
Capítulo 878
Getting a Technology System in Modern Day
“Quer testar?” Masimbia perguntou, seu tom calmo e controlado. Não adiantava mais explicar, ele sabia que suas mentes já estavam cheias de dúvidas e incertezas. Em vez de discutir a validade da tecnologia, ele deixaria que os resultados fossem a prova definitiva.
Silêncio.
Nenhum deles respondeu imediatamente. A hesitação era evidente, suas expressões guardedas. A confiança entre eles e o Império estava no nível mais baixo, aquilo não passava de uma relação puramente comercial, desprovida de qualquer boa vontade real.
E, considerando o que sabiam das capacidades dos Zelvora, tanto ofensivas quanto defensivas — algumas por experiência direta —, como poderiam ter certeza de que não era uma armadilha?
E se, no momento em que colocassem os dispositivos, o Império os ativasse?
Os aprisionasse em uma ilusão.
Lucrasse suas mentes.
Destruísse suas consciências.
Ou, pior de tudo, extraísse suas memórias, revelando segredos de seus governos, vulnerabilidades pessoais, dando ao Império uma vantagem irresistível.
O risco era demasiado alto.
Ao perceber que o silêncio se prolongava, Masimbia resolveu intervir. Sabia exatamente o que os estava travando. Virou-se para o representante Zelvora e disse: “Como uma civilização acostumada às habilidades mentais, gostaria de usar seus próprios poderes para verificar se há algum risco? Como será você quem irá interagir com a torre, poderá perceber o que a Realidade Virtual tenta extrair de você. Em troca, pode avaliar se esse sistema apresenta algum perigo.”
Suas palavras pareciam surtir efeito. O representante Zelvora hesitou por um momento, depois deu uma lentíssima cabeça de aprovação. Os outros representantes trocaram olhares, concordando silenciosamente. Se alguém pudesse detectar ameaças potenciais, seriam os Zelvora. Sua civilização era conhecida por sua confiabilidade; se ele garantisse a segurança do sistema, todos poderiam confiar em seu julgamento.
No entanto, para ter certeza absoluta, poderiam exigir que ele fizesse um juramento de mana para verificar suas respostas. Assim, removeriam qualquer dúvida.
Com a decisão tomada, o representante Zelvora recebeu instruções detalhadas sobre como usar suas habilidades psíquicas para se conectar à torre de Realidade Virtual instalada no Centro de Comércio. A torre já estava ativa, acessível por certas frequências; ele só precisava estender a mão e se conectar.
O Zelvora fechou os olhos, concentrando-se ao buscar o sinal da torre. Em poucos momentos, não houve surpresa: a frequência era fácil de localizar. Sem hesitação, enviou um pulso, exatamente como havia sido instruído, iniciando a conexão.
A torre respondeu instantaneamente, enviando uma sonda em direção a ele. Vigilante, permitiu que ela acessasse seus dados, monitorando cuidadosamente seu comportamento. A sonda percorreu seu mana, coletando dados rudimentares por meio de um intricado processo de raspagem de informações. Em questão de segundos, a torre havia compilado uma análise instantânea e completa de sua forma física.
Então, antes que pudesse processar totalmente a transição, a torre tentou puxá-lo para dentro. Seus sentidos se aguçaram em reconhecimento: aquilo era uma rede mental. Compreendendo sua natureza imediatamente, optou por não resistir.
………………
“Meu Deus...” murmurou Cravath, sua voz quase um sussurro.
Ele pairava em um vasto vazio — infinito, silencioso. Havia luz, mas sem fonte visível, uma iluminação assustadora que lhe permitia ver as próprias mãos quando as levantou instintivamente. Ele se moveu levemente, testando seu controle, mas, em todas as direções, só havia trevas que se estendiam ao infinito.
Então, uma mudança repentina.
Uma luz azul brilhante surgiu de repente, varrendo seu corpo em uma rápida varredura. Antes que pudesse reagir, uma versão refletida de si mesmo apareceu diante dele, um espelho perfeito. Ele a estudou cuidadosamente, procurando por discrepâncias, e não encontrou nenhuma. Cada detalhe era impecável, até a menor imperfeição na sua pele.
