noite, não tinha nada para fornecer mais visão no escuro, o que significava que as sombras eram quase impenetráveis para ele enquanto tentava permanecer alerta.

No geral, era uma experiência incômoda e sua lamentável coleção de habilidades e feitiços não pareciam nem de longe tão confiáveis quando ele não tinha ninguém além de si mesmo em quem confiar.

Tudo seria diferente se tivesse lacaios. Conseguiria lutar, teria olhos extras para ficar de vigia, conseguiria atravessar com segurança, ou pelo menos de forma mais segura, essa floresta para encontrar os recursos que precisava. Ele olhou atrás dele para ver que Aryll estava aconchegada em seu saco de dormir, esperançosamente já adormecida e retirou um mapa da sua capa.

— Luz. — Ele sussurrou.

Ele mal nutriu o feitiço, fornecendo a energia suficiente apenas para produzir uma luz tênue, tão fraca que mal conseguia ver a tinta no papel, apesar de segurar o globo a poucos centímetros de distância. Sete localizações estavam agora marcadas no papel, abrangendo os lados a oeste e leste da fenda. Encontrar restos mortais não foi tão difícil quanto ele temia – apenas por passar os olhos sobre o solo enquanto viajava, encontrou mais osso do que poderia esperar.

Era isso que procurava o tempo todo, uma fonte de materiais que ninguém sentiria falta ou perceberia que havia desaparecido. Era a única forma que ele poderia praticar sua arte e aprimorar seu Status sem ninguém perceber o que havia ocorrido e a única maneira de mantê-lo seguro. O que não esperava era que houvesse tantos mortos por aqui. Hakoth não exagerou quando disse sobre quantos morreram aqui nas terras devastadas.

Ele não sabia se a maior parte dos ossos que viu pertencia a Exterminadores ou ratos, mas supôs que não importava. Assim que a patrulha fosse concluída, ele retornaria para a cidade então encontrar um modo de voltar aqui com segurança para retirar os restos mortais que precisava. O primeiro seria mais difícil, afinal, estaria completamente sozinho, mas assim que tivesse um único lacaio seria mais fácil para conseguir o segundo e depois o terceiro. Estimava que provavelmente não conseguiria aguentar mais de três, o que poderia mudar quando Necromante alcançasse o nível cinco e conquistasse seu primeiro talento de Classe.

Algo mudou na escuridão e a respiração de Tyron congelou em sua garganta, lembrando de extinguir a luz apenas um instante depois. Com o sumiço do globo, as únicas fontes de luzes se tornaram o fogo atrás de suas costas e a lua. Ele preparou o raio de magika e estendeu a mão, pronto contra o que quer que emergisse da escuridão.

Aguardou por alguns momentos tensos, com os olhos desviando de um lado para o outro, mas, gradualmente, quando nenhuma ameaça se manifestou, relaxou sua postura e abaixou sua mão. Ele aguardou mais um minuto e invocou a luz de novo, um pouco mais brilhante do que da última vez e espiou as sombras criadas pelas árvores e galhos caídos pela floresta. Com o globo pairando sobre sua palma aberta, estendeu a mão na esperança de capturar o vislumbre de alguma criatura da fenda, mas só encontrou decepção ao ver que nada se movia.

Então, vislumbrou uma borda irregular, espiando por baixo de um tronco a apenas alguns metros de onde estava.

De imediato, sentiu um leve formigamento percorrer seu couro cabeludo e se virou para checar seus três companheiros, ainda aconchegados em suas cobertas atrás dele. Ao que tudo indicava, eles estavam dormindo, embora tenha se movido para mais perto para confirmar, depois retornou e se aproximou do tronco, pisando com cuidado para minimizar qualquer barulho. À medida que chegava mais perto, viu que de fato estava correto em sua suposição anterior, aquela borda irregular que emergiu de baixo da madeira apodrecida era de fato um osso. Mais que isso: um osso humano, possivelmente uma tíbia, embora ainda não fosse um especialista quando se tratava do esqueleto humano.

Ele precisaria ser um especialista, refletiu consigo mesmo. A compreensão mais aprofundada dos ossos e como eles eram reunidos seriam uma informação importante. Ele nem sempre teria acesso aos restos mortais que estavam deitados de forma organizada em seus túmulos – na verdade, havia basicamente desistido de ter acesso a tais tumbas quando decidiu evitar cemitérios. Não, ele estaria reconstituindo seus lacaios da forma mais difícil deste ponto em diante.

