
Volume 1 - Capítulo 23
Livro dos Mortos
— Você escutou sobre o Necromante em fuga?
As orelhas de Tyron se contraíram e ele quase derrubou seus talheres quando ouviu isso. Tentou agir de forma calma e disfarçar com uma tosse, mas duvidava que ganharia alguma premiação por suas habilidades de atuação. Ele continuou a comer enquanto virava sua cabeça para escutar melhor o casal sentado atrás dele na sala comum.
— Eu não. Um Necromante, você disse? Essa não é uma Classe rara?
— Muito. Tem mais, sabe os Steelarms?
— É claro.
— É o filho deles!
— Você está falando merda comigo…
— Wallace! Observe seus modos!
— Desculpa, querida, você me surpreendeu. Tem certeza disso?
— Claro! Você pode ver o aviso fixado no quadro de recompensa fora do escritório dos marechais.
— Bem… isso é algo bastante infeliz. Imagine dedicar sua vida a defender o reino e ter seu próprio filho banido… Isso é terrível.
— Oh e fica pior. — A voz da mulher ficou mais baixa enquanto se inclinava para perto do seu marido. — Pelo que ouvi, os Steelarms foram ordenados prender o garoto.
Tyron respirou fundo tão rápido que quase inalou seus talheres e imediatamente teve um ataque de tosses que ecoou por todo o cômodo. Algumas pessoas se viraram para ver o que era a comoção e ele acenou fracamente para eles assim que conseguiu acalmar sua respiração, mas por dentro seu coração batia tão forte que parecia prestes a quebrar as costelas.
Seus pais, enviados para caçá-lo?
Era tão cruel! Tão desnecessariamente cruel! Havia centenas de pessoas que poderiam ter enviado para isso, por que eles tinham que ordenar isso a eles? Não seria um desperdício de recursos fazer literalmente as duas pessoas mais fortes da província caçar um recém despertado de baixo nível como ele? Isso era insano!
Também acabava com as suas esperanças.
Frustação e desespero brotaram dentro dele ao perceber o que isso significava. Eles teriam que obedecer. Tyron não sabia como, ou por que, mas sabia que não era possível para Exterminadores de alto nível recusar as ordens, o que significava que eventualmente eles viriam atrás dele. O que ele deveria fazer? Mesmo que eles atrasassem o máximo que conseguissem, eles ainda viriam atrás dele. O que ele deveria fazer? Como ele deveria revidar contra eles?
Suas mãos estavam cerradas em punhos na mesa ao perceber o quão sem esperança era sua situação.
Não importava o que fizesse, seria capturado. Não havia lugar que ele pudesse ir para evitá-los, não havia lugar para onde poderia correr onde não seria encontrado. Ele poderia muito bem tentar correr do vento ou se esconder do ar. Ele estudou a carreira de seus pais como apenas uma criança admiradora poderia fazer, ele sabia que eles eram mais capazes do que quase todo mundo e não tinha ilusões sobre a possibilidade de evitá-los. O que significava que ele teria que lutar contra eles se quisesse permanecer livre.
O que era… uma piada.
Como ele deveria lutar contra sua própria família? Impossível. Mesmo se conseguisse acabar fazendo isso, que diferença isso faria? Ele poderia muito bem tentar derrotar o sol. Eles estavam muito acima dele. Mesmo os Exterminadores na Fortaleza aqui, cada um dos quais poderia quebrá-lo como um graveto, não teriam chance contra qualquer um deles, muito menos ambos.
O jovem Necromante conteve as lágrimas enquanto tentava abafar a sensação avassaladora de frustração que queimava em seu peito. Desse modo, seu futuro foi cortado. Apensar dos riscos que havia corrido e os esforços que havia colocado nele, isso não importava mais, nunca importou. Ele estava contra o relógio. Eventualmente seria pego, arrastado de volta e sentenciado. Era uma questão de tempo. A única coisa que restava era determinar o que fazer com o tempo que lhe restava.
