
Capítulo 151
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Layena encarava o teto sem expressão.
Os bipes mecânicos do monitor que acompanhava seus batimentos cardíacos ecoavam suavemente pelo quarto. Seu corpo ainda parecia dormente. Faixas grossas envolviam sua cabeça e seu rosto, deixando apenas o olho esquerdo e a boca descobertos.
O cheiro fraco de produto de limpeza permanecia no ar… ela odiava aquele cheiro.
Naquele momento, mais do que dor, ela sentia vazio.
Talvez tivessem usado algum tipo de remédio para suprimir seus receptores de dor.
Considerando o estado em que fora levada para lá, era compreensível. Ela mal conseguia se lembrar do que aconteceu depois de certo ponto.
— Layena… você consegue me ouvir?
Uma voz familiar veio de sua esquerda.
Ela virou o olho devagar e encontrou Ethan, Hannah e Clara parados ali.
No instante em que seus olhares se encontraram, Ethan relaxou visivelmente, embora a tensão ainda permanecesse em seus olhos.
— Há… quanto… tempo…?
Ela mal conseguiu murmurar pela garganta seca. Até arrastar algumas sílabas parecia exaustivo.
— Dois dias — Hannah respondeu com calma. — Como você se sente agora?
— Melhor… — Layena respondeu, fraca.
Ela sabia que a recuperação levaria tempo, mas, com a tecnologia médica moderna e seus circuitos etéreos intactos, logo conseguiria ficar de pé outra vez.
— Ficamos muito preocupadas, Layena. Você é uma das caminhantes noturnas mais fortes que eu conheço. Quem poderia ter feito algo tão cruel com você? — Clara perguntou, para irritação de Ethan.
Ele não queria ninguém fazendo Layena se lembrar do incidente. Ela podia ser forte, mas algo daquela escala sem dúvida também deixara cicatrizes em sua mente.
No entanto, as palavras já haviam sido ditas.
Tudo que podiam fazer agora era esperar pela resposta dela.
Ela nomearia a irmã, como Hannah temia? Até Ethan começara a se inclinar para essa possibilidade. Depois de investigar o assunto por conta própria, descobrira a profunda ruptura entre Layena e a família Klaus.
Ainda assim, para choque de todos, Layena disse:
— Eu… não vi o… rosto.
— !!!
— Como isso é possível…?
As duas garotas demonstraram o choque abertamente, enquanto Ethan franzia a testa com força.
Ele não conseguia aceitar que alguém tão poderosa quanto Layena tivesse sido dominada a ponto de nem conseguir identificar a pessoa que a atacava.
Aquilo não fazia sentido.
Por que você está escondendo quem foi, Layena? Foi sua irmã, afinal?
Se realmente tivesse sido Ava, então ele conseguia entender o silêncio dela.
No momento em que Layena a acusasse, a família Klaus se envolveria.
Uma investigação talvez fosse aberta, mas, considerando a influência da família Klaus, era muito improvável que Ava algum dia recebesse uma punição adequada por suas ações.
Pior ainda, ao arrastar a família Klaus para uma investigação oficial, Layena só atrairia mais problemas para si mesma.
Talvez fosse por isso que escolhera permanecer em silêncio.
Ethan mordeu o lábio inferior e baixou a cabeça levemente.
Você precisa suportar toda essa dor e sofrimento sozinha… me desculpa, Layena… me desculpa mesmo…
— Haah… vamos ver — Kyle murmurou baixinho enquanto ficava ao lado da cama onde Melissa estava deitada.
Os olhos dela estavam fechados, a respiração suave e estável. Com certeza estava dormindo.
Com sorte, Amanda tinha mostrado algum controle em vez de exagerar na dose só porque ele a avisara sobre as possíveis consequências caso Melissa se movesse durante a extração.
Ele olhou para Amanda e disse:
— Garanta que ninguém chegue perto de mim. Não sei em que estado mental vou ficar durante a extração.
Amanda assentiu com firmeza.
— Ninguém vai te interromper. Eu prometo.
Kyle fez um pequeno aceno antes de respirar fundo outra vez.
Certo… lá vamos nós.
O colchão afundou levemente quando ele se ajoelhou ao lado de Melissa.