Seria capaz de comprar algum texto sobre medicina? Seria caro, sem dúvida, mas talvez seu pagamento pela excursão fosse o suficiente para cobrir isso? Ou seria muito suspeito se um jovem, claramente não muito mais velho que seu Despertar, comprar um volume sobre o sistema esquelético?

Enquanto considerava essa questão, aproximou-se e se abaixou para inspecionar o que encontrou.

Era definitivamente um esqueleto humano, embora danificado. O osso que viu se projetando de baixo da madeira era, na verdade, um antebraço quebrado perto do pulso. Infelizmente, a mão não estava em lugar nenhum, mas ao se inclinar e olhar para baixo encontrou um conjunto quase completo de restos mortais, embora com danos significativos. Sem armas por perto, embora houvesse sinais de uma armadura de couro apodrecida entre as folhas caídas. Provavelmente esmagado pela árvore que caiu durante a batalha, ele supôs, o que não era uma boa forma de morrer.

‘Não que haja algo como uma “boa” forma de morrer ao lutar contra criaturas das fendas. Morto é morto.’

Com o coração acelerando, parou para respirar fundo e passar sua luz em um círculo amplo mais uma vez, afinal, ainda estava de vigia e não podia se dar ao luxo de ficar muito distraído, embora tivesse a oportunidade de utilizar suas habilidades e progredir em sua Classe parada bem na sua frente pela primeira vez em uma semana, ele simplesmente não conseguia resistir. No fundo da sua mente, o fato de que estava preso em uma corrida conta o tempo era uma fonte constante de pressão e estresse. Aqui finalmente estava a chance de conseguir um pouco de alívio.

Em particular, havia dois coisas em que realmente queria se concentrar, as duas habilidades que lhe foram concedidas quando recebeu sua Classe: Avaliação de Cadáver e Preparação de Cadáver. As duas habilidades pareciam vagas e indeterminadas em sua mente – os fragmentos que o Invisível havia dado a ele não tinha muito a dizer sobre isso. Ao olhar para os ossos, sentiu que sabia mais sobre eles do que deveria.

A condição dos ossos não era boa, tendo ficado ao ar livre e sob o clima por sabe-se lá quanto tempo. A completa ausência de carne grudada nos restos mortais revelava há quanto tempo estava aqui – ou talvez tivesse mais a ver com o trabalho dos vermes na área, ou ainda monstros, do que com qualquer outra coisa.

Franzindo o cenho, tentou se concentrar em suas habilidades e o que elas estavam lhe dizendo e descobriu que, além de um pouco mais de informações superficiais detalhadas, não sabia muito, o que o frustrou muito. Claro, isso não era suficiente para aprimorar sua habilidade e subi-la de nível? Seria mesmo verdade que, se olhasse para isso o suficiente e refletisse sobre eles, subiria de nível? Simplesmente não parecia certo. Ele sentia que faltava algo.

Contemplou por um instante enquanto passava os olhos sobre os ossos que conseguia ver, a sombra marrom-amarelada brilhando suavemente sobre a luz que segurava sobre eles. Necromante era o processo de animar magicamente os mortos, sejam eles zumbis, esqueletos, ou alguma outra variedade mais avançada. Fazia mesmo sentido que esperasse avaliar e preparar cadáveres com os olhos e as mãos?

Ou havia uma chance de que a magika também estivesse envolvida nessas habilidades?

Ele não recebeu o esboço de um feitiço quando aprendeu a habilidade, mas havia muitos exemplos de técnicas e métodos que aplicavam magika embora não fossem classificados pelo Invisível como “feitiços”. Talvez fosse uma dessas aplicações?

Tyron se agachou e acomodou-se sobre os calcanhares, encarando os ossos diante deles, procurando dentro da sua mente por fragmentos de conhecimento para guiar suas ações. Como ele deveria começar? Como utilizar magika para acessar esses restos mortais? Tinha que haver uma forma, ele tinha certeza disso.

