
Volume 1 - Capítulo 21
Livro dos Mortos
Eventos:
Suas tentativas de ser furtivo aumentaram sua proficiência. Furtivo alcançou o nível 3.
Concentração aumentou sua proficiência. Concentração alcançou o nível 4.
Você realizou uma conjuração bem-sucedida em sua primeira tentativa. Perfure o Véu aumentou sua proficiência . Perfure o Véu alcançou o nível 3 .
Você continuou a satisfazer seus patronos. Os Sombrios se regozijam com caos gerado por sua causa. A Corte se deleita com sua loucura. O Abismo está satisfeito com o gosto da sua mente. Anátema alcançou o nível 4. Você recebeu +2 de Inteligência, +2 de Constituição e +2 de Força de Vontade. Novas escolhas disponíveis.
Nome: Tyron Steelarm
Idade: 18
Raça: Humana (Nível 10)
Classe:
Necromante (Nível 4)
Subclasses:
1. Anátema (Nível 4)
2. Nenhuma
3. Nenhuma
Talentos Raciais:
Nível 5: Mão Firme.
Nível 10: Coruja Noturna.
Atributos:
Força: 12
Destreza: 11
Constituição: 24
Inteligência: 31
Sabedoria: 21
Força de Vontade: 21
Carisma: 13
Manipulação: 13
Postura: 13
Habilidades Gerais:
Aritmética (Nível 5) (Máx)
Caligrafia (Nível 4)
Concentração (Nível 3)
Culinária (Nível 1)
Funda (Nível 3)
Esgrima (Nível 1)
Furtivo (Nível 3)
Açougue (Nível 1)
Seleções de habilidades disponíveis: 1
Habilidades de Necromante:
Avaliação de Cadáveres (Nível 1)
Preparação de Cadáveres (Nível 1)
Magika de Morte (Nível 1)
Feitiços Gerais:
Globo de Luz (Nível 5) (Máx.)
Sono (Nível 4)
Raio Magiko (Nível 1)
Feitiços de Necromante:
Ressuscitar Mortos (Nível 3)
Costura Óssea (Nível 2)
Feitiços de Anátema:
Perfure o Véu (Nível 3)
Mistérios:
Modelagem de Feitiços (Inicial): INT +3, SAB +3
Anátema Nível 4. Por favor, escolha um feitiço adicional:
Comunhão das Trevas; Implore pela intercessão com os Sombrios.
Apelo à Corte; Tentativa de comungar com a Corte Escarlate.
Ar de Ameaça; Envolva-se com uma aura de terror.
Suprimir Mente – Ataque a vontade de outro.
…
‘Satisfeito com o gosto de minha mente, hein?’
Tyron deu de ombros. Se nunca tivesse que lidar com o maldito Abismo, ficaria mais do que feliz. Toda a experiência havia sido um pesadelo. O feitiço havia requerido mais dele do que esperava; ele não tinha ideia de como conseguiu terminá-lo. Se tivesse tentado conjurá-lo logo depois de recebê-lo, não teria tido chance e o que quer que tenha alcançado sua mente, sem dúvida, teria tido sucesso. A memória daquela presença alienígena em sua mente, raspando sua consciência enquanto algo atravessava o véu, era suficiente para fazê-lo ter pesadelos por dias.
‘Acho que terei que depender do feitiço Sono para dormir nos próximos dias.’
Depois de acordar sentindo-se refrescado, havia decidido realizar o ritual de Status e checar quaisquer mudanças. Não ficou surpreso de ver que recebeu mais um nível em Anátema depois do que conseguiu. Quem quer que fossem esses patronos, eles pareciam estar se divertindo às custas dele, quando não tentavam matá-lo. Ainda assim, os status eram bons de se ter e quem sabe o que teria acontecido se tivesse esperado mais para conjurar o ritual? As coisas teriam ficado ainda piores? Se nunca o conjurasse, essas vozes teriam encontrado uma forma para puni-lo independentemente disso? Ele não tinha ideia. Pior ainda, não tinha como descobrir.
— Relaxe — Disse para si, respirando fundo e lentamente — Você ainda está vivo.
A situação em Woodsedge havia se tornado pior? Absolutamente, mas ele sobreviveu a outro desafio, ganhou mais um nível e, neste momento, não estava preso aguardando sua execução.
‘Pense de forma positiva.’
Ele suspirou.
