Livro dos Mortos

Volume 1 - Capítulo 28

Livro dos Mortos

— Acordem seus sacos de ossos preguiçosos. É hora de se mover.

Rogil enfatizou suas palavras com alguns empurrões precisos com a lateral de sua bota. Não o suficiente para causar danos, mas suficiente para fazer seu time se mover. Quando alcançou o saco de dormir do rato, ficou satisfeito de ver o jovem já acordado e empacotando suas coisas. Era assim que os jovens deveriam ser, especialmente se quisessem sair de um zé ninguém para um Exterminador qualificado. Quando o garoto olhou para ele, Rogil encontrou seu olhar e deu um aceno de aprovação antes de ir até seus pertences e começar a empacotá-los com movimentos rápidos e eficientes.

‘O garoto… Lukas o nome dele, não é? Ele aguentou muito bem durante os últimos dias, mantendo um nível louvável de performance apesar dos dias longos e noites breves. A essa altura, a maioria dos ratos estaria de pé, mais dormindo do que acordados, atrasando o grupo.’

Até muitos Exterminadores graduados de rank ferro estariam sofrendo a esse ponto, então o líder do time não tinha nada ruim a dizer sobre a resiliência dele.

Seu trabalho com a faca poderia ser desleixado, mas ainda era melhor do que a maioria. Aqueles poucos níveis e o treinamento básico no açougue economizaram muito tempo ao coletar os núcleos e haviam acumulado uma quantidade razoável, ainda que pequena, de quitina de alta qualidade que poderia ser utilizada na armaria da Fortaleza. O que era para ser uma viagem curta para manter seu time aguçado e desabafar, havia se transformado em uma boa fonte de renda – o rato deles se pagou múltiplas vezes. Melhor ainda, não tinham que tratá-lo como um bebê quando ele lutava contra monstros. Rogil ficou mais do que feliz em se desfazer das moedas extras se isso significasse que não precisava desperdiçar tempo ajudando um garoto a lidar com o desmembramento das criaturas da fenda. Isso carecia de dignidade.

Hoje era o último dia da patrulha planejada deles e estava determinado a trazer seus amigos e camaradas de volta para casa em segurança. Quase todos os piores incidentes tendiam a acontecer perto do fim de uma expedição. As pessoas estavam cansadas, então ficavam desleixadas. Rogil se recusava a se permitir ficar desleixado.

— Aryll, termine de empacotar suas coisas e parta em um minuto, quero seus olhos nas árvores. Vou carregar seus equipamentos.

A batedora fez um aceno rápido com a cabeça enquanto suas mãos dobravam seu saco de dormir, prendendo as tiras e checando seus bolsos mais rápido do que os olhos conseguiram acompanhar.

— Monica, cheque seus suprimentos e me forneça o inventário. Se estiver faltando algo, quero saber.

— Líder. — A Maga confirmou enquanto começava a checar com cuidado sua bolsa médica, comparando cada bolso, recipiente e frasco com a lista que retirou da bolsa em sua cintura.

— Rato, você vem comigo. Assim que terminar de preparar seu equipamento, ficaremos de guarda até que Monica termine.

— Entendido, Líder. — Veio a resposta e logo o garoto estava de pé ao lado da Maga mais experiente, com um feitiço pronto em uma mão e os olhos escaneando a floresta por ameaças.

‘De onde esse garoto veio?’ Rogil refletiu. ‘Ele é bom demais para sua primeira viagem. Acho que Monica teve sorte quando o encontrou na multidão.’

Demorou apenas mais alguns minutos para que Monica terminasse de conferir seus suprimentos e reportasse que não havia escassez significativa de suprimentos. Com isso concluído, o time deixou o acampamento e partiu para sua última patrulha.

— Hoje também continuaremos para o lado leste das terras devastadas. O oeste ainda está perigoso demais para o meu gosto. Nos moveremos perto o suficiente para dar uma boa olhada nas fendas antes de recuarmos e cobrirmos o terreno mais distante. Ao meio-dia, começaremos a viagem de volta para Woodsedge. Alguma dúvida com o plano?

