
Capítulo 531
Getting a Technology System in Modern Day
Apenas algumas ruas do tribunal de Shelton ficavam de um pub irlandês. Para turistas e moradores locais, era um local de encontro onde as pessoas podiam esquecer as preocupações, comer uma culinária “étnica” e, no Dia de São Patrício, celebrar bebendo cerveja barata com corante verde ainda mais barato adicionado.
Mas para o culto do progenitor, aquele lugar era um começo. Seu porão era onde Rick havia iniciado sua pregação de uma utopia onde os progenitores viveriam lado a lado com os descendentes humanos que deixaram para trás ao partirem para explorar o vasto universo.
Era um santuário, um local de peregrinação, e o mais próximo de um sítio sagrado que o culto possuía. Por isso, não havia apenas um, mas dois membros do círculo íntimo de Rick presentes naquela cidade tão remota que só aparecia nos mapas por obrigação.
Um deles estava escondido, disfarçado de chefe de polícia, e o outro era o vice-presidente da Associação de Manutenção de Hartstene Pointe.
O telefone na mesa do chefe de polícia tocou, mas, infelizmente, ele já tinha saído. Estava a caminho do porão do pub, onde se reunir-ia com os seguidores do culto na cidade e se armaria para a possível investida policial. Ele não tinha ilusões de que as forças do culto sobreviveriam, mas, quando estão encurralados, até o mais pacato dos coelhos morde.
Porém, se estivesse em seu escritório atendendo aquela ligação, talvez as coisas tivessem desdobrado de forma diferente.
Mas não estava, então seu destino já estava selado.
Ele tinha cerca de quarenta jovens seguidores fortes, além de mais cinquenta ou sessenta adultos e jovens dispostos a se sacrificar, se necessário. Seja ou não eles realmente se sacrificariam, o chefe preferia não perguntar, por medo da resposta — embora eles afirmassem que sim. E isso era o que importava naquele momento.
— Eles estão chegando, correr! — ele ordenou, sinalizando aos que estavam na rua para entrarem no pub enquanto as pessoas que passavam, curiosas, observavam, sem entender muito o que acontecia.
— Consegue passar por isso, chefe? — perguntou um jovem, visivelmente nervoso, enquanto passava por ele.
O chefe apenas o encarou com expressão severa e balançou a cabeça lentamente. — Difícil, gata. Mas, pelo menos, podemos cuspir no olho do diabo enquanto ele nos arrasta pro inferno, — afirmou solenemente, continuando a contar as pessoas e a direcioná-las ao pub.
O jovem, já à beira de um pânico total, ficou pálido, caiu de joelhos chorando. Então, uma luz roxa brilhou em seus olhos, ele parou, depois se levantou roboticamente e seguiu caminhando até o pub.
O chefe já tinha tirado o garoto de sua mente. Para ele, seria ótimo se o rapaz fugisse — assim, ao menos, uma pessoa escaparia do que estava por vir. Mas também seria bom se ele permanecesse, pois isso mostraria que a fé que tinham nos progenitores era forte, inabalável.
Quando viu os movimentos automatizados, não deu muita atenção, achando que era apenas uma forma do garoto lidar com o medo.
Ele era um veterano da Guerra do Iraque e já tinha visto homens fraquejarem. Para ele, a postura zumbi, sem raciocínio, não era novidade. Não podia ouvir a voz na cabeça do garoto o encorajando a pegar uma arma e se martirizar pelos progenitores, nem sentir a batalha interna que acontecia na mente do jovem.
Para o jovem, tudo já era uma luta até a morte mesmo antes do confronto começar. Uma luta, diga-se, que ele vinha perdendo aos poucos.
Logo, a batalha na cabeça do menino cessou e tudo ao seu redor mudou. Ele deixou de ser David Taylor, um promissor terminando o ensino médio, arremessador destaque com bolsa de estudos na Universidade de Washington, e passou a ser Rick Ashley, controlando uma marionete de carne. Tudo nele mudou, exceto seu corpo, mas ninguém ao redor percebeu isso.
Shelton era uma cidade pequena, é verdade, mas não tanto a ponto de todo mundo conhecer dettagliadamente a vida de todos. E David era o único cultista de sua família e circulo de amigos. Ele tinha intenção de envolver outros, mas sua fé nunca foi tão forte a ponto de realmente acreditar.
(Nota do editor: É um erro comum pensar que a vida em cidade pequena significa que todo mundo conhece a vida de todo mundo. Isso não é verdade; pense bem. Será que dá para saber tudo sobre cada pessoa de uma cidade com até mil habitantes? Ainda mais quando a própria cidade é tão pequena que poucos se conhecem de verdade?)
Era comum os adolescentes mudarem de grupo, hobby ou local com frequência. Antes do evento de despertar em massa, essa fase era para descobrir onde se encaixariam pelo resto da vida.
Mas agora, Rick tinha tirado essa escolha de David, obrigando-o a lutar contra uma força irracional que logo o consumiria, como um fazendeiro ceifando um campo de trigo maduro na colheita.
E tudo por um único fato simples: David era abençoado. Ele despertou e, após isso, seus pais fugiram com ele para a pequena cidade de Matlock, Washington, uma cidade dormitório sem estrutura própria.
Embora tenham entrado em pânico e juntado-se ao império na esperança de salvar o filho único, assim que ele saiu do seu pódio médico, rapidamente voltaram às suas crenças anti-imperiais, e seu desejo por uma “liberdade” ilusória os levou a pegar o garoto e fugir.
Assim, “David” caminhou até o chefe e disse: — Posso ajudar, chefe. Sou abençoado por água. — Ao falar, dez bolas de água do tamanho de uma bola de baseball se condensaram atrás de sua cabeça e ombros, começando a girar cada vez mais rápido até se transformarem em uma roda que começou a zumbir pelo ar.
— Você tem certeza, filho? — perguntou o chefe.
O garoto assentiu com a cabeça e olhou para o norte, onde logo surgiriam os ceifadores. — Sim, chefe. Tenho certeza, — respondeu.
......
{Alvos se reuniram e estão agrupados. Sugestão: fogo indireto.}
— Entendido, — disse o líder da equipe de ceifadores. Ele marcou o pub no mapa de batalha e acenou para os especialistas em explosivos e granadas da equipe.
Não precisou dizer mais nada; eles tinham a mesma informação do líder e imediatamente se puseram de joelhos. Um tubo de disparo se estendia de cada módulo de fogo indireto que carregavam nas costas, cada um carregando um único tiro.
O pesado portava uma carga “bunker-buster”, capaz de penetrar três metros no solo antes de encher rapidamente o espaço atravessado com uma mistura de querosene e metano, explodindo em uma bola de fogo que destruiria tudo ao redor, deixando um vácuo que colapsaria os objetos próximos.
Já o especialista em explosivos carregava uma rodada mais convencional de cargas explosivas penetrantes. Ela voaria sobre a cabeça do alvo e explodiria, lançando estilhaços que penetrariam no solo, como uma rajada de espingarda contra um alvo na sua frente.
— Pronto, — relataram os dois, aguardando a ordem de fogo.
A IA da equipe, após confirmar que mortes civis seriam evitadas ao máximo pela sobreposição de ataque, deu permissão ao líder.
— Atirem, atirem, atirem — ordenou, e duas linhas correram para os tubos de lançamento.
Os atiradores se levantaram, voltaram ao grupo, e todos continuaram a caminho do destino.