Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 160

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Ethan estava de bom humor depois de finalmente concluir sua missão no distrito leste.

A comandante o enviara para responder a um chamado de emergência, mas acabou sendo nada além de um pesadelo agressivo causando tumulto. Suprimi-lo não demorara muito.

Depois que tudo foi resolvido, ele informou a base e seguiu direto para o hospital.

Já sabia que a mãe o esfolaria vivo quando voltasse para casa naquela noite, mas, sinceramente, não se importava.

A única pessoa que fazia tudo aquilo valer a pena estava deitada naquele quarto de hospital, precisando de sua atenção.

No caminho, comprou mingau e algumas velas aromáticas antes de subir.

No entanto, no instante em que entrou no quarto, o sorriso desapareceu de seu rosto.

Outra pessoa já estava ali.

E por acaso era a pessoa que ele mais desprezava.

— Você… — rosnou Ethan enquanto entrava, franzindo as sobrancelhas. — Por que está aqui?

— Hm? — Kyle olhou para ele com calma. — Só vim visitá-la.

Ethan cerrou os punhos com força.

— Você mal conhece ela, então por que está agindo de repente como se se importasse?

Mais importante…

Como ele tinha entrado ali?

Aquela era uma área restrita, não um lugar onde qualquer pedra aleatória pudesse entrar andando.

— Bem, por que você está tão exaltado? — perguntou Kyle com um sorriso, virando-se para Layena. — A própria Layena não parece ofendida, parece?

A garota olhou para Ethan e respondeu em voz suave:

— Somos amigos há algum tempo, Ethan. Então é perfeitamente natural que ele venha me visitar.

Amigos…?

Desde quando?

Ethan quase deixou o mingau cair das mãos.

Como eles sequer tinham se conhecido?

Layena era uma pessoa extremamente reservada. Mal falava com alguém na universidade, a menos que fosse absolutamente necessário.

E não era só em sala. Mesmo dentro da equipe, ela raramente interagia com os outros.

Esqueça chamá-los de amigos, Layena costumava tratar todos como pouco mais que estranhos, a menos que estivessem em missão juntos.

Só isso já explicava a reação de Ethan.

— Certo, Layena. Acho melhor eu ir — disse Kyle, sentindo o silêncio constrangedor pesar no quarto.

Aquele cara realmente tinha talento para estragar o clima.

No entanto, assim que Kyle se levantou, Layena puxou de leve sua manga.

E Ethan captou aquele pequeno movimento.

Kyle ignorou o olhar de Ethan e se voltou para ela.

Layena ergueu os olhos sonolentos para ele e perguntou baixinho:

— Você… vai vir me visitar de novo, certo?

Dhak.

Dessa vez, o mingau realmente escorregou das mãos de Ethan.

Ele não conseguia acreditar no que acabara de ouvir.

Layena…

…realmente havia pedido que ele viesse vê-la outra vez?

Sua mente ficou em branco.

Um gosto amargo subiu por sua garganta.

Seus olhos se arregalaram de leve e, sem dizer uma única palavra, Ethan saiu apressado do quarto.

Não…

Aquilo não podia ser possível.

Naturalmente, tanto Layena quanto Kyle o viram sair correndo.

Kyle não conseguiu evitar perguntar:

— Espero que não haja nada entre vocês dois, ou talvez eu tenha que—

— Não há nada entre nós — Layena o interrompeu, fria. — Ele só se importa comigo um pouco demais. Já disse mais de dez vezes para ele cuidar da própria vida, mas…

Kyle abriu um sorriso torto.

— Ele é assim com todo mundo da equipe?

Layena balançou a cabeça devagar.

E isso bastou para Kyle entender.

É claro que Ethan tinha sentimentos por ela.

— Bem, esqueça ele — disse Layena em voz baixa. — Você vai me visitar de novo, certo?

Kyle a tranquilizou:

— Vou. A universidade não vai reabrir tão cedo mesmo, e ainda tenho dez dias antes da matrícula. Até lá, provavelmente vou ficar vagando por aí.

Layena piscou, surpresa.

— Hã? Mas você também não vai ficar livre nesses dez dias.