Era bom ver que Furtivo ganhou mais um nível, considerando o quanto esteve trabalhando com isso ultimamente. Açougue ainda estava preso no nível um, mas ele esperava começar a aprimorá-lo em breve; pois precisava muito de dinheiro. Suas habilidades de Necromante ainda estarem no nível 1 eram o que o incomodava ainda mais. Ele sabia que era essencial subir o nível das suas habilidades de Classe e, por mais que não estivesse ansioso para “preparar” um cadáver, a ideia era quase suficiente para deixá-lo enjoado, sabia que seria um fator principal para fazer com que tivesse sucesso em sua Classe. Além disso, Perfure o Véu havia subido de nível, não que pretendesse conjurá-lo de novo tão cedo. Se era que conjuraria outra vez.
Poderia pensar assim por agora, mas não havia dúvida de que suas mensagens através do ritual de Status eventualmente se tornariam insistentes de novo. Quando isso acontecesse, teria que escolher realizar o feitiço mais uma vez ou assumir o risco de que eles poderiam machucá-lo. Pelo menos, se conseguisse reunir coragem para tentar conjurar Perfure o Véu de novo, então os níveis adicionais facilitariam. Com mais pesquisa, ele poderia ser capaz de criar proteções melhores na própria magika. Algum tipo de barreira mental? Não tinha ideia de como construir isso, mas com estudo…
Balançou a cabeça. Já estava considerando em conjurá-lo de novo em segurança. Será que ainda estava são?
Teve sorte de que as modificações que havia feito no círculo haviam funcionado. Sua mãe se aventurava nos limites da magia de invocação às vezes e os textos que havia lido falavam repetidamente sobre a importância de algum tipo de medida defensiva ser construída no feitiço. Algo mais que foi enfatizado severamente era a importância de ser capaz de encerrar o feitiço quando você quisesse. Nenhum desses elementos estava presente na forma base do feitiço que foi implantado na sua mente, então ele teve certeza de adicioná-los da melhor forma que conseguia. Não funcionou perfeitamente, mas funcionou bem o suficiente.
Mas ele tinha outra escolha para fazer: feitiços do nível quatro de Anátema. As duas escolhas que recusou anteriormente ainda estavam, aqui, como esperado, junto de duas novas escolhas. Ar de Ameaça soava… estranho.
‘Algum tipo de magika de intimidação? Uma aura de terror? O que diabos isso significa?’
Ele estava tentando se manter o mais discreto possível, não anunciar sua presença através de algum tipo de feitiço em área. Neste nível, até mesmo alguém como Hakoth provavelmente seria capaz de ignorar o efeito, muito menos um Exterminador de Verdade. Esta escolha não o atraía muito.
Suprimir Mente. Este deixava um gosto ruim na sua boca. Conjurar um feitiço para atacar a mente de alguém? Isso parecia muito o que ocorreu com ele quando realizou o ritual. Ter seus pensamentos invadidos e distorcidos foi uma experiência terrível, uma que não desejava a ninguém. Embora se tivesse que escolher uma dessas duas novas habilidades, relutantemente escolheria essa. Pelo menos, conseguia ver utilidade nesta em oposição à outra.
Também tinha a opção de escolher outro feitiço de contato, mas depois do que aconteceu da última vez, não escolheria isso. Não tinha motivos para assumir que teria uma recepção melhor com os Sombrios ou com a Corte Escarlate do que recebeu do Abismo e o pensamento de passar por isso de novo o aterrorizava, podia admitir isso para si.
‘Não, esses estão fora. Suprimir Mente, é isso.’
Ele marcou sua escolha com sangue antes de terminar o ritual e permitir que as mudanças o dominassem. Fortalecer-se possivelmente não era algo do que se cansaria tão cedo e, ao sentir esse novo poder se acomodar em sua mente, junto de fragmentos do seu novo feitiço, não pôde deixar de sorrir e sentir que os riscos recentes haviam valido a pena. Por sorte, seria capaz de ignorar a Subclasse Anátema por um tempo e se devotar mais às suas buscas necromânticas. Embora, antes disso, tivesse que aprender um pouco sobre como cortar e preparar a carne.
Assim que se recompôs e se acostumou com seu novo eu, eliminou a folha de Status da forma tradicional, comendo-a, antes de descer as escadas para se lavar e conseguir alguma comida e bebida. Com isso feito, despediu-se dos funcionários na cozinha, que ficaram surpresos com o gesto, acostumados a ver o jovem entrando e saindo da pousada silenciosamente, correndo até a loja de Hakoth bem a tempo de chegar à porta antes dele.
— Você parece melhor — O Açougueiro o cumprimentou, rispidamente.
— Estou me sentindo melhor. Só precisava de uma boa noite de sono — Ele respondeu, o mais ereto que conseguia.
