
Capítulo 849
Getting a Technology System in Modern Day
O olhar de Yaloria desviou-se para o indicador de status da bateria. Apesar da intensidade da luta até ali, apenas cerca de um por cento da energia da bateria de mana tinha sido consumido — e, mesmo assim, já estava quase repleto novamente.
Era um contraste absoluto com os mechas que ela costumava pilotar.
Os mechas da Coalizão Yrall eram alimentados diretamente por seus reatores, como conectar um dispositivo na tomada — eficiente até que algo desse errado. Se o reator falhasse ou fosse danificado, o mecha desligava instantaneamente, deixando seu piloto preso e vulnerável.
Mas esses mechas eram diferentes.
Ao invés de tirar energia direto do reator de fusão, eles funcionavam com baterias de mana — um tampão entre a máquina e sua fonte principal de energia. Essas baterias não apenas armazenavam energia; eram continuamente recarregadas pelo reator, mantendo-se sempre cheias. Mais do que isso, elas estavam embutidas por toda a estrutura do mecha, como o sangue circulando pelo corpo, garantindo que cada parte tivesse acesso imediato à energia.
Mesmo que o reator desligasse no meio da batalha, as baterias de mana podiam manter o mecha operacional por mais de um dia — contanto que o piloto utilizasse ataques e manobras básicas.
Mas a verdadeira genialidade do sistema está na sua versatilidade.
Com energia já armazenada e pronta, esses mechas podiam desferir ataques poderosos sem precisar esperar o reator se recarregar. Não havia necessidade de redirecionar ou acumular energia para um movimento devastador — as baterias forneciam o impulso instantaneamente.
Ficava claro que essas máquinas não eram apenas projetadas para o combate — foram feitas para dominar os campos de batalha.
Seja para conter o caos ou dominar uma luta sem depender de naves ou arriscar soldados, elas tinham todas as ferramentas necessárias para prosperar nos ambientes mais hostis.
Yaloria estava se divertindo como nunca na vida.
A sensação de pilotar esse mecha — o controle perfeito, a precisão, a rapidez — era tudo o que a Coalizão Yrall tinha sonhado alcançar algum dia. Mas suas tentativas nunca chegaram nem perto dessa sofisticação.
Não era só os controles intuitivos que faziam os mechas do Império serem superiores. Era a aceleração de percepção.
Mesmo sozinha, essa tecnologia mudava o jogo. Ela não apenas aumentava a velocidade de reação — ela estendia o tempo dentro da mente dela, permitindo perceber tudo em câmera lenta. Cada ataque vindo era nitidamente visível, dando tempo suficiente para analisar a resposta mais eficiente, sem depender só do instinto ou reflexo. Ela não precisava mais desperdiçar energia ou correr riscos de danos desnecessários por surpresas.
E quando combinada com os sensores incomparáveis do Império, a vantagem se tornava esmagadora. O supercomputador quântico do mecha processava dados de todos os sensores disponíveis — não só do próprio mecha, mas de todos os ativos imperiais na região.
Depois, convertia essa enxurrada de informações em uma única imagem visual clara, perfeita e ajustada exatamente para o piloto.
Não havia distrações. Nenhuma confusão. Nenhum ponto cego. Nenhuma ameaça oculta. Nenhum susto.
Era mais que uma máquina — era a extensão máxima da vontade de um piloto.
E, para uma piloto como ela, era tão próximo da perfeição quanto ela podia imaginar o que seria perfeição.
— Ative os propulsores antigravidade.
No instante em que Yaloria deu o comando mental, o mecha respondeu imediatamente. A energia do reator ocioso — que não precisava mais carregar as baterias de mana já cheias — foi direcionada para alimentar os propulsores.
Porém, do lado de fora, nada mudou. O mecha não levantou voo, nem mostrou qualquer reação visível.
Dez segundos tinham se passado desde o último ataque. A breve pausa foi suficiente para ambos os pilotos reavaliarem a situação.