As sobrancelhas de Kyle se ergueram devagar.

— Como assim?

Layena inclinou um pouco a cabeça.

— Você não sabe? Antes de entrar na Academia, você faz um tour pela base e aprende como tudo funciona.

Kyle franziu a testa.

Ele se lembrava vagamente de Veronica mencionar algo parecido antes, mas, na época, não entendera totalmente o que ela quis dizer.

Algo sobre ganhar experiência e conhecimento básico antes.

— O que exatamente quer dizer? — perguntou Kyle. — Pode explicar um pouco melhor?

Layena hesitou por um momento.

— Hm… eu conto, mas, por favor, não diga à comandante que fui eu.

Kyle quase disse que isso não importaria, já que Veronica provavelmente não ligaria.

Mas guardou essas palavras para si e apenas gesticulou para que ela continuasse.

Layena se ajeitou na cama.

Kyle ajudou a arrumar o travesseiro atrás dela e o inclinou um pouco para que pudesse falar com mais conforto enquanto permanecia deitada.

Recostada no travesseiro, com a cabeça levemente erguida para poder olhá-lo direito, Layena finalmente falou:

— Se você entrar na Academia de repente agora, provavelmente vai ficar sobrecarregado… — disse ela em voz baixa. — Porque quase não sabe nada sobre esse lado do mundo.

Kyle murmurou, pensativo.

— Mas isso não é responsabilidade da Academia? Me apresentar a todas essas coisas?

Layena assentiu de leve.

— É. A Academia ensina as partes importantes, como combate, controle, história, sobrevivência e como lidar com pesadelos corretamente. Mas também existem muitas coisas pequenas que caminhantes noturnos aprendem naturalmente com o tempo, coisas que consideramos triviais demais para sequer mencionar.

Kyle ouviu em silêncio.

— Por exemplo — Layena continuou — a maioria dos caminhantes noturnos tende a canalizar Gênese durante o banho ou cedo pela manhã, logo depois de acordar. Não é exatamente o momento mais eficiente para isso, mas virou um hábito ao longo das gerações.

Ela olhou para o teto como se recordasse algo.

— Algumas pessoas também evitam comer refeições pesadas antes de circular Gênese porque isso as deixa lentas. Outras mantêm velas aromáticas perto da cama enquanto dormem por acreditarem que isso ajuda a estabilizar o fluxo. Existem até equipes que desenvolvem seus próprios pequenos costumes durante missões.

Um sorriso discreto surgiu nos lábios dela.

— Para quem é de fora, essas coisas provavelmente parecem sem sentido, mas, para nós, são normais.

Kyle a encarou por um momento, genuinamente surpreso.

Certo…

Ele só havia entrado recentemente nesse lado oculto do mundo. Para ele, tudo ainda parecia desconhecido, quase desconectado da realidade.

Mas, para caminhantes noturnos, aquilo não era uma sociedade secreta misteriosa.

Era simplesmente a vida cotidiana.

Layena olhou de volta para ele e acrescentou suavemente:

— Você vai começar a entender essas coisas naturalmente quando passar mais tempo perto de outros caminhantes noturnos. Provavelmente é por isso que a comandante quer que você experimente o ambiente antes de jogá-lo na Academia.

Kyle assentiu devagar enquanto tudo enfim começava a fazer mais sentido.

Então Veronica não estava preocupada apenas com estudos ou treinamento de combate.

Ela queria que ele também se adaptasse socialmente.

Que entendesse a mentalidade, os hábitos e a cultura dos caminhantes noturnos antes de se ver de repente cercado por centenas deles.

Depois de pensar por um instante, Kyle coçou a bochecha e perguntou:

— Então… o que exatamente eu vou ser durante esse período? Tipo algum estagiário?

Layena assentiu.

— Sim, pode dizer que sim.

Kyle riu ao ouvir aquilo.

— Então… por favor, cuide de mim, veterana.

As bochechas de Layena ganharam um tom vermelho por algum motivo… mas ela não desviou o olhar de sua responsabilidade.

— Não se preocupe, vou orientar você direito… novato.

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