
Capítulo 155
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
— Como você se sente agora? — perguntou Amanda, entregando a Kyle um comprimido para dor de cabeça e um copo d’água.
— Só esse martelar na cabeça — ele respondeu, fazendo uma careta. — Não se preocupe, já vai passar. Só deixa as luzes um pouco mais fracas.
Amanda assentiu, pegou o controle e ajustou a iluminação para um tom mais quente.
Depois de beber a água, Kyle soltou um suspiro baixo e se recostou na cadeira.
Amanda hesitou. Pelo estado dele, não sabia se deveria perguntar, mas não conseguiu impedir que a dúvida que rondava sua mente saísse pela boca.
— Você tem certeza de que ela sabe que foi você?
Kyle assentiu devagar.
— Conversei bastante com Melissa enquanto estava dentro da cabeça dela. Precisei convencê-la a abrir mão, ou toda essa situação teria saído de controle.
Amanda suspirou e olhou para a prima adormecida.
— Felizmente, ela concordou.
Kyle assentiu outra vez.
— Ela só relutou um pouco por causa do pai. Ainda bem que isso não durou muito.
Amanda murmurou em concordância.
— Foi culpa minha por não ter percebido a situação dela antes. Eu não fazia ideia de que meu tio tinha tanta influência sobre ela.
Kyle abriu um sorriso torto.
— Ultimamente, todo mundo que eu conheço parece ter uma situação familiar péssima.
Um breve silêncio se acomodou entre os dois até Amanda finalmente voltar a falar.
— Kyle, vou chamar um táxi para você. Por favor, vá embora logo.
Kyle piscou, surpreso.
— Seus pais já estão voltando?
Amanda balançou a cabeça.
— Não é isso. — Ela respirou fundo antes de revelar o plano. — Eu estou prestes a explodir o andar de cima da mansão.
— …O quê?! — Kyle se endireitou de repente, chocado. — Por que você faria isso?
Amanda explicou com calma:
— Melissa não pode simplesmente perder o dom dela sem levantar suspeitas. Haveria investigações e perguntas intermináveis. Mas, se houve uma emboscada, então a supressão da habilidade dela faria sentido. Afinal, o dom dela está ligado à mente. Um ataque à curta distância poderia servir como justificativa plausível para um dano psicológico.
Kyle começou a entender aos poucos o que ela queria dizer.
Aquilo seria tratado como uma incapacidade causada por um acidente.
E, sinceramente, essa explicação era muito melhor do que dizer às pessoas que Melissa simplesmente havia perdido os poderes por… nada.
— Recentemente, muitos caminhantes noturnos foram atacados, como o irmão Blake e Layena, então eles também ligariam esse incidente aos outros — Amanda acrescentou.
Só isso já revelava o quanto ela havia planejado tudo, apenas para garantir que nem a menor suspeita chegasse a Kyle.
Kyle soltou um suspiro lento.
— Isso parece imprudente, Amanda. Esta casa pertence à família Maylith, um dos ramos familiares mais fortes de Guhang. Uma explosão aqui atrairia muito mais atenção do que queremos.
Amanda abaixou a cabeça com um suspiro aflito.
— Você tem razão, mas não consigo pensar em mais nada…
— Você não precisa se preocupar com isso, Amanda.
Uma terceira voz entrou de repente na conversa.
Os dois se viraram para a cama quando Melissa se sentou devagar, segurando a cabeça.
— Milli! Não se levanta ainda.
Amanda se pôs de pé imediatamente e correu até ela.
Melissa levou alguns instantes para se firmar antes de perguntar em voz baixa:
— Pode me trazer um pouco de água?
Amanda assentiu depressa e se virou para servir outro copo.
Kyle se levantou devagar da cadeira, mas Amanda o advertiu imediatamente:
— Não fica andando por aí se ainda não estiver se sentindo bem.
Kyle sorriu de leve e a tranquilizou:
— Já estou me sentindo muito melhor, Amanda.
Ele se aproximou lentamente da cama e se sentou aos pés dela.
Melissa o observou em silêncio, acompanhando seus passos até ele se acomodar à sua frente.