— Sistema… avalie o corpo dela e me diga onde devo posicionar a manopla para extrair a bênção com segurança.
[O local ideal é o lado esquerdo do peito dela, onde a Gênese se reúne em maior quantidade, hospedeiro. E não se preocupe, hospedeiro, você não vai machucá-la.]
Kyle assentiu internamente.
Espero que sim.
Devagar, ele abaixou a manopla sobre o peito dela.
No instante seguinte, quatro presas afiadas se estenderam da manopla e perfuraram o peito de Melissa.
O corpo dela estremeceu de leve, assustando-o por um momento, mas ela continuou dormindo.
Kyle olhou para Amanda por apenas um instante antes de seus olhos se arregalarem de repente.
Não porque tivesse visto algo atrás dela, mas por causa da sensação de queimadura que irrompeu por seu braço.
— Kyle? — Amanda chamou, preocupada.
Mas Kyle já tinha desviado o olhar, encarando a manopla que agora brilhava com uma radiância negra.
WarHorse: [Não… isso não deveria ter acontecido. Uma vida tão jovem consegue oferecer resistência?]
Aquelas palavras imediatamente fizeram o pânico crescer dentro dele.
Antes que Kyle pudesse perguntar se deveria puxar a manopla para longe, uma faísca violenta disparou por seu braço. Ele a sentiu conscientemente subindo, correndo direto para sua cabeça.
Ele sentiu.
Mas não conseguiu impedir.
E, no instante seguinte, Kyle perdeu a consciência ali mesmo, ainda ajoelhado ao lado da cama, com a manopla presa à Abençoada.
— Kyle!
Amanda entrou em pânico no momento em que a cabeça dele tombou.
Ela correu imediatamente em sua direção, mas uma lanterna se materializou de repente acima dele. Luz dourada jorrou dela, formando uma cúpula radiante que impediu Amanda de chegar perto dos dois.
— Agh… o que é isso?
Amanda gemeu, levando a mão à testa depois de colidir com a barreira.
Tudo acontecera rápido demais para que ela sequer notasse a lanterna antes de cambalear para trás.
— Que coisa é essa… e por que está me impedindo de chegar até Kyle? — ela murmurou, ansiosa.
Aquilo o estava protegendo? Ou interferir agora era perigoso?
Seria perigoso até para o próprio Kyle?
Ela mordeu o lábio inferior e encarou o corpo imóvel de Kyle.
Em voz mais baixa, sussurrou:
— Espero que você esteja bem…
— Onde diabos eu estou? — Kyle murmurou enquanto olhava ao redor da extensão infinita que o cercava.
O lugar parecia uma enfermaria psiquiátrica.
Tudo era branco. O chão, o céu, o horizonte se estendendo infinitamente ao longe, tudo limpo e completamente imaculado.
O sistema nunca o avisara sobre passar por algo assim.
Nem Aleda havia mencionado nada.
Então…
WarHorse: [Esta é a paisagem mental da Abençoada.]
Kyle franziu a testa, surpreso.
— A live ainda está ativa?
[De fato, hospedeiro. No entanto, usar seus equipamentos aqui é impossível. Você ainda pode acessar o Olho de Deus.]
Kyle piscou antes de erguer a mão por instinto, tentando invocar a Aquilla.
— Ah!
Do lado de fora, Amanda gritou quando o arco dourado se materializou de repente na mão de Kyle, ainda inconsciente.
Kyle sorriu com ironia dentro da paisagem mental.
Ótimo, sua única arma estava fora de alcance.
Mas, por outro lado, aquele lugar parecia tão calmo e reconfortante que ele não achava que precisaria dela.
— O que exatamente eu devo fazer aqui? — ele perguntou, olhando ao redor para ver se encontrava alguma coisa.
WarHorse: [Você precisa encontrar a Abençoada e convencê-la a parar de resistir a esta extração.]
— …
WarHorse: [E precisa fazer isso em tempo limitado, já que, quanto mais tempo permanecer aí, mais colocará sua sanidade em risco.]
— …
Ótimo. Exatamente o que ele queria em um dia que deveria ser de descanso.
Haaa… agora vamos ver onde você está escondida, Melissa.