Getting a Technology System in Modern Day

Capítulo 949

Getting a Technology System in Modern Day

— O quê? O que você quer dizer com isso? — perguntou Kumakar, sua voz vacilando um pouco, apesar de seus esforços para manter a compostura. O tremor na fala denunciava os nervos que tentava esconder desde o começo da reunião.

O aposento, pelo seu tamanho, parecia quase vazio, salvo por alguns oficiais militares de alto escalão, mas permanecia vivo com a presença da liderança máxima da Conclave, cada uma delas aparecendo como um holograma reluzente, transmitido através de seus nós de comunicação de mana de longa distância. A atenção dos líderes estivera totalmente capturada pelo relatório, entregue não por um líder de civilização, mas por Horgar, o representante erythiano, que parecia mais um cientista do que um estadista.

— Acho que está bastante claro — disse Horgar, com a voz tingida de satisfação contida — mas, como alguns de vocês parecem surpresos, vou repetir.

Havia um orgulho evidente em seu tom, não apenas pela revelação, mas pelo fato de ter causado impacto na sala. Sua civilização, os Erythianos, tinha liderado a operação mais eficaz até agora, causando o maior dano às forças inimigas enquanto recuperava evidências valiosas. Seu sucesso levou as outras quatro operações a serem interrompidas no meio, antes que pudessem causar danos semelhantes, fazendo com que o prejuízo causado fosse relativamente menor.

Claro, grande parte do crédito pertencia aos Shadari.

Os Shadari, tão reservados ao ponto de parecer paranoia, tinham mais uma vez demonstrado sua reputação. Tão avessos a estar no centro das atenções que a própria expressão "ser visto" era usada como insulto entre eles, entregaram a maior parte de seus espólios aos erythianos, com quem realizaram a operação conjunta. Em troca, os erythianos encargaram-se de apresentar as evidências ao público e de assumir o protagonismo político, enquanto os Shadari silenciosamente colhiam a recompensa que mais preferiam: não estar no centro das atenções.

Não era a primeira vez. Todos na sala sabiam que várias das dez principais civilizações tinham se beneficiado dessa cooperação mais de uma vez.

— Os dispositivos recuperados, embora tenham design externo variado, compartilham componentes internos essenciais que correspondem à assinatura tecnológica conhecida do Império — continuou Horgar, exibindo ao seu lado um esquema 3D rotativo. A assistência visual destacou componentes específicos, cada um deles inconfundivelmente de origem Terrana. — Algumas dessas peças são quase idênticas às usadas nas unidades de realidade virtual que co-desenvolvemos com eles.

A sala ficou ainda mais silenciosa.

As unidades de realidade virtual tinham sido uma parceria extremamente lucrativa, subsidiada maciçamente pelo Império para incentivar sua adoção em larga escala. Muitas civilizações da Conclave se familiarizaram com as assinaturas tecnológicas Terranas através dessa colaboração. Portanto, ao verem as impressões familiares embutidas nos dispositivos hostis, não precisaram de uma segunda explicação.

Kumakar sentiu como se o chão sob seus pés tivesse se deslocado. Dizer que foi a pessoa mais surpresa na reunião seria um eufemismo. Passara meses minuciosamente construindo uma narrativa contra o Império, criando evidências, sacrificando seus próprios cidadãos e orchestrando ataques ao seu próprio mundo. Tudo com a intenção de apontar o dedo acusatório para o Império Terrano. Sua única justificativa era uma sensação instintiva, sem qualquer prova, exceto aquela aprimorada pelos anos em que jogara o jogo político.

Ele não tinha provas. Até agora.

E o pior de tudo: as provas não vinham de suas mãos.

Era como se um homem tentasse incriminar um rival por assassinato apenas para descobrir, tarde demais, que o rival era o verdadeiro assassino o tempo todo. Uma revelação assim não trazia alívio, mas medo. Porque agora ele não lidava apenas com um bode expiatório conveniente; tinha feito inimigo um predador real, que fingia ser inofensivo.

O Império era como um Xor'vak vestindo a pele de um Virrelano dócil.

………

{Sim, eles agora quase certamente estão convencidos de que estamos envolvidos, seja como os orchestradores ou financiadores. As evidências que coletaram antes de emitirmos a autodestruição dos nossos dispositivos foram suficientes,} — disse Nova, concluindo seu relato sobre as informações que recebeu do pequeno protagonista.

Aron apertou o bridge do nariz, deixando o silêncio dominar o ambiente antes de finalmente falar.

— Sempre soubemos que quem entrasse nesses sistemas estelares acabaria descobrindo. A tecnologia é tão específica de nós que não fazer essa conexão seria nada além de incompetência. Sinceramente, fico surpreso de termos durado tanto tempo antes que alguém juntasse as peças.

Sua voz estava calma, pensativa. Não resignada, mas aceitando.

— O que importa agora é como eles vão reagir. Vão nos confrontar diretamente e correr o risco de uma crise civil ou de uma guerra total dentro e fora da Conclave, ou vão fingir que não perceberam por enquanto, lidar com Dreznor e, depois, voltar a nos procurar quando estiverem prontos?

Jeremy, o Ministro do Interior, inclinou-se um pouco à frente. — Há um possível lado positivo nisso, se eles decidirem expor tudo. Podem unir o povo deles, fazer o Império parecer o verdadeiro inimigo, o manipulador por trás das cenas. Seria uma ferramenta poderosa para conter o tumulto interno por causa da escravidão, já que poderiam argumentar que as informações que causaram a revolta foram manipuladas.

Youssef, o Ministro de Relações Externas, balançou a cabeça. — E correr o risco de admitir que foram manipulados em massa? Isso criaria um precedente perigoso. Os Xor'vak, os Valthorins, e até vários líderes das civilizações do top dez nunca admitiriam uma fraqueza assim. Isso destruiria a ideia de invencibilidade deles, abalaria os alicerces de seu poder.

{Ambas as perspectivas são válidas,} — interveio Nova. {Mas, no final, suas decisões dependerão de votos. Alguns líderes influentes podem influenciar o resultado, sim, mas sem apoio da maioria, nada avança. A questão real é o quão fragmentada será a sua concordância, e se podemos explorar essa divisão.}

Aron assentiu lentamente, pensando em possíveis cenários.

— Eles vão debater. Talvez até empurrem com a barriga por algum tempo. Mas já passou do ponto de se negar tudo. Se quiserem estabilidade, terão que escolher: fingir que não estamos envolvidos e tentar nos usar depois, ou desafiar agora e correr o risco de tudo desmoronar.

— E se optarem pela última opção? — perguntou Jeremy.

Aron se levantou, sentindo o peso do momento pressionar seus ombros. — Então, vão entender exatamente por que foi melhor fingir que nada acontecia.

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