
Capítulo 139
Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.
Tradutor/Revisor: miggigibe
Amanda correu para o hospital no instante em que Blake ligou.
Apesar da tempestade de ansiedade arranhando seu peito depois de descobrir que Ava estava caçando Kyle, disseram a ela que ficasse em casa.
Então veio a primeira atualização sobre ele.
Ele estava no hospital.
No instante em que ouviu aquelas palavras, ela disparou.
Nem se deu ao trabalho de pegar um carro. Atravessou as ruas em velocidade máxima, ignorando os olhares chocados que a seguiam enquanto expunha descaradamente uma força que nenhum humano normal deveria possuir.
Nada daquilo importava.
Naquele momento, ela só precisava de uma coisa.
Ver Kyle seguro.
Blake havia garantido que a vida dele não estava em perigo, mas aquelas palavras, sozinhas, não conseguiam acalmá-la. Não até vê-lo com os próprios olhos. Não até confirmar por si mesma.
— Hm… com licença.
Amanda parou na recepção, ligeiramente sem fôlego, a voz tensa de urgência.
— Quero ver Astortia Kyle.
A enfermeira ergueu os olhos para ela antes de responder:
— Não há ninguém aqui com esse nome.
Amanda franziu a testa, a irritação surgindo imediatamente por baixo da preocupação.
Mas, antes que pudesse insistir—
— Ah, ela está comigo.
Uma voz familiar veio de sua esquerda.
Ela se virou no mesmo instante.
Assim que a enfermeira viu o homem se aproximando, levantou-se rapidamente da cadeira e fez uma reverência respeitosa.
Blake parou ao lado de Amanda antes de dizer com calma à enfermeira:
— Ninguém que vier depois dela deve ser informado sobre ele, então…
— Entendido — a enfermeira assentiu, como se já soubesse do que se tratava.
Amanda compreendeu de imediato.
Precauções de segurança.
Blake havia escondido a presença de Kyle de todos.
Os dois começaram a caminhar pelo corredor, e a primeira coisa que Amanda perguntou foi:
— Ele foi ferido pela Ava?
Blake soltou um suspiro baixo.
Permaneceu em silêncio até as portas do elevador se fecharem atrás deles.
— Sim — disse finalmente. — Foi ela.
Sua expressão escureceu um pouco.
— De algum jeito, ela encontrou o galpão… e estava esperando por ele lá.
O coração de Amanda afundou no instante em que ouviu aquelas palavras.
Durante todo aquele tempo, eles estiveram fugindo daquela mulher.
E, ainda assim, Kyle havia caminhado direto para a armadilha dela.
— C-Como ele está?
Sua voz tremeu levemente ao falar. Amanda entendia, como qualquer outra caminhante noturna em atividade, o quanto Ava era aterrorizante. Por mais talentoso que Kyle fosse, ela sabia que ele ainda não era forte o bastante para enfrentar alguém como ela de frente.
Blake balançou a cabeça de leve, tentando tranquilizá-la.
— Não se preocupe. Ele usou algum tipo de artefato para se curar durante a luta. E, antes que Ava pudesse causar mais danos… — Ele fez uma breve pausa. — Alguém veio ajudá-lo.
Amanda olhou para ele imediatamente.
— Quem?
Assim que Blake estava prestes a responder—
Ding.
As portas do elevador se abriram.
Em vez de falar, Blake apenas ergueu a mão em direção a alguém do lado de fora.
Amanda se virou.
No instante em que seus olhos pousaram na figura encostada à parede, seu corpo inteiro ficou rígido.
— C-Comandante…?
Não havia como confundi-la.
Parada ali, de braços cruzados e com as costas apoiadas na parede, estava ninguém menos que Veronica.
Ao ouvir a voz de Amanda, Veronica soltou um suspiro tênue antes de voltar o olhar para ela.
Amanda e Blake saíram do elevador, embora Amanda ainda parecesse visivelmente abalada pela reviravolta repentina dos acontecimentos.
Veronica se afastou da parede e lançou um breve olhar para Blake.
Blake falou primeiro:
— Vamos vê-lo antes de vocês duas começarem a conversar.
Amanda assentiu de imediato, o choque persistente sendo substituído pela preocupação mais uma vez. Sem desperdiçar outro segundo, seguiu Blake pelo corredor até o quarto de Kyle.
No momento em que entraram, seus passos aceleraram em direção à cama.
Kyle estava deitado em silêncio, o rosto ligeiramente pálido sob a luz fraca do hospital. Fora isso, porém, não havia ferimentos visíveis. Nenhuma bandagem. Nenhum sinal de tratamento severo.
Blake percebeu o olhar dela e explicou com calma:
— Ele só está descansando enquanto o corpo se recupera. O médico disse que está completamente bem. Só precisa de tempo.
Os ombros tensos de Amanda finalmente relaxaram.
Ela desabou na cadeira próxima e soltou um longo suspiro trêmulo de alívio.
Ele estava seguro.
Por alguns instantes, ela apenas ficou sentada ali, encarando em silêncio a figura inconsciente de Kyle, quase como se precisasse se convencer de que ele estava mesmo vivo.
Então, finalmente perguntou:
— A comandante já estava lá por acaso… ou encontrou alguma pista?
— Eu… na verdade, isso foi culpa minha.
A voz de Veronica veio da porta.
Os dois se viraram para ela enquanto Veronica entrava lentamente no quarto.
