
Volume 1 - Capítulo 13
Livro dos Mortos
Tyron amaldiçoou enquanto atravessava as ruas vazias. Pelo menos, lembrou-se de vestir uma capa, o que o manteve relativamente seco. Apesar do desconforto, o aguaceiro iria pelo menos escondê-lo de alguns olhares. Ele se esgueirou pelo fundo da propriedade de seus pais e olhou ao redor. A Rua Greys estava deserta a esta hora da noite. O que não era surpresa, dado o clima. Mesmo assim, seus passos eram lentos e cuidadosos enquanto descia da parede de pedra e caminhava sobre os paralelepípedos. Desta forma, ele se segurou com atenção através da cidade até se ver diante da escuridão total enquanto a chuva caía sobre seu capuz, grudando-o em sua cabeça.
— Como diabos eu devo encontrar o caminho? — Ele murmurou.
Ele conhecia brevemente a direção certa – desde que já havia viajado até o perímetro três vezes no escuro – mas, sem o luar para guiá-lo e em condições escorregadias, era provável que quebrasse sua perna em uma vala. Isso seria um começo glorioso para sua vida de fugitivo! Pego pelos marechais, tremendo na beira da estrada e segurando o membro quebrado. Pelo menos seu pai daria uma boa risada com isso. Ele sempre achava humor nestas situações.
Enquanto se agarrava pensativo à lateral do armazém de cerveja Wissen na periferia da cidade, uma nova consciência surgiu em sua mente. Seus esqueletos! Eles ainda estavam lá, dentro do mausoléu, seguindo o último comando que lhes deu, para esperarem sem se mover. Agora, estava conectado a eles por um tênue fio de magika. Se ele se concentrasse, era capaz de segui-lo através da escuridão e isso o levaria direto a eles!
Respirando fundo, concentrou-se nessa conexão minúscula e começou a caminhar. Era lento e ele não conseguia ficar de olho nos arredores tanto quanto gostaria, mas conseguiu. Uma hora depois, desabou sobre a porta da cripta e a empurrou, a conexão com seus lacaios já havia se tornado um pulso constante devido ao curto alcance. Com um sorriso cansado, desprendeu as duas espadas extras e as entregou nas mãos esqueléticas de suas criações. Essas criaturas tinham pouca inteligência, mas tinham consciência suficiente para fecharem seus dedos ao redor do cabo da arma e segurá-la com firmeza. Tyron conseguia sentir o dreno em sua magika aumentar mesmo com esse pequeno movimento, o esforço de segurar duas espadas foi suficiente para criar uma diferença notável. Os dois vestiram as capas que trouxe e ele as amarrou ao redor de seus pescoços ossudos. Elas não fariam muito para esconder a natureza dos seus lacaios de perto, mas talvez à distância pudessem ajudar. Ele também removeu sua própria espada e a inclinou contra a parede – menos peso para a próxima viagem.
Um momento de descanso foi necessário antes que se sentisse confiante para voltar. A viagem de retorno foi ainda pior, pois não possuía o sinal mágico para guiá-lo pela escuridão, mas ao se abaixar e sentindo cada passo antes de dar, ele conseguiu voltar à cidade inteiro. Exausto e com uma dor de cabeça se desenvolvendo em suas têmporas, ele quase foi pego quando cambaleou contra a cerca de pedra da sua casa, atraindo a atenção de um marechal passando por perto.
O aguaceiro havia forçado as patrulhas a acenderem suas lamparinas para que conseguissem enxergar no escuro e Tyron entrou em pânico quando viu o brilho borrado se aproximando por entre a chuva. Sem tempo para pensar, se virou e pulou, segurando a parte de cima da cerca e se impulsionado para o outro lado com desespero movido pela adrenalina. Ao tropeçar e cair do outro lado, ele raspou gravemente o joelho na pedra, o que o fez chiar enquanto a dor aumentava. Por cima da cerca, ele ouviu alguém se aproximando e inspecionando o muro, sem dúvidas vendo as pegadas que ele havia deixado na lama do outro lado. Ele julgou que eles não se incomodariam em investigar: os marechais estavam impedindo que escapassem da cidade, não que se esgueirassem por ela.
Mesmo assim, decidiu que precisava utilizar outra saída quando saísse. Não podia arriscar que esperassem por ele; não teria uma segunda chance para isso.
