
Capítulo 138
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Veronica podia estar em pânico, mas, no instante em que percebeu que Ava estava lentamente tecendo uma armadilha ao redor de Kyle, apertando-a pouco a pouco, recorreu à única pessoa capaz de ajudá-lo caso as coisas descambassem para o cenário que ela mais temia.
E seu instinto se provou correto.
Ava havia encurralado Kyle, empurrando-o para uma posição indefesa, e ainda fora longe o bastante para machucá-lo apenas para satisfazer os próprios desejos distorcidos.
Veronica não conseguia se lembrar da última vez que sentira tanta raiva. E, se não fosse pela interrupção repentina, não teria deixado Ava sair viva.
Ela teria matado Ava naquele dia.
E teria sentido alívio, talvez até uma sombria satisfação, ao fazer isso.
— Diretor? — A voz de Ava carregava choque evidente enquanto ela encarava o velho que havia surgido do nada.
O homem parado sobre um contêiner possuía uma presença imponente, capaz de fazer o próprio ar parecer imóvel, detendo o caos que pairava ali momentos antes.
Sua cabeça calva era coberta por um chapéu preto, e um cavanhaque branco cuidadosamente aparado emoldurava seu rosto, dando-lhe um ar de elegância silenciosa.
Ele era alto, com cerca de um metro e oitenta, e seu corpo esguio lhe conferia uma aparência refinada, mas formidável.
Vestido com um impecável terno de três peças, estava o diretor da Academia Militar, a instituição para a qual todos os estudantes despertos da nação eram admitidos.
Senhor Christopher Malandock.
Ele deu um passo à frente, pousou suavemente no chão e se posicionou diretamente entre Veronica e Ava, de costas para a primeira, como se a protegesse do que pudesse vir em seguida.
Fixando um olhar afiado em Ava, ele falou:
— Deve haver um limite para o quanto você consegue ser indisciplinada. Para uma mulher adulta que ocupa uma posição tão importante, está claro que você precisa se sentar e revisar as lições de disciplina que recebeu.
Ava soltou uma risadinha baixa.
— Ele é um criminoso que tentou fugir. Como oficial responsável pelo caso—
— Eu estou aqui desde o momento em que você quase esmagou os dedos dos pés dele, sua garota tola! Isso não foi o ato de capturar um criminoso. Você estava simplesmente determinada a machucá-lo.
Ava ficou em silêncio diante daquelas palavras, os olhos se arregalando muito de leve.
Por que ela não o sentira até agora?
E por que ele estava ali, para começo de conversa?
Christopher, por coincidência, estava em Montclair e havia saído para caminhar quando sentiu a presença de Ava.
Ao segui-la, testemunhou toda a troca entre ela e o suspeito, assim como o confronto entre suas duas ex-alunas.
E, no instante em que sentiu Veronica se aproximando de um limite perigoso, escolheu intervir.
Christopher deu um passo para trás e se virou para olhar para Veronica.
— E você… é assim que escolhe reagir em uma situação como esta?
— Existe uma linha que ninguém pode permitir que outros cruzem. E, se cruzarem, a reação será exatamente a que o senhor acabou de testemunhar — Veronica respondeu com calma, sem o menor traço de arrependimento em sua voz.
Ela sabia o quão perto estivera de esmagar Ava momentos antes.
E ainda mantinha aquela intenção.
Ava soltou um rosnado baixo enquanto encarava Veronica, os olhos afiados de hostilidade.
— Proteger um criminoso como ele ainda vai custar caro para você, Veronica. Aguarde.
Veronica permaneceu completamente inabalável, a expressão firme enquanto se posicionava sutilmente diante de Kyle, protegendo-o atrás de si.
Foi então que Christopher falou, seu tom firme e inquestionável:
— Você deve voltar para a base. Eu cuidarei de tudo daqui em diante.
Ava franziu a testa profundamente.
— Como é? Eu tenho ordens diretas para—
— Estou plenamente ciente de suas ordens, e já entrei em contato com o comando central. Portanto, não há necessidade de você se preocupar com isso, Ava — Christopher a interrompeu, a voz carregando uma autoridade silenciosa. — Suas novas ordens são voltar para a base e enviar um relatório completo de tudo que causou em sua tentativa de cumprir esta missão.
Seu olhar deixou claro o que aconteceria caso ela omitisse o que realmente havia feito e tentasse relatar apenas a prisão do suspeito.
Ava não se moveu de imediato.
Em vez disso, ergueu a mão e contatou alguém pelo comunicador, o olhar ainda fixo à frente.
Só depois de receber confirmação ela finalmente decidiu recuar, embora não antes de lançar um último olhar demorado para Kyle e, em seguida, para Veronica.
Ela teria sua vingança.
Mas não agora.
A hora disso chegaria em breve.
E, desta vez, Ava sabia exatamente onde atingir para ferir Veronica da forma mais profunda.
Assim que Ava foi embora, Christopher soltou um longo suspiro exasperado antes de falar:
— Leve-o para algum lugar seguro primeiro.
Veronica deu um pequeno aceno antes de se virar para Kyle.
A ferida em seu peito já havia desaparecido, mas ele permanecia inconsciente, o corpo mole e sem resposta.
Veronica deslizou um braço por baixo dos joelhos dele e o outro por trás de suas costas, erguendo-o com facilidade. Apesar da constituição física de Kyle, não pôde deixar de notar que ele parecia um pouco leve demais em seus braços.
Eles começaram a caminhar em direção ao carro estacionado a certa distância.
Enquanto avançavam, Christopher falou de novo, o tom mais calmo do que antes:
— Esta é a primeira vez que você me pede algo desde o nosso primeiro encontro. E nem foi por você mesma.
Veronica baixou ligeiramente o olhar.
— E ainda é mais do que o senhor poderia ter feito por mim.
Christopher soltou um leve resmungo.
— Neste meio, emoções são consideradas uma fraqueza. E, ainda assim, você nutre sentimentos tão profundos por esse garoto? Devo admitir, estou surpreso, Veronica.
A mulher de cabelos prateados não respondeu.
Ela não via seus sentimentos por Kyle como qualquer forma de fraqueza. Se alguma coisa, eram justamente aqueles sentimentos que a haviam levado tão longe. O desejo de permanecer ao lado dele, de se tornar alguém em quem ele pudesse confiar como um pilar firme, nunca a deixara desistir em nenhum momento de sua vida.
Christopher escolheu não insistir no assunto e simplesmente seguiu em frente, abrindo a porta do carro para ela sem dizer mais nada.
Veronica ajeitou Kyle cuidadosamente no banco de trás antes de se sentar ao lado dele, pousando a cabeça dele com delicadeza sobre seu colo.
Christopher fechou a porta e estava prestes a entrar no banco do motorista quando, de repente, sentiu vontade de suspirar.
Outra assinatura de Gênese, forte e familiar demais, aproximava-se rapidamente, vindo direto na direção deles.
Sem dizer uma palavra, ele deu um passo à frente e bateu palmas de leve.
TNG.
A onda que irrompeu dele atingiu a figura que se aproximava, forçando-a a parar abruptamente enquanto seus olhos se arregalavam em choque.
— Velho? — Blake chamou, surpreso. — Por que você está— não, espera. Preciso encontrar meu irmão e punir aquela mulher perversa — murmurou, a voz se tornando fria.
Christopher apertou a ponte do nariz, a exasperação surgindo em sua expressão.
— Como todos os meus alunos foram acabar assim tão indisciplinados? Senhor, salvai-me.