Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 156

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Mais tarde, naquela noite, Kyle estava de volta em casa, descansando na cama com os olhos fixos no teto.

Sua mente continuava ocupada com o que vira mais cedo dentro da paisagem mental de Melissa.

No instante em que recebeu a recompensa de WarHorse e obteve controle absoluto da Gênese, inúmeras lembranças vieram em enxurrada, como se estivessem trancadas atrás de um portão havia tempo demais. E, assim que a menor abertura surgiu, elas invadiram sua mente sem qualquer restrição.

Ele se lembrava com nitidez… criação, destruição e o caos entre uma coisa e outra. Havia testemunhado coisas que nem os filmes modernos poderiam esperar retratar apenas com tecnologia. Não havia dúvida. Ele não estava sonhando acordado.

Aquilo fazia parte dele.

Eram suas memórias.

Mas por que agora, entre todos os momentos? Ele estava de alguma forma ligado a algo antigo?

Seus ancestrais tinham alguma relação com seres superiores? Ele duvidava. E, mesmo que tivessem, por que Kyle herdaria as experiências e lembranças deles?

Ele nem sequer havia despertado naturalmente. Aqueles poderes tinham sido forçados sobre ele contra o próprio destino.

E o que percebeu naquelas memórias não era uma divindade, mas algo muito acima delas. Algo que olhava para elas como se não passassem de peões… não, isso parecia errado.

Mas chamá-las de crianças também soava estranho.

— Haah… isso é perturbador — murmurou ele antes de se sentar.

Kyle não podia se demorar naquele assunto, pois havia coisas muito mais importantes exigindo sua atenção.

A começar pelo Orbe da Bênção que extraíra de Melissa.

— Sistema… tem certeza de que não existe outro jeito seguro? — perguntou Kyle, invocando o orbe em sua mão.

O limite de seis horas estava quase acabando, então ele decidira fazer a escolha agora.

[Sim, hospedeiro. Você não pode entregar esta bênção a mais ninguém, pois essa pessoa poderia fazer algo ainda pior do que a antiga Abençoada.]

— E se eu confiar nela? Como o Blake?

[A bênção não seria compatível com ele. Afinal, esta bênção foi moldada especificamente para a antiga Abençoada.]

Kyle abriu um sorriso torto.

— E mesmo assim você acha que eu dou conta?

[Hospedeiro… há perguntas que é melhor deixar para depois.]

— É, é. Mais essa porcaria de coisa que você está proibido de responder.

A essa altura, Kyle começava a perceber que sua origem talvez fosse muito mais complicada do que ele jamais desejara.

Primeiro, sua fonte de magia. Depois, a ausência de Circuitos Arcanos.

E agora… isto.

Respirando fundo, ele perguntou ao sistema:

— Vai doer?

[Não, hospedeiro. O sistema garante que isso sequer irá arder.]

Kyle murmurou em concordância antes de finalmente bater a mão contra o próprio peito.

Thunk.

A luz foi absorvida por seu corpo.

Energia dourada irrompeu violentamente dentro dele, correndo por suas veias enquanto seus olhos ardiam com um calor fraco e abrasador.

— Agh…

Ele fez uma careta quando suas pupilas ficaram brancas antes de desaparecerem por completo.

Sem íris.

Sem esclera.

Nada além de um vazio infinito.

E, no instante seguinte, Kyle se viu sentado diante de um ser.

O mesmo ser cuja bênção acabara de absorver.

— Irmão! Finalmente nos encontramos!


A vários quilômetros do apartamento onde Kyle tinha uma reunião divina, uma conferência muito mais comum acontecia entre os chefes de departamento de uma empresa sob o comando da família Astortia.

Blake estava sentado à cabeceira da mesa, a posição que herdara alguns anos atrás e administrava desde então.

Suas sobrancelhas se franziram enquanto ele lia os relatórios de marketing mais recentes, a expressão ficando mais sombria a cada página.

A atmosfera na sala era tensa.

Os membros dos departamentos permaneciam em silêncio, trocando olhares nervosos de vez em quando. Não era normal que o chefe convocasse uma reunião sem aviso prévio.