Pela última vez, abriu a porta dos fundos da casa de sua família e foi até a cozinha. Não podia permitir que o sentimentalismo o afetasse, não podia se dar ao luxo disso, embora fosse difícil manter os olhos secos enquanto colocava a mochila por cima dos ombros e a prendia firmemente. Mais uma vez, ele passou seus olhos pela cozinha vazia, pelas mesas e cadeira que hospedaram os poucos jantares em família conforme ele crescia, mas cada um era uma memória preciosa.
Ele voltaria. Quando provasse seu valor e fizesse seu nome ao lutar nas fendas nas terras fronteiriças, ele tinha certeza de que sua Classe seria ignorada. Em dez anos – não, em cinco anos ele retornaria para Foxbridge como um herói, não como um foragido. A vida seria difícil até lá, mas ele conseguiria, afinal, era um Steelarm. Fortalecendo sua determinação e extinguindo o globo de luz com um gesto, o jovem caminhou até a porta da frente com passos firmes. Esse era apenas o começo para ele, não seria o fim.
A chuva opressiva continuava a encharcar as ruas e deixar as ruas escorregadias. A visibilidade estava péssima, mas isso o favorecia e Tyron não desperdiçou tempo para entrar nos becos. Quando passou pela parte de trás de sua casa, não se surpreendeu e ficou bastante nervoso ao ver um aglomerado de luzes reunidas na parede dos fundos. Não conseguia ouvi-los por causa do aguaceiro constante, mas tinha certeza de que haviam se reunido para investigar a perturbação que ele causou.
Ele engoliu em seco com força e se moveu o mais silenciosamente possível, circulando amplamente o grupo que se reunia, enquanto tateava seu caminho entre alguns prédios até o outro lado da cidade. Mais uma vez, baseou-se na vaga sensação que recebeu de seus lacaios, a conexão entre eles, tão tênue à distância, seu farol na escuridão quase total.
Apesar do frio, ele se sentia encharcado de suor por baixo das camadas de roupa e seu coração batia com força em seu peito durante todo o caminho, até colapsar dentro do mausoléu, exausto devido à tensão.
— Isso foi estressante para caralho. — Ele murmurou enquanto retirava seu capuz e balançava seu cabelo encharcado. Em instantes, uma poça de água se acumulou ao redor do seu pé enquanto permanecia parado na entrada e respirava por um momento.
— Luz. — Ele murmurou.
Por sorte sua maestria com a forma deste feitiço básico e foi suficiente para que, mesmo quando fatigado e distraído, não houvesse desvio em sua magika e um globo de luz suave floresceu sobre sua cabeça, banhando a escuridão e revelando o interior mais uma vez.
Depois de um minuto se acalmando e reunindo sua força, ele retirou a mochila dos seus ombros e removeu sua capa ensopada, com cuidado para não derrubar água no interior seco. Dando de ombros, pendurou a roupa em um querubim alado esculpido no arco acima da entrada antes de se virar e adentrar mais profundamente na cripta.
Seus dois lacaios permaneceram como estavam e ele tinha que admitir que a adição das capas, quando parado tão perto deles não os tornava menos intimidadores. Na verdade, era provável que os fizesse parecer ainda mais assustadores. Com o capuz sobre suas cabeças era difícil de ver seus rostos, mas o brilho suave da luz roxo que emanava de suas cavidades oculares moldava suas características de formas assustadores. Tyron quase ficou tentado a checa se sua conexão com os dois mortos-vivos ainda estava intacta, mas resistiu com um esforço da sua vontade. Estava tudo bem. Eles permaneciam sob seu controle, não havia necessidade de se assustar com suas próprias criações!
Ao ver que tudo estava bem, ele voltou para organizar suas coisas e retirou alguns dos itens que empacotou, o biscoito duro forneceu um pouco de energia, particularmente depois que engoliu junto da água fresca do cantil.
— Não há necessidade de atrasar, Tyron. A chuva não parará por horas e você precisa viajar para o mais longe possível enquanto ainda está escuro. — Ele disse.
Era verdade, não tinha tempo a perder, ainda tinha que se forçar a continuar e movendo. Ele segurou sua espada e a prendeu em seu cinto, pegou outro doce de mago e o colocou com cuidado sob sua língua antes de pegar sua capa e colocar de volta sobre seus ombros. O fio de poder que fluía da pedra para sua boca o energizou mais uma vez e começou a repor suas reservas, mesmo com o estômago revirando.
