Livro dos Mortos

Volume 1 - Capítulo 20

Livro dos Mortos

— Você parece uma merda.

Hakoth olhou para o garoto que estava inclinado contra a porta, como se pudesse cair se a madeira não o apoiasse. Ele sabia que estava pegando pesado, mas não sabia que estava sendo tão duro. Quase se sentiu mal. Quase.

— Ainda espero um dia inteiro de trabalho de você. — Ele avisou ao rapaz.

Tyron apenas assentiu; ele não tinha energia sobrando para tentar se incomodar com uma reposta séria ou até mesmo educada. Em vez disso, apenas se arrastou para o lado para que o Açougueiro tivesse espaço para abrir a loja e respirou lenta e pausadamente para tentar não regurgitar a comida no estômago. Havia conseguido voltar para a pousada, de alguma forma e praticamente se arrastou pelas escadas antes de cair na cama, com sangue seco por todo seu rosto. Havia acordado três horas depois, sentindo como se tivesse morrido queimado e cambaleou pela cidade para seu turno no açougue.

Pelo menos conseguiu vestir uma roupa fresca. O que havia vestido ontem provavelmente precisava ser descartado no fogo; pois elas não estavam em condições de serem vista em público e nunca mais voltariam ao normal. O que significava mais gastos. Ele suspirou. Precisava começar a ganhar dinheiro em breve e para ter mais chance com isso, precisava que o Açougueiro ensinasse algo a ele.

Ele trabalhou o dia todo em completo estupor, movendo-se no piloto automático. Ele conseguiu manter foco suficiente para evitar grandes erros, mas ainda foi reprimido por um irritado Hakoth em várias ocasiões. Depois de se cortar pela terceira vez enquanto afiava as facas, o Açougueiro o xingou e o mandou fazer uma entrega, mas não antes de enfaixar cuidadosamente o ferimento com um cataplasma que mantinha em sua bancada de trabalho. Tyron não gostava muito de ficar ao sol, ou em público, mas pelo menos não se machucaria com objetos cortantes.

Ele piscou repetidamente e tentou limpar a sensação granulosa em seus olhos enquanto ficava na frente da mesa, Madeleine o encarou de volta com um olhar preocupado.

— Tyron? Você está bem?

— Só estou cansado. — Ele tentou sorrir e falhou miseravelmente, parecendo mais uma careta.

— Talvez você precise tirar o dia de folga? Posso falar com o pai se você quiser? Na verdade, eu- — Não, por favor, está tudo bem. Só preciso aguentar o dia, dormir um pouco de noite e amanhã estarei ótimo, eu prometo…

— Se você tem certeza…

— Eu tenho.

Ele se inclinou para o lado um pouco demais e quase caiu, antes de se equilibrar.

— Sério. — Ele adicionou.

— Ceeerto. — Ela disse.

Ela olhou para baixo e vasculhou através da pilha de papéis organizada ao lado do livro de contabilidade na mesa, fazendo com que o olhar de Tyron baixasse quase contra sua vontade.

— Aqui. — Ela disse, retirando uma folha e a entregando. — Essa entrega é para o Gilded Swan, fica a três ruas daqui e eles só querem uns presuntos. A comida no Swan é boa e não espero que volte antes de uma hora.

Ela se inclinou para frente para certificar que tivesse a atenção dele.

— Entendido?

Ele piscou. Lentamente.

— Você esqueceu do quatro aqui. — Ele apontou para uma linha em particular do livro-razão antes de segurar a folha e vagou em direção ao fundo da loja. após alguns segundos, um pensamento surgiu em sua mente. — Hm? Oh. Ah, obrigado. — Ele disse, virando-se para Madeleine com um aceno ao finalmente perceber o que ela havia feito por ele. Sob o olhar atento de Hak, recolheu os presuntos da câmara fria, embalou-os com cuidado antes de levantar a caixa com seus braços e sair pela porta da frente, passando pela filha do Açougueiro, que estava ocupada checando seus cálculos.