Os olhos dela carregavam emoções que Kyle não conseguia decifrar direito, mas uma coisa era certa. Ela tinha muito a dizer.
— Aqui — disse Amanda, entregando o copo d’água.
Melissa aceitou antes de se voltar mais uma vez para Kyle.
— Então… você é um caminhante noturno.
Kyle trocou um breve olhar com Amanda antes de assentir.
— Sou… eu despertei faz pouco tempo.
— E como você sabia da minha bênção? Amanda contou?
Kyle soltou um suspiro discreto.
— Não exatamente. Amanda costuma falar de você e elogiar muito o seu trabalho. Quanto à sua bênção… acontece que eu tenho uma habilidade que me permite identificar que tipo de bênção alguém recebeu. Não sempre, é meio aleatório. E, quando soube por Amanda o quanto essa bênção tinha trazido sofrimento para a sua vida, decidi libertar você dessa maldição.
Ele acreditava que aquela era a melhor explicação que podia oferecer.
Naturalmente, contar sobre a transmissão e sobre o fato de um dos espectadores dele ser responsável por abençoá-la soaria absurdo ou simplesmente insano.
Pelo modo como Melissa o olhava, era óbvio que ela não comprara totalmente a explicação. Felizmente, escolheu não pressioná-lo e apenas bebeu a água.
Amanda puxou uma cadeira para mais perto e se sentou ao lado da prima antes de perguntar:
— Como você se sente agora? Algum desconforto?
Melissa balançou a cabeça devagar.
— Parece… normal. — Ela soltou um suspiro baixo antes de continuar: — Recebi essa bênção há quase dez meses e, desde então, sempre havia essa coceira constante me empurrando a fazer alguma coisa com a habilidade que ganhei. Mas agora… essa coceira sumiu.
Kyle ficou um pouco tenso.
— Isso não é ruim? Quero dizer, você também perdeu o entusiasmo de aprender mais.
Melissa o corrigiu com delicadeza:
— Eu perdi o impulso compulsivo de fazer mais. Minha curiosidade para aprender continua aqui, então não se culpe.
Kyle não soube como responder e permaneceu em silêncio.
Melissa então voltou a atenção para Amanda e a tranquilizou:
— Eu vou resolver as coisas com meu pai, então não se preocupe. Embora exista uma boa chance de ele me expulsar depois disso, o que significa que eu provavelmente vou voltar para você.
Ela lançou um olhar para Kyle antes de acrescentar em tom de brincadeira:
— Afinal, seu namorado seria o motivo.
Kyle e Amanda sorriram de leve ao vê-la agir como ela mesma outra vez. Ela não guardava ressentimento de nenhum dos dois, mesmo Amanda tendo traído sua confiança e Kyle tendo tirado algo precioso que ela conquistara com anos de devoção e trabalho duro.
Kyle mal conseguia imaginar se manter tão calmo caso estivesse no lugar dela.
— Milli… você sempre será bem-vinda para ficar aqui comigo. Prometo cuidar de você sem pedir nada em troca — disse Amanda, calorosa, pousando a mão sobre o colo de Melissa.
Um pequeno sorriso surgiu nos lábios de Melissa.
Ter alguém que permanecia ao seu lado como um pilar de apoio inabalável…
Era uma sensação reconfortante.
Então ela se voltou para Kyle e perguntou:
— E quanto a você? Agora que vou parar de produzir mercadorias para os meus clientes, mais pessoas vão vir atrás de mim e tentar me tomar para si. Você vai me proteger?
Kyle manteve o olhar baixo, um sorriso discreto nos lábios, e respondeu em voz tranquila:
— Vou assumir a responsabilidade por isso. Se um dia você decidir morar aqui em Montclair, terá minha proteção.
Melissa soltou um pequeno muxoxo.
— É bom cumprir sua palavra, ou vou jogar Amanda contra você espalhando mentiras e todo tipo de absurdo. Sou uma garota muito manipuladora, então tome cuidado.
Kyle e Amanda só conseguiram rir da observação dela.
Felizmente, tudo havia acabado bem.
…por enquanto.