Sabia que a sonda inicial da torre tinha coletado dados sobre seu corpo, mas não esperava por esse nível de precisão. Na sua civilização, até suas redes mentais mais avançadas tinham dificuldades em representar com exatidão formas físicas, geralmente se baseando na autoimagem do usuário, e não em dados objetivos. Mas isso… era algo completamente diferente.
Antes que pudesse processar totalmente seu espanto, uma voz ressoou pelo vazio:
{Qual é o seu nome?}
Uma tela holográfica se materializou diante dele, aguardando sua resposta.
{Cravath,} respondeu.
A tela se atualizou instantaneamente, exibindo seu nome na sua língua nativa.
As perguntas não pararam por aí. Outras dúvidas surgiram, algumas simples, outras mais aprofundadas. Por curiosidade, Cravath tentou mentir em algumas, mas foi imediatamente pego. O sistema o adverte prontamente de que as informações iniciais precisam ser precisas, pois formarão a base da sua experiência na Realidade Virtual. Percebendo que se tratava apenas de dados básicos, como idade, espécie e similares, ele obedeceu.
Depois disso, o sistema lhe ofereceu uma opção para modificar seu avatar dentro de limites estabelecidos. Ele preferiu pular essa etapa, mantendo sua aparência original. Em vez disso, concentrou-se em completar o restante do cadastro, com a curiosidade crescendo. Se a profundidade desse processo de introdução era um indicativo, então o ambiente de VR real devia exigir uma capacidade de processamento além da sua imaginação. Será que o Império realmente podia sustentar suas alegações?
Após finalizar os passos necessários, veio uma exigência inesperada — um juramento de mana. Os termos afirmavam que todos os contratos realizados na VR sob supervisão imperial seriam juridicamente válidos no mundo real, desde que ambas as partes concordassem com as condições. Era um sinal claro das intenções do Império: isso não era apenas entretenimento. Eles estavam integrando a Realidade Virtual às questões do mundo real.
Antes que pudesse decidir aceitar ou não, apareceu uma notificação, e a exigência desapareceu.
[Foi determinado que você está avaliando o VR a pedido do representante do governo Imperial. Portanto, para esta sessão, a exigência do juramento de mana foi dispensada.]
Substituiu-se por um holograma menor, mais simples.
[Deseja fazer login?]
[SIM] | [NÃO]
Sem hesitar, Cravath escolheu SIM.
Seu entorno começou a ondular e distorcer—e, num piscar de olhos, ele se encontrou no meio de uma rua.
O choque estampado em seu rosto enquanto dava passos lentos em direção a um banco próximo. A cada passo, sua mente acelerava, analisando tudo ao redor. Assim que se sentou, fechou os olhos, concentrando todas as suas habilidades mentais para detectar qualquer falha no mundo em que se encontrava.
No entanto—nada.
Por mais que examinasse, tudo parecia real. Se ele não estivesse monitorando ativamente a conexão entre si e a torre, nem perceberia que estava dentro de um sistema de Realidade Virtual. Desde o momento em que se conectou, a torre tinha assumido todo o processamento, sem precisar de mais instruções ou intervenção, como respirar.
Respirou lentamente, tentando se estabilizar. A escala daquele mundo não era o que o perturbava; ele tinha visto redes mentais tão vastas antes. Mas essas sempre aconteciam dentro de seus próprios sistemas estelares, onde cada participante contribuía com sua energia mental para expandir e refinar a experiência compartilhada. Isso, porém, era diferente. O Império havia conseguido replicar tal feito sem precisar de uma contribuição coletiva de mentes.
Sem aceitar facilmente o que via, decidiu avançar mais. Tentou hackear o sistema, quebrar os limites do acesso, manipular o espaço virtual e impor suas próprias regras. Se de fato fosse uma rede mental, deveria haver uma maneira de entrar.
Por mais que tentasse, fracassava a cada tentativa.
Os sistemas da torre bloqueavam qualquer influência sua, limitando sua atuação ao alcance das frequências permitidas. Era completamente blindado. O Império já havia previsto suas capacidades e preparado contra-medidas.
Foi então que a compreensão surgiu.
Eles não estavam apenas testando redes mentais.
Estavam prestes a dominá-las.