Embora estivesse a apenas algumas ruas de distância, em seu estado atordoado ainda levou um tempo constrangedor para Tyron encontrar o restaurante. Uma vez lá dentro, entregou a carne na cozinha antes de sentar-se em uma cadeira e tirar um momento para descansar os olhos.

— Você escutou sobre os marechais? O mercador Fillus foi preso para interrogatório esta manhã!

— Meu deus!

Os olhos de Tyron se abriram e ele se sentou rapidamente em sua cadeira, rápido demais aliás, pois quase caiu e conseguiu se equilibrar no último instante. Suas palhaçadas naturalmente chamaram a atenção das duas garçonetes fofocando perto da mesa dele.

— Quase fez uma viagem, não é? — Uma riu. — Você está bem, querido?

— Sim, obrigado. — Ele não precisava fingir estar envergonhado com seu deslize. — Devo ter cochilado. Alguma chance de eu pedir algum prato… e talvez uma cerveja?

— Claro. Volto em breve.

A mais velha das duas sorriu e pegou seu pedido antes de voltar para a cozinha, enquanto Tyron olhava para a outra.

— Desculpe interromper, mas escutei que vocês estavam falando algo sobre um mercador ser preso?

Os olhos dela ficaram arregalados e ela aproveitou a chance de continuar a discutir o escândalo mais recente.

— Sim! — Ela se inclinou de forma conspiratória. — Não escutei o motivo, mas meu primo Eustace é o secretário dos registros da coroa no departamento alfandegário e disse que o local foi revistado pelos marechais no início da manhã. Dúzias de pessoa foram presas para serem questionadas, incluindo Fillus, o que é chocante.

A expressão dizia que ele deveria compartilhar sua perplexidade, mas ele não tinha ideia do porquê.

— Desculpe. — Ele exibiu um sorriso. — Sou novo na cidade, quem é Fillus?

— Oh! Ele é o mercador mais rico de Woodsedge, transporta bens para a Fortaleza dos Exterminadores e partes de monstros e materiais raros pelo que eu saiba. Aparentemente, eles se concentraram nos armazéns dele e ele foi arrancado da cama e arrastado pela rua! Eu teria matado para ver isso por conta própria!

‘Sinto muito, Fillus.’

Parecia que o pobre homem deveria ser o dono daquele prédio vazio no canto do terreno que ele utilizou ontem à noite. A garçonete continuou a fornecer um fluxo constante de rumores e palpites sobre a causa de tudo, enquanto Tyron tentava conter o arrepio que percorria sua espinha.

‘Eles apareceram de manhã cedo? Exatamente quanto tempo depois de eu ter saído, mal conseguindo, eles chegaram?’

Ele poderia ter escapado por questão de minutos. E isso ainda não era certeza! Ele não tinha álibi para a noite passada!

— Aqui está, querido. Cerveja da casa e um bife. Deve fornecer um pouco de carne para os seus ossos.

Ele olhou para ver que a outra garota havia retornado à sua mesa e colocado uma caneca espumante ao lado de um prato cheio de carne, molho e legumes assados. O cheiro era fantástico, mas seu estômago embrulhou com a ideia de sua possível prisão.

— Muito obrigado. — Ele conseguiu. — Aprecio isso.

— Venha, Liz, vamos deixar o jovem comer. — Ela estendeu a mão para segurar sua colega e as duas se afastaram, anotando os pedidos e limpando as messas enquanto Tyron se sentava, com pensamentos zumbindo pela sua cabeça.

‘Pode comer. Pense sobre tudo depois.’

Ele não esteve comendo o suficiente durante os últimos dias, praticamente apenas uma refeição completa no jantar. Apesar da sua falta de apetite, esforçou-se a limpar o prato e beber a cerveja. Normalmente não era um bebedor, mas depois da noite que teve, era exatamente o que precisava. O fato de a bebida da casa ter um sabor levemente de fruta, bem diferente da bebida pesada e escura que seu pai preferia beber, ajudou. E será que sentiu um pouco de mel?