Usar isso de novo depois da última vez era tolice, mas ele não tinha escolha se quisesse levar os dois esqueletos com ele. Demoraria dias, possivelmente mais de uma semana de viagem antes de chegar à floresta Allthorn. Desviar das patrulhas e permanecer fora das estradas dificultaria ainda mais a jornada. Segurou sua mochila e a amarrou, gemendo levemente com o peso.
Sua constituição havia se aprimorado consideravelmente com seu ganho de status recente, mas sua força era tão insípida como antes. Talvez ele pudesse lidar com esse problema com a vaga de sua Subclasse? Era muito cedo para se preocupar com isso, ele zombou de si mesmo. Até que tivesse uma compreensão melhor das forças e fraquezas em sua Classe Primária, escolher uma secundária seria idiotice. Embora já tivesse uma escolhida para ele, não que gostasse muito de pensar sobre isso.
Estava quase pronto para partir – apenas algumas verificações finais – e voltaria para a chuva e para a aventura.
—… Ele está saindo? — Ele escutou através da porta.
‘Merda.’
Em um segundo, apagou a luz e ordenou que seus servos se aproximassem com um comando mental afiado. Eles obedeceram, como era de se esperar, os dois esqueletos caminhavam suavemente para os seus lados enquanto ele observava e escutava.
— Me dê um minuto. — Uma voz diferente desta vez, um homem.
Sons abafados podiam ser escutados do outro lado, antes que alguém amaldiçoasse e um raio de luz tremeluzisse pela fresta. Uma tocha foi acesa – eles estavam vindo! De repente tomado pela adrenalina, Tyron tateou a cintura antes de conseguir agarrar o cabo da sua espada. Ele se moveu lentamente e sacou a lâmina da bainha o mais silenciosamente possível.
A porta rangeu ao abrir.
— Tyron? Você está aí? — A voz de Elsbeth ecoou pela fresta.
Ele e sentiu aliviado por um instante antes de se recompor de novo. Ela não estava sozinha, era provável que Rufus e Laurel também estivessem com ela. Eles haviam vindo para impedi-lo? Ele hesitou antes de embainhar sua arma e ordenar que os esqueletos se virassem, com suas capas escondendo suas estruturas mortas-vivas.
— Estou aqui. — Ele disse. — O que foi?
— Oh, graças a deusa. — Ela disse e a porta foi aberta para revelar seus três amigos encolhidos na entrada para se protegerem da chuva.
Assim que o viu, Elsbeth percorreu a distância entre eles e jogou os braços ao redor dele.
— Tyron! — Ela soluçou. — No que você se meteu?
— O que você quer dizer? — Ele murmurou, um pouco atordoado enquanto retribuía o abraço estranho com um braço.
— Lugar interessante, Ty. — Laurel disse maliciosamente ao entrar no mausoléu. — Não tenho certeza se o Prefeito aprovaria.
— O que você está fazendo aqui? — Tyron questionou enquanto organizava seus pensamentos. Ele afastou Elsbeth e segurou nos ombros dela, enquanto encarava seus olhos. — Diga-me por que você veio aqui.
Sua antiga paixão olhou de soslaio para ele.
— Nós estamos preocupados com você. — Ela disse.
— Estamos aqui porque estávamos procurando por você. — Rufus disse enquanto passava pela entrada. — Acho que uma pergunta mais relevante seria: por que você está aqui?
Algo em seu tom fez com que Tyron olhasse rapidamente para as mãos do amigo, uma das quais, percebeu que, com choque, repousava no punho da espada, como se estivesse pronto para desembainhá-la a qualquer momento. Tyron olhou de volta para Elsbeth sem acreditar, uma sensação crescente de traição queimava no fundo da sua garganta.
— Você realmente veio aqui para me capturar? — Ele sussurrou. — Você quer me arrastar de volta para a cidade e fazê-los retirar minha Casse, meu futuro, de mim?
Lágrimas surgiram nos olhos azuis da Sacerdotisa enquanto ela balançava a cabeça fracamente.
— Não! Não é isso! Eu queria te convencer- — A quê? Jogar minha vida fora? — Tyron rosnou enquanto aumentava seu aperto nos ombros dela. — Acha que pode decidir por mim?! A escolha é minha!