Todos assentiram em compreensão e Rogil grunhiu antes que começasse a marchar para fora das florestas e os outros em uma linha atrás dele, com Aryll ainda se esgueirando pelas árvores. Demorou cerca de uma hora para o grupo alcançar a borda das terras devastadas e mais dez minutos para se aproximar o suficiente para ter uma visão clara das fendas. Como esperado, a atividade das criaturas das fendas havia aumentado, apesar do trabalho das equipes em campo. Rogil passou algum tempo fazendo anotações enquanto observava a paisagem destruída e borrada no horizonte antes que retornasse e ordenasse que o grupo voltasse. Encontraram vários grupos e monstros em pouco tempo depois em seu caminho de volta, o que testou suas habilidades e fez Lukas suar, desde que foi interrompido inúmeras vezes ao tentar extrair os núcleos.

Pouco depois, depararam-se com outro time e trocaram algumas informações brevemente antes que continuassem em caminhos separados.

Uma hora depois, Aryll emergiu de uma árvore ao lado de Lukas e gritou.

— Líder. Avistei algo que você provavelmente quer ver.

— Problemas?

— Depende da sua definição?

— Sem besteiras em campo, Aryll. — Ele disse, sério.

— Veja você mesmo.

Ela apontou para cima e Rogil seguiu o seu dedo para encontrar um estranho pássaro azul os encarando. A cor da plumagem estava longe de ser a última característica incomum da criatura – ela possuía três olhos, cada um deles vermelho como rubis e a luz brilhava ao redor deles, fornecendo-lhe uma qualidade etérea que o fazia não parecer pertencente a esse mundo.

O que, claro, não era.

— Uau. Isso é um astral? — O rato perguntou alto, encarando a entidade obviamente magika que os encarava de cima.

— Olhos na floresta! — Rogil ordenou enquanto se inclinava para o lado e cuspiu no chão. — Bastardo estúpido, não conseguiu esperar meio dia para que retornássemos? Típico.

Ele pensou por um instante.

— Descansem. Vamos descansar aqui por dez minutos, eu continuarei de vigia. Duvido que ele esteja longe, se Farran está nos observando.

— Okay. — Monica respondeu e Arryn assentiu.

Tyron olhou confuso enquanto olhava para o pássaro e depois para o grupo de novo.

— É o nosso quarto membro. — Monica sentiu pena dele e o informou com um sorriso. — Ele é um Invocador. Farran é o nome do pássaro. Ele foi pego na investigação do ritual que aconteceu na cidade há um tempo e não pôde vir conosco. É por isso que estamos patrulhando em vez de enfrentar as fendas de frente. Como ele está aqui, presumo que o trabalho na cidade tenha acabado.

Por alguma razão, o rato pareceu um pouco envergonhado com as palavras dela e ela se moveu para confortá-lo, colocando a mão no ombro do garoto.

— Não se preocupe com isso. Para ser honesta, Dove é um pé no saco de qualquer maneira, foi bom estar no campo sem ele.

— Sabe que posso te escutar através do pássaro, certo?

A voz de um homem ecoou da criatura acima.

— É claro. — Monica olhou para a invocação com um sorriso satisfeito.

— Apenas confirmando.

A maga voltou sua atenção de volta para Tyron.

— Foi maravilhoso sair e esticar as pernas. Rogil acha que dá azar se um time ficar muito tempo longe do campo de batalha.

Tyron assentiu.

— Sim, também escutei o mesmo dos-… de pessoas experientes. Que Exterminadores fora de ação são como tigres sem dentes.

— Eu nunca ouvi ser descrito dessa forma. — Monica riu. — Mas concordo. Esse não é o tipo de trabalho em que você pode se dar tais luxos. Basta um erro para você morrer e assim existe uma pessoa a menos para conter as fendas.

— Você leva esse trabalho muito a sério, não é, Sra. Monica?

— Oh, por favor, me chame apenas de Monica. — Ela sorriu. — E é claro que sim. Estamos tentando salvar o mundo!

— Você pode tirar a mão do ombro dele agora. — Aquela voz estranha soou de cima de novo.

— Cala. A. Boca. Dove! — A Maga gritou.

— Ei, isso não é um crime, mas eu ouvi alguns dizendo que deveria ser. Jovens recém Despertados são suscetíveis – até mesmo vulneráveis – a pessoas mais velhas e ardilosas que querem acabar com a inocência deles. Os jovens precisam de orientação e proteção, Monica, não da nossa lu- A Maga finalmente estendeu a mão e Farran, a invocação azarada, foi imediatamente envolta em chamas que, de alguma forma, deixaram os galhos e folhas completamente ilesos, mesmo que Tyron conseguisse sentir o calor de onde estava parado.

