Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 137

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Já fazia mais de dois anos desde a última vez que elas lutaram.

Durante esse tempo, Ava havia enfrentado inúmeras batalhas e sobrevivido a situações em que um único passo em falso poderia ter custado sua vida. Ela não era mais a garota imprudente que avançava de cabeça contra o perigo sem pensar. A pirralha impulsiva que um dia se jogava no caos havia sido temperada por sangue e sobrevivência.

Ela havia crescido, tanto no corpo quanto na mente.

E agora estava pronta para fazer a única pessoa que já a humilhara entender o quanto havia esperado por aquele momento.

— Você cometeu um erro, Veronica. Hoje, você vai perder tudo — Ava disse, limpando o nariz antes de deixar as facas caírem.

No lugar delas, puxou um par de bastões de trás do corpo e abriu os braços em um movimento brusco.

Os bastões crepitaram com eletricidade, alongando-se um pouco enquanto arcos de energia dançavam pela superfície.

Seus olhos ardiam em vermelho, tomados pela fúria, e sua intenção era clara.

Ela mataria aquela mulher hoje.

Antes de fazer qualquer movimento, Veronica se virou para olhar para Kyle.

— Kyle… — chamou suavemente, embora seu coração batesse com violência no peito. — Fale comigo, por favor.

Ela segurou o rosto dele, a voz tremendo apesar do esforço para permanecer composta.

Sangue manchava o peito dele, e seu rosto havia ficado pálido, quase sem vida aos olhos de quem o visse.

Ainda assim, a lanterna que pairava acima dele continuava seu trabalho constante, fechando a ferida e restaurando a Gênese que ele havia perdido.

Kyle não tinha perdido totalmente a consciência, mas o choque físico havia roubado seu fôlego, deixando-o incapaz de responder naquele momento.

Essa desgraçada!

Ava rosnou internamente enquanto avançava. Sua velocidade explodiu, e seu corpo atravessou o espaço em um piscar de olhos até aparecer logo atrás de Veronica, mirando um golpe limpo na nuca dela.

Mas, no instante seguinte, tudo parou.

Os olhos de Ava se arregalaram em choque.

Uma mão havia se fechado sobre sua boca, detendo-a a apenas um braço de distância de Veronica.

O aperto era esmagador, sufocante, forçando o ar para fora de seus pulmões. O que a deixou ainda mais atordoada foi o fato de que a pessoa que a continha nem sequer estava olhando para ela.

Veronica apenas lançou um olhar por cima do ombro, os olhos vazios de qualquer calor, e falou em um tom baixo e arrepiante:

— Eu entendo que você esteja ansiosa para morrer, mas me deixe falar com ele primeiro.

Com um leve empurrão, mandou Ava cambalear para trás antes de voltar sua atenção para Kyle, como se nada tivesse acontecido.

Ava ficou parada, congelada, os olhos arregalados de incredulidade.

C-Como… como ela ainda era mais forte?

Como ainda conseguia reagir daquele jeito… e detê-la com tanta facilidade?

Não… aquilo tinha que ter sido sorte.

Tinha que ser.

— Vai se foder! — Ava rugiu enquanto avançava outra vez, desta vez despejando Gênese no corpo e dobrando sua velocidade em uma explosão de força bruta.

Veronica girou sobre o calcanhar, erguendo os braços para proteger o rosto.

DHAK.

DOOOOM.

O chão sob seus pés se despedaçou com a força do golpe que ela absorveu de frente. O impacto se espalhou para fora, rachando a terra.

Ainda assim, Veronica não deu um único passo para trás.

Kyle estava seguro.

Ava rangeu os dentes e pressionou adiante, a raiva distorcendo sua expressão.

— Então vou esmagar primeiro aquele que você está tão desesperada para proteger.

Veronica encontrou seu olhar diretamente, os olhos sem vida cravados nos de Ava com uma frieza final.

— Eu te desafio a tocar nele de novo.

Ava riu pelo nariz.

— Isso—

Ela desapareceu do lugar e apareceu do outro lado, parada atrás de Kyle, com o bastão erguido.

— eu vou— hein?!

Ela desferiu o golpe com os bastões, mas eles não acertaram nada.

Tanto Veronica quanto Kyle se dissiparam em névoa, elevando ainda mais sua frustração.

Ava se virou, olhando ao redor.

— Essa sua habilidadezinha patética continua tão ridícula quanto antes.

Ava conhecia muito bem a habilidade de Veronica: Ilusão. Com ela, Veronica podia criar miragens e fintas. Mas, no fim, não passava de uma habilidade defensiva usada para escapar.

— Ainda consigo sentir você, minha querida. Que tal parar com essa caçada ridícula e aparecer logo? — Ava disse, já se movendo em direção ao fluxo descontrolado de Gênese atrás dos contêineres.

Ela caminhou naquela direção e encontrou Kyle sentado ali… sozinho.

Um sorriso se espalhou por seu rosto, e Ava avançou direto contra ele.

