
Capítulo 158
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
— P-Papai?
Kyle congelou ao ouvir a voz adorável e infantil vindo de Aquilla.
{Sim! Papai é papai!}
Outra resposta alegre veio em seguida, deixando dolorosamente óbvio que ele não estava imaginando coisas.
Ele… conseguia mesmo ouvir a voz de Aquilla agora.
[Essa é a Vontade de Aço, hospedeiro. Sua ressonância com seus armamentos está ficando mais forte, permitindo que você descubra o potencial pleno deles e evolua junto deles.]
Kyle coçou a cabeça.
— Eu entendo isso… mas por que Aquilla está me chamando de pai?
{Papai não me quer…?}
Kyle devia estar imaginando coisas, mas poderia jurar que o brilho de Aquilla diminuiu um pouco.
{Mas mamãe disse que papai ia me amar…}
Kyle ficou imediatamente preocupado com a tristeza na voz dela e respondeu depressa:
— Não, não, eu não desgosto de você. Só estou surpreso.
Ele respirou devagar antes de perguntar com mais calma:
— Pode me dizer quem é sua mãe?
Um certo pensamento já havia se formado em sua mente…
{Claro! Mamãe é mamãe!}
[É sua espectadora, hospedeiro. Ethara.]
…e ele estava certo.
Os ombros de Kyle caíram um pouco.
Então Aquilla sempre possuíra uma vontade própria, e esse tempo todo tentara se conectar com ele.
Ele precisava mesmo de um momento para processar aquilo.
Foi então que outra voz pequena ecoou em sua mente.
{Papai… papai não está feliz?}
— Não é isso — Kyle respondeu com suavidade. — Estou feliz de ouvir sua voz… hm, como devo chamar você?
Chamá-la de Aquilla de repente parecia estranhamente rígido.
{Papai decide!}
Kyle murmurou enquanto coçava o queixo.
— Aella? O que acha?
{Aella! Aella! Aella! Eu amo esse nome!}
Kyle não conseguiu conter o sorriso.
Ela soava genuinamente radiante, e seu brilho aumentou na mesma hora, refletindo suas emoções.
Levantando-se devagar da cama, Kyle perguntou:
— Então me diga, Aella… tem alguma coisa em mim de que você não gosta?
Ele dependia muito de Aquilla.
Ela sempre o apoiava nas piores situações, e, sem ela, ele teria ficado completamente indefeso contra Ava.
Embora amasse ter aquele armamento ao seu lado, não conseguia deixar de se perguntar se realmente o usava da maneira correta.
{Papai é muito bom de mira! Eu amo isso!}
Kyle sorriu de leve com o elogio, mas então Aella continuou:
{Mas… papai, por que você hesita tanto em abrir mão do controle? Papai tem os recursos, mas fica se segurando.}
Kyle murmurou, pensativo.
— O que quer dizer? Se for por mim, sinto que já exagero sempre que dependo da ajuda da Aella.
{Não, papai! Não deixa ninguém dizer isso! Aella acha que papai deve ir com tudo! Explosões grandes! Bum, bum!}
Kyle cruzou o braço esquerdo sobre o peito e assentiu devagar.
— Também acho que preciso soltar um pouco o controle às vezes se quiser entender você melhor. Preciso me levar ao limite para descobrir de verdade o meu potencial.
[Isso é muito perigo—]
{Aeeê! É exatamente disso que Aella está falando!}
Kyle assentiu.
Ele concordava com aquele plano.
Foi então que o celular vibrou.
Pegando-o na mesa de cabeceira, ele leu a mensagem enviada por Veronica.
Veronica: {Você pode ir vê-la.}
Layena estava deitada em silêncio na cama.
Fazia um dia desde que acordara, e agora ao menos conseguia mover a metade superior do corpo direito.
Seus Circuitos Arcanos não tinham sido danificados, então a Gênese a curava muito mais rápido do que qualquer humano normal.
Embora já conseguisse andar um pouco, o médico ordenara estritamente que ela permanecesse hospitalizada por pelo menos mais sete dias.
Layena quis protestar, mas o médico fora esperto o bastante para trazer a única pessoa contra quem ela não conseguia argumentar.
