
Capítulo 136
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
O campo de batalha ficou paralisado por alguns instantes.
Ava não conseguia acreditar que ele possuísse um artefato capaz de realizar algo que nem a tecnologia moderna conseguia.
A supressão de Gênese fez seus músculos se contraírem, e uma sensação parecida com vertigem a atingiu com força.
Seu corpo entrou em modo de segurança quase de imediato, regulando a Gênese apenas o bastante para evitar danos internos.
Mas Kyle não lhe deu tempo para se recuperar.
Ele sabia que o efeito da flecha não duraria muito.
Avançou, lançando as duas mãos para a frente e apontando os dedos para o rosto dela.
Ava agarrou seu pulso bem a tempo e o torceu, forçando-o a se inclinar.
Os olhos dele se arregalaram ao ver a faca subir em arco na direção de seu rosto.
Como ela se recuperou tão rápido?
O pânico irrompeu em seu peito. Kyle usou a força do tronco para recuar, e a lâmina acabou raspando o próprio antebraço de Ava.
— Maldito! — ela rosnou, avançando de novo.
O peso de Ava se deslocou com suavidade, e sua perna dominante disparou para cima.
DHAK.
Ele não conseguiu recuar a tempo. O chute acertou seu queixo, fazendo seus ossos vibrarem com o impacto.
Ainda assim, Kyle não deixou que ela aproveitasse a vantagem. Agarrou o golpe seguinte no meio do movimento.
— Não é tão rápida agora, é? — Kyle disse, empurrando contra o pulso dela, a ponta da lâmina pairando a poucos centímetros de seu rosto.
Ela riu pelo nariz.
— Ainda sou rápida o bastante para derrubar você.
Ava soltou a faca no ar e a pegou com a outra mão, perto do tronco dele.
SWISH.
Kyle saltou para trás bem a tempo, mas a lâmina cortou sua camisa, abrindo uma linha fina em sua pele.
Ela era rápida.
E precisa.
Ele observou quando Ava lambeu a gota de sangue da lâmina, sorrindo enquanto dizia:
— Adoro que você não tenha cedido logo de cara. Pelo menos isso faz de você melhor que aquela fracote.
O olhar de Kyle se afiou com aquelas palavras.
Cruzando o braço esquerdo sobre o peito, ela continuou:
— Sabe, sempre que eu tirava uma nota um pouco abaixo da perfeição, costumava sufocá-la com um travesseiro ou amarrar uma corda no pescoço dela e arrastá-la pelo jardim até me sentir satisfeita. Ela nunca protestava, e essa era a melhor parte.
Vazio.
Por um instante, a mente de Kyle ficou completamente vazia.
À medida que as palavras dela se assentavam, ele começou a imaginar o que Layena devia ter passado.
Ser torturada pela própria irmã. Ser encurralada pela família, sem ninguém ao seu lado.
Chorar sozinha em algum canto escondido, forçando-se a suportar, esperando que um dia as coisas mudassem.
Naquele instante, ele viveu tudo aquilo.
Seus punhos se fecharam. A raiva explodiu em seu peito.
Kyle não era alguém que deixava as emoções tomarem o controle, mas aquilo acertou perto demais de casa.
Ava sorriu.
Ela podia sentir a Gênese retornando ao corpo.
Qualquer que fosse a técnica que ele havia usado, estava desaparecendo, e ela não tinha intenção alguma de deixá-lo usá-la de novo.
Então, de repente, houve uma mudança.
Seus sentidos dispararam. Ava virou bruscamente para a esquerda, lançando a faca para a frente.
Schlk.
A lâmina perfurou o peito dele.
Mas Kyle não parou.
— Ah-ghhh! — ela engasgou quando a mão dele se fechou ao redor de sua garganta com força brutal.
Cada fibra do corpo de Kyle foi despejada naquele aperto enquanto ele a erguia do chão e a arremessava para baixo.
DOOOOOM.
A visão de Ava escureceu por uma fração de segundo, mas seus instintos entraram em ação. Ela envolveu as pernas ao redor do pescoço dele, apertando o estrangulamento enquanto forçava a mão dele a se soltar de sua garganta.
