Getting a Technology System in Modern Day

Capítulo 931

Getting a Technology System in Modern Day

Uma silêncio pesado e expectante preenchia a conferência holográfica. O oficial de ligação militar, cuja imagem projetada exibia uma máscara de contenção, foi o primeiro a quebrar o silêncio. Ele sentia o olhar ardente de Kumakar sobre si há uma eternidade e sabia que o silêncio não poderia durar mais. Deixá-lo se prolongar seria convidar uma reação que não tinha desejo de presenciar. Ele decidiu agir.

— Um mês, Excelência. Essa é a antecipação mais cedo que nós e as forças estendidas podemos garantir a mobilização, caso queiramos manter tudo em segredo dos olhos invasivos do Império — repetiu o oficial de ligação, com uma voz monótona cuidadosamente controlada. Ele sabia que os demais deliberadamente estavam deixando que ele respondesse, pois o assunto caía precisamente na sua esfera militar.

A expressão de Kumakar não mudou, mas uma calma perigosa se estabeleceu sobre seu holograma. — Um mês é um luxo que não podemos nos permitir, comandante. As sanções do Império são uma lâmina já contra a nossa garganta.

— Isso significa que, se agirmos abertamente, sem nos preocuparmos com os olhos sensíveis do Império, seria mais rápido? — Kumakar pressionou, com uma armadilha na pergunta.

— Sim, Excelência — concedeu o oficial de ligação — mas o ganho seria marginal — uma semana, talvez menos. E o custo seria catastrófico. — Ele escolheu suas palavras com a precisão de quem desarmava uma bomba. — Fazer isso exigiria uma nova reunião de Conclave de emergência para alterar toda a nossa postura estratégica. Os cinquenta principais nunca concordariam. Veriam como uma escalada imprudente. Além disso, para justificar tal movimento, precisaríamos explicar por que mudamos de ideia. Se o Império não estiver por trás desses ataques, estaríamos dando a eles um motivo para nos ver como instáveis e pouco confiáveis. E, se estiverem — ele fez uma pausa, deixando o peso da implicação cair — então estaríamos confirmando que os removemos da lista de suspeitos, convidando-os a agir com ainda mais ousadia.

O comandante apresentou a lógica de forma impecável, um equilíbrio delicado entre diplomacia e realidade militar. Ele havia demonstrado seu ponto sem atribuir culpa pelo beco político em que agora estavam encurralados.

— Eles estão por trás disso — declarou Kumakar, com uma voz fria e definitiva, rejeitando a argumentação cuidadosa do comandante com uma convicção inabalável. — Seguiremos com esse fato em mente.

Um silêncio unânime, um murmúrio de "Sim, Excelência", ecoou nos hologramas enquanto um suspiro interno de alívio foi respirado. O perigo imediato passou.

O olhar de Kumakar se moveu, fixando-se na projeção de seu chefe de ministério econômico, um homem chamado Kaelen, que agora parecia prestes a vomitar. — E você, Ministro, como propõe manter a economia de pé enquanto esperamos que nossas forças militares lembrem-se de sua função? —

A imagem de Kaelen piscou por um momento. Ele fechou os olhos, não em preparação, mas em uma oração silenciosa. Sua posição era em grande parte cerimonial, um bode expiatório conveniente para quando as ambições de seu líder colidiam com a realidade econômica. Ele tinha pouco poder real — fato que ficou claramente evidente desde a chegada de VRs e pedras de mana baratas, que centralizaram a autoridade de uma forma que ele nunca imaginara. Era um condenado no corredor da morte, incerto sobre a data de sua execução.

Abriu os olhos, com a voz surpreendentemente firme. — Excelência, evitar a recessão diretamente é… improvável. Nossa economia já havia iniciado uma mudança dolorosa rumo a um novo modelo de integração interestelar. Reverter essa direção levará tempo e causará prejuízos graves. — falou rápido, uma enxurrada de palavras planejadas para construir uma muralha lógica antes que o temperamento de Kumakar pudesse romper as defesas.

— Contudo, nossa única estratégia viável não é lutar contra a realidade econômica, mas controlar a narrativa ao seu redor. —

Ele percebeu um brilho de interesse nos olhos de Kumakar e intensificou sua vantagem.

— Primeiro, continuaremos alimentando e desviando a raiva pública. Usaremos os próprios canais de comunicação do Império para pintar os invasores como vilões, os responsáveis por esse sofrimento. A dor econômica se tornará um sacrifício coletivo, um peso patriótico diante de um inimigo externo. Assim, ganharemos tempo para o setor militar.

— Depois — continuou, acelerando o ritmo —, assim que a operação contra os invasores começar, revelaremos sua existência ao público. Os invasores passarão a ser o foco da raiva deles. Trabalharemos para encaixá-los como agentes do Império, seus peões. Essa mudança inverte toda a nossa posição. Deixamos de ser os agressores que provocam o Império; agora somos os nobres defensores, lutando uma guerra por procuração em nome dos nossos cidadãos. Isso faz parecer que somos estratégicos, e não covardes. Vai unir a população, e essa unidade, Excelência, será a base da nossa recuperação econômica. —

Ele terminou, o peito apertado, percebendo que havia esquecido de respirar. Estava trembling, esperando a explosão, a condenação, a punição.

Ao invés disso, ouviu algo que não esperava.

— Hahaha… HAHAHAHAHA! —

O holograma de Kumakar jogou a cabeça para trás e riu, um som retumbante, genuíno, mais assustador do que qualquer grito. Ele bateu as mãos, o som cortante e definitivo.

— Gostei da sua sugestão — disse Kumakar, com um sorriso largo e cruel se espalhando pelo rosto. — Gostei bastante. — Agora ele enxergava o caminho a seguir, uma forma de salvar seus planos, recuperar a iniciativa, transformar esse desastre em uma arma. Claro que não disse isso em voz alta. Era algo que só ele precisava saber.

Suas expressões se endureceram novamente, o breve momento de leveza se foi. — Como você agora tem um plano de ação, espero que todos executem suas partes perfeitamente. Vocês devem estar prontos para colocar suas vidas e a de seus filhos à mostra. Esse é o preço do fracasso. Entenderam?

— Sim, Excelência! — a resposta veio em coro uníssono, desta vez carregada de um entusiasmo cortante, desesperado. Ainda estavam sob o controle de um maníaco, mas agora tinham um caminho. Uma chance de agir, lutar, sobreviver.

Antes que pudessem erguer as cabeças, o holograma de Kumakar desapareceu.

Por um momento, ficou apenas o silêncio da sala vazia. Depois, os demais hologramas sumiram um a um, enquanto a reunião terminava. Mas o trabalho mal tinha começado. Nos seus canais privados, uma nova rodada frenética de discussões começou a se formar. Unidos pelo medo mortal de sua ameaça, começaram a planejar. Fariam o possível, porque tinham certeza absoluta de que Kumakar manteria sua promessa.

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