Thap.

Blake jogou o arquivo sobre a mesa antes de perguntar:

— Alguém aqui consegue me dizer qual é o limite do ramo em que atuamos?

Seu olhar percorreu a sala, encontrando a maioria deles baixando a cabeça.

Até que o chefe do departamento de marketing finalmente falou.

— Não existe limite, senhor. O desenvolvimento nunca para, e nós também não.

O homem respondeu com absoluta confiança, usando até um sorriso brilhante.

Blake virou os olhos lentamente para ele.

Enquanto isso, Lara, a única pessoa na sala que realmente vira o conteúdo do arquivo que provocara o desagrado de Blake, resistiu à vontade de levar a mão à testa.

Mas o estrago já estava feito.

Blake murmurou baixo antes de perguntar:

— Sr. Thompson, como chefe de marketing, você deve estar ciente de todos os principais locais de desenvolvimento atualmente ativos em Guhang, correto?

A confiança do homem vacilou de forma visível, embora ele ainda assentisse.

— S-Sim, senhor. Mas por que pergunta?

— Quantos são? Os principais.

Um sorriso rígido surgiu no rosto do homem.

— Hm… não consigo dar uma contagem exata agora, mas, se me der algum tempo…

— Estou lhe dando tempo — Blake o interrompeu com calma. — Um mês. Encontre outro emprego, Sr. Thompson.

Os olhos do homem se arregalaram em choque.

Mas, antes que pudesse falar, Lara lançou a ele um olhar afiado que o calou na hora.

Blake soltou um suspiro discreto antes de se dirigir à sala inteira.

— Sei que os negócios estão indo bem e que ainda mantemos a liderança no mercado de Guhang. Mas a satisfação com a posição atual só surge quando vocês se comparam a quem está abaixo.

Seu olhar ficou mais frio.

— E eu desprezo essa mentalidade.

O silêncio engoliu a sala de reuniões.

Blake se recostou um pouco antes de dizer suas últimas palavras.

— Quem acredita que já alcançamos o topo, e que não há mais espaço para crescer, deve reconsiderar a própria mentalidade… ou ir embora.

— Por hoje é só.

Quando Blake se levantou, os outros trocaram olhares inquietos antes de também se colocarem de pé.

Lara soltou um suspiro baixo depois que o último funcionário finalmente saiu da sala.

Só então murmurou:

— Já preparei uma lista de possíveis substitutos e novos recrutados capazes de lidar com o marketing com mais eficiência.

Blake assentiu.

— Cert—

— Blake!

A porta foi aberta de repente.

Lara quase revirou os olhos no instante em que viu o rosto familiar do patriarca Astortia.

Fumegando de raiva, o homem bateu uma caixa de presente sobre a mesa.

— O que significa isto?!

Blake se voltou para ele com um leve sorriso debochado.

— Por quê? Não gostou? Lara embalou com bastante capricho.

— Obrigada, senhor — respondeu Lara, fazendo uma reverência educada.

O rosto de Mathew ficou vermelho de fúria enquanto ele batia a palma na mesa com força suficiente para rachar a madeira sob ela.

O impacto fez a caixa virar.

Uma cabeça humana rolou para fora.

Ela pertencia ao antigo diretor financeiro da empresa.

O mesmo homem que informara Mathew sobre a nova residência de Kyle.

Blake confiara nele.

Ele traíra Blake.

E agora a conclusão daquela traição rolava pela mesa.

— Você acha que pode sair impune de algo assim?! — rosnou Mathew. — Você tem me subestimado demais ultimamente.

A expressão de Blake perdeu o traço de diversão aos poucos.

Seu olhar ficou gelado enquanto encarava o homem diretamente.

— Qualquer pessoa que colocar a vida de Kyle em risco terá o mesmo fim. Lembre-se disso.

Sua voz baixou ainda mais.

— E isso inclui absolutamente todos.

Mathew enrijeceu diante daquelas palavras.

Seus olhos continuaram fixos em Blake por mais um instante antes de ele se virar e sair sem dizer nada.

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