— Você está bem? — Uma voz preocupada soou atrás dele.
— Ah, o que- — Tyron pulou e se virou para ver o casal, que havia falado, olhando para ele com expressões preocupadas.
— Estava me perguntando se você estava bem, jovem. Você teve um ataque de tosse e está tremendo desde então.
Com um susto, Tyron percebeu que era verdade: mesmo agora, na mesa à sua frente, seus dois punhos estremeciam visivelmente. Ele os abaixou até seu colo, abaixo da mesa e tentou forçar um sorriso.
— E-Estou bem. — Ele disse. — A comida apenas… apenas desceu pelo caminho errado. E-E eu fiquei surpreso de escutar sobre o que vocês estavam falando. Algo sobe os Steelarms prendendo seu próprio filho?
A esposa, Yasmin, achava que esse era o nome dela, assentiu empaticamente à pergunta dele.
— Sim, que escândalo! Pelo que ouvi, está quase ocorrendo uma ruptura aqui em Woodsedge e o que o Barão ordena que seus dois Exterminadores de platina façam? Força-os a caçar seu próprio filho! Que terrível… — Ela exibiu uma careta e seu marido, Wallace, assentiu de forma simpática. — Pelo que ouvi através do correio, eles não aceitaram e destruíram uma fazenda inteira e metade de um cemitério depois de receberem as ordens. Os marechais estão indignados, mas o que eles farão? Prendê-los?
O olhar na face dela sugeria que ela gostaria de vê-los tentar, enquanto Tyron tentava engolir o caroço em sua garganta.
‘Claro que sim.’
Seu coração se conformou com o Prefeito Arryn, mas sabia que Magnin e Beory fariam isso; claro que atacariam quando recebessem uma ordem dessa.
Ele não pôde deixar de permitir que um sorriso irônico aparecesse em seus lábios, ao pensar nos dois fazendo birra.
— Bem, obrigado por compartilhar. — Ele disse ao casal, acenando de forma educada e se virando de volta para sua própria mesa, colocando seus talheres de forma organizada na tigela antes de empurrar sua cadeira para trás e se levantar, certificando-se de colocar o assento embaixo da mesa antes de sair.
Worthy cortaria a orelha dele se ele dificultasse a vida dos empregados ao bloquear seus caminhos com sua própria preguiça.
Enquanto caminhava em direção ao açougue, sua mente voltou para o que havia aprendido. Quando tentou pensar no que deveria fazer, sentiu-se entorpecido, como se o futuro, que até pouco tempo era uma estrada difícil e cheia de desafios, agora fosse um vazio, como nunca foi. Seu caminho foi cortado tão abruptamente que ele nem conseguia sentir a dor do corte. Ele sempre soube que alguém seria enviado para caçá-lo, se os marechais falhassem em encontrá-lo, mas presumiu que teria mais tempo. Presumiu que um grupo de Exterminadores comuns receberia a tarefa, não o Exterminador do Século e a Bruxa de Batalha! Era como cortar um graveto com um machado de guerra! Sem nem perceber, Tyron foi colocado em uma gaiola da qual não tinha esperança de escapar. Tudo o que lhe restava era sacudir os braços até sua captura inevitável.
Obviamente, seus pais também não estavam felizes, a julgar pelo que haviam feito em Foxbridge.
Se havia algo no mundo que esses dois odiavam mais do que tudo, era que lhes dissessem que precisavam fazer algo. Há muito, ele suspeitava que os dois se estabeleceram tão longe dos centros de poder e riqueza, apesar de alcançarem o posto raro de Exterminadores de rank Platina, para que evitassem serem ordenados ao que deveriam fazer com mais frequência. Certamente, pediam a eles para cuidarem de problemas, fechar aquela fenda, matar aquele monstro, mas esses eram o tipo de coisa que eles fariam de qualquer forma, mesmo se ninguém pedisse. Vagar pelos lugares e lutar com as criaturas das fendas era basicamente a única coisa de que gostavam.