A utilização de magika era uma mistura entre arte e ciência, esta foi uma das primeiras coisas que sua mãe o ensinou. A energia que permeava o mundo vinha através das fendas e poderia ser absorvida para dentro de uma pessoa, formando sua própria piscina ou reserva de magika e era nisso que os magos se baseavam para realizar seus feitos. Havia várias formas de controlar magika. As Palavras de Poder, descobertas há milhares de anos, era um método comumente aceito. Tyron não tinha ideia se a linguagem existia antes das fendas serem abertas, ou se tinha um nome naquela época, mas ao longo dos séculos ela passou a ser conhecida como Linguagem dos Magos, ou as Palavras de Poder. Para feitiços mais poderosos que necessitavam de um controle preciso, trama mais complexa e uma mente mais firme, as palavras eram de longe o melhor método para conjurar, a própria linguagem ajudava a moldar e direcionar a energia arcana, reduzindo o fardo colocado na mente.

Para feitiços menores e mais simples, gestos podiam ser suficientes. Sua mãe havia dito a ele sobre escolas de magika que se baseavam inteiramente em um léxico de símbolos complexos e formas complexas executados em série com as mãos. Supostamente, o talento ambidestro era um requerimento para tais patentes, se não fossem nascidos com o dom ou capazes de treiná-lo sozinho. Ele próprio utilizava as mãos na conjuração, embora apenas de uma forma simplificada que havia descoberto em suas aulas.

O último aspecto e talvez mais importante da conjuração era a capacidade de direcionar e concentrar a energia usando a mente. A própria magika respondia ao pensamento, contanto que fosse suportada por uma força de vontade forte o suficiente. Com uma mente poderosa, era possível realizar até mesmo feitiços completos, mas estes necessitavam de status altos, adquiridos através de um número significativo de níveis.

Incerto de como proceder, ele simplesmente direcionou sua magika para dentro de si e estendeu um fio em direção aos seus ossos. Sob seu controle focado, o fio invisível de energia tocou na borda do que acreditava ser uma canela e então se dissipou.

Ele franziu a testa. A magika não deveria simplesmente fluir para um objeto desconhecido por conta própria, ela tinha que ser forçada ou infundida, ele sabia disso. Concentrou-se e tentou de novo. Usando mais magika desta vez, o estendeu em direção aos ossos e a manteve ali, pressionado contra sua superfície. Era um trabalho rudimentar, mas ele sentia que estava no caminho certo. Enquanto mantinha a energia contra os restos mortais, nada aconteceu, mas ele foi paciente, com o foco aguçado ao buscar por qualquer mudança. Um minuto se passou sem respostas, depois cinco, mas ele ainda persistiu. Não era um especialista, mas sabia que infundir magika em um objeto era um processo lento, um que não deveria ser apressado.

Depois de dez minutos, finalmente foi recompensado. Uma quantidade infinitesimal da sua própria magika começou a penetrar no osso calcificado, como água penetrando em uma rocha. Seus olhos se arregalaram de excitação e se inclinou para frente, mesmo que o processo fosse invisível, apenas para franzir de novo alguns segundos depois, quando algo empurrou a energia que ele fornecia. Já havia magika dentro dos ossos, apenas um leve traço dela, mas era potente. Além disso, havia uma sensação estranha nela, como se fosse sombria, ou faminta, contaminada de alguma forma.

‘Isso é magika da morte?’

Uma brisa e um estalo logo atrás de sua cabeça quebraram sua concentração e o trouxeram de volta ao presente.

— Merda. — Ele xingou enquanto se levantava e acendia a luz em sua mão.

Um pequeno monstro, não maior que a altura do joelho, uma criatura bizarra com pernas com muitas articulações e placas de quitina sobrepostas. Ele se concentrou, usando a mente e gestos simples para moldar o raio básico de magika e empurrou a mão com a palma para frente. O feitiço foi disparado pelo ar e acertou a criatura da fenda na lateral, abrindo um corte superficial em sua carapaça e fazendo a criatura cair para o lado.

Ansioso para continuar, Tyron deu um passo em frente para manter o monstro à vista, com outro raio preparado para voar alguns segundos depois, mas seu agressor foi rápido e se recompôs, pulando na folhagem e desaparecendo de vista. Ele xingou suavemente enquanto seus olhos disparavam pelo arbusto e os som dos seus batimentos preenchia suas orelhas. Ouviu um leve farfalhar na escuridão enquanto a criatura da fenda deslizava pelas folhas e galhos caídos, mas ele não conseguia ver nada, mesmo quando segurava a luz acima de sua cabeça e a iluminava intensamente.

