Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 154

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Kyle cambaleou no instante em que recebeu a recompensa.

Um pulso violento rasgou suas veias, borrando sua visão enquanto o mundo ao redor se dissolvia.

Não em escuridão.

Em algo mais profundo. Um lugar onde a própria escuridão ainda não existia.

Não havia céu, chão ou estrelas. Apenas uma quietude infinita se estendendo em todas as direções.

E, dentro daquela quietude… algo colossal.

Kyle não conseguia percebê-lo por completo. Cada tentativa fazia uma agonia atravessar seu crânio, sua mente rejeitando a visão por instinto.

Mesmo assim, ele entendeu uma verdade aterrorizante.

Aquela existência era alguém familiar… assustadoramente familiar.

Uma pressão antiga flutuava pelo vazio, atemporal e sem limites, carregando uma solidão tão vasta que fez seu peito doer.

Então, de repente, uma centelha apareceu.

Pequena e mal sobrevivendo.

A primeira luz.

A respiração de Kyle falhou quando a presença colossal se aproximou lentamente dela, não com domínio ou indiferença, mas com uma admiração silenciosa, como se finalmente tivesse descoberto algo belo depois de uma eternidade de vazio.

O fragmento se estilhaçou.

Kyle arfou com força, apenas para outra memória se chocar contra ele antes que pudesse se recuperar.

Incontáveis figuras se ajoelhavam sob um horizonte prateado e infinito. Algumas carregavam lanças, outras usavam coroas, enquanto algumas irradiavam tempestades, chamas, oceanos e as próprias estrelas.

Embora seus rostos permanecessem borrados, Kyle entendeu por instinto o que eram.

Seres superiores.

E cada um deles havia inclinado a cabeça para a figura sentada acima.

Um por um, os deuses se levantaram e partiram para diferentes cantos da existência, como crianças deixando a casa de sua origem.

Ainda assim, antes que o último desaparecesse, ele olhou para trás.

Havia medo em seus olhos.

Não medo de crueldade.

Medo do que aconteceria se aquela existência tranquila algum dia perdesse a compostura.

A memória se partiu em estilhaços.

— Agh!

Kyle cambaleou para trás, segurando a cabeça enquanto uma dor insuportável rasgava seu crânio.

Ele olhou à frente e viu a Melissa fantasmagórica avançando em sua direção em câmera lenta.

— O que… é isso? — Kyle murmurou, luz dourada queimando em seus olhos.

O fragmento subconsciente da mente de Melissa não percebeu a mudança nele. Na verdade, nem o próprio Kyle havia percebido o que estava fazendo.

Pela primeira vez, ele usava o Olho de Deus em todo o seu potencial.

E sem o apoio do sistema.

Ele observou a criatura se aproximar, seus braços frágeis e parcialmente regenerados se estendendo em sua direção, prontos para perfurar seu corpo.

Kyle estreitou os olhos e ergueu a mão.

Energia dourada fluiu das pontas de seus dedos.

Gênese.

E ela obedecia ao seu comando.

A energia avançou e envolveu o ombro da criatura, suspendendo-a no ar.

Com indiferença casual, Kyle a empurrou para o lado, como se a coisa que quase rasgara sua garganta momentos antes não passasse de um incômodo.

Descartando o fantasma sem lançar outro olhar, caminhou até Melissa, que permanecia sentada no chão.

Ajoelhando-se diante dela, encarou em silêncio seus olhos sem vida por um breve momento.

Então o instinto assumiu.

Kyle se inclinou até sua testa tocar a dela, os olhos se fechando lentamente.

Um pulso de Gênese ecoou por sua consciência antes que sua voz o seguisse.

— Melissa… escute. Isso já não é sobre você.

— Quem… é você…? — ela finalmente respondeu, a voz quebrada e hesitante.

— Isso não importa. O que importa é entender as consequências do que você está fazendo. Sua bênção está sendo usada de forma indevida, e eu posso tirá-la de você.

Aquelas palavras enviaram um choque violento pelo corpo dela, fazendo-a estremecer visivelmente.

— Você está mentindo… você não pode fazer isso.

— Você sabe que eu posso. É por isso que está resistindo a mim em primeiro lugar. Porque não quer abrir mão desse poder que finalmente fez você se sentir importante.