Seus cabelos prateados refletiam de leve sob as luzes brancas e estéreis enquanto ela confessava:
— Ava provavelmente colocou um rastreador no meu carro. — Sua expressão se contraiu um pouco. — E, quando fui encontrar você e Kyle ontem à noite…
Um breve silêncio se seguiu.
— Ela encontrou o galpão por minha causa.
Amanda piscou, surpresa.
— Espera… por que a senhora foi lá ontem à noite, Comandante?
A revelação a pegara completamente desprevenida.
Veronica pressionou os lábios antes de cruzar os braços sobre o peito. Pareceu pensar por um momento antes de finalmente dizer:
— Acho que você deveria ouvir isso diretamente do próprio Kyle. — Seu olhar suavizou um pouco. — Só saiba que somos bons amigos, Amanda.
Aquelas palavras atingiram Amanda de uma forma inesperadamente desagradável.
Uma garota só enfatizava que era apenas amiga de um homem quando havia algo a mais enterrado por baixo.
Na época em que passava tempo com Kyle e suas amigas a provocavam por isso, ela respondia exatamente da mesma forma.
Então…
Aquilo significava que—
— Amanda.
A voz de Blake interrompeu seus pensamentos.
— O segredo de Kyle já foi exposto.
Outro choque caiu sobre ela antes que pudesse sequer processar o anterior.
Ela se virou para o Astortia mais velho, a confusão claramente visível em seu rosto.
Blake continuou:
— Veronica precisou pedir ajuda ao diretor Christopher para proteger Kyle da Ava.
— Hã…? O diretor?
Amanda se sentiu completamente sobrecarregada.
Por que tantos nomes inacreditáveis estavam se envolvendo de repente naquele dia?
Primeiro Veronica.
Agora o próprio diretor.
— Sim — Veronica respondeu com calma. — Sem ele, ninguém teria conseguido impedir Ava de arrastar Kyle de volta para a base principal hoje.
Sua expressão escureceu um pouco quando acrescentou:
— Então não tive escolha a não ser pedir ajuda a ele.
Felizmente, por pura coincidência, Christopher estava em Montclair naquele dia, o que permitiu que respondesse ao pedido dela quase imediatamente.
— Então… isso significa que Kyle vai ser forçado a trabalhar para o governo, afinal?
O desagrado era evidente na voz de Amanda.
— Acho que não.
Uma quarta voz entrou de repente na conversa, assustando todos dentro do quarto.
Eles se viraram ao mesmo tempo.
Sentado casualmente no sofá perto da parede estava o velho careca familiar, bebendo chá com tranquilidade, como se a tensão no quarto não tivesse nada a ver com ele.
Amanda se levantou imediatamente da cadeira.
— Boa tarde, Diretor.
— Hum?
O velho olhou para ela antes de estreitar levemente os olhos em reconhecimento.
— Eu me lembro de você… Amanda, certo? — perguntou. — Aquela que destruiu minha coleção de xícaras?
Amanda estremeceu visivelmente.
— E-Eu sinto muito por aquilo, senhor.
Christopher soltou um pequeno resmungo.
— Bem, esqueça.
Ele tomou outro gole lento da xícara antes de continuar:
— Quanto a esse garoto… acabei de falar com Arthur.
— Senhor Alistair Arthur? — Blake perguntou, a surpresa passando por seu rosto. — Ele não é o líder da Equipe Alpha?
Christopher assentiu calmamente.
— No momento, ele está atuando como mediador entre mim e o Conselho Central. — Seu olhar se deslocou para a figura inconsciente de Kyle. — O assunto referente a esse garoto já se tornou tema de debate entre os membros do conselho.
A atmosfera no quarto ficou pesada no mesmo instante.
Todos já entendiam que Kyle havia deixado uma impressão extraordinária no governo.
Mas ser discutido diretamente dentro do conselho?
Aquilo significava que estavam considerando seriamente recrutá-lo.
— Diretor… — Veronica falou com cuidado, a tensão clara em sua voz. — Eles planejam levá-lo?
Christopher murmurou, pensativo.
— Naturalmente, há pessoas a favor de recrutá-lo e colocá-lo sob a orientação de uma das elites. — Um brilho tênue surgiu em seus olhos. — Até o próprio Arthur pareceu interessado nesse desperto tardio.
Enquanto falava, seu olhar permaneceu por um instante na xícara de chá em sua mão.
Então, depois de uma breve pausa, Christopher acrescentou:
— Mas Arthur também transmitiu os desejos do próprio Kyle ao conselho.
O velho se recostou levemente.
— E várias vozes também o apoiaram.
Aquelas palavras fizeram todos no quarto relaxarem um pouco.
No mínimo, ainda havia algumas pessoas sensatas dentro do conselho.
Mas Christopher ainda não havia terminado.
— Não relaxem ainda.
Sua voz calma apertou a atmosfera outra vez.
— O conselho está cheio de pessoas que pensam apenas no benefício da nação. — Ele colocou a xícara de chá lentamente sobre a mesa. — E elas estão dispostas a ir a qualquer extremo para obter o que consideram um ativo valioso.
Blake franziu levemente a testa.
— Diretor…
— Eu sei.
Christopher assentiu devagar.
— É exatamente por isso que pedi a todos vocês que esperassem alguns dias. — Sua expressão permaneceu composta, embora seus olhos agora carregassem um traço de seriedade. — Acredito que podemos chegar a um meio-termo. Um em que o governo fique satisfeito…
Ele voltou o olhar para Kyle mais uma vez.
— …e este jovem ainda consiga manter sua liberdade.