Além de um do outro. E dele.
Ele só conseguia imaginar a raiva que eles devem ter sentido. Sentiu-se terrível que eles foram forçados a essa posição. Embora… na verdade, não fosse de fato sua culpa. Não havia pedido por essa Classe, afinal, apenas tomou a decisão de mantê-la. Ele tinha confiança de que Magnin e Beory apoiariam essa decisão; era o que eles teriam feito em seu lugar, disso ele não tinha dúvidas. Quaisquer que tenham sido os meios empregados para forçar seus pais a obedecerem, deviam ser realmente terríveis, se nem eles conseguiam suportar. Ele esperava desesperadamente que eles não sofressem.
Não era de se admirar que tivessem causado tamanha destruição sobre o Prefeito, não era de se admirar que perderam o controle a tal ponto. Ele conseguia imaginar que eles precisavam liberar sua raiva. Apesar do grande poder deles e dos incontáveis feitos que haviam feito ao proteger os outros, seus pais eram criaturas egoístas. Seu desejo de destruir a coisa mais perto quando estivessem enfurecidos era totalmente compreensível para ele, a pessoa que melhor os conhecia.
Quando pensou nessa destruição, seus pés pararam na estrada por um segundo, enquanto um pensamento o atingia, antes que recobrasse seu ritmo. Magnin e Beory haviam feito birra e se vingado contra o Prefeito Arryn de uma só vez, mas haveria mais do que isso? Quanto mais considerava, mais sentia que esse nível de destruição, essa escala de devastação parecia excessiva, mesmo para aqueles dois. Fazer algo tão óbvio, tão alto sempre reverberaria na província ocidental. Em mais uma semana, era provável que não houvesse uma taverna ou pousada, mesmo na menor vila, que não soubesse disso. Talvez eles estivessem tentando transmitir isso a ele? E se eles estivessem tentando enviar uma mensagem para ele?
‘Lute.’
Eles estavam lutando contra seu próprio destino, eles não aceitariam calados. Ele conseguia acreditar que eles eram as pessoas menos controláveis de que já ouviu falar. Nem mesmo o amor deles por ele era suficiente para mantê-los em um só lugar. Tentar forçá-los a caçá-lo contra a vontade deles? Eles lutariam contra isso a cada passo do caminho e mostraram isso ao revidar contra o Prefeito Arryn. Eles lutariam contra isso, o que significava que ele deveria fazer o mesmo.
Ele tinha pouca fé em sua capacidade de superar as probabilidades, mas aqueles dois? Eles vinham fazendo isso a vida toda. Talvez ele estivesse errado em se desesperar com tanta rapidez. Ainda havia esperança, ainda havia chance. Ele poderia não a ver agora, mas eles a veriam, o que significava que ele tinha que estar pronto. Eles conseguiriam o tempo que ele precisava, então ele tinha que continuar avançando e talvez, apenas talvez, em algum momento, uma oportunidade se apresentaria para que ele continuasse a viver livremente.
Lentamente, o desespero saiu dele e ele se sentiu drenado de suas emoções, fraco pelas ondas que o abalaram uma após a outra, mas não havia tempo a aprender; ele não poderia permanecer parado, fazendo nada. Se sua família estava arriscando tudo com o objetivo de conseguir mais tempo para ele, então não poderia desperdiçar um segundo. Mais uma vez, tendo reafirmado seu propósito, aumentou seu passo em direção ao seu destino, com determinação brotando nele. Quando finalmente chegou no Açougue, Hak já estava lá, destrancando a porta. Quando viu Tyron se aproximando, ele parou quando reconheceu que algo estava diferente nos olhos do garoto.
— Já? — Ela balançou a cabeça, enquanto o garoto parava na sua frente. — Quer dizer que vai quebrar sua palavra tão cedo?
