
Capítulo 157
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Kyle estava diante de um homem alto e de ombros largos, com cabelo curto louro-acinzentado e olhos cinzentos tranquilos.
Uma cicatriz desbotada se estendia pelo dorso de sua mão esquerda, e o casaco escuro e simples que cobria seu corpo pouco fazia para esconder a constituição sólida por baixo.
Não havia nada chamativo nele, mas o olhar firme carregava uma confiança silenciosa. E havia algo em sua presença… não era intimidador, mas Kyle conseguia sentir alguma coisa.
Como se ele estivesse contendo muito e expondo pouquíssimo. Talvez fosse tão forte assim, a ponto de se esforçar tanto para se manter contido.
— Quem… é você? — perguntou Kyle, inclinando levemente a cabeça.
— Você não me reconhece? — perguntou o homem, o sorriso sem desaparecer. — Sou seu espectador da transmissão, WarHorse!
Ele disse isso antes de pousar uma mão pesada no ombro de Kyle.
Kyle soltou uma longa respiração. De algum modo, já esperava por aquilo, afinal, estava diante daquela pessoa logo depois de absorver a bênção.
Ainda assim, ser invocado para aquele vazio onde nada além dos dois existia não parecia nada bom.
Talvez fosse porque ele ainda não havia se recuperado dos fragmentos de memória que testemunhara algumas horas antes. Sua mente parecia um pouco desorientada naquele momento. A constante viagem por lugares como aquele começava a sobrecarregá-lo.
— Você não parece muito bem, camarada. Aqui, sente-se primeiro.
O homem falou, e duas cadeiras surgiram diante deles do nada.
Kyle assentiu e aceitou a oferta. Precisava se sentar e processar a situação com calma.
WarHorse ocupou o assento à sua frente, o sorriso brilhante sem sair dos lábios.
Kyle ergueu os olhos para o homem e perguntou:
— Então… você é um deus, hein?
Disso ele agora tinha cem por cento de certeza… por mais absurdo que soasse.
Afinal, até pouco tempo atrás, considerava ele e os outros pessoas normais assistindo à sua live e fazendo perguntas aleatórias.
O homem riu.
— Você pode dizer isso, mas, para você, sou apenas seu amigo.
Kyle murmurou baixo.
— Bem, então qual é o seu nome? Quero dizer, chamar você pelo nome de usuário parece meio estranho.
WarHorse era um nome simples, daqueles que usuários usavam antigamente quando jogos online ainda eram novidade. Na transmissão, até funcionava… mas chamá-lo por esse nome pessoalmente certamente seria estranho.
O homem barbado ficou em silêncio por um momento. Hesitação? Quando Kyle já pensava em retirar a pergunta, ele finalmente disse:
— Pode me chamar de Tyr.
Kyle assentiu.
— Certo, Tyr. Onde estou? E o que aconteceu depois que absorvi a bênção?
Tyr se recostou na cadeira, os braços largos quase engolindo o móvel inteiro, e respondeu:
— Esta breve interação entre nós é possível por causa da bênção que você absorveu. Veja, sempre que abençoamos alguém, formamos um contrato com essa pessoa e, por meio desse contrato, podemos estabelecer uma conexão.
Kyle murmurou, curioso:
— Então Melissa também esteve aqui antes?
Tyr ergueu a cabeça lentamente.
— Não. Apóstolos não podem nos ver diretamente. Nós apenas enviamos mensagens quando as coisas começam a sair da ordem.
Kyle abriu um sorriso torto.
Mais uma exceção para a qual provavelmente nunca receberia uma explicação adequada.
Foi então que Kyle notou o braço esquerdo de Tyr.
Várias cicatrizes negras percorriam todo o membro, começando no ombro.
— O que aconteceu com esse braço? — perguntou ele, casual.
Tyr lançou um breve olhar para o próprio braço.
— Eu não contei isso antes? Nossa primeira conversa de verdade foi sobre ele.
