Getting a Technology System in Modern Day

Capítulo 724

Getting a Technology System in Modern Day

[N/A: Todos os pensamentos e comunicações de Xalthar passam pelo filtro de linguagem da humanidade para evitar complicações adicionais.]

Se olhares matassem, milhares poderiam ter perecido apenas sob o olhar de Xalthar. Mas para ele, não era preciso usar os olhos para acabar com vidas—suas mãos eram mais do que capazes. A prova disso estava diante dele: três corpos espalhados pelo chão, quebrados e sem vida, parecendo bonecos destruídos.

As suas formas mutiladas eram uma prova da força brutal de Xalthar e de sua disposição de expulsar e expressar seus sentimentos através de violência pura.

Já faz mais de vinte minutos desde o ataque surpresa, e o plano do novo vice-capitão de eliminar os infiltrados não estava dando resultado. Mais de oitenta quilômetros ao redor do navio tinham sido completamente tomados, e a parte mais alarmante era que nem mesmo tinham visto como isso aconteceu.

Todo soldado, escravo ou tripulante armado enviado para confrontar o inimigo ficava completamente no escuro, como se as forças opostas fossem uma espécie de EMPs (pulso eletromagnético) ambulantes.

Isso deixava as zonas ocupadas em um verdadeiro blackout, sem qualquer vigilância ou informação dessas áreas.

O mais assustador era que o próprio navio tinha redundâncias embutidas para lidar com esses cenários, usando sistemas de vigilância tanto tecnológicos quanto mágicos. E mesmo assim, os invasores tinham conseguido interferir em ambos de uma só vez, deixando a tripulação às cegas quanto ao que se passava dentro da própria nave. Era um pesadelo tático.

Xalthar, que monitorava a situação, só podia imaginar o que acontecia além do alcance deles, e estava claro que a situação estava escapando do controle.

Seu rosto permanecia misteriosamente calmo, uma máscara de compostura que não revelava nada do tumulto interior. Contudo, as veias em seu rosto, que pareciam circuitos, traíam uma história diferente. Normalmente brilhando em um tom dourado sereno, agora pulsavam com uma mistura perturbadora de vermelho e outras cores, sinalizando emoções muito mais perigosas: raiva, vergonha, preocupação e desonra.

Essas tonalidades mutantes eram um alerta—nada de bom vinha para quem quer que estivesse a bordo do navio.

Porém, esses sentimentos de raiva e vergonha não nasceram do medo pela sua vida. Como mago, Xalthar tinha poder suficiente para garantir sua sobrevivência e escapar se necessário.

Porém, suas habilidades não eram capazes de destruir os invasores sem colocar sua própria vida em risco. O que realmente pesava era o relatório que precisaria fazer às altas esferas de sua organização—um relatório que detalhava a perda de um navio porta-aviões, junto com todo o seu valioso conteúdo.

Embora seu posto lhe garantisse proteção de uma execução imediata, especialmente pelo fato de possuir poderes de sagitário, as consequências ainda seriam graves. Seus esforços minuciosos para subir da condição de membro comum para comandante de uma das esquadras de porta-aviões mais valorizadas seriam destruídos em um único golpe.

Seu cargo não tinha sido concedido por sua astúcia ou liderança em frotas, mas unicamente por seu poder—que atingira o nível de sagitário. Assim, a organização pouco tinha a fazer além de lhe conceder uma posição de alto escalão, na esperança de mantê-lo leal e evitar que facções rivais o recrutassem.

Por isso, sua autoridade sobre o navio era mais simbólica do que prática. A gestão real de táticas e operações diárias ficava a cargo dos vice-capitães; Xalthar precisava apenas aprovar as decisões finais. Sabendo de seu temperamento explosivo, seus superiores preencheram sua cadeia de comando com escravos, cuja lealdade era garantida pelo condicionamento a que haviam sido submetidos antes de serem vendidos.

Esses escravos tinham sido escolhidos justamente por serem incapazes de trair seu mestre—um escudo entre a ira de Xalthar e as necessidades práticas de comandar uma frota de porta-aviões.

Apesar de poder desertar para outra organização, o custo de fazer isso seria exorbitante. Xalthar teria de pagar uma multa gigantesca por deixar a organização—uma penalidade tão alta que nenhum outro grupo acharia que valeria o risco.

Assim, ao descobrirem que a penalidade vinha da sua falha catastrófica—perder um grupo inteiro de porta-aviões e abandonar a nave enquanto salvava apenas a si mesmo—ele se tornaria um peso morto. Sua única alternativa seria permanecer ligado à sua organização atual, suportando seu desprezo até poder reembolsar suas perdas.

