Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Capítulo 117

Começando com o Nível SSS: Eu Ganho Uma Nova Habilidade a Cada Transmissão ao Vivo.

Tradutor/Revisor: miggigibe


Sentado em um canto da praça de alimentação, Kyle Astortia encarava em silêncio a garota à sua frente.

Layena folheava o cardápio como se nada tivesse acontecido, cantarolando baixinho como se estivesse apenas aproveitando a variedade de opções.

— Então… vamos fingir que nada daquilo aconteceu? — Kyle perguntou por fim, quebrando o silêncio.

Layena ergueu os olhos para ele.

— Do que você está falando?

Kyle apoiou as mãos na mesa e se inclinou para mais perto.

— Layena… você realmente precisa perguntar?

Havia um motivo para ele estar agindo assim.

E, para entender, seria preciso voltar dez minutos.


— Você tem alguma ideia de quanto isso valia?! Teria que trabalhar como escrava a vida inteira para pagar esse prejuízo! — o gerente gritou a plenos pulmões, a calma anterior da loja completamente despedaçada, assim como os copos no chão.

A mulher ao lado dele já estava com o celular em mãos.

— Vou chamar a polícia.

— Não, espere…

Kyle reagiu, prestes a fazer algo para acalmar a situação, mas antes que conseguisse, Layena deu um passo à frente e ofereceu algo que silenciou os dois.

— Espero que isto cubra todo esse lixo.

Ela estendeu um cartão de platina na direção do gerente.

Os olhos do homem se arregalaram enquanto ele o examinava de perto. As iniciais, o selo da marca… não havia dúvida. Era verdadeiro.

— V-Vou trazer a maquininha, senhora — Linda gaguejou, em pânico com a mudança repentina da situação.

Ela correu até o balcão e voltou com a máquina.

Pegando o cartão de Layena, passou-o.

Funcionou.

— O limite é de um milhão. Tenho certeza de que cobrirá facilmente o prejuízo. E também quero a peça mais única que vocês têm na loja.

O gerente olhou para Linda, e ela assentiu de imediato.

— E-Entendido. Por favor, venham por aqui para escolher na seção interna.


E foi assim que Layena, aparentemente milionária, resolveu a situação e acabou comprando para Kyle um presente de vinte mil lumir.

— Sério… por que você começou a quebrar os copos de repente? Quer dizer, aquela mulher nem foi tão rude assim, foi?

Considerando o comportamento usual dela, Kyle jamais teria esperado uma impulsividade tão destrutiva de Layena.

— Eu odeio pessoas que julgam os outros e os desprezam por qualquer motivo. Isso me irrita — Layena disse com simplicidade, então apontou para algo no cardápio. — Quero comer isto.

Kyle olhou para o nome e percebeu que era um combo de hambúrguer com batata frita.

Ele perguntou se ela queria refrigerante e, como uma boneca mecânica, Layena assentiu várias vezes.

Balançando a cabeça, Kyle caminhou até o balcão e fez o pedido.

— Um combo infantil e um balde pequeno de frango assado. Sem molho.

Ele pagou, pegou a senha e voltou para a mesa.

Sentando-se diante de Layena, Kyle a observou por alguns momentos.

Ela ainda folheava o cardápio, o que o fez perguntar:

— Quer pedir mais alguma coisa?

Layena ergueu os olhos e balançou a cabeça.

— Só estou fascinada com a quantidade de coisas que eles oferecem.

As palavras dela deixaram claro que ela não comia fora com frequência. Kyle definitivamente estava aprendendo mais sobre ela.

— A propósito, como você tem tanto dinheiro? A sua organização paga tão bem assim?

Layena recostou-se, deixando o cardápio de lado antes de responder:

— Quando fui recrutada como cadete, eu recebia dez mil lumir de bolsa. Eu não tinha muitas despesas, então guardei a maior parte.

— …dez mil só por ser recrutada? — Kyle ficou atônito.

Nem mesmo um gerente-geral de uma empresa ganhava tanto em um mês.

Layena assentiu.