Ele recebeu um grunhido divertido do homem e os dois entraram na loja para mais outro longo dia de trabalho. Apesar de estarem descansados, seus músculos ainda doíam muito e, quanto mais tarefas físicas tinha que fazer, mais eles doíam, mas com a cabeça muito mais lúcida do que ontem, isso não era nada. Ele pensou ter recebido um aceno de aprovação do Açougueiro em certo ponto, embora só tivesse visto através do canto dos olhos enquanto carregava algumas caixas. Quando ela chegou, Madeleine espiou sua cabeça pela porta do quarto dos fundos para checá-lo e Tyron a agradeceu pelo que havia feito por ele no dia anterior.
Apesar do trabalho braçal pesado, o dia passou rapidamente e, ao anoitecer, estava novamente parado ao lado da porta, exausto, esperando que o Açougueiro fechasse a loja. Os dois se despediram e se separaram. Desta vez, quando voltou para sua estalagem, Tyron conversou com as criadas e desfrutou da sua refeição na sala comum, tentando se estabelecer como “Lukas Almsfield” na mente das poucas pessoas ali. Se quisesse se misturar e gerar menos suspeitas, então precisava sair de sua concha e começar a conversar com as pessoas. Ao terminar sua refeição, voltou para seu quarto, mas, em vez de ir dormir diretamente, decidiu usar o tempo para praticar outro feitiço que provavelmente precisaria nos dias que viriam.
Ele não tinha muitos motivos para conjurar Raio Magiko desde que recebeu o feitiço. Aprender magika por conta própria não era uma tarefa fácil e havia demorado um ano para aprender o feitiço, ou pelo menos aprendê-lo bem o suficiente para que seu Status o reconhecesse como uma capacidade sua e aparecesse em sua lista de “feitiços gerais”. Foi um esforço extenuante de tentativa e erro; principalmente erro; mas valeu a pena ao ver o sorriso no rosto de sua mãe quando finalmente o revelou. Ele sorriu com a memória antes de se concentrar no aqui e agora.
Concentrando-se, canalizou sua magika, falou as Palavras de Poder e estendeu sua palma para frente, cuidadosamente controlando a quantidade de energia que inseria no feitiço. Houve um flash de luz enquanto o feitiço se manifestava diretamente a partir do centro de sua palma, voando em uma linha reta até acertar de forma inofensiva a parede de madeira do seu quarto. Apenas para se certificar, ele aproximou-se e inspecionou com atenção as tábuas. Não seria bom se houvesse marcas óbvias de feitiço nas paredes do seu quarto quando tentava se manter discreto.
Satisfeito por não ter causado danos, voltou para o outro lado do quarto e se concentrou de novo.
Havia vários aspectos deste feitiço que haviam sido um desafio quando tentava aprendê-lo. O primeiro era formar a magika em algo mais corpóreo que pudesse ser projetado para atingir algo. A formação deste “projétil” era a camada mais difícil; na verdade, dispará-lo não era tão complicado. O gesto com a palma não era estritamente necessário, meramente uma ajuda para se concentrar, embora precisaria eliminá-lo se quisesse parecer mais competente. Magos adequados nunca acenavam as mãos durante uma luta, usavam apenas o poder prodigioso de suas mentes para conseguir tudo o que precisavam. Ele certamente nunca viu sua mãe estender a mão; ela poderia liberar um arsenal de feitiços parada como uma estátua.
Por ora, não se preocupou com isso. Estava mais concentrado em aprimorar a formação do projétil. Uma conjuração perfeita devia ser quase invisível, sem nenhum desperdício de energia em luz ou calor e precisava ser rápida, rápida o suficiente para que conseguisse usá-la no calor da batalha. Então, ele continuou a praticar, conjuração após conjuração, parando de vez em quando e fazendo algumas anotações em seu caderno enquanto melhorava sua proficiência no feitiço. Precisava ser capaz de conjurá-lo muito mais rápido e sob pressão para ser útil e havia muito trabalho antes que chegasse neste ponto.
Tarde da noite, continuou a trabalhar. O treino lento e repetitivo acalmava sua mente perturbada e ele continuou até que a exaustão finalmente o dominou e se jogou na cama.
Apesar da sua fadiga física e mental enorme, ele demorou para adormecer. A memória do Abismo passava por sua mente, como se alguém estivesse arranhando dentro do seu crânio, recusando-se a sumir. Ele tentou se distrair, pensando em outras coisas, mas isso também não ajudava. Pensou em seus pais. Onde eles estavam? O que estavam fazendo? Se haviam encontrado sua carta? Como reagiram? Fragmentos de memórias surgiam sem sua vontade. Ele se recordou do rosto cheio de lágrimas de Elsbeth ao passar por ela no mausoléu, o sorriso de merda de Rufus quando ele golpeou contra sua espada.