Kyle piscou, surpreso.
— Trair um amigo e pagar o preço, se bem me lembro… então esse foi o preço? — perguntou, gesticulando para o braço.
O homem assentiu.
— Sim… perdi um braço, e desde então, sempre que faço outro crescer, eu mesmo o corto.
Kyle suspirou. A lógica parecia absurda, mas…
— Considerando o quanto você estava devastado naquela época, eu entendo.
Kyle ainda se lembrava das longas conversas que tivera com WarHorse naquele período. Naquela época, o homem não se parecia em nada com essa figura alegre e cheia de vida à sua frente. Ele costumava falar apenas da feiura do mundo, afogando-se em negatividade.
Kyle chegou a repreendê-lo algumas vezes, forçando-o ao menos a olhar para o lado mais claro das coisas.
Ele nunca disse a Tyr para parar de sofrer, mas lembrou ao homem que ainda havia um mundo além do companheiro que perdera.
— A causa era grandiosa, mas o preço não foi — murmurou Tyr, a voz ficando um pouco mais pesada. — Você me ajudou a perceber que eu precisava enxergar o quadro maior, em vez de ficar preso eternamente à minha perda.
Kyle suspirou antes de sorrir de leve.
— Bem, fico feliz que tenha entendido.
Um breve silêncio caloroso se instalou entre os dois antes de Kyle voltar a falar.
— Então, você pode me dizer como devo neutralizar a bênção? Porque tenho a sensação de que não vou conseguir usá-la.
O sistema apontara algo dolorosamente óbvio que ele não havia percebido antes.
Kyle não possuía a inteligência nem o talento de Melissa. Ela era uma gênia, alguém naturalmente dotada para a ferraria.
Foi por isso que recebera a bênção em primeiro lugar.
Mas Kyle?
Ele nunca havia forjado nada na vida e tinha certeza de que não chegava nem perto de ser tão brilhante quanto ela.
Tyr, por outro lado, não parecia preocupado.
— Não se preocupe. A bênção vai se ajustar para se adequar a você da melhor forma possível. Apenas espere até ela assimilar por completo.
Kyle pareceu um pouco surpreso.
— E você tem certeza de que eu não vou acabar causando algo parecido com o que Melissa fez? Quero dizer… mesmo que ela nunca tenha pretendido fazer nada de ruim.
Tyr apenas encarou Kyle por alguns instantes.
Não porque estivesse pensando ou hesitando, mas porque parecia genuinamente divertido.
Então finalmente falou o que pensava.
— Irmão… não existe uma única possibilidade em que eu consiga imaginar você usando mal minha bênção para destruir o mundo.
As sobrancelhas de Kyle se ergueram de leve.
— Uau… isso é uma quantidade absurda de confiança. Sinceramente, chega a ser perturbador.
A divindade balançou a cabeça e o tranquilizou:
— Não se preocupe. Quando chegar a hora, você vai entender por que confiamos tanto em você.
Kyle murmurou, surpreso, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, sua visão começou a embaçar de repente.
— Ah, nosso tempo acabou — disse Tyr, com um traço de decepção. — Bem, podemos manter contato agora que você se tornou meu apóstolo.
Kyle não tinha muita certeza de como se sentir quanto a isso, mas já não tinha força para responder, então permaneceu em silêncio.
Logo sua visão escureceu por completo e, quando abriu os olhos outra vez, estava de volta ao quarto.
— Haaah… isso foi alguma coisa — murmurou Kyle, passando a mão pelo cabelo.
[Parabéns, hospedeiro. A bênção foi totalmente assimilada.]
As sobrancelhas de Kyle se ergueram.
— Vontade de Aço… o que eu consigo fazer com isso?
[Hospedeiro, por que não tenta invocar seu arco para verificar?]
Confuso, Kyle seguiu as instruções.
E, no instante em que Aquilla apareceu em sua mão… ele ouviu.
{Olá, papai!}
P-Papai?!