
Capítulo 152
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
— Isso é ridículo — Kyle murmurou enquanto caminhava pela trilha imaculada que, de alguma forma, fazia parte da paisagem mental de Melissa.
Ele havia invadido a consciência dela durante a extração da bênção porque Melissa estava relutante em deixá-la ir.
Bem, claro que estava.
Se alguém tentasse arrancar dele o Olho de Deus, Kyle também faria os dentes dessa pessoa desaparecerem.
E, considerando que uma reação dessas deveria ser normal, WarHorse realmente deveria tê-lo avisado sobre algo assim antes.
Myuri: [Esse bruto idiota precisa parar de subestimar as pessoas. Você está colocando a vida do Kyle em risco aqui!]
Como a live ainda estava acontecendo, Kyle conseguia ler claramente a frustração de Myuri pelo chat. E, pela primeira vez, ele realmente concordou com ela.
WarHorse havia subestimado Melissa.
WarHorse: [Confie em mim, leva muito tempo para um mortal formar um vínculo de alma com sua bênção. A menos que alguém esteja profundamente enraizado ao próprio dom, não conseguirá resistir quando ele for tomado.]
Em sua defesa, WarHorse rapidamente ofereceu uma explicação.
Ethara: [Um vínculo de alma não pode se formar entre um mortal e uma bênção a menos que a bênção tenha ressoado com o receptáculo em perfeita sincronia. Isso explica… você moldou sua bênção para se ajustar perfeitamente à humana, não foi?]
WarHorse: […]
Kyle parou por um instante antes de encarar o vazio à frente.
— Espera, sério? Você esqueceu completamente disso e ainda assim me garantiu que nada aconteceria?
WarHorse: [Mas… mas a pequena Milli sempre foi devotada a mim. Ela nunca dependeu daquelas máquinas e sempre forjou coisas do modo tradicional. Como eu poderia não ter…]
Kyle gemeu internamente.
Apesar do nome, aquele cara definitivamente tinha um lado mole.
Tharos: [Ela precisa morrer.]
Aquela declaração atordoou não apenas Kyle, mas todos que acompanhavam o chat também.
Brawler: [Não poderia concordar mais. Ela se tornou uma variável capaz de devorar esse reino patético que os humanos insistem em alimentar.]
Kyle sorriu sem graça com a participação repentina de seu espectador mais novo.
Tharos: [Se ela machucar Kyle, ela morre.]
WarHorse: [Não, espere! Você vai quebrar o equilíbrio—]
Tharos: [Eu vou apagar o equilíbrio. Nada tem permissão para colocar a vida de Kyle em perigo.]
Kyle ficou genuinamente surpreso com a determinação na fala de Tharos. E, julgando pelo pânico na voz de WarHorse, estava claro que ele sabia exatamente do que Tharos era capaz.
Kyle engoliu em seco.
Por algum motivo, agora estava muito mais preocupado com o próprio mundo do que com Melissa, ou até com sua própria vida.
Preciso lidar com isso com cuidado.
Respirando fundo, ele ordenou:
— Use o Olho de Deus e localize-a.
[Ativando Olho de Deus…]
[Hospedeiro, o alvo está diretamente atrás de você.]
Kyle piscou, surpreso, antes de olhar por cima do ombro e encontrar uma figura ajoelhada ali em silêncio, completamente fechada dentro do próprio mundo.
Ele ficou genuinamente assustado.
Mesmo tendo passado por aquele ponto exato poucos instantes antes, nunca sentira a presença dela.
Ainda bem que posso usar o Olho de Deus… caso contrário, isso teria sido difícil.
Respirando fundo, Kyle se virou e se agachou diante da garota, que estava sentada com os joelhos apertados contra o peito, os braços envolvendo as pernas enquanto os olhos sem vida encaravam o nada.
Pousando uma mão no ombro dela, Kyle chamou:
— Ei, Melissa, consegue me ouvir? Melissa? Eu preciso que você responda, ou isso só vai ficar mais difícil para nós dois.
Ele a sacudiu com delicadeza enquanto chamava seu nome repetidas vezes, tentando provocar até a menor reação, mas sem sucesso.
Parecia que estava tentando soprar vida em uma boneca sem alma.
Ela simplesmente permaneceu sentada ali, imóvel, sem o menor sinal de consciência.
Estalando a língua, Kyle suspirou.
— Preciso que diga alguma coisa, se consegue me ouvir. Melissa, você está me ouv—
— Sim, estou ouvindo.
A alma de Kyle quase deixou o corpo.