Depois de terminar sua refeição, esperou mais quinze minutos para seu estômago se acomodar antes de agradecer às garotas e pagar, voltando até o açougue. Descobriu que havia saído por pouco mais de uma hora, mas Madeleine mal acenou para ele enquanto continuava a cuidar dos seus livros. O Açougueiro apenas resmungou quando Tyron reapareceu e lhe deu mais tarefas para cumprir. Pelo resto da tarde, o trabalho continuou, mas ele sentia como se o homem rabugento estivesse pegando leve com ele. Era possível que a filha dele tivesse tido uma palavra com ele, apesar de não ter sido solicitada a fazê-lo. No fim do dia, ainda se sentia completamente esgotado, mas, como antes, esperou que Hakoth fechasse a porta antes de sair.

— Sinto muito pelo que aconteceu hoje, Sr. Hakoth. Isso não acontecerá de novo. — Ele assegurou ao Açougueiro, enquanto o homem trancava a porta.

Ele recebeu um resmungo como resposta, que era o esperado. Virou-se para sair, mas o homem respondeu antes de dar um passo.

— Vejo você amanhã. — Ele disse.

— Até amanhã, Sr. Hakoth.

Outro resmungo e os dois se separaram, movendo-se em direções opostas enquanto a noite cobria a cidade. Apesar de tudo o que queria fazer, Tyron sabia que estava no limite. Após outra refeição suntuosa que se acomodou pesadamente em seu estômago, subiu as escadas, fechou a porta atrás dele, tirou seus sapatos e foi até a cama confortável. Fazia um tempo que não precisava fazer isso, mas decidiu que era o momento perfeito para o feitiço Sono, o qual conjurou com facilidade graças aos seus status aprimorados.

Assim que a magika foi concluída, sentiu seus olhos se fecharem enquanto os pensamentos sobre os marechais e todo o resto desvanecia em nada e o sono o dominava.

Em outro lugar de Woodsedge O Marechal Langdon olhou para o chão coberto de poeira que em algum momento foi utilizado para guardar a carruagem de Fillus Moran e, agora, era o centro da investigação. O cheiro acre de magia ainda pairava no ar, tão denso que ele quase conseguia sentir o gosto, mesmo depois de tantas horas. Franziu a testa ao se agachar e firmar os calcanhares enquanto olhava apara os vestígios do que certamente era um círculo de ritual. O conjurador havia feito bem em obscurecer a maioria parte do trabalho, mas os sinais reveladores ainda estavam lá, incluindo os resíduos de queimadura do que havia sido uma chama arcana. Fatores como esse poderiam ajudar a determinar que feitiço exato foi conjurado, o que poderia ajudar a filtrar para a Classe em potencial e o nível do conjurador.

— Langdon. — Uma voz o chamou de trás.

— O que foi, Wallier? — Ele respondeu sem tirar os olhos do chão.

— O Invocador está aqui, aquele de quem te falei esta manhã. Ele foi liberado pelo capitão há uma hora, então eu o trouxe diretamente.

— Bom. Mande-o entrar.

Algumas vozes baixas trocaram algumas palavras antes que o som de passos suaves chegasse aos seus ouvidos. Audição apurada era um talento muito útil para um investigador. Ele não se virou quando uma nova presença surgiu atrás dele.

Putaaa merda. Você está me dizendo que esse maníaco desenhou seu círculo protetor na poeira? Isso é insano. Insanidade garantida. Se eu não tivesse visto por conta própria, e alguém tivesse me dito, eu teria dado um soco na cara dos dois.

— Sr. Levan, eu presumo?

— Por favor, me chame de Dove.

— É claro, Sr. Levan.

O Invocador suspirou.

‘É assim que vai ser, não é?

— Tudo bem, é melhor prosseguirmos com isso logo. Deixe-me saber o que você precisa para que eu possa voltar para minha cama. Sem ofensa, mas não está sendo exatamente um bom dia para mim. Quanto à cela, foi confortável o suficiente, mas ser inocente e estar preso só irrita um homem, sabe?

