
Capítulo 715
Getting a Technology System in Modern Day
Terra, CUBE.
Na sala ampla no topo do último andar do CUBE, estavam reunidos Aron, Rina, Henry, seus pais — cujo pai havia saído da prisão há poucos meses —, os chefes de três ministérios, Sarah, Felix, responsável por todas as agências que colaboram com a ARES no contato inicial, além de outros altos funcionários.
Diferente das sessões virtuais habituais, desta vez todos estavam presencialmente no local.
O mesmo ocorria com Nova, Nyx, Gaia e Athena, que participavam usando seus corpos de nanomáquinas, sentados em volta da mesa enorme com os demais.
Apesar de confiarem plenamente na segurança da rede quântica, ninguém queria correr o risco de ficar preso em realidade virtual. A possibilidade de serem aprisionados em um espaço virtual e usados como moeda de troca numa negociação injusta não era zero — especialmente quando suas vidas estavam em jogo, e não a de um civil qualquer.
Uma decisão tomada sob pressão, se eles próprios fossem os alvos, seria muito mais difícil de resistir.
Por isso, Aron decidiu que todas as interações relacionadas aos Visitantes seriam feitas pessoalmente. A rede quântica serviria apenas para comunicação e monitoramento. Essa abordagem foi adotada por todo o império: todos eram forçados a sair do VR, com o acesso ao ambiente virtual suspenso. Somente funções de AR e outros recursos não virtuais poderiam ser utilizados.
Essa precaução foi implantada após uma explicação detalhada dos riscos potenciais e da necessidade de garantir a segurança de todos.
Diante deles, havia uma grande tela exibindo várias imagens e dados da nave. Era a única tecnologia avançada a bordo, embora sua aparência exterior ainda emitisse alguns sinais de rádio para manter uma fachada. O ambiente era impregnado por uma mistura de ansiedade e entusiasmo, pois era o momento em que iniciariam o primeiro contato verdadeiro.
Enquanto observavam em silêncio, veio a voz do comandante da nave: "Comecem a enviar os sinais de comunicação".
Isso representava o ponto sem volta, fazendo todos na sala respirarem fundo. Os próximos passos determinariam como iriam interagir com os Visitantes.
Em meio ao nervosismo e ao silêncio, Henry virou-se para o irmão e perguntou: "Irmão, como vamos nos comunicar com espécies que nem sabemos como elas são, como falam ou qual é a língua delas?" Apesar de ter sussurrado, quase todos na sala ouviram a dúvida, dada a sensibilidade de seus sentidos.
"Boa pergunta," respondeu Aron, desviando o olhar do monitor para o irmão. "O que precisa acontecer para que duas partes conflitantes cheguem a um acordo?" Ele formulou assim a questão para guiar Henry na resposta.
"Um inimigo comum que coloca as duas partes em risco?", respondeu Henry, sem saber exatamente aonde Aron queria chegar, mas seguindo no fluxo, sabendo que havia um motivo por trás.
"Perfeito, um inimigo comum," afirmou Aron. "Isso significa que eles agora têm algo em comum que os une. E aqui estamos nós, usando algo que é compartilhado por ambos, algo que todos têm, independentemente das circunstâncias."
Antes que pudesse explicar melhor, Henry perguntou: "O que seria isso?" percebendo que aquilo era a próxima peça do quebra-cabeça para chegar à resposta de Aron, já que seu irmão costumava responder a essas indagações com explicações detalhadas.
"Qual é o elemento mais abundante no universo?" perguntou Aron, com um sorriso firme.
Henry pensou um instante e respondeu: "Tem o mana, mas, como nossa compreensão dele ainda é limitada, diria que a matéria escura, pela massa, e o hidrogênio, pelo número de átomos."
"Exatamente," confirmou Aron. "Todos estão certos. No entanto, precisamos de algo que não exija equipamentos especiais para descobrir ou interagir. Por isso, escolhemos o hidrogênio, que corresponde a cerca de noventa por cento de todos os átomos do universo."
"Então, como vamos usar isso para nos comunicar?" questionou Henry, olhando curioso para Aron.
"Preste atenção," respondeu Aron, estendendo a mão sobre a mesa. As nanomáquinas incorporadas na superfície ativaram-se imediatamente, projetando um holograma para auxiliar sua explicação.
"Estamos usando a transição hiperfina do hidrogênio neutro," começou Aron, enquanto o holograma mostrava uma representação visual do processo. "Isso acontece quando o elétron de um átomo de hidrogênio inverte seu spin em relação ao próton. Esse flip libera uma quantidade bem pequena de energia, emitindo um fóton com comprimento de onda de 21 centímetros e frequência de 1.420 megahertz."
Enquanto falava, o holograma ilustrava a transição e seu comprimento de onda, facilitando a compreensão.
"Isso nos fornece três elementos," prosseguiu Aron. "O primeiro é a compreensão do sistema binário, que é fundamental. Qualquer espécie tecnologicamente avançada deveria conseguir entendê-lo. Usaremos o comprimento de onda de 21 centímetros como símbolo de '1' e a ausência desse comprimento, como '0'.
Após estabelecer esse sistema binário, podemos determinar um tempo de referência e uma distância — 0,7 nanosegundos, que equivale a uma oscilação completa da transição, para o tempo, e 21 centímetros de comprimento de onda, para a distância."
Henry assistia atento, absorvendo as informações enquanto o holograma mostrava como esses princípios se encaixavam.
"Com esses três elementos — tempo, distância e sistemas binários — como nossas normas, podemos introduzir conceitos matemáticos, uma língua universal que transcende espécies e civilizações, criando uma base comum que pode preencher as lacunas na compreensão, independentemente das diferenças de aparência ou linguagem falada, o que eventualmente levará ao estabelecimento de uma língua comum," concluiu Aron.
"Mas isso não vai levar muito tempo?" perguntou Henry, após assimilar a explicação do irmão.
"Se fosse uma troca direta entre espécies, sim, levaria bastante tempo," reconheceu Aron. "Porém, faremos com que nossas IA e as deles cuidem da comunicação inicial. Elas podem formar uma língua básica entre si, que depois usaremos como ponte para nos comunicar. Assim, o processo será mais rápido, desde que eles não sejam hostis e não lancem um ataque logo de cara."
O olhar de Aron voltou para a grande tela, onde se via a nave enviando o mesmo sinal em intervalos regulares. A repetição era intencional, levando em conta o tempo que levaria para os Visitantes detectar, captar e começar a interpretar o sinal. Esse período poderia variar de alguns minutos a vários dias, dependendo do grau de sofisticação da tecnologia alienígena.
No meio da explicação, Felix, Sarah, os pais de Rina e Aron escutaram atentamente. Eles participaram da reunião por convite de Aron e não haviam sido informados anteriormente dos detalhes. Apesar de desconhecerem muitos aspectos, acharam a explicação fascinante e de fácil entendimento, mesmo para quem não é especialista em comunicação com extraterrestres.
"Agora, como vocês vão responder?" perguntou Aron, baixinho, batucando na mesa enquanto focava na tela cheia de dados que passava na sua frente.