Apesar da fúria, Kyle não conseguia superar a força de uma oponente de grau especial fortalecida por Gênese.
As pernas dela se contraíram ao redor de seu pescoço, impedindo-o de respirar. Sua camisa estava encharcada de sangue, e sua consciência começava a escapar.
Merda… aquele não era o último rosto que ele queria ver.
— Gah!
Com o que restava de força, ele a arremessou para longe e cambaleou de volta para ficar de pé.
Ava também se levantou, quase ilesa, embora sua respiração carregasse um leve desconforto.
— Uau… você tem uma pegada forte — ela disse, quase impressionada, enquanto tocava o próprio pescoço.
A respiração de Kyle havia se tornado irregular e áspera. Cada inspiração queimava seus pulmões, e cada expiração saía mais pesada que a anterior.
A faca já havia sido arrancada por ela, deixando para trás uma ferida profunda em seu peito, que continuava sangrando sem controle.
Sangue quente encharcava sua camisa, grudando em sua pele e pingando constantemente no chão.
Sua visão oscilou.
O mundo ao redor parecia distante, como se estivesse escapando de seu alcance.
Ele podia sentir claramente agora.
Sua consciência estava desaparecendo.
Contra ela, naquela condição, não duraria nem mais um minuto.
Ele precisava agir.
Precisava sobreviver de algum jeito.
Sistema… desbloqueie o presente…
[Desbloqueando a Lanterna da Vida.]
A expressão de Ava mudou instantaneamente ao notar a alteração repentina.
Acima de Kyle, um objeto começou a se materializar, formando-se do nada. Tinha o formato de uma lanterna, brilhando suavemente em tons de verde e dourado, sua superfície cintilando com um brilho sobrenatural.
Uma onda densa e avassaladora de Gênese irrompeu dela, tão espessa que distorceu o ar ao redor. Correntes de energia dourada desceram, envolvendo o corpo de Kyle e penetrando nele como fios de luz.
Os instintos de Ava gritaram.
Cada fibra de seu ser a alertava do perigo.
Ela não podia deixar aquilo continuar.
Sem hesitar, apertou a faca com mais força e avançou, o corpo cortando o ar com intenção letal.
Mas, no instante seguinte, algo mudou.
Seus instintos se transformaram violentamente.
Não ataque.
Fuja.
Suas pupilas se contraíram quando seu corpo reagiu por conta própria. Ela mal teve tempo de se jogar para trás, os músculos gritando enquanto forçava uma retirada.
Ainda assim, foi tarde demais para escapar completamente do impacto.
Uma força aterrorizante explodiu para fora.
A pressão sozinha a lançou pelo ar como uma boneca de pano, seu corpo se chocando violentamente contra um contêiner de carga atrás dela.
BOOM.
O metal afundou com o impacto.
Ava tossiu com força enquanto deslizava para baixo, sangue escapando de seus lábios e respingando no chão. Seu peito se apertou enquanto se obrigava a respirar, a dor irradiando por todo o corpo.
Franzindo a testa, ergueu a cabeça e olhou para a frente.
E então a viu.
Uma figura de cabelos prateados estava firmemente parada diante de Kyle, imóvel, mas exalando uma presença que fazia o próprio ar parecer pesado.
Seus olhos ardiam com um brilho vermelho profundo, cheios de uma raiva crua e sem filtro. Cada músculo de seu corpo estava tenso, como uma corda de arco puxada ao limite, pronta para se romper ao menor movimento.
Gênese envolvia seu corpo como uma segunda pele, fluindo e se movendo como se estivesse viva.
Os lábios de Ava se curvaram lentamente em um sorriso, apesar da situação.
— Então finalmente mostrou suas verdadeiras cores, hein, Veronica?
A mulher de cabelos prateados abaixou levemente a postura, o olhar travado em Ava com uma intenção assustadora. A energia ao seu redor se intensificou, pressionando o ambiente como um peso invisível.
— Não haverá investigação — ela murmurou, a voz fria e sem qualquer hesitação.
— Nenhum julgamento.
Uma pausa tênue pairou no ar antes que ela declarasse:
— Você vai morrer hoje.