— Não quero quebrar minha promessa, mas me sinto compelido a seguir em frente. — Ele respondeu com um tom prudente. — Você foi paciente e mais do que justo. O que você me ensinou durante os últimos dias é algo que eu nunca teria aprendido sozinho.
E falava sério. Trabalhar junto com o experiente Hak dissecando foi uma experiência de aprendizado fantástica. O homem possuía um fluxo infinito de conselhos, dicas, assim como maneiras de facilitar o trabalho em campo.
— Eu ficaria mais do que feliz de concluir o resto do tempo que prometi a você quando eu estiver na cidade. — Tyron ofereceu. — Não quero passar a perna em você.
Hak zombou.
— Para ser honesto, a razão para eu tê-lo mantido tanto tempo era te convencer a não jogar sua vida fora. Não parece que funcionará, não é?
Tyron riu e balançou a cabeça.
— Eu nunca faria isso.
O Açougueiro deu de ombros.
— Não se pode culpar um velho por tentar. — Ele resmungou.
Ele era um bom homem, Hakoth, e sob circunstâncias diferentes Tyron teria ficado mais do que feliz de concluir seu tempo aprendendo a cortar animais de forma adequada antes de prosseguir para a próxima parte do seu plano, mas o que havia descoberto essa manhã significava que não tinha esse tempo. Ele não queria se apressar, mas o mundo não esperaria por ele.
— Certo então, Lukas. — O grande Açougueiro estendeu a mão. — Te vejo no trabalho quando você voltar.
— Obrigado, Sr. Hakoth.
— Cala a boca.
Os dois apertaram as mãos e Hakoth se virou, entrou em sua loja e sumiu, deixando Tyron parado na rua cedo na manhã com muita coisa para fazer de repente. Ainda era muito cedo; era provável que nenhum grupo de Exterminadores tivesse saído para as terras devastadas ainda, então ele tinha algum tempo para se preparar. Sua mente começou a correr enquanto considerava tudo o que precisava organizar e demorou vários segundos para perceber que apesar de todo o raciocínio que estava fazendo, ainda não havia dado um passo sequer.
— Merda!
Com a cabeça no lugar mais uma vez, correu até a Praça de Ferro, apenas para perceber na metade do caminho que não havia trazido dinheiro, o que o obrigou a correr de volta para a estalagem, o que o deixou ofegante e cansado. Ele realmente precisava trabalhar em sua forma física…
Com suas moedas em mãos, retornou ao mercado e se jogou em uma onda de gastos que deixou suas finanças em péssimo estado ao terminar. Para a expedição que viria ele precisava levar seu próprio equipamento e, quanto mais pudesse levar, mais atraente seria para potenciais empregadores. Só esperava não ter esquecido nada na pressa.
Carregou as coisas de volta para o quarto e imediatamente começou a empacotá-las. Seu saco de dormir e outros pertences de viagem foram inspecionados antes de serem armazenados, junto com seu equipamento de açougueiro recém-adquiridos, rações de viagem e um pequeno saco com doces de Mago. Espada no quadril e o cajado novinho em folha, percorreu sua lista mental mais uma vez e viu que não esqueceu nada.
Saindo, trancou a porta do quarto antes de descer as escadas e saiu pela porta sem dar as criadas chance de perguntar o porquê da pressa. Lá fora, correu pelas ruas em direção ao portão norte, com um vislumbre de excitação infantil brotando em seu peito. Para ser um Exterminador como seus pais e percorrer as terras devastadas, batalhando contra criaturas das fendas, era o primeiro sonho de quase todos que conheceu e, se tivesse sorte, poderia pisar lá fora neste dia mesmo. Era difícil não se animar.
