Getting a Technology System in Modern Day

Capítulo 800

Getting a Technology System in Modern Day

[Sala de Reuniões]

No interior da rede mental Zelvora, um silêncio opressivo pairava sobre os representantes reunidos ao redor da mesa de debate. Os acontecimentos do dia haviam deixado todos atônitos, com as mentes aceleradas pelas implicações do que tinha ocorrido. Não eram apenas representantes comuns — eram aqueles que haviam validado os acordos, os arquitetos da participação de suas civilizações neste campeonato.

Agora, enfrentavam o resultado brutal de suas decisões.

Muitos estavam imersos em pensamentos profundos, com expressões que revelavam diferentes graus de medo, frustração e resignação. Aqueles de civilizações marcadas por tradições políticas egocêntricas conheciam bem a dura verdade: alguém precisaria assumir a culpa. Alguém teria que suportar o peso da humilhação, da ira e das perdas sofridas por suas sociedades.

Para muitos, o caminho à frente parecia sombrio. No melhor dos casos, poderiam perder seus cargos, sendo exilados dos corredores do poder. Mas, para outros, especialmente os de sociedades onde o fracasso equivalia à traição, a perspectiva da execução pesava cada vez mais. A carga de responsabilidade era pesada nas suas mentes, e, embora nenhuma palavra fosse dita, o clima de medo compartilhado permeava toda a sala.

Eles sabiam que seus destinos não seriam selados pela razão, mas pela necessidade de uma narrativa. Os habitantes de seus mundos exigiriam justiça, uma forma de lidar com a vergonha e a raiva. Sacrificar os presentes naquela sala era a maneira mais fácil de redirecionar essa fúria e proteger a verdadeira liderança de possíveis ataques ou críticas.

No entanto, até dentro dessa dinâmica, existiam exceções.

Os Zelvora

Para os Zelvora, a questão da culpa não fazia sentido. Sua avançada rede mental proporcionava uma transparência sem igual, permitindo rastrear cada decisão até sua origem. O processo coletivo garantia que estratégias importantes fossem elaboradas por meio de avaliações rigorosas, com poucas margens para erros individuais. O resultado inesperado dos acontecimentos de hoje foi visto como força maior — um desdobramento de variáveis imprevistas, e não de um planejamento falho.

A capacidade dos Zelvora de abordar desafios de forma coletiva e racional os blindava da necessidade de procurar um bode expiatório. Sua cultura prosperava na responsabilização pelo entendimento, tornando-os especialmente resistentes em situações que poderiam desintegraroutros.

Os Xor'Vak

Para os Xor'Vak, sua situação única oferecia uma espécie de imunidade similar. A decisão polêmica de se render sem resistência fora tomada diretamente pelo seu Grande Elder, líder de toda a raça. Assim, qualquer tentativa de atribuir culpa desafiaria automaticamente a autoridade do seu líder supremo — algo impensável para a maioria. Ninguém que valorasse a própria vida ou posição ousaria criticar o decreto do Grande Elder, por mais controverso que fosse. Além disso, a ausência de uma batalha real retirava o peso do fracasso pessoal dos participantes Xor'Vak.

Os Valthorins

Por outro lado, os Valthorins enfrentavam uma situação mais rígida, apesar de possuírem seu Prédio de Orgulho, uma espécie de rede comunitária que conectava seu povo. Diferente dos Zelvora, a rede dos Valthorins estava profundamente ligada à sua cultura de responsabilidade individual e honra. Fracassos tão grandes exigiam reparações concretas. Todos os envolvidos na elaboração da estratégia que levou à derrota esperavam tomar ações para recuperar sua honra — seja por meio de sacrifícios, missões pessoais ou outros meios considerados dignos.

Evitar essa responsabilidade traria consequências catastróficas, incluindo a perda de cargos, laços familiares e posição social. Para os Valthorins, a redenção não era opcional; era uma necessidade para sobreviverem em uma cultura que valoriza o orgulho acima de tudo.

Pela sala, esses diferentes resultados culturais evidenciavam a grande diversidade civilizacional presente. Mas todos tinham uma coisa em comum: a necessidade de lidar com as consequências do fracasso, cada um à sua maneira. O peso dos acontecimentos daquele dia reverberaria por anos, alterando trajetórias, alianças e equilíbrios de poder.

Quanto às civilizações que não enviaram combatentes, seus representantes permaneciam em um silêncio desconfortável. Falar poderia atrair a atenção indesejada de alguém procurando culpados ou simplesmente desabafar sua frustração. Esses representantes sabiam bem que tornar-se alvo fácil em uma situação tão volátil poderia significar seu fim.

Internamente, contudo, sentiam uma onda enorme de alívio. Ao optarem por não participar, evitaram perdas catastróficas e a humilhação sofrida por aqueles que enviaram seus campeões para a batalha. Em suas mentes, essa decisão parecia uma visão de futuro, uma escolha sábia que poupou suas civilizações das consequências do desastre.