Então, Yaloria se moveu.
Ela juntou as duas empunhaduras das espadas. Elas se encaixaram perfeitamente, ativando a runa de escudo.
O resultado? Uma lança. O cabo e a lâmina eram feitos de um escudo, estendendo-se da empunhadura como uma peça sólida.
Sem hesitar, ela avançou, seu mecha todo impulsionado para frente. Um golpe de morte perfeito.
Mas o Mecha Azul já estava pronto.
Com um movimento rápido de desvio, esquivou-se da lança. Antes que Yaloria pudesse se recuperar, seu adversário agarrou a arma, usando seu impulso para puxá-la para frente.
Por um breve momento, parecia funcionar. O Mecha Vermelho tropeçou, parecendo perder o equilíbrio enquanto era puxado em direção ao Mecha Azul.
Então veio a contra-ofensiva.
O Mecha Azul recuou seu punho e desferiu um soco devastador mirando direto no peito de Yaloria — exatamente onde o reator ficava. Se encaixasse, terminaria a luta ali.
O soco se aproximava. Metros. Polegadas.
E então — aconteceu o impossível.
Bem no momento exato em que o impacto parecia inevitável, Yaloria soltou a lança no meio do movimento.
Com agilidade sobrenatural, ela fez uma cambalhota no ar, seu corpo enorme movendo-se como se fosse levíssimo.
Suas mãos se uniram — e logo travaram no pescoço do Mecha Azul.
Usando seu próprio impulso, ela o arrastou para baixo enquanto tocava o chão, fazendo-o cair com um estrondo ensurdecedor.
Ela pegou a lança que caía, girou na mão e a cravou — mirando direto no peito do Mecha Azul, onde ficava o reator.
E então —
{Fim da luta. Vencedora: Yaloria.}
A voz de Athena ecoou pelo campo de batalha, sinalizando o fim da batalha.
Yaloria imediatamente desativou a lança, pegando as duas empunhaduras que retornaram a se transformar em punhos de espada. Com habilidade, as prendeu na cintura antes de estender a mão em direção ao Mecha Azul caído.
— Pode considerar justo.
O piloto do Mecha Azul aceitou o gesto, apertando a mão dela enquanto a gigante máquina se erguia do chão.
— Não foi nada mal, — comentou Yaloria, batendo nas costas do Mecha Azul antes de liberar uma onda de choque controlada. Uma pulsação de energia varreu a poeira e a areia que permaneciam grudadas na máquina pelo impacto. — Quase acertei seu pescoço quando você inclinou a cabeça — mesmo escondendo o movimento até o último segundo.
— Mesmo com a aceleração de percepção, ainda há um limite para a velocidade com que podemos mover essas máquinas. — respondeu o piloto do Mecha Azul, limpando os últimos resíduos de detritos. — Por mais rápido que nossos cérebros processem, o mecha só consegue reagir até certo ponto.
— Verdade, — concordou Yaloria. — Mas a luta seria sem sentido se os escudos e outros sistemas de proteção fossem permitidos.
Ambas entendiam o propósito do exercício. Em uma batalha real, os mechas dependeriam de seus reatores para recarregar continuamente as baterias de mana, alimentando suas defesas mais fortes e armas. Contudo, no momento em que um reator fosse danificado, esses sistemas de alta energia desligariam automaticamente para poupar energia — o que significava que os pilotos precisariam ser tão capazes sem eles quanto com eles.
Ao continuarem a conversa, retornaram ao caminho que levava ao grande prédio ao longe — seu ponto de partida.
Era uma impressora atômica, uma instalação projetada para construir tudo que fosse testado naquela zona experimental, incluindo o destaque de hoje: os dois enormes mechas.
Agora que o teste tinha acabado, o destino dessas máquinas seria decidido. Seriam preservadas em um museu? Ou desmontadas, transformadas de volta em átomos para futuros projetos?
De qualquer modo, a batalha de hoje cumpriu seu propósito.