— Você está me machucando. — Ela sussurrou.
Ele soltou as mãos com um sobressalto e deu um passo para trás, não que houvesse muito espaço para se mover. Com os quatro dentro da primeira câmara do mausoléu, mal havia espaço. Seis deles, ele deveria dizer. Ele olhou para Laurel, enquanto ela se inclinava contra a parede de pedra e apenas sorria de volta para ele, com uma das sobrancelhas levantadas. Rufus estava com dificuldade de manter seu sorriso, Tyron conseguia dizer, embora ainda estivesse ciente das figuras encapuzadas atrás dele.
Uma risada áspera escapou da sua garganta.
— Que amigos eu tenho. Não posso acreditar, de todas as pessoas, que vocês três vieram aqui para me arrastar de volta. Pelo quê? Algumas moedas? Um pouco de satisfação? — Ele cuspiu na direção de Rufus.
Laurel apenas deu de ombros enquanto Rufus deu um passo em frente.
— Então, você não nega que possui uma Classe proibida? — Ele disse solenemente.
— E você não nega que é um saco de merda? — Tyron imitou o tom dele. — Se não acha que minha Classe é ilegal, por que estaria aqui?
— Não acredito. — Elsbeth disse. — Você está realmente planejando fugir? Infringir a lei?
Seu olhar suplicante poderia tê-lo movido há alguns dias, mas, neste momento, seu tempo estava acabando e todo seu futuro desabava diante dos seus olhos. O pedido dela caiu em ouvidos surdos.
— Sim. Obviamente. — Ele disse sarcasticamente, gesticulando para suas roupas e mochila. — E se estiver se perguntando por que eu não disse nada para você, talvez você deva olhar a situação em que estamos agora.
— Nós só queremos te levar de volta em segurança! — Ela disse. — Você está cometendo um erro!
— Não. — Ele respondeu. — Não estou. E se você acha que o cara atrás de você sente o mesmo que você, então pode estar além da salvação, Elsbeth.
— Não sei o que você quer dizer. — Ela insistiu. — Nós viemos aqui juntos para te ajudar!
Em vez de desperdiçar seu fôlego com ela, Tyron apenas balançou a cabeça. Ela sempre via o melhor das pessoas, isso era sua benção e sua maldição. Ela também sempre via o melhor dele; foi isso que fez com que gostasse dela em primeiro lugar.
— Bem, é assim que as coisas serão. — Ele firmou seus olhos enquanto declarava. — Estou saindo e não irei voltar. Se quiserem me impedir, é melhor usarem a força. Embora eu ache que meus dois amigos possam ter algo a dizer sobre isso.
Rufus encarou as duas figuras com cautela, com a mão ainda no cabo da espada e Laurel arrumou sua postura enquanto preparava seu arco.
— Não acho que haja a necessidade disso. — Ele disse lentamente. — Os seus dois amigos não foram pagos o suficiente para justificar uma luta, certo? Que tal vocês simplesmente saírem e nós levamos nosso amigo de volta para a cidade.
Tyron sorriu enquanto o jovem Espadachim tentava convencer os dois esqueletos. Os dois lacaios, naturalmente, não responderam e a expressão de Rufus endureceu.
— Por que não tenta de novo, Rufus? — Tyron zombou enquanto desembainhava lentamente sua espada. — Tenho certeza de que aquele feitiço diabólico funcionará da próxima vez.
Seu antigo amigo também desembainhou sua espada.
— Funcionou muito bem com Elsbeth. — Ele zombou.
Ele suspeitava, mas tê-lo confirmado ainda fez seu coração doer. Tyron balançou a cabeça e o sorriso do Espadachim cresceu enquanto via o resultado das suas palavras. Tyron cerrou os dentes, sua fúria e desespero fervendo dentro dele e ele estava desesperado para revidar.
Então, ele se virou para a única pessoa que sabia que poderia machucar.
— Não consigo acreditar que você literalmente deixou que ele te fodesse e fizesse com que perdesse sua classe. — Disse para ela.
Os olhos de Elsbeth se encheram de lágrimas enquanto observa seus amigos de infância apontando suas espadas uns contra os outros, sua mente nublada de confusão.
— Não sei o que você quer dizer. — Ela soluçou. — Por favor, não façam isso…
— Não escute ele, Elsbeth. — Rufus deu um passo lento em frente. — Ele está encurralado e desesperado. Ajude-me a levá-lo para casa.