— Fodido estúpido. — Monica reclamou antes de apertar o ombro dele uma última vez e se afastar. — Não se preocupe com Farran, ele voltou ao astral e Dove poderá invocá-lo de novo daqui um dia ou dois.

—C-Certo. — Tyron respondeu.

Atrás deles, Aryll havia enterrado o rosto nas mãos, com os ombros tremendo em um esforço para tentar conter sua risada. O grupo se sentou e não conversou muito, até que após cinco minutos ouviram um farfalhar alto, seguindo por um homem furioso, em vestes de Mago, que apareceu pisoteando o chão.

— Monica, sua vaca-macaca de MERDA! Por que você queimou meu garoto precioso? Farran é um tesouro!

— Ele pode ser um tesouro, mas é uma pena que ele esteja preso a alguém tão vulgar como você, Dove.

— Vulgar?! — O homem ofegou. — De você? Você estava praticamente molestando aquele pobre garoto!

— Eu vou te queimar, Dove. Não ache que não.

— Você sabe que ela não está brincando, Dove. — Rogil declarou ao voltar para a clareira. — E se eu tiver que passar pomada no seu traseiro de novo porque você não consegue ficar de boca fechada, eu mesmo te dou uma surra.

O novo Mago, Dove, levantou as mãos por um breve momento, como se dissesse “Por que eu?”, antes que os quatro Exterminadores se aproximassem, apertassem as mãos, batessem nos ombros e dessem as boas-vindas ao membro errante deles, enquanto Tyron permanecia desajeitadamente ao lado.

— Não posso acreditar que eles deixaram você ir. — Rogil riu, enquanto balançava Dove pelo ombro. — Pensei que estaria acorrentado e sofrendo torturas horríveis quando voltássemos e que teríamos que organizar um resgate ousado para libertá-lo.

— Acho que quase cheguei nesse ponto. Fui informado de que os marechais ficaram pouco satisfeitos com a minha companhia e pretendiam dificultar minha vida. Consegue imaginar?

— Oh, eu acho que consigo. — Monica riu, com sua ira anterior tendo evaporado. — Bem-vindo de volta, Dove.

— É bom estar de volta. Aryll se machucou enquanto eu estava fora? O que diabos você estava fazendo aqui fora, mulher? Não me diga que você também ficou distraída com a carne jovem…

— Eu prefiro os meus um pouco mais maturados…

— Mais como velhos e enrugados. — A Maga riu. — Mas eu não deveria ser rude.

Dove passou por seus camaradas e se aproximou de Tyron, passando os olhos de cima a baixo pelo jovem em um movimento rápido.

— Um destro, eu vejo. — Ele estendeu a mão para o rato apertar.

— Ah, como você sabia? — Tyron franziu o cenho enquanto o mago mais velho e magro apertava sua mão com muito vigor, então a compreensão o atingiu. — Minha bainha, obviamente.

— É incomum manter sua lâmina onde você é forçado a desembainhá-la com sua mão fraca.

— Eu não me recordo de você ser tão observador, Dove. — Aryll comentou.

— Você aprende algumas coisas se ficar com os oficiais, minha cara amiga. — Ele se virou de volta para Tyron. — Como você sem dúvidas ouviu, eu sou Dove, um Invocador e o quarto membro da equipe que, infelizmente, estava ausente até agora. Bem-vindo a bordo, jovem…

— Lukas.

—Lukas. Fiquei um pouco surpreso de ver que eles te escolheram. Normalmente não trazemos ratos, eles tendem a não voltar dos lugares de onde normalmente vamos.

— Este aqui pode. — Rogil se aproximou e elogiou o jovem. — Ele é surpreendentemente competente. Hábil com um feitiço e possui alguns níveis em Açougue.

— Sério? Não há muitos que estão dispostos a gastaram um ponto em uma habilidade que consideram inferior à de um verdadeiro Exterminador. — Dove assentiu, impressionado. — Não há muitas Classes que sinergizam com ela, de qualquer forma. Essa foi uma escolha ousada, garoto.

— Ah, obrigado? — Tyron sorriu, incerto de como responder a esse raro elogio do líder do time.

Dove encarou o jovem por um breve instante, e se voltou para os outros.