Uma mão escura pousou de repente em seu ombro, fazendo seu corpo inteiro travar.
Quem respondeu não foi Melissa.
Alguém havia aparecido atrás dele.
Devagar, Kyle virou a cabeça e, pelo amor de tudo que é sagrado… a visão parecia ter saído direto de uma história de terror.
— Porra!
Kyle saltou de pé no mesmo instante e criou distância entre eles.
A figura usava as mesmas roupas de Melissa, e até sua estrutura corporal era idêntica.
Mas o rosto…
Os olhos vazios eram grandes de um jeito antinatural, salientes como esferas negras. Os lábios se esticavam tanto que pareciam prontos para rasgar o rosto ao meio, enquanto a expressão retorcida carregava uma distorção sombria que fez Kyle saber imediatamente que aquilo estava prestes a se tornar fonte de inúmeros pesadelos.
A coisa ficou ali, com a cabeça inclinada de modo antinatural, antes de murmurar:
— Fale comigo… diga o que quer… e, em troca, eu vou tomar sua vida.
Kyle enxugou o suor da testa, os olhos se afiando enquanto perguntava internamente:
Que diabos é essa coisa, pelos sete mundos?
[Uma intenção maliciosa nascida da resistência da Abençoada. Ela está protegendo subconscientemente sua vontade frágil de se agarrar ao dom, e esse desejo produziu esta monstruosidade. Hospedeiro, você precisa suprimi-la e despertar a Abençoada. Você não tem muito tempo.]
Squelch.
No momento em que Kyle terminou de ler que precisava suprimir a criatura, a Melissa fantasmagórica se contorceu violentamente.
Seus braços se estenderam de forma grotesca, torcendo, deformando e se recompondo diante dos olhos dele.
O que deveriam ser braços, pulsos e dedos agora havia se transformado em um par de serras enormes cobertas de sangue e tremendo com fome de massacre.
Pelo amor de Deus, como eu vou lutar contra uma coisa dessas?
Blake entrou na mansão Astortia depois de três longos dias.
Ele estivera extremamente ocupado ultimamente e não encontrara tempo para voltar para casa, dormindo no escritório nas últimas noites.
Caminhando atrás dele, sua secretária continuava organizando todas as reuniões importantes que Blake havia adiado, considerando que ele tinha um assunto muito mais importante para resolver.
Lara empurrou discretamente as tarefas menos urgentes ainda mais para trás, já ciente de que seu chefe ainda gastaria uma parte significativa do tempo organizando coisas para o irmão.
Ela trabalhava sob ele havia tempo suficiente para entender suas prioridades.
— Blake!
De repente, uma voz chamou de longe.
Os dois pararam.
Os olhos de Blake se afiaram ao ver a figura se aproximando antes de instruir calmamente a mulher ao lado:
— Deixe-nos.
Lara fez uma reverência discreta e se retirou em silêncio antes que o homem chegasse.
Mathew, naqueles dias, parecia capaz de usar apenas uma expressão, e essa expressão estava pintada de vermelho pela fúria.
— Por que você não me informou sobre o despertar de Kyle? — Mathew exigiu, as sobrancelhas fortemente franzidas.
Blake respondeu com calma:
— Eu mesmo só descobri recentemente. Por quê? Qual é o grande problema?
Mathew estalou a língua.
— Ele vem causando caos na cidade há tanto tempo… mais uma vez, aquele garoto fez algo para manchar nosso nome.
Blake franziu a testa.
— Você está em seu juízo perfeito agora? Em vez de se orgulhar porque seu filho despertou um traço tão forte e está sendo disputado pelo Ministério Central… você está culpando ele de novo?
Mathew bufou.
— Qual é o sentido de ter alto potencial se ele vai desperdiçá-lo em Montclair? Faça uma coisa e traga-o para cá.
Seus olhos escureceram um pouco.
— Eu vou educá-lo… adequadamente.
Blake precisou usar toda a contenção que acumulara ao longo da vida para não socar o homem à sua frente naquele momento.
Ele não conseguia acreditar… apesar de tantas coisas terem acontecido, apesar de ter sido insultado repetidas vezes, aquele homem ainda era o mesmo.
— Vou lhe dar uma sugestão — Blake disse de repente, a voz assustadoramente calma. — Em vez de se preocupar com Kyle, você deveria se preocupar consigo mesmo. No devido tempo, vai se arrepender de se meter nos meus assuntos.
Mathew estreitou os olhos.
— O que você quer dizer?
Blake murmurou discretamente:
— Você saberá em breve. Apenas espere.