Só para sentir um aperto de ferro envolver sua cintura por trás.

Ava entrou em pânico, mas já era tarde demais.

Sua visão virou de cabeça para baixo, seu corpo arqueou para trás, e sua cabeça atingiu o chão com um BAQUE! alto.

Veronica não lhe deu tempo para se recuperar.

Levantou-se, agarrou sua perna e a arremessou como uma boneca de pano contra o contêiner de carga.

THUNK.

O metal afundou com o impacto, arrancando o ar dos pulmões dela.

Ava caiu no chão, mas chutou o tornozelo de Veronica. A mulher de cabelos prateados nem sequer vacilou, mantendo-se firme.

O que veio em seguida, porém, quase tirou alguns anos de vida de Ava.

DHAK.

Bem a tempo, ela bloqueou o chute que avançava contra seu rosto e que, com certeza, teria causado uma fratura.

— Gorila de merda — Ava xingou, empurrando-a para trás.

Apoiada em uma perna só, Veronica não conseguiu manter o equilíbrio e cambaleou, dando a Ava tempo suficiente para se colocar de pé.

As duas mulheres se encararam.

Ava se moveu primeiro.

Veio baixa e rápida, os bastões crepitando, o estrondo elétrico audível até acima do ruído ambiente do terminal.

Abriu com um golpe horizontal amplo na altura dos joelhos, forçando Veronica a saltar ou receber o impacto.

Veronica saltou.

Ava já subia para encontrá-la, impulsionando os dois bastões para cima em um padrão cruzado que teria pego qualquer um que não visse aquilo chegando.

Veronica girou no ar e recebeu apenas um arranhão de um dos golpes no antebraço antes de pousar e avançar imediatamente, em vez de recuar.

Entrou no espaço de Ava.

Onde os bastões eram mais difíceis de usar livremente.

Ava se adaptou no mesmo instante. Recolheu os cotovelos e começou a trabalhar golpes curtos e apertados contra as costelas e a clavícula de Veronica.

A eletricidade crepitava a cada impacto, e três deles conectaram, cada um carregando carga suficiente para paralisar uma pessoa comum.

Veronica absorveu os golpes e deu uma cabeçada nela.

A visão de Ava embranqueceu por um instante. Ela se jogou para trás antes que o golpe seguinte pudesse acertá-la, criou distância e sacudiu a cabeça uma vez.

Seus braços já formigavam pela troca de curta distância. Os bloqueios de Veronica eram como devolver o próprio golpe ao remetente.

Ava estalou a língua.

Ela continuava afiada como sempre.

E aquela força monstruosa…

Ava fingiu ir pela direita, foi pela esquerda e liberou uma combinação de quatro golpes que fluía de cima para baixo sem nenhuma brecha entre eles.

Os bastões cantaram pelo ar, cada golpe deixando um breve arco de eletricidade para trás. Ela estava mais rápida do que jamais estivera. Mais rápida do que dois anos atrás por uma margem que deveria ter feito diferença.

Veronica bloqueou os dois primeiros com os antebraços cruzados, escapou do terceiro por uma margem que pareceu quase casual e agarrou o quarto pelo pulso.

Então apertou.

Ava sentiu os ossos do pulso comprimirem e arrancou o braço antes que o aperto se fechasse por completo, girando para longe e colocando uma distância segura entre as duas.

Sua mão estava dormente até o cotovelo.

Ela flexionou os dedos uma vez, confirmou que ainda funcionavam e encarou a mulher.

Veronica não estava lhe dando espaço para respirar. E cada golpe dirigido contra ela tinha a intenção de feri-la.

Ela não estava se segurando.

— Por que você iria tão longe por aquele cara? Nunca esperei algo tão patético de você. O pouco respeito que eu tinha desapareceu hoje.

Veronica olhou nos olhos dela. Nem um único traço de exaustão manchava seu rosto quando disse:

— Você acha que eu me importo com o seu respeito? Eu avisei para você se conter… mas você não me ouviu.

Ava riu pelo nariz.

— Pelo amor de todos os infernos, você não é minha superior. Então cala essa boca e—

Uma corrente carmesim caiu de suas mãos e se enrolou ao redor dos bastões.

A eletricidade se apagou, e toda a estrutura das armas se alterou, queimando com um brilho feroz.

Encarando a mulher, ela declarou:

— Renda-se, Veronica… ou isso vai ficar feio.

Veronica não se rendeu.

Ela cerrou o punho e assumiu uma postura de combate.

Ava sorriu.

— Não que eu quisesse que você aceitasse.

As duas mulheres travaram os olhares e, no exato momento em que a breve tensão estava prestes a se romper—

THUNK.

Uma onda as atingiu, pegando as duas desprevenidas.

Ambas se viraram ao mesmo tempo na direção da origem, e Ava ficou estupefata ao ver o homem parado ali.

— Você continua indisciplinada como sempre, Ava.

— Diretor?!

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