A voz de Kyle permaneceu calma.

— Mas, Melissa, seu dom trouxe destruição e massacre. E, se isso continuar, continuará destruindo vidas.

Ele fez uma pausa antes de acrescentar com firmeza:

— Você não merece empunhar um poder como esse.

Houve um longo silêncio antes de ela finalmente revelar o verdadeiro motivo por trás de sua hesitação.

— Mas então… meu pai vai me descartar. Ele vai se decepcionar… e me jogar fora.

Kyle entendeu imediatamente.

O pai dela era a raiz de tudo.

Por tudo que ouvira, o homem era astuto, ganancioso e consumido pela ambição. E agora que sua empresa finalmente começara a crescer, não havia chance de que abrisse mão voluntariamente da filha que tornara isso possível.

Melissa não era nada além de uma galinha dos ovos de ouro para ele.

Essa era a fonte de seu medo.

Ela estava apavorada com a ideia de voltar a ser insignificante.

Mas Kyle se recusava a deixá-la continuar acreditando nisso.

— Melissa… você está errada em pensar que seu valor depende da validação de alguém, até mesmo do seu pai.

Sua voz se suavizou um pouco.

— Eu cresci em uma casa onde me lembravam constantemente de que eu não merecia nem existir. E doía ainda mais porque essas palavras vinham das pessoas que deveriam ficar ao meu lado em qualquer situação.

Ele baixou um pouco a voz antes de continuar:

— Mas eu não deixei que elas decidissem até onde minha vida poderia ir. Eu corri riscos. Eu as desafiei. Eu escolhi fazer algo com a minha própria vida.

Em algum momento, os olhos de Melissa finalmente ganharam foco.

Ela encarava diretamente o olhar inabalável de Kyle.

Umidade se acumulava nos cantos de seus olhos enquanto seus lábios tremiam.

— Mas… eu não sou como você ou Amanda. Eu nem tenho confiança para sair de casa.

Sua voz falhou.

— E, se você tirar isso de mim… meu pai vai me abandonar.

Kyle segurou gentilmente o rosto dela e olhou em seus olhos trêmulos.

— Então isso seria mesmo abandono… ou liberdade? — ele perguntou em voz suave. — Quem iria querer ficar ao lado de um homem que só te chama de filha porque você é útil para ele?

Melissa fungou e baixou o olhar.

Ela já não encontrava nada para contestar. Cada palavra que ele dizia, cada razão que apresentava, derretia lentamente a relutância que ainda restava dentro dela.

Na verdade, Melissa nunca amara aquele dom depois de descobrir para que suas criações estavam sendo usadas.

Ela amava a arte de criar.

Não a destruição que ela trazia.

E o último fio frágil que a conectava àquela bênção finalmente se rompeu quando Kyle lhe disse:

— Seu destino pertence a você, Melissa. Não deixe outra pessoa controlá-lo.

O fantasma ao longe, que vinha lutando contra a Gênese, já havia desaparecido.

Kyle, por sua vez, começava a perder o controle absoluto de Gênese que alcançara temporariamente por meio da recompensa.

O espaço ao redor se borrava e escurecia, sinais claros de que a paisagem mental estava desmoronando ao seu redor.

— Kyle…

Assim que sua figura começou a desaparecer daquele reino, ele ouviu a voz de Melissa.

Kyle olhou para trás e viu um sorriso bonito surgir suavemente nos lábios dela.

— Obrigada.

Foi simples.

Ainda assim, a sinceridade por trás daquelas palavras era tão esmagadora que, quando Kyle finalmente abriu os olhos no mundo real, percebeu que também estava sorrindo.

Ele olhou para a manopla e viu o círculo se preenchendo com uma sombra, sinal de que finalmente havia extraído a bênção da garota.

As garras afiadas se retraíram da pele dela e, quando Kyle ergueu a mão, segurava um orbe branco e brilhante.

Aquilo… era a causa de todo aquele caos.

A bênção de uma divindade.

[Hospedeiro, você pode armazenar a bênção na manopla por apenas seis horas. Depois disso, ela sairá automaticamente.]

Kyle assentiu.

Até lá, decidiria o que fazer com ela.

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