A comandante.
No fim, não teve escolha além de ficar.
Knock.
Uma batida suave ecoou pelo quarto antes que a porta se abrisse lentamente com um rangido.
A princípio, ela imaginou que fosse Ethan outra vez. Ele só saíra naquela manhã a contragosto depois de levar uma bronca da comandante.
Mas a pessoa que entrou não era Ethan.
Era alguém inesperado.
Um homem carregando uma caixa nas mãos.
— Você… já está bem o bastante para andar por aí? — ela perguntou.
Sua voz soava relativamente normal, embora uma ardência discreta ainda permanecesse em algum ponto da garganta.
— Sim, estou bem. Bem melhor que você, com certeza — Kyle respondeu em tom de brincadeira, puxando o banco ao lado da cama e colocando a caixa sobre a mesa. — Comprei pipoca de caramelo para você. Coma se estiver com vontade.
Layena não conseguiu impedir um sorriso.
— As pessoas não costumam levar flores para hospitais?
Kyle coçou a nuca, meio constrangido.
— Na verdade, comprei isso para mim, mas… estou cortando calorias agora, então achei melhor dar para você.
Dessa vez, ela mal conseguiu conter uma risada.
Tão sem filtro… e, ainda assim, ela apreciava a honestidade.
Kyle então cruzou os braços e perguntou:
— Então… ficou sabendo da notícia? Meu segredo vazou.
Layena assentiu devagar.
— A comandante me contou, embora tenha pedido que eu mantenha confidencial por enquanto.
Kyle já havia informado Veronica de que Layena sabia sua identidade, então provavelmente era por isso que a comandante falara com ela diretamente.
— Mérito da sua irmã. Não consegui ficar escondido nas sombras por muito tempo — disse ele, antes de lançar a ela um olhar mais demorado. — E parece que eu não fui o único que ela visitou.
Layena enrijeceu um pouco ao ouvir aquelas palavras e desviou o olhar em silêncio.
Kyle continuou, baixo:
— Eu sei que você mentiu sobre não ter visto quem a emboscou. Mas pode confiar em mim, Layena.
A garota de cabelos negros permaneceu imóvel, os olhos rodopiando com emoções que já não conseguia esconder.
Kyle suspirou de leve.
— Não é como se eu fosse investigador ou alguém cujas palavras seriam levadas a sério caso eu relatasse isso às autoridades. Então por que não me contar, Layena? Talvez possamos dividir esse sofrimento.
— Você não entende… — murmurou ela, balançando a cabeça. — …como é ter a própria existência rejeitada. As pessoas… o homem que deveria ser o pilar de apoio de toda criança… você não entende como é quando ele desvia os olhos de você e ignora o seu sofrimento.
Kyle sorriu de leve.
— Bem… na verdade, isso chega bem perto de casa. No meu caso, meu irmão mais velho não era a fonte do meu sofrimento…
Layena se virou para ele, a confusão preenchendo seus olhos.
Kyle abaixou o olhar, mas o sorriso fraco não saiu de seu rosto enquanto continuava:
— A fonte da minha agonia e do meu trauma era o mesmo pilar protetor que você acabou de mencionar.
Os lábios de Layena se entreabriram em choque.
Aquilo não podia ser verdade… podia?
Kyle ergueu a mão devagar e a pousou com delicadeza sobre a cabeça dela.
Em uma voz baixa e gentil, ele disse:
— Está tudo bem, Layena. Você pode confiar em mim. Eu não vou trair você, prometo.
Layena encarou seus olhos em silêncio por vários longos instantes.
Desde que acordara, inúmeras pessoas haviam perguntado quem a atacara, inclusive a própria comandante.
Mas Layena não queria que a situação escalasse, então ficou calada.
Ainda assim, pela primeira vez, essa contenção começou a rachar.
Seus olhos lentamente ficaram úmidos enquanto ela abaixava a cabeça.
E o que veio em seguida foi a primeira vez que Kyle ouviu Layena chorar.
Por estranho que fosse, um alívio tomou conta dele.
Porque finalmente conseguira atravessar a casca que cercava o coração dela.