— Bem, agora que estou de volta, que tal irmos chutar a bunda de alguns monstros para desabafar? Quem topa uma viagem pelas fendas? Podemos matar um grandão, pegar um núcleo gordo e voltar para casa ricos e felizes.

Rogil sorriu, mas balançou a cabeça.

— Não podemos fazer isso e você sabe. Só trouxemos suprimentos para alguns dias e você com certeza sabe que não vou meter o nariz numa fenda sem um relatório completo de reconhecimento e uma preparação adequada. Tenho certeza de que está irritado e frustrado, mas isso não significa que devemos ser descuidados e correr riscos. Prefiro que esteja irritado e vivo do que satisfeito e morto. Entendido?

— Você é um pau duro no meu rabo, líder. Entendido. Não gosto disso, mas entendo.

— Vamos lá. — Rogil jogou o braço sobre o ombro do amigo. — Vamos voltar, ficar bêbados e depois começar a organizar nossa próxima expedição. Algo com um pouco mais de carne nos ossos. Já tive o suficiente de limpar os peixes pequenos, isso é trabalho do rank ferro.

Com um pouco mais de persuasão, Rogil conseguiu fazer seu time se concentrar e voltar para a cidade, embora agora Tyron definitivamente se sentisse como um estranho, já que os outros se encaixavam tão bem que não havia essencialmente nada para ele fazer, ou brecha para ele entrar na conversa, já que os outros discutiam com a fluidez de velhos amigos. Isso não o incomodou muito – estava ansioso para retornar à Woodsedge e começar a planejar sua própria viagem de volta para essas florestas, uma aventura muito mais perigosa em que tentaria recuperar esqueletos inteiros dos locais que marcou no mapa enquanto desviavam das criaturas das fendas.

— Vocês não vão acreditar na merda que eu escutei na cidade. — Dove disse aos outros enquanto caminhavam, com os olhos analisando constantemente a floresta ao redor. — Aparentemente há um Necromante à solta na região oeste.

— Sério? — Monica respondeu apaticamente. — Acho que ouvi sobre eles na academia. Essa Classe não é extremamente rara?

— Sim, mas ela pode causar uma tempestade de merda tão grande que as pessoas costumam se lembrar dela.

A mudança no tópico foi tão repentina que Tyron quase tropeçou, pego completamente desprevenido pela conversa agora perigosa.

‘Eles não têm motivos para suspeitar de mim’. Ele se tranquilizou. ‘Até posso acabar descobrindo alguma coisa.’

— O que os torna tão perigosos? — Aryll questionou, sem prestar atenção.

— Nos níveis baixos, eles são lixo. — Dove respondeu. — Basicamente mortos-vivos, do tipo que você pode encontrar em quaisquer lugares com muitos mortos e muita magika. Se subirem de nível, entretanto, o número e o tipo dos mortos que eles podem criar começa a decolar. De acordo com o que eu sei, pelo menos.

— Como você sabe tanto sobre isso? E isso não é basicamente o que você faz? Contratar lacaios para fazer o seu trabalho sujo? — Monica questionou.

— Primeiro de tudo, a maioria das classes baseadas em lacaios aprende sobre os Necromantes em algum momento, é uma Classe notória e segundo, não! Isso não parece em nada com que eu consigo fazer. Posso invocar três entidades, no máximo e cada uma delas será melhor que a merda de um zumbi, mas é possível controlar literalmente milhares de zumbis ao mesmo tempo. Eles podem destruir vilas e centros populacionais com um único aceno de mão, sem nem mostrar seu rosto. Quando ficam fortes o suficiente, podem ressuscitar os restos mortais com uma força próxima à que tinham quando estavam vivos, mas isso só acontece com os Necromantes de mais alto nível.

—Parece ridículo. Quantas vezes algo do tipo realmente aconteceu?

— Uma vez nos últimos duzentos anos.

— Uma?

— Uma foi suficiente, aparentemente. A Classe estava na lista negra antes mesmo disso ocorrer, mas agora eles simplesmente odeiam os Necromantes.

Tyron manteve a cabeça baixa e tentou fingir que não estava ouvindo, mas estava concentrado em cada palavra que o Invocador magricelo dizia.

— Então, o quê? Algum ilegal se rebelou e agora está sendo caçado? Isso acontece todos os anos, não importa que Classe seja.