Sentindo fraquezas no homem, Tyron pressionou.
— Quero dizer, é muito difícil ter a Sacerdotisa Elsbeth no seu time de Exterminadores se ela está servindo ao Templo da Pureza em Foxbridge. Seduzi- la, no entanto? Agora ela é um desastre aos olhos da Deusa. Algumas palavras de conforto, um ombro para chorar e agora ela pode ir junto quando você sair da cidade.
Rufus levantou a espada com raiva, mas Tyron deu um passo para o lado para colocar Elsbeth entre eles.
— Não foi isso que aconteceu! — Ela negou.
— Oh, eu acho que sim. — Tyron zombou. — Diga-me a verdade: ele te pediu para se juntar a ele na academia de Exterminadores ou não?
— Cale a boca, Tyron. — Rufus rosnou.
— Sim ou não? Ele pediu para você?
— Eu-Eu-Eu quero dizer… todos conversamos sobre isso. Também falamos disso com você!
Ela estava ficando cada vez mais agitada com a situação e as palavras afiadas de Tyron mexiam com todas as suas dúvidas e medos. Ele conseguia ver isso: os pensamentos dela estavam escritos por todo seu rosto. Ele sentiu o gosto da bile enquanto continuava a brincar com as emoções dela. Quanto mais agitada ela ficava, mais irritado Rufus ficava e maior a chance que ele teria.
— A pergunta real que eu tenho é para você, Laurel. — Ele disse enquanto se voltava para a caçadora.
— Acho que não, Tyron. — Ela disse enquanto puxava a corda do seu arco e mirava diretamente nele.
Tyron abriu bem as mãos.
— Acho que sim. A pergunta que tenho é: Rufus parou de dormir com você depois que ele enganou Elsbeth, ou não?
Rufus rugiu e avançou, passando por Elsbeth e empurrando-a contra a parede. Tyron levantou sua espada para encontrar a arma do homem enquanto gritava.
— LUZ!
Um globo de luz surgiu na frente do rosto de Laurel enquanto ela liberava sua flecha. Ela xingou enquanto se encolhia com o clarão repentino, seus braços se movendo bruscamente para o lado e lançando a flecha para longe. A espada de Rufus desceu e Tyron mal conseguiu levantar sua espada a tempo. Felizmente, não havia espaço completo para permitir um balanço completo, caso contrário o jovem maior poderia ter atravessado a guarda dele com um golpe.
Sobrecarregado pela mochila, o melhor que Tyron poderia fazer era refletir a lâmina enquanto caía sobre um joelho.
— Você sempre foi um pedaço de merda! — Rufus rugiu.
— E você sempre foi um idiota desde que te encontrei! — Tyron resmungou.
Com um comando mental, ambos os esqueletos se viraram e avançaram com as lâminas prontas. Diante dos dois mortos-vivos que o atacavam, o jovem Espadachim ficou pálido e cambaleou para trás, criando espaço para que Tyron se levantasse. Ele não poderia permitir que Laurel tivesse tempo para disparar outra vez – ele não chegaria longe da cidade com uma flecha tendo perfurada nele – então, comandou um dos esqueletos a correr até ela enquanto avançava com o outro ao seu lado.
Ele passou diretamente pela atordoada Elsbeth, resistindo ao desejo de ajudá-la.
Indisposto a ceder sua vantagem, investiu contra Rufus, que recuava, forçando o outro homem a se defender desajeitadamente, enquanto os olhos brilhantes dos esqueletos o encaravam. Com mais sorte do que qualquer outra coisa, Tyron conseguiu desferir um golpe de raspão, cortando a coxa dele. Surpreso com a dor, Rufus berrou e agarrou a perna, dando a Tyron a breve abertura que ele precisava.
Segurando sua espada com força e um braço em sua mochila, ele passou por seu antigo amigo e pela porta, voltando para a noite chuvosa. Um segundo depois, ambos os esqueletos o seguiram, seus ossos batendo nas pedras enquanto corriam antes que saíssem do cemitério.
Os três amigos foram deixados dentro do mausoléu, preenchido pelos sons de Rufus xingando e o choro baixo de Elsbeth. Laurel estalou a língua enquanto o brilho finalmente começava a desaparecer dos seus olhos.
— Isso foi diferente. — Ela murmurou.
…