Cheio de raiva, medo e arrependimento, ele finalmente desistiu e conjurou Sono, permitindo que a magika o puxasse para a escuridão, onde os sonhos e pesadelos não poderiam alcançá-lo.
—
No dia seguinte *CHOP!* Com o punho do tamanho de um presunto, Hakoth desferiu um golpe brusco com seu cutelo, o poder de sua Classe e as habilidades por trás do golpe conferiam a ele precisão e poder quase sobrenaturais. Carne e ossos se separavam sobre sua faca como papel enquanto a perna era separada da carcaça tão limpamente que poderia segurar as duas partes juntas e seria quase impossível ver que foram cortadas. Hakoth sabia disso com certeza, já que era o teste que seu antigo mestre Bellag exigiu que passasse antes de poder partir e abrir sua própria loja.
Do outro lado da sala, o rapaz se debruçava sobre sua pedra de amolar focado em seu trabalho, sim, mas, mesmo assim, o Açougueiro conseguia perceber que o garoto continuava lançando olhares furtivos enquanto ele trabalhava, tentando aprender alguns truques do seu ofício através apenas da observação. Ele tentou conter um bufo e continuar trabalhando. Se fosse possível aprender apenas observando, então o garoto seria o único a consegui- lo. Ele era esperto e nunca cometia o mesmo erro duas vezes, algo que o velho apreciava, desde que odiava ter que explicar as coisas mais de uma vez. Ele tinha um futuro brilhante pela frente, ou pelo menos teria.
Mais uma vez, ele sentiu seu coração apertar um pouco ao contemplar o que aguardava o jovem Lukas. Muitos jovens seguiam por esse caminho e tão poucos voltavam.
Ele balançou a cabeça. Não era da sua conta. Lukas não seria o primeiro que tentaria aprender suas habilidades apenas para partir e se matar nas terras devastadas e com certeza não seria o último. Juventude e uma falsa sensação de invencibilidade andavam de mãos dadas, afinal. Não era como se Hak não conseguisse se recordar de sentir o mesmo quando era jovem. Só que simplesmente era um desperdício.
Puxou a mão para outro corte limpo, mas foi interrompido com uma batida poderosa na porta da frente. Interrompido no meio do seu golpe, ele jogou a faca na mesa, murmurou uma maldição e saiu irritado da sua área de trabalho. Madeleine não estava aqui hoje, ela estava ocupada ajudando a mãe, então ele foi forçado a atendê-los por conta própria, algo que odiava. Apesar dos seus melhores esforços, ele nunca conseguia manter um funcionário decente por muito tempo. Aparentemente, ele “era difícil de trabalhar”, o que quer que isso significasse. Mal afastando a irritação da sua face, abriu a porta para ver um jovem vestindo uma armadura suja e manchada do outro lado.
— O quê? — Ele rugiu.
O Exterminador exibiu um sorriso rápido e fácil, apesar dos sinais claros de cansaço e fadiga ao redor dos seus olhos. Era evidente que ele ficou nas fendas por algum tempo.
— Tem algo para mim? — Ele perguntou ao homem que o aguardava do lado de fora.
— Olá, Hakoth. Lembra-se de mim? Sou Tillan, o Guardião do Escudo Hak resmungou e olhou para ele por um instante.
— Há dois meses? Inseto de armadura grande?
Tillan sorriu.
— Isso mesmo. Temos mais um se estiver interessado. Um corredor desta vez.
Hak levantou a sobrancelha.
— Pagamento?
O sorriso do Guardião do Escudo desapareceu um pouco.
— O mesmo de antes? — Ele ofereceu.
O Açougueiro resmungou e se virou.
— Traga até a porta dos fundos — Ele falou sobre seus ombros.
— Já está pronto! — Veio uma resposta alegre.
Quando abriu as portas duplas no fundo das lojas, encontrou o resto do grupo de Exterminador que recordava vagamente com sua presa amarrada em um trenó. Parecia fresco, o que significava que provavelmente se depararam com ela durante o caminho de volta. Ele respirou fundo e sentiu a ardência reveladora da magika queimar sua pele. Até mesmo o garoto conseguia sentir, Hak era capaz de ver sua cabeça se erguer bruscamente com o canto do olho. O “corredor” que haviam trazido era uma criatura asquerosa de Nagrythyn; pesava mais de uma tonelada, mas corria tão rápido como o vento. Os dois braços laminados na frente eram afiados para fatiar completamente um homem vestido com armadura.