Porém, eles não ousariam demonstrar esse alívio abertamente. Celebrar sua moderação na presença das dez principais civilizações — aquelas que sofreram o maior impacto da derrota — seria como cometer suicídio. Os maiores prejudicados daquela crise estavam fervendo de raiva, vergonha e frustração. Qualquer demonstração de satisfação ou alívio poderia desencadear sua ira.

"Não há mérito em gastar tempo lamentando o que já aconteceu. Devemos focar no que virá a seguir", disse Liasas, sua voz cortando o silêncio na sala de reunião mental como uma lâmina. "Precisamos votar se ratificamos o resultado do acordo e honramos nossa promessa com o Império Terrano ou se tentamos renegociar." Suas palavras serviram como um lembrete claro do propósito desta reunião pós-confronto, uma que ninguém tinha coragem de evitar.

O olhar de todos os representantes se voltou para ela, projetado na tela. Apesar da intensidade repentina, Liasas permaneceu impassível.

Sem pausa, ela prosseguiu. "O juramento de mana já está ativo. Mesmo que aceitássemos a imensa repercussão de quebrá-lo, correríamos o risco de perder o acesso às pedras de mana. Eles demonstraram possuir uma quantidade enorme dessas, dado o quanto gastaram para virar o campo de batalha a favor do seu imperador. Além disso, ainda desconhecemos o alcance completo e as limitações do contrato rúnico que assinamos. Ele resides em nossas almas, e quebrá-lo poderia desencadear consequências imprevisíveis e difíceis de mitigar."

A menção ao uso estratégico de pedras de mana pelo Império Terrano, para oferecer vantagem ao seu imperador, fez com que a projeção do guerreiro Triniano momentaneamente dirigisse o olhar para ela. Mas Liasas ignorou o desafio sutil e continuou. "Mesmo com nossa desvantagem atual por conta do resultado da batalha, o acordo garante o acesso contínuo às pedras de mana. Não podemos esquecer que essa foi a principal razão de termos atendido ao apelo de Xalthar por ajuda."

O representante dos Xor'Vak nem deixou o Eco de suas palavras ser ouvido por todos ao falar de forma inesperadamente animada. "Vamos honrar nossa parte do acordo", afirmou. Ninguém se surpreendeu com seu entusiasmo. Para os Xor'Vak, a rendição da Princesa Seraphina resolveu de forma efetiva um problema persistente, evitando mais conflitos — especialmente porque ele não fazia parte do grupo dela, o que significava uma possível purga se ela chegasse ao poder derrotando o Grande Xor'Vak.

Um por um, os demais representantes começavam a levantar a mão, sinalizando concordância em manter o pacto. Para muitos, a lembrança de Liasas sobre as pedras de mana reacendia a esperança. Afinal, elas eram essenciais para tecnologias avançadas das civilizações superiores. Perder esse recurso seria desastroso, enquanto mantê-lo poderia diminuir as consequências da derrota — ou até apagá-las completamente.

Mesmo com o clima carregado, a votação sinalizou uma decisão coletiva de seguir adiante. Cada representante silenciosamente alimentava a esperança de que os benefícios obtidos com as pedras de mana compensassem as perdas sofridas na batalha.

"Com votos unânimes, honraremos o acordo com o Império Terrano", declarou Liasas, com voz firme e autoritária. "Vocês terão uma semana, no fuso horário do Império Terrano, para preparar tudo o que for exigido nas cláusulas do pacto. Nesse período, nos encontraremos com o Imperador Aron Michael pessoalmente para entregar esses itens e discutir suas demandas adicionais, que precisarão de votação na Conselho do Conclave Astral para avançar."

Suas palavras foram recebidas em silêncio pelos presentes. Quando ela teve certeza de que todos haviam compreendido, Liasas encerrou a reunião. Um a um, os participantes saíram da rede mental Zelvora, deixando para trás o espaço compartilhado que servira como sala de reuniões.

Notavelmente ausente da discussão estava o "elefante gigante na sala" — o próprio Imperador Aron Michael. Os representantes evitaram tocar no assunto, apesar das implicações profundas de seus atos. Embora aparentassem unidade, todos ali sabiam que era uma fachada, uma aliança temporária motivada por interesses momentâneos, não por uma verdadeira coesão.

Cada civilização tinha sua própria visão sobre como lidar com o Imperador Terrano. Fatores como força relativa dentro do conclave, valores culturais e política interna tornavam uma estratégia coletiva inviável naquele momento. Quaisquer discussões sobre o que fazer com ele seriam feitas em seus próprios limites, longe dos olhares de outras civilizações. Por ora, esses debates estavam em suspenso, eclipsados pela urgência de cumprir os termos do acordo.

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