Ele deu passos lentos e medidos para trás, em direção ao fogo. Se não conseguia lidar com a criatura por conta própria, então era melhor acordar os Exterminadores. Uma criatura tão fraca poderia ser um desafio para ele, mas era trivial ao olho deles. Planejou se mover com cuidado, para que conseguisse acordar um deles. Se gritasse durante a noite, quem sabe o que poderia ser chamado? Melhor jogar pelo seguro.

Não pela primeira vez, desejou que tivesse seus lacaios. Talvez tenha se acostumado demais com sua Classe em um período tão curto, mas não se sentia seguro lutando sem um esqueleto para protegê-lo, sem mencionar que não subiria de nível sem um, não importava o quanto lutasse. Um leve barulho à sua esquerda chamou sua atenção e ele se virou, com a palma coberta de luz virada para frente enquanto sua respiração ficava presa em sua garganta.

Não havia nada.

Esse bicho idiota estava brincando com ele! Ele cerrou os dentes e deu mais alguns passos cautelosos em direção ao fogo baixo atrás dele. Mais um pouco e Monica estaria dentro do seu alcance. Então teve um pensamento. Talvez houvesse uma forma para ele vencer. Ele não havia tentado seu novo feitiço desde que o recebeu da Classe Anátema, nem o estudou devido ao vago desgosto com sua premissa, mas ele poderia se provar justamente o que precisava nesta situação. Poderia não ser capaz de ver a criatura da fenda, mas isso não significava que não conseguiria atacar sua mente.

Procurou internamente pelos fragmentos do conhecimento que lhe foi concedido e começou a juntá-los em uma estrutura coerente. Comparado ao Perfure o Véu ou até ao Ressuscitar Mortos, este feitiço era uma brincadeira de criança, mesmo assim, era arriscado tentar conjurar um feitiço pela primeira vez no meio do combate. Ele ainda poderia tentar recuar e acordar a Exterminadora, deixando a situação em suas mãos, mas, por algum motivo, não queria. Se fosse capaz de lidar com isso sozinho, então poderia voltar a estudar os ossos pelo resto da sua vigília.

Ele encarou a floresta, organizando seus pensamentos sobre Suprimir Mente. Depois de alguns segundos, sentiu que estava pronto. Não era uma conjuração longa, mas a feitiçaria era intricada, formando um canal entre ele e a criatura alvo, através do qual o feitiço atacaria diretamente a consciência dela.

Ergueu a luz alto e usou sua mão livre para formar os gestos que precisava, enquanto sussurrava os componentes vocais e direcionava sua magika com seus pensamentos. Assim que terminou, segurou o feitiço, esperando que funcionasse.

Aquele som de novo, da sua direita desta vez. Virou-se rapidamente para ver o monstro avançando em sua direção sob o arbusto até que pulou sobre ele. Tyron se jogou para frente, virou para à esquerda e disparou o feitiço preparado no monstro. De imediato, sentiu a conexão e algo estranho aconteceu.

O feitiço encontrou a consciência primitiva do monstro e uma guerra começou, enquanto a criatura tentava revidar. Ele lutou para pressionar o feitiço e pressionar os pensamentos do monstro. A forma física da criatura da fenda se debatia e se contorcia enquanto tentava combater o feitiço, até que finalmente a resistência dela cessou e o monstro parou.

A boca de Tyron se contorceu de desgosto. A sensação de quebrar a mente de uma criatura com sua própria não era agradável, mas, por ora, ela não conseguia se mover ou reagir. Ele desembainhou lentamente sua espada e segurou em frente, encerrando a vida do monstro com uma estocada rápida em sua cabeça.

Ele ofegou. Apenas uma criatura pequena e fraca e ele teve tanto trabalho. Precisava de lacaios de qualidade superior, com urgência. Ele checou o fogo para ver se as três figuras adormecidas não haviam se movido desde que a luta começou. Soltando um pequeno suspiro, caminhou até sua mochila e, em silêncio, retirou suas facas de açougueiro. Poderia muito bem ver se essa coisa tinha um núcleo.

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