— Por mais revigorante que sua leveza possa ser, Sr. Levan, acho que o conceito de um abissal ser invocado e as centena, prováveis milhares de mortes que resultariam disso é um pouco mais importante do que um dia da sua liberdade.

— E se eu não concordar?

— Não dou a mínima. Agora que você foi inocentado de qualquer envolvimento possível, pode oferecer sua experiência como o Invocador de mais alto nível da área e então, como você disse, voltar para a cama enquanto nós tentamos impedir que isso aconteça de novo.

O marechal não se virou uma única vez durante a conversa; ele permaneceu abaixado, com os olhos vagando sobre os resquícios do círculo enquanto falava. Depois de uma pausa estranha, na qual Dove ficou parado, balançando as mãos distraidamente, ele decidiu se aproximar.

— Bem, eu posso dar uma olhada em volta, mas ajudaria se pudesse me contar o que já descobriu. Isso poderia poupar um pouco de tempo para nós dois.

O marechal começou a apontar várias coisas.

— O suspeito provavelmente é homem, a julgar pelo tamanho do pé e pelo comprimento da passada aqui e ali. O círculo foi desenhado com o dedo indicador, muito provavelmente com a mão direita com base no ângulo da impressão. A entrada neste cômodo foi através daquela janela, sem teletransporte ou magika aparente tendo sido utilizada. Os guardas não viram nem escuram nada, o que me leva a concluir que o suspeito utilizou algum feitiço de isolamento acústico ou os guardas são incompetentes, provável que ambos.

Ele mudou sua posição para ter um ângulo melhor do centro do círculo.

— Não parece que o culpado permaneceu aqui por muito tempo. Duas, talvez três noites foram utilizadas para preparar o ritual, o que significa tanto competência como confiança. Meu palpite é que se seja um Mago, possivelmente no meio do nível trinta para o quarenta, com pouco menos de um 1,80 metro de altura, destro e com vasta experiência em magika de invocação.

Dove escutou com paciência, mas seu rosto ficou amargo conforme a descrição prosseguia.

— Bosta. Ainda estou sob suspeita, não estou?

O marechal finalmente se levantou e virou sua cara.

— O que você acha? — O marechal Langdon questionou.

— Acho que toda vez que alguma merda acontece, vocês, idiotas, correm até o Exterminador mais próximo e começam a prendê-los.

O marechal suspirou.

— Com que frequência você acha que um Exterminador se rebela por aqui, Sr. Levan? Adivinhe.

Dove apenas o encarou, recusando-se a responder.

— Dois por ano, pelo menos. Sempre existem casualidades. Inocentes pegos na briga, quando um de vocês surta. E sabe de uma coisa? A maioria desses inocentes são outros Exterminadores, assassinados em serviço ou mortos dormindo. É muito difícil prever. Eu nunca conseguia. Um dia, um Exterminador está perfeitamente bem, talvez se aproximando de chegar ao próximo rank e simplesmente decide acabar com tudo.

O Invocador nem piscou.

— Às vezes acho um pouco difícil de culpá-los. — Ele admitiu— Sabendo o que sabemos. E você?

— Não. Eu não.

Os dois homens se encararam por um longo período, antes que Dove desse de ombros e passasse pelo outro.

— Bem, deixe-me dar uma olhada. Quanto mais rápido descobrirmos quem fez isso, mais rápido meu nome será limpo e poderei voltar a fazer o que realmente amo fazer: matar criaturas da fenda para manter cidadãos honestos e cumpridores da lei como você em segurança.

Depois de um momento, magika se acendeu além dos seus olhos com dois anéis de luz verde que giravam e brilhavam, ao olhar cuidadosamente pela sala.