Pensar nisso fazia suas veias pulsarem de frustração. Lembrou-se de sua expressão de arrogância durante a última conversa com a oposição, acreditando que tinha tempo para saborear sua vitória. Esse erro—dar-lhes mais tempo—revelou-se um desastre completo. Eles o manipularam, e a humilhação que enfrentaria quando a notícia se espalhasse pelo comando só aumentava sua fúria.

Se fosse relatar a situação com toda a verdade, incluindo as informações vitais que tinham coletado sobre esse planeta, ou se esconderia tudo, desaparecendo em alguma estrela distante onde pudesse passar seus dias em reclusão? Ambos os caminhos pareciam levar ao desastre, mas um poderia parecer uma fuga.

A única dúvida agora era se ele realmente conseguiria desaparecer ou se o alcance da organização o encontraria onde quer que fosse.

O pensamento de fugir para uma estrela desabitada passou pela cabeça de Xalthar rapidamente, mas foi descartado logo em seguida. Viver com medo, esperando a morte em isolamento, seria pior do que enfrentar as consequências da sua falha na Assembleia Astral. Mesmo como comandante desonrado, a vida na Assembleia ainda era preferível. Lá, apenas os mais fortes podiam expressar abertamente seu desprezo.

Quem fosse mais fraco não ousaria; como mago, ele tinha o direito de matar qualquer um abaixo de seu nível que ousasse insultá-lo, desde que justificasse suas ações. No pior caso, enfrentaria uma reprimenda leve—uma palmada na mão, desde que a pessoa morta fosse apenas um civil comum. Ele sempre teria um lugar na Assembleia, não importando o quão mal as coisas corressem por aqui.

Seus pensamentos estavam escurecendo, quando uma nova informação surgiu na tela: o perímetro externo de 100 quilômetros havia sido perdido. Sua expressão ficou dura. O que começou como uma brecha surpresa virou uma invasão em larga escala, e o pior ainda estava por vir.

"Até que distância estão de nós?" perguntou Xalthar pelo intercom, com a voz fria e exigente.

"Mais ou menos cem quilômetros até atingirem a sala de controle," respondeu Quorani, com voz firme, apesar do medo que se espalhava. Ele tinha sido confiado com uma nave que afundava, e embora já acreditasse que poderia virar o jogo com uma estratégia milagrosa, a realidade era sombria. Xalthar não se importaria com suas ambições ou com a impossibilidade da situação—ele queria resultados.

Quorani sabia que se não agisse rapidamente, Xalthar não hesitaria em lidar com ele pessoalmente, assim como já fizera com o vice-capitão anterior logo após o ataque começar. Desesperado por mais tempo, acrescentou: "Mas, sua excelsa sabedoria, tomei precauções. Vendo a rapidez com que avançavam, iniciei uma estratégia de contenção."

"Implantei uma solução de alta resistência de um quilômetro de espessura para selar todos os caminhos que levam à sala de controle e às áreas centrais do navio. Vai levar dias para que eles consigam romper, a não ser que resolvam destruir partes do navio—algo que parecem evitar."

Ele segurou a respiração, esperando que isso fosse suficiente para atrasar tanto os invasores quanto a ira de Xalthar.

Não houve resposta do outro lado do intercom. O coração de Quorani acelerou, quase subindo pela garganta enquanto ele se virava instintivamente na direção da varanda. Um calafrio de medo tomou conta—ele esperava, na sua cabeça, ver Xalthar descendo da sala de observação para acabar com sua vida, como fizera com o vice anterior.

Porém, ao levantar os olhos, deparou-se com o olhar mortal e perturbador de Xalthar, que observava-o de cima com um olhar aterrorizante.

O silêncio era sufocante. Então, sem uma palavra, Xalthar fechou os olhos e se recostou na cadeira, ainda sentado, porém seu breve gesto de desprezo era mais ameaçador do que qualquer movimento. O estômago de Quorani virou de medo. A espera, a incerteza, eram quase piores do que a própria morte. Como um sábio certa vez disse: "A espera pela morte é mais assustadora que a morte em si."

Quorani fechou os olhos com força, pressionando as mãos contra o rosto na tentativa de se recompor. Por um breve momento, abriu-os novamente, olhando pelos espaços entre os dedos. Seu olhar tremia com algo diferente—uma emoção que logo se perdeu atrás da máscara do medo.

Quando finalmente tirou as mãos do rosto, o bravado tinha desaparecido, deixando apenas a mesma expressão de medo que usava antes. Ninguém ao redor dele conseguia perceber o que ele realmente estava sentindo.

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