Com o coração batendo forte, mal notou a mudança no cenário ao redor enquanto se aproximava do portão. Havia menos pedestres e lojas, os poucos mercadores operando na área se especializavam em tratamentos de emergências médicas ou de armas. Ali também se encontravam os cinco templos de Woodsedge, para que os Exterminadores passassem por eles ao sair da Fortaleza enquanto saíam da cidade.
Quando o portão finalmente ficou à vista, Tyron também viu outra coisa pela primeira vez: seus concorrentes.
Ao longo da estrada, ele conseguia ver centenas, talvez ainda mais, de jovens adultos, assim como ele, recém-despertados que correram para a fronteira na esperança de construir uma nova vida para si mesmo, ganhando níveis aos poucos até que finalmente se qualificassem como Exterminadores por completo, saindo destas ruas para uma vida de perigo e glória na fortaleza.
Ele diminuiu seu ritmo enquanto se aproximava e tentava absorver tudo. Havia todos os tipos de pessoas aqui, jovens homens e mulheres vestindo armaduras em retalhos, empunhando espadas e machados surrados ao lado de outros aspirantes em túnicas ou até mesmo trapos. Alguns seguravam cartazes declarando suas habilidades e qualificações, pintados com vários graus de maestria no domínio da caligrafia.
Alguns eram peões, indispostos a se resignarem com o destino de trabalhar com a terra; outros eram jovens Magos, Patrulheiros ou Lutadores que não podiam pagar por nenhum tipo de educação, submetendo-se ao batismo de fogo com o objetivo de transformarem suas vidas.
Ele era capaz de simpatizar com eles em múltiplos níveis.
Sua chegada não passou despercebida e muitos outros olharam para ele com expressões desagradáveis. Ele percebeu de imediato que se destacava dos outros em muitas formas. A qualidade de seus equipamentos e roupas não o marcava como pobre, diferente de quase todos ali, sem mencionar a lâmina claramente cara em seu quadril. Em vez de um recém-despertado desesperado esperando encontrar um time de Exterminadores para ser contratado, ele parecia o filho de um mercador.
Ele quase considerou voltar para a pousada e se trocar, mas no último segundo decidiu não fazer isso. Estava aqui, então poderia muito bem permanecer e ver se conseguia ser contratado. Ele cerrou os dentes e avançou, procurando por uma área menos lotada, onde conseguisse ficar em pé de forma confortável sem atrapalhar o espaço de outra pessoa.
Definitivamente parecia que a área da rua mais próxima da Fortaleza era a mais disputada, o que fazia sentido, já que eram as pessoas que seriam vistas primeiro pelos Exterminadores durante o caminho de saída. Desse trecho da estrada, ele acabou se posicionando a dois terços do caminho até o portão, bem no final da multidão. Enquanto se posicionava e tentava parecer competente, mas não caro, a garota à sua direita sorriu para ele de sua posição, sentada na grama.
— Primeira vez? — Ela perguntou depois que alguns minutos estranhos tenham se passado com Tyron mantendo sua pose e expressão a ponto de ter cãibras.
— É tão óbvio? — Ele suspirou.
— Oh, sim. — Ela sorriu. — Não se preocupe, o começo é quase sempre igual. Eu estava desesperada para caralho para causar uma boa impressão.
Ele olhou para ela, quase deitada no chão e franziu a testa.
— Então… o que mudou? — Ele perguntou, curioso.
— Oh, você ainda precisa causar a impressão certa, não me entenda errado, mas se eu for ficar aqui no sol a manhã toda, então irei me acomodar. Quando um grupo sair da Fortaleza, você terá muito tempo para parecer apresentável antes que eles cheguem aqui, confie em mim.
Tyron avaliou a distância e imaginou que ela provavelmente estava certa. De onde estava, a multidão de esperançosos bloqueava a visão da Fortaleza de qualquer forma. Suspirando, retirou a mochila dos seus ombros e se sentou. A garota sorriu e esticou a mão.
— Eu sou Cilla. — Ela disse. — Bem-vindo à Estrada da Vitória.
…