— Oh, ho, mas é aqui que a coisa fica quente. Você sabe quem é o garoto? Tyron, a porra de um Steelarm.

— Quem? Não, espera. Você não pode estar falando sério…

— Oh, eu estou falando muito sério.

— Isso é uma bosta. O garoto dos Steelarms? Um ilegal? — Aryll parecia particularmente irritada ao ouvir a notícia e Tyron observou com cuidado os seus passos enquanto seu coração batia forte.

De certa forma, ele desejava que Dove parasse de falar, mas também queria desesperadamente ouvir, aprender qualquer coisa possível sobre sua Classe, sobre sua família. Lutou para manter sua respiração calma e sua expressão normal, enquanto continuava a caminhar em silêncio.

— Você acha que isso é ruim? Espere até eu terminar: os Magistrados levaram a ameaça dele muito a sério. Tão a sério que colocaram seus Exterminadores de mais alta patente na tarefa de caçá-lo.

— Isso é besteira! — Aryll explodiu. — Você está falando sério, caralho? Eles querem que cacem seu próprio filho?

— Eles farão mais do que isso. Eles os forçarão com a marca.

— Isso é horrível. — Monica ofegou.

— Quando soube disso, saí de Woodsedge, mandei os marechais se foderem e alcancei vocês. Eu sabia que os Magistrados eram doentios, não me entenda errado, mas isso é além de absurdo. Eu estava literalmente fervendo de raiva. Tive que enfiar minhas bolas em um barril de água fria apenas para me acalmar.

— Dove, isso é sério, será que podemos, por favor, não incluir suas bolas nisso? Por que suas bolas sempre têm que ser mencionadas? — Monica reclamou.

— Só porque elas possuem pelo demais para o seu gosto, não significa que elas não tenham valor para os outros!

— Cala a boca!

— Acho que as pessoas não ficarão felizes com isso. — Rogil comentou baixinho.

— O que você quer dizer? — Aryll perguntou.

O líder do grupo suspirou fundo antes de responder.

— Pense sobre isso. Os Steelarms são heróis. Os Exterminadores nesta província veneram o chão que eles pisam e odeiam os Magistrados com paixão. Haverá muita gente poderosa que vai ficar irritada quando a notícia disso se espalhar.

— Oh, eu vou contar para todo mundo que eu ver. — Dove o tranquilizou.

— As tensões já estão altas. As fendas estão se agravando cada vez mais. Retirar os dois melhores Exterminadores da jogada e fazê-los caçar seu próprio filho neste momento é, na melhor das hipóteses, idiotice e, na pior, autossabotagem. Não vejo isso terminando bem.

O Silêncio desceu sobre o grupo enquanto continuavam a caminhar e Tyron ficou feliz por isso, pois sua mente estava uma bagunça com tudo o que acabou de descobrir. Havia tantas implicações com essas informações que não conseguia processá-las de uma vez. Ele precisava se sentar. Precisava pensar.

Depois de dez minutos de silêncio, Dove finalmente falou de novo.

— Bem, os marechais estão ficando sérios sobre procurar por ele, já que o garoto ainda não apareceu. Quando eu saí, estavam começando a ordenar a leitura do Status de todos que entravam e saíam de Woodsedge.

Os outros no time xingaram, irritados com o atraso que seria causado por essa burocracia sem sentido, mas Tyron parou de caminhar e, por um instante, permaneceu parado.

‘Leitura do Status? Eu não poderei voltar para a cidade?’

Ele permaneceu congelado por um longo momento antes de perceber que o que estava fazendo era muito suspeito e recomeçar a andar, erguendo os olhos para ver se alguém havia percebido seu lapso. Para seu horror, deparou-se com o Invocador o encarando com os olhos arregalados.

Dove assentiu lentamente para si, se virando e continuando junto de seus camaradas. O grupo continuou em silêncio até que as paredes da Fortaleza ficaram à vista, aparecendo por entre a folhagem enquanto Tyron procurava desesperadamente uma desculpa para se separar do grupo. Se simplesmente saísse correndo, pareceria muito suspeito, precisava de um motivo, mas quanto mais se esforçava para pensar, menos plausível qualquer coisa lhe soava e mais em pânico ficava.

Neste instante, Dove parou e falou com os outros — Podem ir em frente. Quero ter uma palavrinha com o garoto antes de chegarmos à cidade.

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