— Quanto tempo? — Ele perguntou.
— Sem pressa com isso — A senhorita que, sem dúvidas havia puxado o trenó, a julgar pelo seu tamanho, disse, — é provável que não sairemos de novo por uma semana.
— Certo, — ele grunhiu.
Ignorando os Exterminadores, ele se aproximou para segurar as rédeas na frente do trenó e, com um esforço monumental, puxou-o lentamente para dentro da loja. Acostumado com a atitude dele, os guerreiros cansados passaram por ele e voltaram para a Fortaleza com um aceno. Depois de posicionar o monstro, Hak fechou as portas duplas e as trancou antes de voltar e avaliar a fera mais uma vez; Não tão grande quanto aquela com que havia trabalhado da última vez, mas era de uma variedade completamente diferente. Esse era um assassino, sem sombra de dúvidas.
Enquanto se aproximava lentamente da criatura, conseguia ver o garoto fascinado com ela. Embora tentasse manter a cabeça baixa e fingisse estar concentrado em sua tarefa, continuava mandando olhares furtivos quando pensava que não seria notado.
Por um longo momento, o Açougueiro refletiu até que finalmente soltou um suspiro lento e cansado.
— Venha aqui, rapaz — ele resmungou e acenou para ele.
Confusão passou pelo rosto do garoto antes que abaixasse a faca em que estava trabalhando com cuidado e se afastasse da pedra de amolar.
— Você é idiota o suficiente para morrer tentando lutar contra algo assim? — ele gesticulou para a máquina de matar aterrorizante no trenó à frente deles. — Você é trabalhador e inteligente demais. Muito esperto para desperdiçar sua vida fazendo tarefas para os Exterminadores. Tem certeza de que quer isso?
As sobrancelhas do rapaz se levantaram quando o Açougueiro tentou, inesperadamente, convencê-lo a mudar de ideia, mas não havia qualquer hesitação em seus olhos. Sem se dar ao trabalho de defender sua decisão, Tyron simplesmente assentiu.
— Tenho certeza, — ele disse.
Hak ficou surpreso ao sentir a leve pontada de dor em seu peito com essas palavras, mas rapidamente a dispensou. Ele devia estar se tornando um molenga com a idade.
— Certo então. Está na hora de você aprender alguma coisa sobre isso.
O garoto hesitou.
— Tem certeza? — Ele perguntou — Tão cedo?
Hakoth o encarou.
— Você quer que eu te faça trabalhar mais primeiro? — ele perguntou.
O garoto voltou a razão e balançou a cabeça enfaticamente, o que retirou uma leve risada do velho Açougueiro.
— Então, vamos ver. Que tipo de monstro temos aqui?
— Cortador da casta Guerreiro. Geralmente chamados de “corredores” devido a velocidade deles. Os monstros mais rápidos de Nagrythyn — o rapaz respondeu rapidamente.
Surpreso, Hakoth olhou para o jovem por um instante.
— Okay, Lukas. Se você é tão esperto, quais você acha que são as partes valiosas dessa besta assustadora?
— Não tenho ideia — Tyron deu de ombros.
— Adivinhe.
— Provavelmente os braços laminados, eles parecem úteis. Um pouco da quitina pode ser bom, parece que o trenó pode ser blindado com algo parecido. O núcleo, obviamente, mas não tenho certeza de onde estaria. Também não sei se alguns dos seus órgãos são úteis para alquimia ou algo do tipo, embora suponha que devam ser.
— Sim — o Açougueiro assentiu —, os tendões da perna são bons, fortes e flexíveis, usados para arcos e coisas assim. A quitina aqui, aqui e aqui tem um bom formato para peitorais. Dependendo do tamanho, dessas seções aqui podemos fazer protetores de braço e coxa. Amanhã chegaremos aos órgãos. Traga-me o cutelo em que estava trabalhando e lhe mostrarei como começar com essas criaturas.
Cheio de entusiasmo, Lukas correu para obedecer enquanto Hakoth apenas se sentia velho e cansado. Outro jovem que corria para as fendas, possivelmente sem conseguir voltar. Muitos ouviam falar das terras devastadas e tudo o que conseguiam pensar era a glória, o dinheiro, os níveis e o poder. O Açougueiro esteve aqui por tanto tempo que tudo o que associava às terras devastadas era morte. Não era um lugar para um jovem com duas semanas de Despertar. Se ele vivesse por tempo suficiente, com sorte Lukas aprenderia com os erros em seu caminho. Quando se vê cadáveres suficientes, as pessoas geralmente se recuperam.
…