
Capítulo 159
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
— Sabe de uma coisa, maninha…
Ava olhou para a forma arrebentada de Layena, soterrada sob uma placa de concreto que deixara metade de seu rosto deformado.
Ela ergueu o olhar para o céu, sem um traço de remorso nos olhos, como se não tivesse causado toda aquela confusão nem espancado Layena até deixá-la à beira da morte momentos antes.
— Não é como se eu odiasse você nem nada — murmurou ela. — …seu rosto é bonito demais para eu tolerar. E, sempre que fico irritada, sinto vontade de arruiná-lo.
Ava voltou a olhar para ela, um sorriso cruel curvando seus lábios.
— Bem, se algum dia quiser culpar alguém, culpe seu querido amigo idiota. Se não fosse por ele, talvez eu tivesse ignorado você. Mas agora…
Ela estendeu a garra na direção do rosto de Layena antes de acrescentar:
— …sofra.
Sofrer?
Por que ela deveria sofrer?
Só porque sua mãe fizera algo vil, Layena tinha que carregar a punição por isso? E por que apenas sua mãe era culpada? Não era como se alguém tivesse forçado o patriarca Klaus a ir para a cama e colocar uma criança no ventre dela.
Layena era um erro. Alguém que nunca deveria ter existido. Isso ela entendia.
Então por que não podiam simplesmente deixá-la viver a vida que queria?
Ela nunca pediu direitos. Nunca pediu uma parte da família. Queria apenas uma vida tranquila, longe do fardo de carregar o nome Klaus.
Isso era pedir demais?
— Não, não é — Kyle disse a ela em voz suave. — O que você deseja é o mínimo que todo ser humano merece.
Layena ergueu os olhos para ele, ainda vermelhos e inchados por todas as lágrimas que derramara.
Havia uma dor silenciosa escondida neles, mas, para Kyle, ela gritava mais alto do que qualquer palavra.
Apertando a mão dela com delicadeza, ele a tranquilizou:
— Nada disso é culpa sua, Layena. Depois de ouvir sua história, passei a admirar você por ter tido coragem de sair daquele ambiente em vez de se afogar em luto e depressão.
Kyle fora punido por não atender às expectativas do pai.
A situação de Layena era diferente.
O pai dela nunca esperara nada dela desde o início.
Ele simplesmente… olhava através de sua existência como se ela nem fosse uma pessoa.
E aquela indiferença deu à matriarca e à filha dela, Ava, liberdade para fazerem o que quisessem com a garotinha.
Layena carregava cicatrizes desde a infância.
Tanto o corpo quanto a mente tinham feridas muito mais profundas do que pareciam.
E as pessoas responsáveis por essas cicatrizes eram justamente as que viviam sob o mesmo teto que ela.
Em algum momento, Layena parou de chorar por completo.
Percebeu que sua dor, suas lágrimas e seus gritos desesperados apenas alimentavam o prazer delas.
Então, em vez de fugir da dor, aprendeu a suportá-la.
Parou de se esconder debaixo da cama e começou a se sentar em silêncio sobre ela, esperando todas as noites que a irmã viesse espancá-la.
Também deixou de evitar o olhar da matriarca, porque fazer isso apenas atraía uma ira ainda maior para si.
No fim, Layena aceitou a dor e aos poucos se acostumou a ela.
Era por isso que, mesmo agora, continuava extremamente cautelosa perto das pessoas.
Porque as enxergava pelo mesmo filtro que enxergava a própria família.
As pessoas esperam uma reação, esperam vulnerabilidade, para poderem tirar prazer disso.
Ela nunca mostrava emoções diante dos outros porque tinha pavor de expor outra vez aquela parte frágil de si mesma.
E, se havia alguém que conseguira romper aquela muralha espessa de cautela e vislumbrar seu verdadeiro eu, essa pessoa era a comandante.
No entanto, diante daquele homem específico, alguém que conhecia havia mal duas semanas, Layena se viu incapaz de se conter enquanto despejava sua história inteira diante dele.
— Kyle… você pode guardar isso em segredo? Eu nunca contei a ninguém — pediu ela em voz pequena, claramente envergonhada por ter se emocionado tanto.
Kyle a tranquilizou com gentileza:
— Sou ótimo em guardar segredos, e, quando se trata de algo assim… pode ficar tranquila. Nunca vou contar a ninguém sobre o que conversamos hoje.
Ele sabia quanta coragem era necessária para alguém que engarrafara os próprios sentimentos por tanto tempo finalmente se abrir com outra pessoa.
O próprio Kyle nunca compartilhara nada sobre seu passado ou suas experiências com ninguém, nem mesmo Amanda, porque sempre sentia que pareceria estar buscando pena.
Mas não era bem isso.
Às vezes, uma pessoa só quer desabafar, chorar e colocar para fora tudo que carrega dentro de si há tempo demais.
Layena ergueu os olhos devagar e perguntou:
— Ouvi dizer que você está prestes a entrar na Academia?
Kyle soltou um suspiro e passou a mão pelo cabelo.
— Nem mencione isso. Eu tinha acabado de conseguir parar de pensar nisso para passar esses dias em paz.
Um sorriso discreto surgiu nos lábios de Layena diante da reação exagerada dele.
— Aquele lugar é muito bom para nós, caminhantes noturnos — disse ela. — Aprendemos mais sobre nós mesmos, coisas que nem percebíamos ser capazes de alcançar.
Kyle gemeu dramaticamente.
— Ah, claro… mas eu vou chamar atenção demais. Sou velho demais. Praticamente um espécime a essa altura. E já consigo imaginar todo mundo perguntando sobre meu despertar tardio.
Layena assentiu, concordando.
— Sinceramente, essa parte também me intriga. Pense nisso. Muita gente perde a esperança de despertar depois dos quatorze anos. Alguém como você se tornar uma exceção poderia dar esperança a elas.
Kyle abriu um sorriso torto diante daquilo.
Se ao menos soubessem que seu despertar fora dado por seus espectadores da transmissão…
Ele deveria aconselhá-las a fazer o mesmo?
Nem ferrando.
Foi então que alguém bateu à porta e, logo depois, ela se abriu, revelando a única pessoa que Kyle não queria ver.
— Ethan.
O garoto loiro estreitou os olhos na mesma hora.
— O que você está fazendo aqui, Kyle?
Enquanto isso, na mansão Maylith, depois que os mais velhos retornaram, os pais de Melissa decidiram arrumar as malas e partir.
Eles não moravam em Guhang, então levariam sete horas apenas para chegar lá.
Embora tivessem passado apenas dois dias, para o homem aquilo era uma lacuna considerável, já que sua empresa estava em uma sequência de sucesso, conquistando cada vez mais clientes.
— Melissa.
A garota se virou para a porta e viu o pai parado ali.
— Está pronta para ir? Talvez precisemos passar pela empresa antes de ir para casa. Recebi uma ligação. Tem alguém importante esperando por nós.
Melissa, que até então estava sentada em silêncio, soltou um suspiro.
Abaixando o olhar, murmurou:
— Pai… quero lhe contar uma coisa.
O homem murmurou, confuso.
— O que é?
Com sorte, ela não pediria para ficar ali mais alguns dias… esse era um dos principais motivos pelos quais ele hesitara em trazer Melissa para cá em primeiro lugar.
No entanto, seu palpite estava tão… tão errado.
Melissa olhou diretamente nos olhos do homem e disse:
— Eu não vou mais trabalhar para o senhor.