— Bem, posso te dizer que quem fez isso é completamente louco. Desenhar um círculo com a mão, na poeira? Isso é um ato de alguém com bolas realmente penduradas, ou alguém com um nível extremo de habilidade. Também é inteligente. Sem médiuns rituais? Sem proteções? Sem foco arcano? O resíduo do feitiço está todo bagunçado; não consigo ler nada e isso tudo porque não havia um recipiente para isso. Assim que o feitiço colapsou, tudo se transformou em nada, o que era claramente uma escolha deliberada do conjurador.

— Por que você acha que o feitiço falhou?

— Bem, acho que ambos temos confiança de que o conjurador sobreviveu?

O marechal assentiu.

— Bem, isso descarta a teoria mais provável. Se o feitiço foi de fato uma invocação, então poderia ter falhado por vários motivos; lapso de concentração, falta de energia, algo o assustou ou ele simplesmente ficou sem tempo e encerrou o feitiço para fugir.

— Você disse que se fosse uma invocação?

— É possível que o conjurar quisesse apenas contatar o Abismo, em vez de invocar algum abissal. Pelo que sei, pode se aprender todo tipo e coisa assustadora, embora, pelo que entenda, a maioria dos magos enlouquece ao tentar. Ele também pode ter desejado tentar estabelecer um contrato com a criatura, possivelmente para uma invocação futura.

Ele parou por um instante e revirou os olhos.

— O que seria mais uma razão pela qual sou suspeito. Pelos peitos de Selene, isso é um saco. Certo. Nenhuma magika de teletransporte também faz sentido, você não seria capaz de fazer isso perto de um local de ritual, qualquer distúrbio no tecido dimensional poderia interromper o feitiço. Quem quer que tenha feito isso sabia o que fazia, isso é certeza. Ele também tinha que saber que o feitiço seria detectado. Motivo pelo qual deve ter planejado uma resposta para o que se seguiria.

— Você não suspeita de um cultista?

Dove acenou com a mão desdenhosamente.

— Porra, não. Esse tipo de feitiçaria é difícil e, mais do que isso, exige uma mente muito forte. Um lunático maluco não tem o que é preciso para fazer isso e os mais comportados não têm motivo para antagonizar as autoridades e fazer isso no meio de uma cidade. A menos que haja algo mais profundo do que eu consiga compreender.

O marechal parou, contemplativo.

— Alguma ideia de qual tipo de Classe poderia ter feito isso?

Dove balançou a cabeça.

— Impossível dizer. Um Invocador poderia, mas teria que aprender a magia, já que, como você deve saber, não é uma escolha de Classe disponível para nós. Por outro lado, Um Invocador Sombrio definitivamente teria acesso, mas certamente não se anunciaria. Um Mago Dimensional seria complicado. Eles são verdadeiros especialistas quando se trata de feitiçarias desse tipo. O que eu faço tem um sabor bem diferente, embora ambos sejam vinho, eu suponho. Como sugeriu, alguma variedade de Cultista Arcano pode ter acesso ao feitiço, eu, com certeza, não saberia. Fora isso, literalmente qualquer Mago com coragem suficiente para precisar de um carrinho de mão para andar e alguém para ensiná-lo.

— Que tal um Necromante? — O marechal questionou.

— O quê? — Dove virou para ele, surpresa escrita em sua face.

— Há relatos de um jovem que recebeu a Classe Necromante em seu Despertar há uma semana. Em Foxbridge. Rebelou-se e atualmente está desaparecido.

O rosto do Exterminador ficou estranho por um instante, enquanto olhava para o marechal, depois para o círculo e voltava para o marechal mais uma vez.

— Você está sugerindo que uma criança de dezoito anos que recebeu sua Classe há uma semana é capaz de fazer algo assim? É sério?

Langdon não respondeu. Dove passou as mãos pelos cabelos rebeldes e despenteados.

— Certo, olhe. Pelo que eu saiba, um Necromante de baixo nível não consegue fazer merda nenhuma, exceto criar mortos-vivos básicos. Se alguém conseguisse aprender esse feitiço e executá-los nessas circunstâncias, teria que ser o deus da magika renascido, porra, o próprio Tel’anan.

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