
Capítulo 910
Getting a Technology System in Modern Day
Enquanto os líderes questionavam silenciosamente o motivo da fúria do Grande Xor'Vak, a resposta dentro de sua mente era aguda e firme.
'Quem ouse invadir meu território?'
Sim, seu território. Aos olhos dele, toda a Conclave lhe pertencia. Ele não era apenas um líder da civilização mais forte, era seu rei legítimo. Seu governante. Seu proprietário.
Para Xor'Vak, essa crença não era um devaneio. Era uma verdade constantemente reforçada pela realidade. Seus caprichos, se fossem ditos em voz alta, eram atendidos por quase todas as civilizações sem resistência. Desde que seus desejos não desafiassem as dez maiores potências ou aquelas que possuíam tecnologia de buracos de verme, ele podia declarar guerra a qualquer uma das demais civilizações ao mesmo tempo e sair vitorioso.
Porém, ele não queria governar diretamente.
Ele não tinha interesse nas responsabilidades da liderança. O que desejava eram os benefícios do poder, o respeito, a riqueza e a influência. E, na configuração atual, ele tinha tudo isso. As civilizações menores se curvavam para conquistar seu favor, fazendo de tudo para permanecer em sua boa graça. Por que gastar energia liderando, se os privilégios lhe chegavam de graça?
Para ele, e para todos os Xor'Vak, isso era natural. Lutaram e escalaram até o topo, conquistando seu lugar através de força arrasadora. A sensação de superioridade não era um privilégio; era um direito de nascimento. Algo pelo qual haviam pago com sangue e fogo.
Então, quando alguém ousou tomar o que ele considerava seu, quando alguém tentou roubar bem na sua frente, ele não viu aquilo apenas como um ataque. Ele interpretou como uma afronta. Um desafio direto à sua autoridade. E, se não reagisse com violência, estaria admitindo que o insulto era válido.
Isso tornava ainda mais ofensivo o silêncio e a dissimulação daqueles que haviam perdido território.
Eles tinham permitido isso. Escondido. Currado. Silenciaram diante do fato.
E assim, à medida que cada mão se ergueu na câmara, o Grand Xor'Vak anotou, não apenas o que foi perdido, mas quem havia fracassado.
Haveriam consequências.
…………….
"É uma questão interna de nossos próprios territórios. Não havia necessidade de reportar à Conclave," disse um dos líderes, tentando justificar sua decisão. Ele era relativamente novo no poder e ainda não temia o Grand Xor'Vak a ponto de ficar em silêncio. Em sua mente, sua autoridade estava sendo questionada por alguém que não tinha direito de interferir.
"Interno? Como assim?" retrucou o líder Trianrian, com incredulidade evidente na voz. "Mais de trinta e quatro de vocês perderam pelo menos um sistema estelar, e ainda acham que isso é uma questão particular, que a Conclave não deveria saber?"
Os membros no topo da hierarquia da Conclave não precisavam esconder suas emoções. Essa postura era para os fracos, que precisavam de enganação para sobreviver. Mas, para os poderosos, expressar abertamente seus pensamentos era sinal de força, e o líder Trianrian não se esforçou para esconder seu desprezo.
"Só nos damos conta do padrão agora, igual a vocês," insistiu o primeiro líder, tentando parecer competente. "Achamos que poderia ser uma distensão isolada, uma revolta, ataques de piratas ou simplesmente falhas rotineiras de comunicação. Nunca imaginamos algo coordenado."
A voz do Grande Ancião cortou a tensão, interrompendo o que ameaçava se transformar numa discussão extensa. "Quantos sistemas estelares cada um de vocês perdeu? Qual é o total?"
Os líderes afetados começaram a relatar, um a um, o número de sistemas que ficaram no escuro ou não fizeram contato por longos períodos.
Em poucos minutos, o escriba que compilava os relatórios se levantou e dirigiu-se aos presentes na convocação. "Ataques confirmados: 23 sistemas estelares. Outros 67 deixaram de reportar desde o início dos ataques conhecidos. A perda total está em aproximadamente 90 sistemas."
Um silêncio pesado caiu.
A constatação atingiu todos de uma vez: quase um cento de sistemas estelares havia sido perdido, silenciosa e sistematicamente, e eles só perceberam isso agora. Uma sensação de frio percorreu quase todos.
"Vocês conseguiram obter alguma informação sobre eles?" perguntou o líder da Coalizão Yrall, seu tom afiado e urgente, ansioso por extrair qualquer dado que ajudasse a entender a situação.
"Tudo que conseguimos recuperar da transmissão SOS antes que eles destruíssem os nós de comunicação," disse um dos líderes afetados, mostrando uma série de imagens.
As imagens exibiam uma frota diversificada; a maioria das naves tinha designs desconhecidos, mas espalhados entre elas estavam silhuetas inconfundíveis: modelos que correspondiam às naves militares de várias civilizações entre as cinquenta mais poderosas. Enquanto a maior parte das naves atacantes parecia nova e alienígena, uma minoria significativa tinha claramente sido construída usando os mesmos estilos e tecnologias encontradas nas frotas de alguns dos membros mais influentes da Conclave.
Encorajados pela revelação, outros líderes começaram a compartilhar os poucos dados que conseguiram salvar. Os padrões eram similares: naves desconhecidas operando ao lado de setores que pareciam, ou eram explicitamente de, civilizações entre as cinquenta mais poderosas.
O clima ficou tenso, pois as civilizações de classificação inferior voltaram seus olhares, não para as dez maiores — cujo poder as tornava intocáveis —, mas para o restante das cinquenta, silenciosamente exigindo uma explicação. Por que as frotas invasoras carregavam naves de guerra projetadas por elas? E como tinham acesso a tecnologia de buracos de verme avançada o suficiente para lançar esses ataques simultâneos?
A resposta era óbvia, pelo menos à luz das evidências e do conhecimento disponível. Com o recente influxo de pedras de mana, especialmente após o início do comércio com o Império Terrano, as cinquenta maiores tinham recursos para não apenas manter, mas expandir significativamente seu alcance. Além disso, muitas delas recebiam pagamentos diretos para ajudar a estabelecer rotas de buracos de verme, tornando deslocamentos rápidos e em grande escala não só possíveis, mas alarmantemente simples.
De repente, o que antes parecia improvável fazia todo o sentido. As rotas de buracos de verme eliminavam os maiores obstáculos históricos à expansão: o tempo e a mana. Civilizações que antes eram contidas pela duração da viagem ou pelo gasto de pedras de mana podiam agora atacar rapidamente, antes que seus alvos tivessem tempo de se preparar. Com esse obstáculo removido, a tentação de expandir e conquistar se tornava irresistível.
Era uma explicação muito mais plausível do que imaginar uma força externa. Afinal, invasores externos não teriam acesso a essas naves. As maiores civilizações nunca vendem suas vanguardas mais avançadas; elas mantêm o direito exclusivo sobre suas tecnologias militares de ponta para evitar serem atacadas por suas próprias criações. As embarcações das frotas atacantes só poderiam ter vindo de dentro.
E então, finalmente, um dos líderes invadidos falou, com tom calmo, mas carregado de fúria contida. "Alguém aí se dispõe a explicar como eles conseguiram colocar as mãos em naves de guerra de suas civilizações?"