— Sim. Eles nos fazem assinar um documento dizendo que, se perdermos a vida durante o treinamento, eles não assumem responsabilidade alguma. Então, em troca de arriscarmos nossas vidas, somos bem pagos.

Kyle cruzou os braços. Fazia sentido. A vida de um caminhante noturno era extremamente perigosa, e o treinamento para prepará-los para isso precisava ser igualmente brutal.

— Mas ainda assim… você tem tanto dinheiro guardado? — Kyle insistiu, preocupado por talvez tê-la feito gastar as economias de uma vida.

Ele a pagaria de volta, claro, mas com sua renda atual, isso poderia levar anos.

Layena balançou a cabeça.

— Não. Também somos pagos por cada residente de Knull que matamos. É como um salário mensal por fazer parte do Corpo de Supressão Paranormal, mais uma recompensa adicional por cada caçada.

— Droga — Kyle murmurou. — Então quanto valeria aquela caçada que fiz na época?

Layena murmurou, pensando por um momento.

— Talvez… três dos cartões que acabei de usar.

— …!!

Que porra?

Ele perdeu três milhões assim, do nada?

Layena deu um sorriso discreto ao ver sua reação.

— Então você quer ficar fora dos holofotes e ainda assim receber? Isso é bem egoísta.

Kyle suspirou.

— Não é que eu esteja desesperado para ficar nas sombras, mas odeio receber ordens e ser forçado a fazer coisas que não quero.

— Mas você não seria — Layena argumentou. — Se for recrutado agora e designado para o nosso esquadrão, seus superiores considerariam suas escolhas primeiro. Especialmente nossa comandante. Ela é o tipo de pessoa que enfrentaria o mundo pelos oficiais dela.

Kyle sorriu de leve.

— Você parece muito próxima da sua comandante.

Ele também já tinha ouvido isso de Veronica Steelglade, mas toda vez que Layena falava daquela relação, dava a impressão de que via Veronica como uma figura protetora em sua vida, alguém de quem dependia cegamente.

Desta vez, um sorriso genuíno se espalhou pelo rosto dela.

Layena não precisava dizer nada. Era óbvio o quanto admirava sua comandante.

Ting.

Ao ouvir o sino, Kyle se virou. O visor mostrava o mesmo número impresso em sua senha.

— Vou buscar a comida — ele disse, levantando-se.

Layena assentiu e pegou o cardápio de novo, embora desta vez não estivesse lendo.

Seus pensamentos estavam em Kyle.

Ela gostava de estar com ele.

Ao contrário da figura fria e distante que ele parecera no ônibus, Kyle era surpreendentemente falante pessoalmente, e suas reações eram estranhamente agradáveis de observar.

Quanto mais tempo passava com ele, mais Layena se via atraída por sua presença.

Talvez… ele pudesse se tornar seu primeiro amigo. Será que ele se importaria? Ela não era como Amanda Maylith ou Hannah, pessoas que conseguiam se dar bem com qualquer um. Ela se achava sem graça e, às vezes, impulsiva demais.

Mas mesmo assim…

Layena tomou uma decisão. Ela se tornaria amiga dele. Trocaria informações de contato com ele. Sim, esse era o primeiro passo.

Quando finalmente se decidiu, o assento à sua frente foi ocupado de repente por uma figura de capuz.

Layena falou:

— Com licença, esse lugar está ocupado…

— Que rude da sua parte… — a pessoa murmurou, erguendo lentamente a cabeça.

Layena congelou, os olhos se arregalando e o rosto perdendo a cor.

Todos os pensamentos que giravam em sua mente desapareceram, e tudo foi substituído por medo e cautela.

O capuz escorregou para trás, revelando uma mulher deslumbrante, com cabelos ruivos flamejantes emoldurando o rosto.

Seus olhos dourados brilhavam com puro divertimento, em contraste nítido com a reação da outra garota, enquanto ela observava Layena com nada além de prazer no olhar.

Recostando-se, perguntou:

— …sentiu minha falta, irmãzinha?

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